domingo, 17 de fevereiro de 2019

JESUS É UM LÚCIFER?



Tenho observado a efervescente afirmação que Satanás não deve ser chamado de “Lúcifer”, “estrela da manhã” (Is 14.12 ARA), pois tal título se aplica a Jesus. Isso mesmo, para muitos o título ‘Lúcifer’ deve ser aplicado a Jesus e não a Satanás! E muitos advogam isso afirmando que a Bíblia ensina. Será mesmo?
Particularmente não acredito nisso. Analisando os contextos das referências bíblicas da expressão nós veremos que é correto chamar Satanás de "Lúcifer".

A palavra hebraica traduzida por “estrela da manhã” é heylel. James Strong faz as seguintes colocações: “1) aquele que brilha, estrela da manhã, Lúcifer; 1a) referindo-se ao rei da Babilônia e a Satanás (fig.); 2) (DITAT) ’Helel’ descrevendo o rei da Babilônia”[1].  Certo gramático famoso nos traz o seguinte verbete: “De acordo com LXX., Vulg., Targ. Rabbin. Luth., estrela brilhante, estrela luminosa, ou seja, Lúcifer. Nem isso é uma má interpretação, pois é acrescentado בֶּן־שַׁחַר e no Caldeus também Lúcifer [a estrela da manhã], é chamado כּוֹכַב נהה, em árabe. زُهَرَةُ ou seja, estrela esplêndida. De acordo com essa opinião, הֵילֵל seria derivado da raiz הלל para brilhar; como um substantivo participial do conj. ,יטֵל, (comp. Árabe. بَيْطَرَ, Syr. ܣܰܝܒܰܪ e semelhante), ou então de um verbo quadriliteral הילל, comp. הֵיכָל, הֵידָד. No entanto, הֵילֵל em si não é raramente Imper. Hiph. do verbo יָלַל na significação chorar, lamento (Ez 21:17; Zec. 11: 2), e isto não parece menos adequado, e é adotado por Syr., Aqu. e Jerome. [“Isso é menos adequado.” Ges. corr.]”[2].

הֵילֵל (hê · lēl): n.masc .; ≡ Str 1966; TWOT 499a - LN 1.26–1.33 objeto portador de luz no céu, primeiro brilho, ou seja, Estrela da manhã ou Estrela do dia, o planeta Vênus, proeminente pela manhã, referindo-se à majestade e status elevado de um rei (Is 14.12). +), nota: KJV, NKJV se traduz como "Lúcifer", apontando que isso deve se referir a Satanás. Nota: possivelmente, esta é uma referência a uma “lua crescente” baseada em estudos de linguagem análogos[3].

Versões do texto de Isaías 14.12:
       אֵ֛יךְ נָפַ֥לְתָּ מִשָּׁמַ֖יִם הֵילֵ֣ל בֶּן־שָׁ֑חַר נִגְדַּ֣עְתָּ לָאָ֔רֶץ חוֹלֵ֖שׁ עַל־גּוֹיִֽם׃[4]

12: πῶς ἐξέπεσεν ἐκ τοῦ οὐρανοῦ ὁ ἑωσφόρος ὁ πρωὶ ἀνατέλλων; συνετρίβη εἰς τὴν γῆν ὁ ἀποστέλλων πρὸς πάντα τὰ ἔθνη.[5].

12: quomodo cecidisti de caelo lucifer qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes[6].

12: How has Lucifer, that rose in the morning, fallen from heaven! He that sent orders to all the nations is crushed to the earth[7].

12: ¡Cómo has caído del cielo, oh lucero, hijo de la mañana! Has sido derribado al suelo, tú que debilitabas a las naciones[8].


Isaías 14.12: Os estudiosos entendem que o uso que o Senhor Jesus faz deste versículo (pelo menos por inferência) para descrever a queda de Satanás (Lc 10.18; cf. Ap 12.8-10) pode ser entendido como uma referência não somente ao rei da Babilônia, mas também a Satanás. As palavras dirigidas ao rei de Babilônia são endereçadas, na verdade, ao poder maligno que o capacita. Isso é uma característica da profecia, veja, por exemplo, que Ezequiel 28.12-17 usa uma linguagem semelhante ao se dirigir ao rei de Tiro e a Satanás por trás dele.

Acredita-se que a impropriedade das expressões descritas em Isaías e em Ezequiel nos lábios de qualquer outro a não ser Satanás seja evidência para que “estrela da manhã” refira-se a Satanás. Ele é aquele que debilitavas as nações ou que foi lançando entre as nações (Is 14.12; cf. Ap 12.9,12; 20.3). “Alguns dos pais da Igreja, ligando essa passagem a Lucas 10.18 e Apocalipse 12.8 e 9, tomaram-na como uma referência à queda de Satanás descrita naquelas passagens”[9]. Então, aquele que era “radiante em fulgor e beleza, agora é como uma estrela que caiu do firmamento. Ele, que derrubara nações, jaz derrubado por terra”. Por isso, podemos afirmar que “o rei de Babilônia, mediante sua auto-deificação, é imitador do diabo e um tipo do anticristo (Dn 11.36; 2Ts 2.4); portanto, a sua humilhação é também um exemplo da queda de Satanás da posição de poder que ele usurpou (cf. Lc 10.18; Ap 12.9)”[10]. Daí entendemos o porque Jerônimo e Tertuliano (Pais da Igreja) se referiam ao diabo traduzindo a expressão “estrela da manhã” por “Lúcifer”.
Acrescente-se que a tradição da época dizia que as estrelas representavam deuses lutando entre si para ocupar posições de proeminência. A Vulgata traduziu “estrela da manhã” por “Lúcifer”, que veio a se tornar nome próprio e, depois, foi aplicado a Satanás. Sem entrar em paralelos com as histórias mitológicas a expressão “estrela da manhã” pode referir-se a Satanás, um anjo de luz que tinha posições de proeminência entre os demais.


Posso atribuir a expressão “Lúcifer” a Satanás?
Acredito que sim! Os pais da igreja o fizeram. E, por conseguinte a igreja o usou como um título para Satanás.
Alguns objetam que isso é errado com base nas passagens de 2ª Pedro 1.19 e Apocalipse 22.16, visto que tais passagens usam a expressão para se referir a Cristo. Vejamos um pouco sobre isso. 2ª Pedro 1.19 usa a palavra grega phosphoros que é traduzida como “estrela da alva”. De modo que esta expressão “deve ser uma descrição pictórica da maneira pela qual, em Sua Vinda, Cristo dissipará a dúvida e a incerteza pelas quais seus corações estão, entretanto, obscurecidos e os preencherá com uma maravilhosa iluminação”[11].

O título usado em Apocalipse 22.16 para o Senhor Jesus é ὁ ἀστὴρ ὁ λαμπρὸς ὁ πρωϊνός = ho astēr ho lampros ho prōinos, “a resplandecente estrela da manhã”, uma possível alusão a Números 24.17: “Uma estrela virá de Jacó”, uma passagem vista como messiânica no judaísmo[12]. No contexto de Apocalipse 2.28, ton astera ton proinon, “a estrela da manhã”, pode se referir a participação que Cristo concede à igreja em Sua autoridade messiânica (cf. Ap 19.15 com 2.26c,27; 22.16 com 2.28), e ainda Cristo compartilhando com a igreja a Sua glória messiânica como “estrela da manhã”.

Tendo estas passagens em mente, observa-se que a expressão “estrela da manhã” é aplicada em diferentes contextos:
1) Isaías 14.12: Referência ao rei de Babilônia e, por conseguinte a Satanás;
2) 2ª Pedro 1.19: Cristo e Sua vinda que dissipará a obscuridade nos corações dos crentes;
3) Apocalipse 2.28: Cristo compartilhando com Sua igreja a glória messiânica;
4) Apocalipse 22.16: Comparado a Números 24.17 traz uma referência a Jesus como o Messias das profecias.
5) Fontes extra-bíblicas aludem a expressão “estrela da manhã” a glória do planeta Vênus (Sir. 50.6-7)”[13] como símbolo de soberania usado frequentemente pelos generais e imperadores romanos.

