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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

JUSTIÇA DE CRISTO E O FRUTO DA JUSTIÇA DO ESPÍRITO

 


A JUSTIÇA DE CRISTO E O FRUTO DA JUSTIÇA DO ESPÍRITO SÃO INDISPENSÁVEIS PARA A SALVAÇÃO COMPLETA DO PECADOR CRENTE

 

Cristo Jesus providenciou Sua própria justiça aos pecadores para que fossem salvos por Deus visando dá glória unicamente a Deus e não as obras humanas. A obediência de Cristo é a causa material da salvação dos pecadores. Nós não fomos salvos por causa da nossa obediência e pela prática da nossa justiça, mas única e somente pela justiça de Cristo, Sua obediência na vida e morte. Dizer que Deus ver a obediência do pecador e o salva, não condiz com o ensino do Novo Testamento. Mas dizer que Deus salva os pecadores pela fé, causa instrumental, na base da obediência de Cristo, causa material, por causa da misericórdia e amor gracioso de Deus, causa eficiente, e para o louvor de Deus, causa final, é totalmente bíblico!

Agora, nos salvos, o Espírito Santo providencia o fruto da justiça para que não se exaltem em suas obras cristãs para que Deus continue recebendo a glória devida em todo o processo da salvação. As boas obras da vida cristã santificada foram feitas por Deus para que andássemos nelas segundo o Espírito Santo (Efésios 2.1; Gálatas 5.25).

João Calvino fala da “habitação do Espírito Santo” no salvo como o “outro benefício” de quando Deus por meio da justiça de Cristo nos remiu gratuitamente de nossos pecados nos reputando por justos e nos reconciliando consigo mesmo. Ele escreveu que em virtude do Espírito Santo “[...] a concupiscência de nossa carne é paulatinamente mortificada; e que somos santificados; isto é, somos consagrados ao Senhor para a verdadeira pureza de vida, com nosso coração conformados à obediência da lei, a fim de que esta seja nossa principal vontade: servir à Sua vontade e promover, de todos os modos, unicamente Sua glória”[1].

É ensino claro das Escrituras que a justiça da lei é cumprida no salvo pelo Espírito Santo (Romanos 8.4, ACF[2]), como também o fruto da justiça é gerado no salvo pelo mesmo Espírito Santo (Efésios 5.9, ACF; cf. Filipenses 1.11; Hebreus 12.11). O Espírito Santo não só nos ingressa na salvação, mas também nos mantém e produz crescimento soteriológico visando a perfeição na glorificação. Tenho pontuado alhures que a justiça de Jesus é a justiça do Reino de Deus, e a justiça do Reino é a justiça do Espírito, portanto, sem a justiça cristológica e pneumatológica não há salvação, santificação e glorificação!

Nenhuma justiça será aceita por Deus para a salvação, a não ser a justiça de Jesus; semelhantemente, nenhum fruto de justiça será aceito diante de Deus para a santificação, crescimento e glorificação, senão o do Espírito Santo. Calvino diz: “Não temos sequer uma obra que proceda dos próprios santos, as quais, se julgadas em si, não mereçam a justa recompensa do infortúnio”[3]. Mas se produzidas pelo Espírito Santo conduzirá os santos para a glorificação.

Portanto, para a glorificação do pecador tanto a justiça de Cristo quanto o fruto da justiça do Espírito Santo são essenciais. Lembremo-nos que a natureza essencial do fruto do Espírito é a reprodução da vida de Cristo no crente. Não estamos sendo conformados à imagem do Espírito Santo, mas à imagem de Cristo pelo Espírito de “glória em glória” (cf. Romanos 8.29; 2Coríntios 3.18). Cada aspecto da vida cristã, dentro da maior amplitude possível, é obra do Espírito Santo. O que Deus fez em nosso favor em Cristo nos é dado e aplicado por meio do Espírito Santo.

A salvação do pecador não se baseia somente numa relação correta baseada na justiça de Cristo, mas também no viver correto baseado no fruto da justiça do Espírito Santo. O que Deus fez por nós em Cristo (justificando), deve continuar a ser feito em nós pelo Espírito (santificando) para que sejamos perfeitos (glorificação), pelo poder do Espírito Santo que em nós habita, por ocasião da manifestação de Cristo em Sua Vinda. A implicação soteriológica é: não apenas somos declarados justos, mas também estamos sendo feitos justos para alcançar a perfeição do Pai Celeste (Mateus 5.48).

Nunca devemos esquecer: “Na Escritura, a salvação ocorre no tempo perfeito (ou seja, uma ação completa com efeitos contínuos), bem como nos tempos presente (contínuo) e futuro”[4].

O Espírito salvador gera em nós o fruto da justiça da vida de Cristo para que a salvação seja uma certeza (fomos salvos), uma experiência constante (estamos sendo salvos) e uma bendita esperança (seremos salvos). Uno-me ao apóstolo que diz: “Tendo por certo isto mesmo, que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1.6, ACF). “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1Tessalonicenses 5.24, ACF). Na mesma tonalidade, Pedro escreveu: “E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à Sua eterna glória, depois de havermos padecido um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça” (1Pedro 5.10).

A bendita obra de salvação será concluída nos crentes (os que creem) até o final pelo poder de Deus Espírito Santo!

 

Soli Deo Glória!



[1] Institutas da Religião Cristã III, cap.14.9 – Editora Cultura Cristã.

[2] Almeida Corrigida Fiel – Sociedade Bíblica Trinitariana, 2011.

[3] Institutas da Religião Cristã III, cap.14.9 – Editora Cultura Cristã.

[4] CHAN, Simon. A Systematic Study of the Christian Life (©1998). InterVarsity Press. P.O. Box 1400, Downers Grove, IL 60515.

quarta-feira, 11 de março de 2020

APALPANDO O ELEFANTE DAS TRADIÇÕES


A PSICOLOGIA DA GESTALT E O ELEFANTE APALPADO PELAS TRADIÇÕES

Eu entendo que tanto o calvinismo quanto o arminianismo são Sistemas legítimos do fazer teológico, e que de ambos os lados existem homens e mulheres cristãos piedosos, todavia nenhum deles retêm a perfeição do fazer-teológico. Nenhum deles são perfeitos em suas articulações das questiúnculas doutrinárias. Nenhum deles são plenos e aperfeiçoados em teologia e, nenhum deles DEVE ser dogmático. E nenhum deles deve dizer que seu Sistema é verdadeiro, pois isso é ir além do evangelho. Um erro subsequente é dizer que o seu sistema é o evangelho. O evangelho, as boas novas, está bem claro e delineado nas Escrituras (cf. 1Coríntios 15.1-8; Gálatas 1.6-12; 2.2,4-5,7,14,16; 3.8-9,11,14). Anatematizar um Sistema por que não se encaixa no seu é ir além das Escrituras e cair em loquacidades frívolas.
A obra de Deus na salvação em nosso coração é tão gloriosa, pungente, perfeita, completa, misteriosa, altaneira e complexa que as próprias Escrituras usam diversos termos, imagens e ilustrações para descrevê-la. É impossível pregar o evangelho de maneira completa se usarmos unicamente uma dessas muitas imagens ou mesmo enfatizar verdades ilustradas por elas, pois a inteireza do evangelho consiste no uso EQUILIBRADO de todas elas.
O ponto é que nenhuma linguagem humana consegue expressar adequadamente a obra de Deus em nossa alma, e nenhuma ilustração humana consegue explica-la adequada e completamente. Apesar de que o essencial da obra salvadora de Deus é bastante claro e poderoso para nos salvar e para uma vida crescente, todavia detalhes e questiúnculas da doutrina requer cautela na articulação. Esticar ou comprimir certos textos para adaptá-los a certo Sistema particular do pensar teológico é perigo e infrutífero, pois como disse Paulo traz mais discussões tolas do que serviço de Deus, na fé (1Timóteo 1.5).

TEÓLOGOS-CEGOS APALPANDO O ELEFANTE-TEOLÓGICO
A psicologia da Gestalt nos ensinou que o todo é sempre maior do que a soma de suas partes. Acredito que todos já ouviram a “História dos seis cegos indianos” que foram examinar um elefante, e cada um tocou determinada parte do animal. Cada um insistia que ele sabia agora, por experiência, como era um elefante. Mas aquele que agarrou a cauda pensava que o elefante era como uma corda, e o que colocou os seus braços ao redor da perna do elefante pensou que ele fosse como uma árvore. O que sentiu o lado do elefante pensou que ele fosse igual a uma parede, enquanto o que agarrou a tromba do elefante estava igualmente certo de que o elefante era como uma cobra. Nota-se que cada um possuía uma parte do verdadeiro conhecimento, cada um estava certo de que possuía a última palavra, e ainda assim é impressionante como cada homem carecia do conhecimento completo do que é um elefante.
Esses homens são como alguns sinceros, mas equivocados filhos de Deus que vivem argumentando sobre “chiboletes” e vários outros aspectos da verdade divina e causando, lamentavelmente, divisões e não serviço de Deus, na fé. Deus é maior do que todas as palavras que podemos usar para descrevê-lo. Sua salvação, eleição, justificação, regeneração e etc., são maiores do que as partes que enfatizamos e até mesmo do que todas as palavras que podemos usar para descrever. Nenhuma descrição humana no fazer teológico é adequada e perfeita para descrever a totalidade e plenitude da salvação de Deus em Cristo Jesus no Espírito Santo. Em certos pontos doutrinários estamos balbuciando como crianças que estão aprendendo a falar. Somos como os indianos que pelo conhecimento e experiência próprios elencam o que apalparam e entenderam, mas não conseguem compreender o todo.
O fazer teológico e suas tradições iluminam nossa mente e nosso coração, abençoam nossa alma e nos ajudam a compreender, mas devemos nos lembrar de suas limitações. Há certos pontos que devemos nos calar e não especular! Há certos pontos que devemos nos inundar na doxologia do conhecimento e plano de Deus, no lugar de querer articular detalhes que estão infinitamente além de nossa compreensão finita. Paulo fez isso em Romanos! No ápice de sua exposição ele pausou e louvou ao Senhor: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os Seus juízos, e quão inescrutáveis, os Seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o Seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a Ele para que lhe venha a ser restituído? Porque d’Ele, e por meio d’Ele, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Romanos 11:33-36).
Chega-se a um ponto no fazer teológico que devemos pausar, dobrar os joelhos e adorar por causa da profundidade do conhecimento de Deus e pelos Seus insondáveis caminhos! Todavia, é triste perceber que muitos seguem o caminho da especulação a da doxologia.
Quão equivocados alguns sinceros filhos de Deus têm sido ao argumentarem com respeito a termos e ilustrações para descrever a obra salvadora de Deus em Cristo no Espírito Santo! Quantas discussões nada santas têm acontecido a respeito da doutrina e da experiência da salvação. Porque Deus conhece muito melhor do que nós como nossas palavras e experiências humanas são, Ele é generoso nos termos e nas imagens que nos dá para compreender Sua preciosa obra em Cristo pelo Espírito. Todavia, exagerar ou negligenciar qualquer uma delas significa abrir uma lacuna na inteireza da revelação divina, colocar-nos de forma inadequada em nossa experiência pessoal da graça de Deus, formularmos uma doutrina deficiente, extremista e fazermos uma apresentação trôpega e incompleta do evangelho.
Nós devemos ensinar e enfatizar o todo da verdade da Palavra de Deus, pois o todo é maior do que a soma de suas partes!
Rumo a um Evangelho Pleno: Sinai, Calvário e Pentecostes!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