É regra na exegese que uma palavra pode ter conotações/significados diferentes dependendo do contexto. É o contexto que dá o significado a palavra e sua referência. Com isso em mente afirmamos que a expressão “estrela da manhã” em Isaías é uma alusão a Satanás e que os Pais da Igreja, Jerônimo e Tertuliano, usando a Vulgata, não estavam errados em chamar Satanás de Lúcifer. E tal título foi teologizado, por assim dizer, para referir a Satanás na História da Igreja. Igualmente, pode-se elencar que Satanás é descrito por Paulo em 2ª Coríntios 11.14, como um ser que pode se transformar em “anjo de luz”: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. Ele é um “anjo” falso e também uma “estrela da manhã” falsa. Ah, e podemos pontuar que o Senhor Jesus não é simplesmente a “estrela da manhã”, Jesus é a “RESPLANDESCENTE estrela da manhã”. O brilho do nosso Senhor ofusca ao de Satanás!

Soli Deo Gloria!


[1] STRONG, J. (2002). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (n.01966). Sociedade Bíblica do Brasil.
[2] GESENIUS, W., & TREGELLES, S. P. (2003). Gesenius’ Hebrew and Chaldee lexicon to the Old Testament Scriptures (p. 222–223). Bellingham, WA: Logos Bible Software.
[3] SWANSON, J. (1997). Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains: Hebrew (Old Testament) (n.2122). (electronic ed.). Oak Harbor: Logos Research Systems, Inc.
[4] Biblia Hebraica Stuttgartensia: with Werkgroep Informatica, Vrije Universiteit Morphology; Bible. O.T. Hebrew. Werkgroep Informatica, Vrije Universiteit. (2006). (Is 14.12).
[5] SWETE, H. B. (1909). The Old Testament in Greek: According to the Septuagint (Is 14.12). Cambridge, UK: Cambridge University Press.
[6] Biblia Sacra Vulgata: Iuxta Vulgatem Versionem. (1969). (electronic edition of the 3rd edition., Is 14.12). Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft.
[7] BRENTON, L. C. L. (1870). The Septuagint Version of the Old Testament: English Translation (Is 14.12). London: Samuel Bagster and Sons.
[8] Santa Biblia: Reina-Valera Actualizad. (1989). (electronic ed. of the 1989 editio., Is 14.12). El Paso: Baptist Spanish Publishing House.
[9] OSWALT, John N. Comentário do Antigo Testamento: Isaías, vol. 1, p.393. São Paulo, SP, Brasil: Cultura Cristã, 2011.
[10] RIDDERBOS, J. Isaías: Introdução e comentário, p.149. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 1986. – (Série Cultura Bíblica).
[11] KELLY, J. N. D. (1969). The Epistles of Peter and of Jude (p. 323). London: Continuum.
[12] OSBORNE, G. R. (2002). Revelation (p. 793). Grand Rapids, MI: Baker Academic.
[13] KEENER, Craig S. Comentarios Bíblicos con Aplicación NVI: Apocalipsis, p.156. Miami, Flórida, USA: Editorial Vida, 2013.

MOVIMENTO PENTECOSTAL E O MINISTÉRIO FEMININO


O PENTECOSTALISMO E O MINISTÉRIO DE MULHERES


Esse é um ponto digno de ser levantado e colocar certas observações. Estudiosos têm afirmado, e com razão, que o século XX foi o “século do Espírito”. Particularmente eu não tenho dúvidas de que também podemos chamar de “século das mulheres”. Deus pela Sua infinita graça levantou (e tem levantado) mulheres capacitadas pelo Seu Espírito como instrumentos para edificação de Sua igreja e evangelização do mundo. É claro que isso não é peculiar ao pentecostalismo – mesmo que no mesmo vemos em abundância, pois é notório que em muitos movimentos de avivamentos e reformas na História da igreja as mulheres também se destacaram, apesar das barreiras e limitações erguidas pelo institucionalismo, clericalismo ou denominacionalismo.

Historicamente têm havido um certo medo ou repulsa ao ministério de mulheres na igreja local. Certa ala de homens tradicionalistas enfatizam ilimitadamente a liderança masculina exclusiva na igreja, e relegam exemplos de mulheres na liderança às margens da vida da igreja cristã. “Eles sugerem que a história apoia sua oposição às mulheres no ministério e que abrir a porta para as mulheres em papéis de liderança se moveria contra uma tradição eclesiástica de quase dois mil anos”[1].
Neste ritmo observamos que estudiosos tendem a pensar que a defensa das mulheres para o ministério seja adotar alguma teologia liberal, secularizar a igreja por causa da agenda feminista em sua luta pela questão de gênero ou classifica-se como mundaneidade do Cristianismo Ocidental. Particularmente eu lamento que tais estudiosos falem neste tom. Essas ideias têm prejudicado e muito a amplitude do ministério da igreja local em certo sentido, pois poderíamos estar aproveitando os dons que Deus tem dado às mulheres para conjuntamente exercer o ministério conosco. Pessoas que já estiveram sob os auspícios de nosso pastorado sabem o quanto temos valorizado e ensinado sobre a importância do ministério feminino. E Deus, comprovadamente, tem levantado grandes obreiras, cooperadoras, líderes e missionárias assim como levantou grandes mulheres líderes na Igreja Primitiva – e na História também!
Por outro lado, há grandes estudiosos e estudiosas que estão convencidos da importância do ministério feminino na igreja local. Eles acreditam que, em vez de ser o resultado de ideias seculares prejudiciais ou do liberalismo teológico que invadem a igreja, a questão da ordenação e liderança de mulheres representa a obra do Espírito. E capacitar as mulheres para o ministério poderia revitalizar a igreja contemporânea (Hoje nos EUA, igrejas Batistas, Presbiterianas, Metodistas, Igreja de Deus e Assembleia de Deus já ordenam mulheres ao santo ministério com algumas diferenças nas ênfases)[2].
Estudiosos têm pontuado que a exclusão de mulheres tem estado presente naquela igrejas estilizadas demais, rígidas, clericalizadas e desatualizadas de qualquer maneira. E nós sabemos que o clericalismo e o institucionalismo já foram problemas na História da Igreja e que foi necessário Reforma e Avivamento para revitalizar as igrejas mortas e engessadas pelo institucionalismo. E hoje não é diferente. O institucionalismo ou o denominacionalismo tem “matado” muitos obreiros. Obreiros e obreiras têm sido massacrados pela manobra institucional. É claro que defendo a instituição chamada “igreja local”, mas as convenções, ministérios e igrejas locais têm abusado do poder e machucado, barrado, neutralizado e acabado com muita gente que outrora estavam envolvidos de coração na obra. Não é à toa que o movimento dos desigrejados tem crescido. E como tenho dialogado com estes irmãos, sempre falo que eles detectaram o problema (e que precisamos resolver!), mas o abandono como solução e se voltar para uma reinterpretação das Escrituras em detrimento da igreja local é outro mal que deve-se evitar. As Escrituras e a História mostram que devemos lutar pela renovação, reforma e revitalização.
Agora, voltando ao ponto das mulheres no ministério, nós devemos entender que certa atitudes e estruturas que restringem as mulheres também frustram muitos homens no ministério – conheço muitos! Por isso, nós devemos lutar para recrutar homens e mulheres no trabalho de trazer um novo rosto para a igreja contemporânea. Uma igreja que abraça e apoia uma liderança masculina e feminina para a expansão do evangelho. Estudiosos têm afirmado e visto uma crescente parceria entre mulheres e homens na liderança cristã como um meio da obra de Deus em despertar uma visão e propósito verdadeiramente bíblicos.
Nós temos exemplos na História que as estruturas institucionais decaem e que precisamos de um modo novo (não me refiro aqui a inovações!) de pensar no ministério para renovar as igrejas locais. É neste ponto que Deus sempre tem levantado instrumentos para uma reforma e avivamento. É aqui que o pentecostalismo têm sido um movimento que tem valorizado o ministério feminino e Deus tem levantado grandes mulheres neste período com uma liderança capacitada pelo Espírito Santo e reconhecida pela a igreja e até pelo o mundo.
Historiadores competentes têm notado que a História tem registrado o surgimento de repetidamente de mulheres líderes. Eles observaram que o surgimento da liderança feminina tem sido um “padrão histórico” e não um exceção. Deus sempre tem levantado mulheres líderes e capacitadas pelo Seu Espírito na História. Isso não pode ser negado!
O fluxo e refluxo da participação das mulheres na liderança não flutua apenas de acordo com mudanças na exegese bíblica ou na interpretação reinante de passagens particulares das Escrituras. Pelo contrário, o padrão também pode ser atribuído à institucionalização da igreja (o desenvolvimento de estruturas organizacionais), influências da cultura circundante e da teologia da liderança em ação na igreja local.
Maria L. Boccia descreve esse padrão, que ela afirma que se repete na história da igreja:
Quando a liderança envolveu a escolha carismática de Deus dos líderes por meio do dom do Espírito Santo, as mulheres estão incluídas. Com o passar do tempo, a liderança é institucionalizada [o clericalismo patriarcal e hierárquico dominam], a cultura secular patriarcal [caída] é filtrada para a Igreja e as mulheres são excluídas[3].