DUAS FORMAS DE SALVAÇÃO!

Duas Formas De Salvação!

1. OBRAS: Claramente uma pessoa pode ser salva se obedecer perfeitamente a Lei de Deus: “[...], mas os que praticam a Lei há de ser justificados” (Rm 2.13). Caso ela consiga, o Justo Juiz dirá: MUITO BEM, VOCÊ CONSEGUIU! PARABÉNS PARA VOCÊ! VOCÊ FOI PERFEITO! PODE ENTRAR NO MEU REINO! APLAUSOS PARA ELE, AFINAL ELE MERECE!
Essa pessoal será JUSTAMENTE recompensada pelos seus esforços e méritos por ter obedecido perfeitamente à santa Lei de Deus. Ela merece pessoal, palmas pra ela!
Porém, só quero lembra-lhes as palavras de Tiago: “Pois qualquer que guarda toda a Lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (2.10); “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. [...]” (Tg 3.2). Paulo ainda acrescenta: “De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos na lei, da graça decaístes” (Gl 5.4).

2. GRAÇA: Claramente uma pessoa pode ser salva, “gratuitamente” (não meritoriamente) pela “graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Em outras palavras, você reconhece a santidade e perfeição da Lei de Deus que revela a profundidade de teus pecados, então você diz: “Oh, quão santa e perfeita é a Lei de Deus e, quão pecador eu sou, incapaz de obedecer sem tropeçar!”. Então, você tira os olhos de si mesmo, e você para de querer conquistar a salvação pela carne (teus méritos) e diz: “Reconheço que sou pecador e que Cristo Jesus morreu a morte que eu deveria morrer, e viveu a vida que eu deveria viver!”. Nesse ponto, Deus o Pai que manifestou Sua justiça no tempo presente, “Ele mesmo” é o “Justo e o Justificador daquele [você] que tem fé em Jesus” (Rm 3.26).
Ah, só que tem um detalhe. Quando você chegar lá no céu, você não será aplaudido como no caso anterior. Pois, Paulo diz: “Onde, pois, a jactância?” (Rm 3.27). Ou seja, “onde estarão os teus parabéns?”, “Onde estarão os aplausos pelos teus méritos de ter guardado toda a Lei?”. Paulo responde: “Foi de TODO EXCLUÍDA!”. “Por que lei?”. Aquela que justifica pelas obras de obediência a esta Lei? NÃO, diz Paulo, “pelo contrário, pela Lei da fé” (Rm 3.27). Aí o grande apóstolo resume: “CONCLUÍMOS, pois, que o homem é justificado pela fé, independente das obras da Lei” (Rm 3.28). A única obra pela qual conta na nossa justificação é a de Cristo como nosso substituto, NÃO A NOSSA!
Em tempo, para aqueles que dizem: “então, posso fazer o que quero e ainda vou ser salvo?”; Paulo responde: “Anulamos, pois, a Lei, pela fé? NÃO, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei” (Rm 3.31).
Você não é salvo pelas tuas obras (méritos e recompensas), mas pelas obras de Cristo (pela graça e fé), para andar nas obras que Deus preparou de antemão (Ef 2.10) para tua santificação.

Ivan Teixeira
Minister Verbi Divini

terça-feira, 11 de julho de 2017

O SENHOR SALVA-E-ACRESCENTA; NÃO NÓS!

O Senhor salva-e-acrescenta, não nós!

Muitos não estão satisfeito com esta preciosa e profunda expressão: “acrescentava-lhes o Senhor, [a igreja ARC], dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.47, ARA).
O texto diz duas coisas importantes:
(1) O Senhor acrescentava (gr. ὁ δὲ κύριος προσετίθει = Ho Kyrios prosetíthei = tempo imperfeito da voz ativa, “seguia acrescentando”).
Como pontou F. F. Bruce: “É prerrogativa do Senhor acrescentar novos membros à comunidade que lhe pertence”[1].
John Stott nos brinda com o seguinte comentário: “Ele não os acrescentou à igreja sem salvá-los (no começo, não havia cristãos nominais), nem os salvou sem acrescentá-los à igreja (também não havia cristãos solitários). Salvação e participação na igreja andavam juntas; e continuam andando”[2].
Somente o Cristo ressurreto, do Seu trono, tem o privilégio e o poder de admitir pessoas à Sua igreja, e de conceder a salvação.