De fato, o avivamento e a renovação, e o Pentecostalismo em particular, não apenas romperam as distinções de gênero no que se refere ao ministério, mas também questionam as barreiras da classe socioeconômica e da profissionalização. As dicotomias de ricos versus pobres, velhos versus jovens, educados versus não instruídos, ordenados versus leigos, são deixados de lado quando o Espírito de Deus visita a igreja com reavivamento. Deus por meio da glorificação e exaltação de Cristo derramou o Espírito Santo sobre jovens e velhos, servos e servas, filhos e filhas, brancos e negros, ou seja, sobre pessoas de todas as tribos, línguas, raça, povos e nações. Como as paredes que dividem as pessoas desmoronam, a igreja experimenta uma nova unidade em Cristo, de acordo com a visão de Paulo: "Não há mais judeu ou grego, não há mais escravo ou livre, não há mais macho e fêmea; tu és um em Cristo Jesus "(Gl 3:28).
Quando se lê sobre algumas das grandes mulheres da história do Pentecostalismo, como Agnes Ozman, Lucy Farrow, Aimee Semple McPherson, Alice Belle Garrigus, Maria Woodworth-Etter, Marie Burgess, Kathryn Kuhlman e Mae Eleanore Frey, é encorajador saber que essas mulheres extremamente talentosas ministraram com grande sucesso em um momento da história que não facilitou a vida para elas. Seu chamado para pregar parecia suplantar tudo o mais em suas vidas, motivando-as a pagar um preço difícil para cumprir a vontade de Deus. Sua fidelidade é de grande encorajamento para todas as mulheres pentecostais no ministério hoje.
O Pentecostalismo tem sido um dos maiores Movimentos de avivamento, e seus distintivos históricos, interpretativos, querigmáticos (pregação) e teológicos unem-se para apoiar o ministério feminino como uma poderosa força para edificação, crescimento e maturidade das igrejas locais e para a evangelização do mundo. É notório que o século XX não foi apenas marcado por grandes pregadoras, líderes femininas, mas também por grandes educadoras (teólogas) evangelistas e missionárias. O mesmo Espírito que capacitou Maria, Isabel, Hulda, Febe, Priscila, as filhas de Felipe, Ninfa, Áfia, a “senhora eleita” e outras continua capacitando e levantando mulheres para a obra do ministério queiramos ou não, pois o Espírito Santo sopra onde quer!


IVAN TEIXEIRA.
  




[1] GRENZ, Stanley J. & KJESBO, Denise Muir. Women in the Church: A Biblical Theology of Women in Ministry, p.46. Inter Varsity Press Downers Grove, ILLinois, USA, 1995. – (minha tradução e paginação em Word).
[2] Nos Estados Unidos, a Igreja Presbiteriana dos USA, a Igreja Episcopal dos USA, a Igreja de Cristo Unida, a Igreja Metodista Unida, a Igreja Reformada na América, a Igreja Evangélica Luterana na América, a Igreja dos Irmãos, e a Igreja Cristã (Discípulos de Cristo) são somente um pouco das muitas principais denominações que ordenam mulheres como ministras e as encorajam a servir como pastoras e bispas de congregações locais.
[3] BOCCIA, Maria L., "Hidden History of Women Leaders of the Church," Journal of Biblical Equality, September 1990, p. 58.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

MINISTÉRIO DE MULHERES NA IGREJA LOCAL

ESTUDIOSOS BÍBLICOS PROEMINENTES SOBRE MULHERES NO MINISTÉRIO


Mulheres no Ministério
Alguns cristãos acham que apenas pessoas que têm uma “abordagem flexível das Escrituras” podem acreditar que as mulheres devem ser líderes e professores na igreja. Eu duvido fortemente que qualquer cristão evangélico consideraria esses estudiosos e teólogos como tendo uma abordagem frouxa das Escrituras, e ainda assim cada um deles acredita que as mulheres adequadamente dotadas devem ser líderes e professores na igreja. Aqui está uma amostra de várias declarações feitas por esses renomados estudiosos (alguns dos quais já estão falecidos).

F. F. BRUCE (1910-1990)
F. F. Bruce era o professor de Rylands de Crítica e Exegese Bíblica na Universidade de Manchester, e pertencia aos Irmãos Abertos.
Um apelo aos primeiros princípios em nossa aplicação do Novo Testamento poderia exigir o reconhecimento de que, quando o Espírito, em Sua soberana boa vontade, concede variados dons aos crentes individuais, esses dons se destinam a ser exercidos para o bem-estar de toda a igreja. Se ele manifestamente reteve os dons de ensino ou liderança das mulheres cristãs, então devemos aceitar isso como prova de Sua vontade (1 Co 12:11). Mas a experiência mostra que Ele concede esses e outros dons, com "pouca consideração", tanto a homens como a mulheres – não em todas as mulheres, é claro, nem em todos os homens. Sendo assim, não é satisfatório repousar em uma casa intermediária nesta questão do ministério de mulheres, onde elas podem orar e profetizar, mas não ensinar ou liderar”.

F.F. Bruce, “Women in the Church: A Biblical Survey,” Christian Brethren Review 33 (1982), 7-14, 11-12.


GORDON D. FEE (N. 1934)
Professor Emérito de Novo Testamento no Regent College, ordenado nas Assembleias de Deus:
Parece um triste comentário sobre a igreja e sobre a sua compreensão do Espírito Santo de que a liderança e o ministério “oficiais” podem vir de apenas metade da comunidade de fé. A evidência do Novo Testamento é que o Espírito Santo é inclusivo de gênero, presenteando homens e mulheres, e assim potencialmente libertando todo o corpo para todas as partes para ministrar e de várias maneiras dar liderança aos outros. Assim, minha questão no final não é uma agenda feminista – uma defesa das mulheres no ministério. Pelo contrário, é uma agenda do Espírito, um apelo pela liberação do Espírito de nossas restrições e estruturas, para que a igreja possa ministrar a si mesma e ao mundo com mais eficiência.

“The Priority of Spirit Gifting for Church Ministry”, Discovering Biblical Equality Complementarity without Hierarchy. Ronald W. Pierce, Rebecca Merrill Groothuis, Gordon D. Fee (eds) (Leicester: IVP Academic, 2005), 254.

“A Prioridade do Espírito Presentear para o Ministério da Igreja”, Descobrindo a Bíblia Complementaridade de igualdade sem hierarquia. Ronald W. Pierce, Rebecca Merrill Groothuis, Gordon D. Fee (eds) (Leicester: IVP Acadêmico, 2005), 254.


CRAIG S. KEENER (N. 1960)
Professor de Novo Testamento no Asbury Theological Seminary, ordenado em uma igreja batista afro-americana, mas serve em contextos com diversas tradições.
...nós pentecostais e carismáticos afirmamos que a autoridade do ministro é inerente ao chamado e ministério da Palavra do ministro, não à pessoa do ministro. Neste caso, o gênero deve ser irrelevante como uma consideração para o ministério – para nós como foi para Paulo... Hoje devemos afirmar aqueles a quem Deus chama, sejam homens ou mulheres, e encorajá-los a aprender fielmente a Palavra de Deus. Precisamos afirmar todos os trabalhadores em potencial, tanto homens quanto mulheres, para os campos de colheita abundantes.

Was Paul For or Against Women in Ministry?, Enrichment Journal, Spring 2001.
Paulo foi a favor ou contra as mulheres no ministério ?, Enrichment Journal, primavera de 2001. (Fonte)


I. HOWARD MARSHALL (1934-2015)
Professor emérito de exegese do Novo Testamento na Universidade de Aberdeen, pertencia à Igreja Metodista Evangélica

Muita angústia é sentida por mulheres cujos talentos dados por Deus foram negados à expressão. Isso se deve à incapacidade dos complementaristas de fornecer quaisquer razões coerentes e persuasivas para negar às mulheres essas posições [ministeriais] na igreja – as mulheres são solicitadas a aceitar um mandamento das Escrituras simplesmente porque é a vontade de Deus, mesmo que não entendam por que é assim... [A angústia também é causada pela] arbitrariedade da maneira pela qual a decisão é colocada em vigor, com tudo o que vai além do que a Escritura realmente diz e a casuística que é empregada em relação aos limites do que as mulheres podem e não podem fazer.

Comments made at a panel discussion at the Evangelical Theological Society 2010 meeting.
Comentários feita em um painel de discussão na reunião da Sociedade Teológica Evangélica de 2010. (Fonte)


LEON MORRIS (1914-2006)
Estudioso do Novo Testamento, ordenado ministro anglicano:
Em seu comentário sobre a carta de Paulo aos Romanos, Morris afirmou que “Febe é certamente chamada de diácono” em Romanos 16:1; e Júnia e Andrônico (mencionados em Romanos 16:7) eram “notáveis ​​entre os apóstolos, o que pode significar que os apóstolos os consideravam em alta estima ou que eram apóstolos e notáveis ​​apóstolos”. Morris acrescenta: “O primeiro entendimento parece menos provável...”. A Epístola aos Romanos (Grand Rapids: Eerdmans, 1988), 529 e 534. Morris também escreveu ensaios defendendo as mulheres no ministério, e ele recebeu mulheres no Ridley Theological College, Melbourne, onde foi diretor de 1964 até sua aposentadoria em 1976.


JOHN STOTT (1921-2011)
Ministro anglicano, teólogo, um dos principais autores do Pacto de Lausanne em 1974:
Se Deus dota as mulheres com dons espirituais (o que Ele faz), e assim as chama para exercer seus dons para o bem comum (o que Ele faz), a Igreja deve reconhecer os dons e chamados de Deus, disponibilizar as esferas de serviço apropriadas às mulheres e devem 'ordenar' (isto é, comissão e autorizar) a exercer seu ministério dado por Deus, na melhor das hipóteses, em situações de equipe. Nossas doutrinas cristãs de criação e redenção nos dizem que Deus quer que Seu povo talentoso seja realizado, não frustrado, e que Sua igreja seja enriquecida por seu serviço.

J.R.W Stott, Issues facing Christianity Today (Basingstoke: Marshalls, 1984), 254.
J. R. W. Stott,  Questões que Enfrentam o Cristianismo Hoje  (Basingstoke: Marshalls, 1984), p. 254.


BEN WITHERINGTON III (N. 1951)
Professor de Interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico de Asbury, pastor metodista ordenado.
Precisamos nos manter constantemente em mente que o que determina ou deve determinar as estruturas de liderança na igreja não é gênero, mas sim dons e graças do Espírito Santo. A família de fé não é idêntica à família física e o gênero não é determinante de papéis nela. Gênero, é claro, afeta alguns papéis da família cristã, mas isso é irrelevante quando se trata da discussão sobre a estrutura de liderança da igreja. É por isso que não devemos nos surpreender ao encontrar, mesmo nas cartas de Paulo, exemplos de mulheres mestres, evangelistas, profetisas, diáconos e apóstolos. Paulo não é aquele que está interessado em batizar a ordem patriarcal caída existente e chamá-la de boa. Um dos sinais dos pontos de vista de Paulo sobre esses assuntos pode ser visto no que ele diz sobre o batismo – não é um sinal específico de gênero que temos para o novo pacto, ao contrário daquele para o antigo pacto, e Paulo acrescenta que em Cristo não há 'macho e fêmea' assim como não há judeu ou gentio, escravo ou livre. As implicações disso são enormes. A mudança no sinal da aliança sinaliza a mudança na natureza da aliança quando se trata de homens e mulheres.


Why Arguments against Women in Ministry aren’t Biblical, on Dr Witherington’s website The Bible and Culture. 
Por que os argumentos contra as mulheres no ministério não são bíblicos, no site do Dr. Witherington A Bíblia e a Cultura aqui.


N. T. WRIGHT (N. 1948)
Estudioso do Novo Testamento, bispo anglicano de Durham (2003-2010).
São as mulheres que vêm primeiro ao túmulo, que são as primeiras a ver Jesus ressuscitado, e são as primeiras a receber a notícia de que Ele ressuscitou dos mortos. Isso é de importância incalculável. Maria Madalena e os outros são os apóstolos dos apóstolos. Não devemos nos surpreender que Paulo chama uma mulher chamada Junia apóstolo em Romanos 16.7. Se um apóstolo é uma testemunha da ressurreição, havia mulheres que mereciam esse título antes de qualquer um dos homens... Essa promoção das mulheres também não é uma coisa totalmente nova com a ressurreição. Como de muitas outras maneiras, o que aconteceu então pegou dicas e pontos de vista anteriores na carreira pública de Jesus. Penso em particular na mulher que ungiu Jesus (sem entrar aqui na questão de quem foi e se aconteceu mais de uma vez); como alguns apontaram, essa foi uma ação sacerdotal que Jesus aceitou como tal.

Serviço para Mulheres na Igreja: A base bíblica”, um artigo para a conferência do Simpósio, Homens, Mulheres e Igreja, St John's College, Durham, 4 de setembro de 2004. (Fonte)
“Women’s Service in the Church: The Biblical Basis”, a conference paper for the Symposium, Men, Women and the Church, St John’s College, Durham, September 4 2004.


MUITO MAIS . . .
Muitos outros estudiosos evangélicos também acreditam que a Bíblia, corretamente interpretada, não restringe as mulheres dotadas de qualquer função ou posição ministerial. Há muitos para mencioná-los todos, mas aqui estão apenas alguns: Kenneth Bailey, Gilbert Bilezikian, Michael Bird e Craig A. Evans. R. T. France, Kevin Giles, Joel B. Green, Stanley Grenz, Richard Hays, David Instone-Brewer, Walter Kaiser , Kenneth Kantzer, John R. Kohlenberger III, Richard N. Longenecker, Scot McKnight , Roger Nicole , Roger E. Olson , Philip Barton Payne , Stanley Porter, Howard Snyder, John Stackhouse, etc. (Eu optei por mencionar apenas estudiosos do sexo masculino para evitar uma acusação de que as mulheres fossem egoístas).

Finalmente, uma citação de Dallas Willard (1935-2013),
Não são os direitos das mulheres ocuparem papéis ministeriais 'oficiais', nem sua igualdade com os homens nesses papéis, que estabelecem os termos de seu serviço a Deus e seus vizinhos. São suas obrigações que o fazem – obrigações que derivam de suas habilidades humanas fortalecidas pelo dom divino.

Como eu mudei de ideia sobre as mulheres na liderança (Grand Rapids: Zondervan, 2010), 10 (itálico do autor).
How I Changed my Mind about Women in Leadership (Grand Rapids:Zondervan, 2010), 10 (italics by the author).