(2) os que iam sendo salvos (gr. τοὺς σῳζομένους = toùs sõdzoménous = particípio presente passivo)[3].
O texto não diz que as pessoas se salvavam (não é um “presente ativo”), mas que eram salvas (mas, sim “presente passivo”). A graça de Deus não é apenas um auxílio ao pecador para que este se decida por si mesmo ser salvo. Caso fosse assim, não precisaríamos de um Salvador, apenas de uma graça preventiva, para por meio de nosso próprio esforço conseguir ser salvos. Mas este texto e muitos outros das Escrituras afirmam que precisamos de um Salvador para nos salvar, pois entregues a nós mesmos, mesmo supostamente auxiliados por uma graça preventiva, não podemos nos salvar. As pessoas são salvas e não se salvam (particípio presente passivo do verbo).
As Escrituras descrevem peremptoriamente nossa incapacidade de nos voltarmos para Deus por nossa própria vontade (Rm 3.9-18 – relata nossa total incapacidade).
As Escrituras também descrevem que estávamos “mortos” (Ef 2.1); éramos “fracos” (a palavra grega significa “totalmente incapazes”, “sem força” e etc.) e “ímpios” (Rm 5.6); e “pecadores” (Rm 5.8). Nada poderíamos fazer para mudar esta situação desesperadora. Mas Deus enviou Seu Filho para nos salvar. É Ele quem nos salva, não somos auto-salváveis. Jesus não veio para cooperar conosco para nos salvar, Ele veio para nos salvar! Ele não nos auxilia, Ele nos liberta pela Sua verdade (Jo 3.32,36). Se dependesse inteira ou parcialmente de nós, nunca seríamos salvos. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos DEU VIDA juntamente com Cristo – pela graça sois salvos” (Ef 2.4-5). Não somos salvos por um auxílio da graça, mas PELA GRAÇA, a graça não é um meio para alcançarmos a salvação, mas a fonte ou a causa primária. A causa instrumental é a fé e não a graça. É Deus quem nos ressuscita com o poder de Sua graça, e não nós que saímos dos mortos com o auxílio da graça Divina. É Deus que nos regenera (“nos deus vida”) pelo Seu poder criador, não nós autorregeneramos.

O texto em apreço de Atos 2.47, claramente revela que é Deus quem salva e faz Sua igreja crescer. Deixemos, pois as metodologias mundanas, as campanhas mirabolantes e o entretenimento e, arrependidos, confiemos no Senhor da igreja para salvar e fazer Sua igreja crescer.
Concluo dizendo que o Novo Testamento afirma que é o Deus Trino quem faz Sua igreja crescer: (1) Jesus edifica Sua igreja (Mt 16.18); (2) O Pai dá o crescimento (1CO 3.6) e o Espírito Santo batiza no Corpo de Cristo (1Co 12.13). Ó bendita Trindade!

IVAN TEIXEIRA,
Minister Verbi Divini
Soli Deo Gloria!



[1] BRUCE, 2007, p.93.
[2] STOTT, 1994, p.92.
[3] ROBERTSON, 2003, p.283.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

VOCÊ É SALVO?

Você é verdadeiramente salvo em 

Cristo Jesus?

Leitura Seleta: 1 João 1.1–2.6.

Introdução: Como posso saber que sou salvo? Quais evidências revelam uma verdadeira conversão? Há provas de um novo nascimento na vida de uma pessoa? Há marcas que destacam uma pessoa crente em Jesus Cristo? O que distingue uma pessoa crente de outra descrente?
Deus falou por meio do profeta Malaquias 3.18:
Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve.

Tais perguntas parecem fora de moda. Não são perguntas que se ouve hoje em dia. Você nunca ouviu falar de uma campanha que traga um título sobre, por exemplo, “como saber que sou verdadeiramente cristã?”; “quais sinais de um novo nascimento?”.

Exortação ao autoexame
Folheando as Escrituras Sagradas encontramos exortações para um exame de nossa profissão de fé.
Paulo escreveu em 1 Coríntios 11.28:
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice.

Ele escreveu em 2 Coríntios 13.5:
Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.

Também escreveu em Gálatas 6.3-4:
Porque se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana.
Mas prove cada um o seu labor, e então terá motivo de gloriar-se unicamente em si, e não em outro.

Paulo exorta-os a considerar a possibilidade da reprovação, pois caso sejam reprovados eles perecerão eternamente mesmos sendo membros de uma igreja local. A reprovação conduz ao endurecimento do coração, o endurecimento a morte espiritual.
Declínio espiritual é caracterizado por falta de oração, desobediência ao claro ensino das Escrituras, não frequência a igreja e isolar-se dos outros crentes.

No século XVIII, o teólogo Jonathan Edwards chegou a conclusão de que “prova máxima da verdadeira conversão é o que ele chamou de “afeições santas”, ou seja, um zelo pelas coisas santas e um desejo de Deus e da santidade pessoal”.
Segundo Edwards, a verdadeira salvação sempre produz uma constante mudança de natureza no verdadeiro convertido. Ele escreveu: “Nunca se deve desfrutar da certeza com base em uma experiência do passado. É necessária a obra presente e contínua do Espírito Santo [...], dando certeza”.
O apóstolo João, como os escritores do Novo Testamento, se preocupou sobre a questão da verdadeira conversão. Ele dedicou sua primeira Carta ao assunto, afirmando seu tema no final:
Estas coisas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o Nome do Filho de Deus.

Nesta Carta de João encontramos uma série de testes que determinam se temos realmente a vida eterna, ou seja, se somos realmente salvos.

1. Você desfruta de comunhão com Cristo e com o Pai?
O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1.3).

É característicos dos incrédulos odiar a Cristo Jesus.
Nosso Senhor disse:
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a Mim (Jo 15.18).
Quem odeia, odeia também a Meu Pai (Jo 15.23).

É característico de todo verdadeiro cristão amar a Cristo e o Pai.
Lemos em 1 João 5.1-2:
Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que Dele é nascido.

Você ama a Jesus acima de tudo e de todos?
Mateus 10.37-39:
Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a Mim não é digno de Mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a Mim não é digno de Mim;
E quem não toma a sua cruz, e vem após Mim não é digno de Mim.
Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por Minha causa achá-la-á.

Lucas 14.26:
Se alguém vem a Mim, e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo.

Lucas 10.27:
A isto ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento [...].

Cristo Jesus nosso maior tesouro e deleite
Se eu amo a Cristo por causa de alguma coisa (bens, diversão e etc.,) não estou amando-o de verdadeiramente. Ninguém pode amá-Lo verdadeiramente mediado por qualquer coisa. Sendo assim, amor a Cristo por causa do que Ele pode me oferecer e não por causa de Quem Ele é.

Agostinho
“Fizeste-nos para Ti, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti”[1].
Aquele que tem Deus é feliz. Não porque Deus dá saúde, prosperidade e propriedade, mas porque Deus é o lugar de descanso da nossa alma. Tornar isso conhecido e experimentado por meio de Jesus Cristo é o alvo do evangelismo e das missões mundiais.
“Aquele que Ti ama junto com outra coisa, ama-Te mui pouco; pois não ama tal coisa por amor de Ti”.
Nos salmos Deus é o bem mais precioso e o maior deleite dos salmistas (cf. Sl 34.8; 84.2; 42.1,2).

Onde está o nosso tesouro aí estará o nosso coração (cf. Mt 6.19-21). Pergunte ao homem o que ele ama e não o que ele faz para conhecê-lo. Ao jovem rico faltava-lhe um tesouro no céu (cf. Mc 10.21).
O alvo de Paulo deve ser o nosso alvo (cf. Fp 3.7-14)

O que é esta comunhão com Cristo?
Paulo a descreveu com as seguintes palavras:
Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo;
Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim (Gl 2.19-20).

O mundo só me encanta quando Cristo não vive em mim; quando não vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim. Paulo também salientou:
Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo (Gl 6.14).

2. Você é sensível ao pecado?
Ora, a mensagem que, da parte Dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há Nele treva nenhuma.
Se dissermos que não mantemos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
Se, porém, andarmos na luz, como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado (1Jo 1.5-7).

Luz e trevas não coexistem!
 É característico dos incrédulos para os pecados em suas vidas.
Os cristãos, por outro lado andam na luz, como Ele está na luz (v.7). Nós andamos em um caminho virtuoso e, além disso, confessamos os nosso pecados (v.9).
Os verdadeiros cristãos têm uma noção correta do pecado. Sabem que se quiserem ter um relacionamento com Deus, eles têm de ser santos. Quando o pecado ocorre em suas vidas, eles sabem que têm de confessá-lo.
Os verdadeiros cristãos percebem que não devem pecar. Mas, quando pecam, eles sabem a quem recorrer – Jesus Cristo, o Advogado do cristão (1Jo 2.1-2).
A pessoa realmente salva é sensível a realidade do pecado em sua vida (Rm 7.14-25).
Se você está lutando diariamente contra o pecado é sinal de que você nasceu de novo, afirma John Owen.

3. Você obedece a Palavra de Deus?
Temos uma declaração clara em 1 João 2.3-6:
Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os Seus mandamentos.
Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e Nele não está a verdade.
Aquele, entretanto, que guarda a Sua Palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos Nele:
Aquele que diz que permanece Nele, esse deve também andar assim como Ele andou.

Você quer saber como pode dizer se é um verdadeiro cristão? Não é pelo sentimento, mas pela obediência.
Se você obedece a Palavra de Deus é sinal de que você ama a Cristo:
Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos (Jo 14.15).
Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; assim como também Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e no Seu amor permaneço (Jo 15.14).

4. Você rejeita este mundo perverso?
Leiamos 1 João 2.15-17.

5. Você espera ansiosamente a volta de Cristo?
Leiamos um grandioso texto em 1 João 3.1-3.


Soli Deo Gloria!



[1] Confissões, Livro I – 15. Op. Cit.,

segunda-feira, 5 de junho de 2017

ACEITOS POR DEUS!

Como Deus Nos Aceita?

Creio que essa é uma pergunta de suma importância para cada pessoa neste mundo. Como um Deus santo, justo, perfeito, bom, Todo-Poderoso e que abomina o pecado, aceita pessoas pecadoras, imperfeitas, transgressoras, ímpias e inimigas de Sua vontade e as adotas como filhos e filhas?
É uma pergunta que devemos fazer e procurar a resposta não nas filosofias ou ideias humanas, mas na sempre graciosa e aurifulgente Palavra de Deus. Proponho procurar entender o que as Escrituras dizem sobre Deus e sobre as pessoas que Ele salva, justifica e toma para Si. Depois irei discorrer sobre como um Deus santo, justo, perfeito e amoroso ama e aceita pecadores e ímpios como nós e nos torna Seus filhos e filhas para Sua glória e louvor de Sua graça.