Quem mais pode ser adicionado à lista de respeitados estudiosos evangélicos respeitados que defendem as mulheres no ministério?


Autora

Marg Mowczko vive ao norte de Sydney, na Austrália, em uma casa repleta de três gerações de família. Ela acredita firmemente que, se estamos em Cristo, somos parte da Nova Criação e parte de uma comunidade onde velhos paradigmas sociais de hierarquias e castas ou sistemas de classes não têm lugar (2Co 5:17; Gl 3:28). Marg tem um BTh do Australian College of Ministries e um mestrado com especialização em estudos cristãos e judaicos da Universidade Macquarie.

MINISTÉRIO FEMININO



PAULO FOI A FAVOR OU CONTRA AS MULHERES NO MINISTÉRIO?
De Craig S. Keener

A questão do papel da mulher no ministério é uma preocupação premente para a igreja de hoje. É primordial em primeiro lugar, devido à nossa necessidade dos dons de todos os membros que Deus chamou para servir a Igreja. A preocupação, no entanto, se estendeu para além da própria Igreja. Cada vez mais, os pensadores seculares atacam o cristianismo contra as mulheres e, portanto, são irrelevantes para o mundo moderno.
As Assembleias de Deus e outras denominações nascidas nos reavivamentos da Santidade e pentecostal afirmaram as mulheres no ministério muito antes que o papel das mulheres se tornasse uma agenda secular ou liberal[1]. Da mesma forma, na histórica expansão missionária do século XIX, dois terços de todos os missionários eram mulheres. O movimento de mulheres do século XIX, que lutou pelo direito das mulheres de votar, originalmente cresceu a partir do mesmo movimento de reavivamento liderado por Charles Finney e outros que defendiam a abolição da escravidão. Em contraste, aqueles que identificaram tudo na cultura da Bíblia com a mensagem da Bíblia foram obrigados a aceitar a escravidão e a rejeitar o ministério das mulheres[2].
Para os cristãos que creem na Bíblia, no entanto, o mero precedente da história da igreja não pode resolver uma questão; devemos estabelecer nosso caso a partir das Escrituras. Como o atual debate se concentra especialmente em torno do ensinamento de Paulo, examinaremos seus escritos depois de termos resumido brevemente outros ensinos bíblicos sobre o assunto.

MINISTÉRIO DA MULHER NO RESTO DA BÍBLIA
Como Paulo aceitou tanto a Bíblia Hebraica quanto os ensinamentos de Jesus como a Palavra de Deus, devemos examinar brevemente o ministério das mulheres nessas fontes. O antigo mundo do Oriente Próximo, do qual Israel fazia parte, era um mundo de homens. Porque Deus falou a Israel em uma cultura particular, no entanto, não sugere que a cultura em si fosse sagrada. A cultura incluía a poligamia, o divórcio, a escravidão e uma variedade de outras práticas que hoje reconhecemos como profanas.
Apesar da proeminência dos homens na antiga sociedade israelita, Deus às vezes chamava as mulheres de líderes. Quando Josias precisou ouvir a palavra do Senhor, ele enviou Hilquias, o sacerdote e outros, a uma pessoa que era, sem dúvida, uma das mais importantes figuras proféticas de sua época: Hulda (2 Reis 22: 12-20). Débora não era apenas uma profetisa, mas uma juíza (Juízes 4: 4). Ela ocupou o lugar de maior autoridade em Israel em seu dia. Ela também é uma das poucas juízas de quem a Bíblia relata sem falhas (Juízes 4,5).
Embora as mulheres judias do primeiro século raramente, ou nunca, estudassem com os mestres da Lei como os discípulos do sexo masculino faziam[3], Jesus permitiu que as mulheres se juntassem a Suas fileiras (Marcos 15: 40,41; Lucas 8:1-3) – algo da cultura poderia ter considerado escandaloso[4]. Como se isso não fosse suficientemente escandaloso, Ele permitiu que uma mulher que desejasse ouvir Seu ensinamento "sentasse a seus pés" (Lucas 10:39) – adotando uma postura normalmente reservada aos discípulos. Outros professores judeus não permitiam mulheres discípulas; de fato, os discípulos eram frequentemente professores em treinamento[5]. Mandar as mulheres para as missões de pregação (por exemplo, Marcos 6:7-13) pode ter se mostrado escandaloso demais para ser prático; no entanto, os Evangelhos unanimemente relatam que Deus escolheu as mulheres como as primeiras testemunhas da ressurreição, embora os homens judeus do primeiro século frequentemente rejeitassem o testemunho das mulheres[6].

Joel enfatizou explicitamente que quando Deus derramasse Seu Espírito, mulheres e homens profetizariam (Joel 2:28,29). O Pentecostes significava que todo o povo de Deus se qualificava para os dons do Seu Espírito (Atos 2:17,18), assim como a salvação significava que homem ou mulher teria o mesmo relacionamento com Deus (Gálatas 3:28). Os subsequentes derramamentos do Espírito muitas vezes levaram ao mesmo efeito.

PASSAGENS ONDE PAUL AFIRMOU O MINISTÉRIO DAS MULHERES
Paulo frequentemente afirmava o ministério das mulheres apesar dos preconceitos de gênero de sua cultura. Com poucas exceções (algumas filósofas mulheres), a educação avançada era um domínio masculino. Como a maioria das pessoas na antiguidade mediterrânea era analfabeta funcional, aqueles que sabiam ler e falar bem geralmente assumiam papéis de ensino e, com raras exceções, eram homens[7]. Nos primeiros séculos de nossa era, a maioria dos homens judeus – como Filo, Josefo e muitos rabinos posteriores – refletiam o preconceito de grande parte da cultura greco-romana mais ampla[8].

Os papéis das mulheres variaram de uma região para outra, mas os escritos de Paulo claramente o colocam entre os escritores mais progressistas, e não os mais chauvinistas de sua época. Muitos dos colaboradores de Paulo no evangelho eram mulheres.

Paulo elogiou o ministério de uma mulher que levou sua carta aos cristãos romanos (Romanos 16:1,2). Febe era serva da igreja em Cencréia. "Serve" pode se referir a um diácono, um termo que às vezes designava responsabilidade administrativa na Igreja Primitiva. Em suas epístolas, no entanto, Paulo aplicou com mais frequência o termo a qualquer ministro da Palavra de Deus, inclusive a si mesmo (1 Coríntios 3: 5; 2 Coríntios 3:6; 6:4; Efésios 3:7; 6:21). Ele também chamou Febe de "socorrista" ou "ajudante" de muitos (Romanos 16:2); esse termo designava-a tecnicamente como patrono ou patrocinador da igreja, provavelmente o dono da casa em que a igreja de Cencréia estava se reunindo. Isso a habilitou a uma posição de honra na igreja[9].
Febe não era a única mulher influente na igreja. Enquanto Paulo cumprimentou cerca de duas vezes mais homens do que mulheres em Romanos 16, ele elogiou os ministérios de cerca de duas vezes mais mulheres do que homens nessa lista. (Alguns usam a predominância de ministros homens na Bíblia contra as mulheres no ministério, mas esse argumento poderia funcionar contra o ministério dos homens nesta passagem.) Essas recomendações podem indicar sua sensibilidade às mulheres por causa da oposição, sem dúvida, que elas enfrentaram no ministério e são notáveis, dada a preconceito contra o ministério das mulheres que existia na cultura de Paulo.

Se Paulo seguiu o costume antigo quando louvou Priscila, ele pode tê-la mencionado antes de seu marido Áquila por causa de seu status mais elevado (Romanos 16:3,4). Em outro lugar, aprendemos que ela e seu marido ensinaram as Escrituras a outro ministro, Apolo (Atos 18:26). Paulo também listou dois companheiros apóstolos, Andrônico e Júnia (Romanos 16:7). Embora Junia seja claramente um nome feminino, escritores que se opunham à possibilidade de que Paulo se referisse a um apóstolo feminino[10], 10 sugerem que Junia é uma contração para o masculino Junianus. Essa contração, no entanto, nunca ocorre e, mais recentemente, tem se mostrado gramaticalmente impossível para um nome latino como Junia. Essa sugestão não se baseia no texto em si, mas inteiramente no pressuposto de que uma mulher não poderia ser um apóstolo.

Em outra parte, Paulo se referiu ao ministério de duas mulheres em Filipos, que, como seus muitos companheiros ministros, compartilharam em sua obra pelo evangelho ali (Filipenses 4: 2,3). Como as mulheres geralmente alcançaram papéis religiosos mais proeminentes na Macedônia do que na maior parte do mundo romano[11], as mulheres de Paulo nessa região podem ter se mudado mais rapidamente para escritórios importantes na igreja (cf. Atos 16: 14,15).

Embora Paulo classificasse os profetas perdendo apenas para os apóstolos (1 Coríntios 12:28), ele reconheceu o ministério das profetisas (1 Coríntios 11:5), seguindo a Bíblia hebraica (Êxodo 15:20; Juízes 4:4; 2Reis 22:13, 14) e prática cristã primitiva (Atos 2:17,18; 21:9). Assim, aqueles que se queixam de que Paulo não mencionou especificamente as pastoras por nome, não entendem o assunto. Paulo raramente mencionava qualquer homem pastor pelo nome. Na maioria das vezes, ele simplesmente mencionava seus companheiros de viagem no ministério, que eram naturalmente homens. Os títulos mais usados ​​por Paulo para esses companheiros de trabalho eram "servo" e "cooperador" – ambos dos quais ele também aplicava às mulheres (Romanos 16:1,3). Dada a cultura que ele abordou, era natural que menos mulheres pudessem exercer a independência social necessária para alcançar posições de ministério. Onde elas o fizeram, no entanto, Paulo as elogiou e incluiu recomendações para as mulheres apóstolas e profetas, os ofícios da mais alta autoridade na igreja.
Enquanto passagens como essas estabelecem Paulo entre os escritores mais progressistas de sua época, a principal controvérsia hoje se enfurece em torno de outras passagens em que Paulo parecia se opor às mulheres no ministério. Antes de nos voltarmos, devemos examinar uma passagem em que Paulo claramente se referiu a uma situação cultural local.

PAULO SOBRE A COBERTURA DE CABEÇA
Embora Paulo frequentemente defendesse a mutualidade dos papéis de gênero,[12] ele também trabalhava dentro dos limites de sua cultura, onde necessário, em prol do evangelho. Começamos com seu ensinamento sobre a cobertura da cabeça porque, embora não esteja diretamente relacionado ao ministério das mulheres, isso nos ajudará a entender suas passagens relativas às mulheres no ministério. A maioria dos cristãos hoje concorda que as mulheres não precisam cobrir suas cabeças na igreja, mas muitos não reconhecem que Paulo usou os mesmos tipos de argumentos para as mulheres cobrindo suas cabeças do que para as mulheres que se abstinham do discurso congregacional. Em ambos os casos, Paulo usou alguns princípios gerais, mas abordou uma situação cultural específica.

Quando Paulo exortou as mulheres das igrejas coríntias a cobrirem suas cabeças (o único lugar onde a Bíblia ensina sobre isso), ele seguiu um costume proeminente em muitas culturas orientais de sua época[13]. Embora mulheres e homens cobrissem suas cabeças por várias razões,[14] mulheres casadas cobriram especificamente suas cabeças para evitar que outros homens, além de seus maridos, cobiçassem seus cabelos[15]. Uma mulher casada que saía com a cabeça descoberta era considerada promíscua e devia se divorciar como adúltera[16]. Por causa das capas de cabeça simbolizadas naquela cultura, Paulo pediu às mulheres mais liberadas que cobrissem suas cabeças para não escandalizar as outras. Entre seus argumentos para cobrir a cabeça está o fato de que Deus criou Adão primeiro; Na cultura específica que ele abordou, esse argumento faria sentido como um argumento para as mulheres que usavam coberturas de cabeça[17].

PASSAGENS ONDE PAULO PODE TER RESTRINGINDO O MINISTÉRIO DA MULHER
Como Paulo, em alguns casos, defendeu o ministério das mulheres, não podemos ler suas restrições às mulheres no ministério como proibições universais. Em vez disso, como no caso das coberturas de cabeça em Corinto, Paulo abordou uma situação cultural específica. Isso não quer dizer que Paulo aqui ou em qualquer outro lugar escreveu a Escritura que não foi para todos os tempos. É apenas para dizer que ele não escreveu para todas as circunstâncias e que devemos levar em conta as circunstâncias que ele abordou para entender como ele teria aplicado seus princípios em situações muito diferentes. Na prática, ninguém hoje aplica todos os textos para todas as circunstâncias, por mais que defendam alguns textos como aplicáveis ​​a todas as circunstâncias. Por exemplo, a maioria de nós não enviou ofertas para a igreja em Jerusalém neste domingo (1 Coríntios 16:1-3). Se nossas igrejas não apoiarem viúvas, podemos protestar que a maioria das viúvas hoje não lavou os pés dos santos (1 Timóteo 5:10). Da mesma forma, poucos leitores hoje advogariam que íamos a Troas para pegar o manto de Paulo; nós reconhecemos que Paulo dirigiu estas palavras especificamente a Timóteo (2 Timóteo 4:13).

DEIXE AS MULHERES MANTER SILÊNCIO
Duas passagens nos escritos de Paulo a princípio parecem contradizer as progressistas. Tenha em mente que estas são as únicas duas passagens na Bíblia que poderiam ser interpretadas remotamente como contradizendo o endosso de Paulo no ministério das mulheres.
Primeiro, Paulo instruiu as mulheres a ficar em silêncio e salvar suas perguntas sobre o serviço para seus maridos em casa (1 Coríntios 14:34-36). No entanto, Paulo não podia significar silêncio em todas as circunstâncias, porque no início da mesma carta ele reconhecia que as mulheres podiam orar e profetizar na igreja (1 Coríntios 11:5); e a profecia ficou ainda mais alta do que o ensino (12:28).

Conhecer a cultura grega antiga nos ajuda a entender melhor a passagem. Nem todas as explicações propostas pelos estudiosos se mostraram satisfatórias. Alguns sustentam que um escriba posterior acidentalmente inseriu essas linhas nos escritos de Paulo, mas a dura evidência para essa interpretação parece delgada[18]. Alguns sugerem que Paulo citou aqui uma posição coríntia (1 Coríntios 14:34,35), a qual ele então refutou (verso 36); infelizmente, o versículo 36 não lê naturalmente como uma refutação. Outros pensam que as igrejas, como as sinagogas, foram segregadas por gênero, de alguma forma tornando a conversa das mulheres perturbadora. Essa visão hesita em duas considerações: primeiro, a segregação sexual nas sinagogas pode ter começado séculos depois de Paulo; e, segundo, os cristãos coríntios se reuniam em casas, cuja arquitetura tornaria tal segregação impossível. Alguns também sugerem que Paulo se dirigiu a mulheres que estavam abusando dos dons do Espírito ou a um problema com o julgamento de profecias. Mas, enquanto o contexto aborda essas questões, os escritores antigos costumavam usar digressões, e o tema da ordem da igreja é suficiente para unir o contexto.

Outra explicação parece mais provável. Paulo em outra parte afirmou o papel das mulheres na oração e profecia (11:5), então ele não pode estar proibindo todos os tipos de discurso aqui. (De fato, nenhuma igreja que permita que as mulheres cantem realmente considera que este versículo significa completo silêncio de qualquer maneira.) Como Paulo tratou apenas de um tipo específico de discurso, devemos notar que o único tipo de discurso que ele abordou diretamente em 14:34-36 foi esposas fazendo perguntas[19]. Nos antigos ambientes de palestras gregas e judaicas, estudantes avançados ou pessoas instruídas frequentemente interrompiam oradores públicos com perguntas razoáveis. No entanto, a cultura privou a maioria das mulheres de educação. As mulheres judias podiam ouvir nas sinagogas, mas ao contrário dos meninos, não eram ensinadas a recitar a Lei enquanto cresciam. A cultura antiga também considerou rude o fato de pessoas sem instrução desacelerarem as palestras com perguntas que traíram sua falta de treinamento[20]. Assim, Paulo forneceu uma solução de longo prazo: os maridos devem se interessar pessoalmente pelo aprendizado de suas esposas e ensiná-las em particular. A maioria dos maridos antigos duvidava do potencial intelectual de suas esposas, mas Paulo estava entre os mais progressistas dos antigos escritores sobre o assunto[21]. Longe de reprimir essas mulheres, por padrões antigos, Paulo as estava libertando[22].