Quem é Deus?
Sabemos pelas Escrituras que Deus é tão santo que não pode ver o mal sem puni-lo (Hc 1.13). Ele não tolera pecados. O Santo de Israel não pode lançar nossos pecados para debaixo do tapete do universo como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivéssemos desonrado Sua santidade. Ele não pode ignorar pecadores e não puni-los. Deus é íntegro, justo, perfeito e amoroso. Seu amor é santo, sua vontade é santa, todo o Seu Ser é santo. Ele não pode amar o pecado, ele o aborrece na totalidade do Seu Ser. O Deus das Escrituras não apenas aborrece o pecado, mas também Sua justa ira está voltada contra o pecador. Há pecados porque há pecadores! Ele não pode punir pecados sem punir pecadores.

Quem nós somos?
As Escrituras dizem que fomos criados perfeitos, segundo a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). Fomos criados para a glória de Deus (Is 43.7). Porém, a triste continuidade da História da Criação está marcada com a Queda da humanidade em pecado revoltante contra seu Bendito e Santo Criador e Provedor (Gn 3).
O retrato que as Escrituras pontuam sobre quem somos é claro e fiel. Por elas sabemos que somos pecadores incapazes de agradar a Deus (Rm 3.9-18), fracos, iníquos, ímpios, inimigos de Deus e mortos em nossos delitos e pecados (cf. Rm 5; Ef 2). Nossas melhores obras são como um “trapo de imundícia” diante de Deus (Is 64.6), ou seja, o que há de melhor em nós não agrada a Deus, pois está manchado pelo nosso orgulho e injustiça. Deus que é perfeito e santo não pode aceitar nada menos do que a perfeição. Então, como nós que somos pecadores, incapazes, fracos podemos ser aceitos por um Deus tão santo e sermos salvos?

Como podemos ser aceitos?
Há apenas duas formas de sermos aceitos por Deus. Uma é pelos nossos próprios méritos e justiça própria. Se conseguirmos obedecer perfeitamente os mandamentos de Deus e cumprir a lei, Ele deve nos recompensar aceitando-nos e nos abençoando, pois trabalhamos e alcançamos total obediência. Sendo assim, recebemos nossa recompensa, a salvação. As Escrituras chamam isso de salvação pelas obras, pelo trabalho e por uma obediência perfeita. No entanto, o testemunho uníssono das Escrituras é que a salvação não é uma recompensa, mas uma dádiva. A salvação não é uma conquista meritória, mas um presente de Deus. A salvação não é por obras humanas, mas pela obra de Deus. Não é por mérito, é por pura graça. Isso não vem de nós, é um dom de Deus (Ef 2.8).
Outra forma de sermos aceitos por Deus é pela justiça e méritos de outro que nos represente perfeita e justamente. Assim, como todos nós somos pecadores por causa da desobediência de Adão, nosso representante, assim, diz a Escritura (cf. Rm 5.12-21), podemos ser salvos, aceitos e reconciliados com Deus, somente pela obediência perfeita de Cristo Jesus quando cremos n’Ele como Senhor e Salvador de nossas vidas. Isso é salvação pela graça de Deus, para que ninguém se glorie.
Paulo salienta estas duas formas de possível salvação no texto de Romanos 4.1-5:
Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça (grifos nosso).

Nossa salvação ou é um favor de Deus para nós (Sua graça) ou uma dívida de Deus para conosco (nosso trabalho). Não podem ser as duas coisas, pois uma necessariamente exclui a outra (a recompensa exclui a dádiva; a dádiva exclui a recompensa, mas nos chama para desenvolver a salvação e receber a recompensa). O que Paulo argumenta é: ou somos salvos pela graça (o trabalho de Deus por, em e para nós por meio de Cristo somente) ou pelas nossas obras (nosso trabalho em alcançar e obedecer perfeitamente toda a lei de Deus).
Paulo fala daqueles que “trabalha” cujo “salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida” (v.4). E fala também daqueles “que não trabalha”, mas crê em Deus para salvá-los, a fé deles lhe é atribuída como justiça (v.5). Confiamos no trabalho de Deus (isso é o evangelho) ou confiamos no nosso trabalho (outro evangelho).
Salvação pelas nossas obras nos proporciona uma glória, mas não diante de Deus. Mas salvação pela graça proporciona nos gloriarmos em Deus!