Este texto não pode proibir que as mulheres anunciem a palavra do Senhor (1 Coríntios 11:4,5), e nada no contexto aqui sugere que Paulo especificamente proibiu as mulheres de ensinarem a Bíblia. A única passagem em toda a Bíblia que alguém poderia citar diretamente contra as mulheres que ensinam a Bíblia é 1 Timóteo 2: 11-15.

EM QUIETUDE E SUBMISSÃO
Em 1ª Timóteo 2:11–15, Paulo proibiu as mulheres de ensinar ou exercer autoridade sobre os homens. A maioria dos partidários das mulheres no ministério pensa que a última expressão significa "usurpar a autoridade"[23], algo que Paulo não quer que os homens façam mais do que as mulheres, mas o assunto é disputado[24]. Em todo caso, aqui Paulo também proibiu as mulheres de "ensinar", algo que ele aparentemente permitia em outros lugares (Romanos 16; Filipenses 4:2,3). Assim, ele presumivelmente abordou a situação específica dessa comunidade. Como tanto Paulo quanto seus leitores conheciam sua situação e podiam tomar como certo, a situação que provocou a resposta de Paulo foi assim assumida em seu significado pretendido.

Provavelmente não é coincidência que a única passagem da Bíblia que proíbe as mulheres de ensinam as Escrituras apareçam no único conjunto de cartas em que explicitamente sabemos que os falsos mestres estavam mirando e trabalhando através das mulheres. As cartas de Paulo a Timóteo em Éfeso fornecem um vislumbre da situação: falsos mestres (1 Timóteo 1:6,7,19,20; 6:3-5; 2 Timóteo 2:17) enganavam as mulheres (2 Timóteo 3:6-7). Essas mulheres eram provavelmente (e especialmente) algumas viúvas que possuíam casas que os falsos professores poderiam usar em suas reuniões. (Veja 1 Timóteo 5:13. Um dos termos gregos aqui indica um absurdo disseminador.)[25]. As mulheres eram as mais suscetíveis a falsos ensinamentos, porque recebiam a menor educação possível. Esse comportamento estava fadado a trazer reprovação na igreja de uma sociedade hostil que já estava convencida de que os cristãos subvertiam os papéis tradicionais das mulheres e dos escravos[26]. Assim, Paulo forneceu uma solução de curto alcance: "Não ensine" (nas circunstâncias atuais); e uma solução de longo alcance: "Deixe-os aprender" (1 Timóteo 2:11).

Hoje lemos "aprendam em silêncio" e pensemos que a ênfase está no "silêncio". O fato de essas mulheres aprenderem "calma e submissamente" pode refletir seu testemunho dentro da sociedade (essas eram características normalmente esperadas das mulheres). Mas a cultura antiga esperava que todos os estudantes iniciantes (ao contrário dos estudantes avançados) aprendessem silenciosamente; era por isso que as mulheres não deveriam fazer perguntas (como mencionado acima). A mesma palavra para "silêncio" aqui é aplicada a todos os cristãos no contexto (2:2). Paulo abordou especificamente esse assunto para as mulheres pela mesma razão pela qual ele se dirigiu à admoestação para parar de discutir com os homens (2:8): Eles eram os grupos envolvidos nas igrejas de Éfeso. Mais uma vez, parece que o plano de longo alcance de Paulo era libertar, não subordinar, o ministério das mulheres.

O que particularmente faz com que muitos estudiosos questionem esse caso, que de outra forma seria lógico, é o seguinte argumento de Paulo, onde ele baseou seu caso nos papéis de Adão e Eva (1 Timóteo 2:13,14). O argumento de Paulo a partir da ordem de criação, no entanto, foi um dos argumentos que ele anteriormente usou para afirmar que as mulheres deveriam usar capas de cabeça (1 Coríntios 11: 7-9). Em outras palavras, Paulo às vezes citava as Escrituras para fazer um caso ad hoc para circunstâncias particulares que ele não aplicaria a todas as circunstâncias. Embora muitas vezes Paulo faça argumentos universais do Antigo Testamento, ele às vezes (como ocorre com os lenços de cabeça) faz um argumento local por analogia. Seu argumento do engano de Eva é ainda mais provável para se encaixar nessa categoria. Se o engano de Eva proibir todas as mulheres de ensinar, Paulo estaria afirmando que todas as mulheres, como Eva, são mais facilmente enganadas do que todos os homens. (É de se perguntar, então, por que ele permitiria que as mulheres ensinassem outras mulheres, já que as enganariam ainda mais.) Se, no entanto, o engano não se aplica a todas as mulheres, tampouco se proíbe o ensino delas. Paulo provavelmente usou Eva para ilustrar a situação das mulheres ignorantes que ele abordou em Éfeso; mas ele em outro lugar usou Eva para qualquer um que é enganado, não apenas mulheres (2 Coríntios 11:3)[27].

Porque não acreditamos que Paulo tenha se contradito, sua aprovação do ministério das mulheres na Palavra de Deus em outro lugar confirma que 1 Timóteo 2:9–15 não pode proibir o ministério das mulheres em todas as situações; em vez disso, ele abordou uma situação particular.

Alguns protestaram que as mulheres não devem ter autoridade sobre os homens porque os homens são a cabeça das mulheres. Além dos muitos debates sobre o significado do termo grego "cabeça" (por exemplo, alguns traduzem "fonte" em vez de "autoridade sobre"),[28] Paulo falou apenas do marido como chefe de sua esposa, não do homem gênero como chefe do gênero feminino. Além disso, nós pentecostais e carismáticos afirmamos que a autoridade do ministro é inerente ao chamado do ministro e ao ministério da Palavra, não à pessoa do ministro. Neste caso, o gênero deve ser irrelevante como uma consideração para o ministério – para nós como foi para Paulo.

CONCLUSÃO
Hoje devemos afirmar aqueles a quem Deus chama, sejam homens ou mulheres, e encorajá-los a aprender fielmente a Palavra de Deus. Precisamos afirmar todos os trabalhadores em potencial, homens e mulheres, para os abundantes campos de colheita.




[1] Victor Synan, The Holiness-Pentecostal Movement in the United States (Grand Rapids: Eerdmans, 1971), 188,89.
[2] See S. Grenz and D. Muir Kjesbo, Women in the Church (Downers Grove: InterVarsity, 1995), 42—62; N. Hardesty, Women Called To Witness (Nashville: Abingdon, 1984); G. Usry and C. Keener, Black Man’s Religion (Downers Grove: InterVarsity, 1996), 90—94, 98—109.
[3] See S. Grenz and D. Muir Kjesbo, Women in the Church (Downers Grove: InterVarsity, 1995), 42—62; N. Hardesty, Women Called To Witness (Nashville: Abingdon, 1984); G. Usry and C. Keener, Black Man’s Religion (Downers Grove: InterVarsity, 1996), 90—94, 98—109.
[4] See G. Stanton, The Gospels and Jesus (Oxford: Oxford, 1989), 202; J. Stambaugh and D. Balch, The New Testament in Its Social Environment (Philadelphia: Westminster, 1986), 104; W. Liefeld, "The Wandering Preacher as a Social Figure in the Roman Empire" (Ph.D. dissertation, Columbia University, 1967), 240. Critics often maligned movements supported by women. See E.P. Sanders, The Historical Figure of Jesus (New York: Penguin, 1993), 109.
[5] To "sit before" a teacher’s feet was to take the posture of a disciple (Acts 22:3; m. Ab. 1:4; ARN 6, 38 A; ARN 11, §28 B; b. Pes. 3b; p. Sanh. 10:1, §8). On women in Jesus’ ministry, see especially B. Witherington III, Women in the Ministry of Jesus, SNTSM 51 (Cambridge: Cambridge University, 1984).
[6] Jesus’ contemporaries generally held little esteem for the testimony of women Os contemporâneos de Jesus geralmente têm pouca estima pelo testemunho das mulheres (Jos. Ant. 4.219; m. Yeb. 15:1, 8—10; Ket. 1:6—9; tos. Yeb. 14:10; Sifra VDDeho. pq. 7:45.1.1; cf., Luke 24:11). In Roman law, see similarly J. Gardner, Women in Roman Law and Society (Bloomington: Indiana University, 1986), 165.
[7] Although inscriptions demonstrate that women filled a prominent role in some synagogues = Embora as inscrições demonstrem que as mulheres preencheram um papel proeminente em algumas sinagogas (see B. Brooten, Women Leaders in the Ancient Synagogue: Inscriptional Evidence and Background Issues [Chico, Calif.: Scholars, 1982]), they also reveal that this practice was the exception rather than the norm. = elas também revelam que essa prática era a exceção e não a norma.
[8] E.g., Philo Prob. 117; see further Safrai, "Education," JPFC 955; R. Baer, Philo’s Use of the Categories Male and Female, AZLGHJ 3 (Leiden: Brill, 1970).
[9] See further Keener, Women, 237—40
[10] Porque em nenhum outro lugar Paulo apela às recomendações dos apóstolos, "notáveis ​​apóstolos" continua sendo a maneira mais natural de interpretar esta frase. (see, e.g., A. Spencer, Beyond the Curse: Women Called to Ministry [Peabody, Mass.: Hendrickson, 1989], 102).
[11] See V. Abrahamsen, "The Rock Reliefs and the Cult of Diana at Philippi" (Th.D. dissertation, Harvard Divinity School, 1986).
[12] See, e.g., comments in C. Keener, "Man and Woman," pp. 583—92 in Dictionary of Paul and His Letters (Downers Grove: InterVarsity, 1993), 584—85.
[13] Os judeus estavam entre as culturas que exigiam que as mulheres casadas cobrissem os cabelos (por exemplo, B. B. 8: 6; ARN 3, 17A; Sifre Num. 11.2.2; 3 Macc 4: 6). Em outro lugar no Oriente, por exemplo, R. MacMullen, "Mulheres em Público no Império Romano", Historia 29 (1980): 209-10. Jewish people were among the cultures that required married women to cover their hair (e.g., m. B.K. 8:6; ARN 3, 17A; Sifre Num. 11.2.2; 3 Macc 4:6). Elsewhere in the East, cf., e.g., R. MacMullen, "Women in Public in the Roman Empire," Historia 29 (1980): 209—10.
[14] Às vezes os homens (Plut. RQ 14, Mor. 267A; Char. Chaer. 3.3.14) e as mulheres (Plut. RQ 26, Mor. 270D; Char. Chaer. 1.11.2; 8.1.7; ARN 1A) cobriam suas cabeças por luto. Da mesma forma, ambos os homens (m. Sot. 9:15; Epict. Disco. 1.11.27) e as mulheres (ARN 9, §25B) cobriram suas cabeças de vergonha. As mulheres romanas normalmente cobriam suas cabeças para adoração (por exemplo, Varro 5.29.130; Plut. R.Q. 10, Mor. 266C), em contraste com as mulheres gregas que descobriram suas cabeças (SIG 3d ed., 3.999). Mas, em contraste com o costume que Paulo abordou, nenhuma dessas práticas específicas diferencia homens de mulheres.
[15] O cabelo era o principal objeto do desejo masculino (Apul. Metam. 2.8,9; Char. Chaer. 1.13.11; 1.14.1; ARN 14, §35B; Sifre Num. 11.2.1; p. San. 6: 4, §1). Foi por isso que muitos povos exigiram que as mulheres casadas cobrissem seus cabelos, mas permitiram que as meninas solteiras fossem descobertas (por exemplo, Charillus 2 in Plut. Sayings of Spartans, Mor. 232C; Philo Spec. Leg. 3.56).
[16] Por exemplo, m. Ket 7: 6; b. Sot. 9a; R. Meir em Num. Rab. 9:12 Por um costume semelhante e raciocínio hoje em sociedades islâmicas tradicionais, ver C. Delaney, "Seeds of Honor, Campos da Vergonha", pp. 35-48 em Honra e Vergonha e da Unidade do Mediterrâneo, ed. D. Gilmore, AAA 22 (Washington, D.C .: American Anthropological Association, 1987), 42, 67; cf., D. Eickelman, O Oriente Médio: Uma Abordagem Antropológica, 2d ed. (Englewood Cliffs, N.J .: Prentice Hall, 1989), 165.
[17] Sobre os vários argumentos de Paulo aqui, veja mais plenamente Keener, Women, 31-46; ou mais brevemente, em "Man and Woman", 585-86. Para um pano de fundo semelhante para 1 Timóteo 2: 9,10, ver D. Scholer, "Adorno das mulheres: algumas observações históricas e hermenêuticas sobre as passagens do Novo Testamento", Filhas de Sara 6 (1980), 3—6; Keener, mulheres, 103—7.
[18] G. Fee, A Primeira Epístola aos Coríntios, NICNT (Grand Rapids: Eerdmans, 1987), 699-705. Fee pode estar certo de que toda a tradição ocidental desloca essa passagem, mas isso pode acontecer facilmente com uma digressão (bastante comum em escritos antigos), e mesmo nesses textos a passagem é movida, não faltando.
[19] E.g., K. Giles, Created Woman: A Fresh Study of the Biblical Teaching (Canberra: Acorn, 1985), 56.
[20] See, e.g., Plut. On Lectures 4,11,13,18, Mor. 39CD, 43BC, 45D, 48AB; cf. tos. Sanh. 7:10.
[21] One of the most progressive alternatives was Plut., Advice to Bride and Groom, 48, Mor. 145BC, who, nevertheless, ended up accusing women of folly if left to themselves (48, Mor. 145DE).
[22] For more detailed documentation, see Keener, Women, 70—100; similarly, B. Witherington, III, Women in the Earliest Churches, SNTSM 59 (Cambridge: Cambridge University, 1988), 90—104.
[23] See further discussion in Keener, Women, pp. 108,9.
[24] For recent and noteworthy arguments in favor of "exercise authority," see the articles by Baldwin, Köstenberger, and Schreiner in Women in the Church: A Fresh Analysis of 1 Timothy 2:9—15 (Grand Rapids: Baker, 1995).
[25] The Greek expression for the women’s activities here probably refers to spreading false teaching; see G. Fee, 1 and 2 Timothy, Titus, NIBC (Peabody, Mass.: Hendrickson, 1988), 122.
[26] Dada a percepção da sociedade romana de cristãos como um culto subversivo, o falso ensino que minou as estratégias de Paulo para o testemunho público da igreja (ver Keener, Women, 139-56) não poderia ser permitido (cf. 1 Timóteo 3: 2,7,10; 5: 7,10,14; 6: 1; Tito 1: 6; 2: 1—5,8,10; A. Padgett, "O fundamento paulino para a submissão: o feminismo bíblico e as hinas clemências de Tito 2: 1— 10, "EQ 59 (1987) 52; D. Verner, A Casa de Deus: O Mundo Social das Epístolas Pastorais, SBLDS, 71 [Chico, Calif .: Scholars, 1983]).
[27] First Timothy 2:15 may also qualify the preceding verses; see Keener, Women, 118—20.
[28] Catherine Clark Kroeger e outros acreditam que isso implica "fonte", Wayne Grudem e outros que isso implica "autoridade sobre". Com Gordon Fee, desconfio que a literatura antiga permite a visão de ambos, mas que Paulo usou uma imagem relevante em sua época (ver também Keener, Women, 32-36, 168).