As duas lógicas
Podemos analisar duas correntes lógicas no texto elencado acima.
Primeiro, temos a lógica do trabalhador: Isso fala daqueles que tem obras, do obreiro (trabalhador) que se esmera para ganhar seu salário. As obras indicam que há uma dívida. Quando uma pessoa trabalha, alguém lhe deve. Se a pessoa pudesse trabalhar para ganhar sua justiça, então Deus estaria em dívida com ela. Mas, Deus, sendo Deus, é completamente autossuficiente; portanto, não pode ser devedor de ninguém. Ele não pode ser obrigado a fazer algo. Ele não pode ser obrigado a nos salvar, a recompensar salvadoramente nossas ações. A salvação não é uma dívida que Deus tenha para com o pecador. A única dívida, por assim dizer, que Deus tem com os pecadores é pagar-lhes com condenação eterna por causa de seus pecadores, pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Sendo, assim, alvos de Sua eterna Ira.
Estudiosos judeus acreditavam que Abraão havia obedecido a lei de forma perfeita, inclusive antes de ela ser entregue. A interpretação judia de Abraão enfatizava suas obras como essência de piedade e a base de sua extraordinária e exemplar relação com Deus. No entanto, Paulo demonstra que essa interpretação não está de acordo com o Antigo Testamento. A interpretação paulina de Gênesis 15.6, despoja Abraão da condição que tinha para os judeus de modelo de obediência da Torah, transformando-o em um modelo de fé[1]. Abraão não foi justificado pelas obras, mas pela fé somente.

Segundo, temos a lógica da fé: Aqui temos a lógica da justificação de Abraão e também da nossa. Observamos a vida de Abraão e vemos logicamente que uma pessoa é justificada não pelas obras, mas sim pela fé somente.
Abraão não foi justificado pelas obras, porque as obras não podem dar direito a uma pessoa para gloriar-se diante de Deus. Note o seguinte: Se Abraão houvesse sido justificado pelas obras:
1. Teria direito de gloriar-se diante dos homens.
2. Mas não teria direito de gloriar-se diante de Deus.
Pense nisso: a lógica, a claridade do assunto. Não há nenhuma pessoa que tenha o direito de gloriar-se diante de Deus. Nenhum ato, obra ou combinação de ações e obras poderia elevar uma pessoa a uma altura tal que possa gloriar-se ou chegar a ter o direito de gloriar-se diante de Deus[2].
Devemos entender que nem nossa obediência externa, nem nossa santidade interna constituem uma porção de justiça pela qual possamos ser justificados (declarados justos diante de Deus) ou aceitos por Deus.
A justiça pela qual somos aceitos ou justificados por um Deus santo deve ser absolutamente perfeita. Pois a justiça da santidade Divina precisa ser vindicada e satisfeita.
Já que não somos salvos pela nossa própria justiça, obediência, santidade e pelas obras da lei, então por qual justiça somos salvos, justificados e aceitos por Deus para desfrutar de Sua bendita comunhão? Unicamente a justiça que vem pela fé, a justiça de Deus em Cristo (Rm 1.17; 3.21-31; 5.1).
Vale pontuar aqui que não trabalhamos para sermos salvos, mas trabalhamos para desenvolver a nossa salvação. Isso é ensinado por Paulo em Filipenses 2.12: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (grifo nosso).
A salvação biblicamente falando é tanto um estado (sou salvo), um processo (estou sendo salvo), como também um objetivo Divino (serei salvo). O meio e o fim são tão certos como o início, conforme Romanos 8.30: predestinou, chamou, justificou e glorificou. Os tempos destes verbos demonstram que nossa salvação é tão certa que pode ser considerada como algo já realizada/consumada.

IVAN TEIXEIRA
Minister Verbi Divini



[1] MOO, Douglas J. Comentario a La Epístola de Romanos, p.297-301. Viladecavalls, Barcelona, España: Editorial CLIE, 2014.
[2] Biblia de Bosquejos y Sermones, Tomo 7, Romanos, p.67. Grand Rapids, Michigan 49501, USA: Editorial Portavoz, 1998.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

GRAÇA SOBERANA!

O Poder Arrebatador da Graça de Deus!

Creio que a graça de Deus é uma graça soberana! Se Deus é soberano no exercício de Sua graça, posso afirmar que esta graça também é todo-poderosa. Se ela é todo-poderosa ela é consequentemente irresistível!
Os Reformadores falam que a graça salvadora (fazendo distinção da graça comum) é soberana, todo-poderosa e, por conseguinte irresistível. A irresistibilidade da graça de Deus é um corolário lógico de Sua soberania e poder.
O rei Nabucodonosor reconheceu: “Todos os moradores da terra são por Ele reputados em nada; e segundo a Sua vontade Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem Lhe possa deter a Mão, nem Lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35).
De forma que não compreendemos, Deus soberanamente exerce a Sua todo-poderosa graça na vida de quem Ele quer para salvá-los, libertá-los, regenerá-los e renová-los para Sua glória. Tal graça é irresistível tanto quanto é soberana e todo-poderosa.
Quero citar dois textos que ilustram a soberania, o poder e a irresistibilidade da graça de Deus na vida das pessoas. Destaco as palavras que ilustram a ação da graça de Deus na vida destas pessoas.

I. Apertaram os anjos com Ló e Pegaram-no pela mão, e o tiraram e o puseram fora da cidade; havendo-os levado fora, disse [...] (Gn 19.15-17).
Lemos em Gênesis 19.16, um claro exemplo do poder da graça de Deus em salvar um homem e sua família do juízo Divino. Nesse texto posso afirmar claramente: A graça de Deus nos livra da Ira de Deus! O texto diz:
Como, porém, se demorasse, pegaram-no os homens pela mão, a ele, a sua mulher e as duas filhas, sendo-lhe o SENHOR misericordiosos, e o tiraram e o puseram fora da cidade.

Notem a cena: Ló ouviu claramente que Yahweh derramaria Sua ira sobre a cidade e a destruiria, no entanto ele demora-se, deixando passar o tempo. Ele não agiu com pressa como a situação exigia. Esse, infelizmente tem sido o retrato de muitos dentre nós, senão de todos nós, pois temos a convicção ou ouvido sobre a desgraça que nos avizinha, e também da nossa condição pecaminosa, e da necessidade de mudança e da salvação e santificação de Deus para nossas vidas, mas ainda assim retardamos a ação necessária, e tolamente nos demoramos.
O texto mostra que “demorou”. Quantos de nós gostamos de demorar em nossos pecados, falhas, erros e idiotices? Deus nos fala para sair daquele lugar ou situação, mas, como , nós tolamente demoramos.
Se não fosse a intervenção soberana, todo-poderosa e irresistível da graça de Deus, o texto diz: “sendo-lhe o SENHOR misericordioso”, , como nós também, teria perecido sob a ira de Deus na condenação das ímpias cidades.
se recusava partir, isso poderia tê-lo feito perecer, mas os anjos o apertaram e o pegaram pela mão, e ainda o tirara e o puseram fora da cidade (vv.15,16).
Esses e outros textos nos revela a misericórdia de Deus em salvar e livrar os Seus:
v.22: Apressa-te, refugia-te nela; pois nada posso fazer, enquanto não tiveres chegado lá. Por isso se chamou Zoar o nome da cidade.

v.29: Ao tempo que destruía as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou Ló do meio das ruínas, quando subverteu as cidades em que Ló habitara.

Segunda Pedro 2.7-9: e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, tendo-as posto como exemplo a quantos venham a viver impiamente; e livrou o justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubordinados (porque este justo, pelo que via e ouvia quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles), é porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos, e reservar, sob castigo, os injustos para o Dia de Juízo.

Primeira Coríntios 3.15: se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo[1].

Claramente os textos acima enfatizam a obra de graça de Deus na vida de e de sua família. O escritor puritano Matthew Henry elenca três grandes lições sobre o exercício da misericórdia Divina:
(1) A salvação dos homens mais justos deve ser atribuída à misericórdia de Deus, e não ao seu próprio mérito. Nós somos salvos pela graça.
(2) O poder de Deus também deve ser reconhecido no resgate das almas de uma condição de pecado. Se Deus não nos tivesse tirado, nós nunca teríamos saído.
(3) Se Deus não tivesse sido misericordioso conosco, a nossa demora teria sido a nossa ruína[2].

Temos mais duas lições:
(4) Charles Ryrie afirma que “a misericórdia de Deus superou a procrastinação de Ló”[3]. Louvado seja Deus que sempre triunfa sobre nossos erros, pecados e tolices!

(5) Acrescentamos que como Ló, nós devemos reconhecer que Deus engrandece Sua graça em nossa salvação, santificação e glorificação: “Eis que o Teu servo achou mercê diante de Ti, e engrandeceste a Tua misericórdia que me mostraste, salvando-me a vida; [...]” (Gn 19.19).
Deus não nos salva para nos engrandecer, mas para o engrandecimento de Sua graça soberana, todo-poderosa e irresistível. Paulo escreveu sobre isso em Efésios 1.4-8:
Assim nos escolheu n’Ele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para Ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor da glória de Sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo Seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da Sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência.

Deus há de glorificar Sua graça soberana!

A doutrina equilibrada: Para que tenhamos o quadro completo, devemos entender que a graça operou o que operou, mas e sua família tiveram que sair e se refugiar em Zoar. Veja que a graça de Deus, por meio da orientação angelical, orientou a fazer o melhor que pudesse para escapar por sua vida (v.17). Somos salvos unicamente pela graça (Ef 2.8), mas o Deus de toda a graça (1Pe 5.10) preparou boas obras para andarmos nelas (Ef 2.10). Como salvos não devemos mais olhar para traz (v.17), mas prosseguir na caminha para nossa “pátria que está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da Sua glória, segundo a eficácia do poder que Ele tem de até subordinar a Si todas as coisas” (Fp 3.20-21).
Matthew Henry nos lembra de grandes verdades:
Portanto ele deveria cuidar da sua vida com máxima preocupação e diligência. Ele não deveria ansiar por Sodoma: “Não olhes para trás de ti”. Ele não deveria perder tempo no caminho: “Não pares em toda esta campina”. Pois toda ela será transformada em um mar morto. Ele não deveria parar antes do lugar de refúgio que lhe havia sido indicado: “Escapa lá para o monte”. Como estes, são os mandamentos dados àqueles que, pela graça, são libertos de uma condição de pecado. [1] Não retorne ao pecado e a Satanás, pois isto é como olhar para trás, para Sodoma. [2] Não descanse em si mesmo e no mundo, pois isto é como parar na campina. E: [3] Procure alcançar a Cristo e o céu, pois isto é escapar para o monte, antes do qual não devemos descansar[4].

Outro texto que ilustra o poder da graça soberana é:
II. O Senhor abriu o coração de Lídia (At 16.14-14).
Quantos dentre nós já não ouvimos a clássica descrição do Senhor Jesus como um educado cavalheiro que bate suavemente à porta dos corações para salvá-los? Isso baseado no texto de Apocalipse 3.20, que não fala da salvação, mas da comunhão almejada numa igreja local.
No entanto, o retrato que temos em Atos 16 é da graça soberana, todo-poderosa e irresistível “abrindo a porta” do coração de uma pecadora. Podemos observar algumas verdades no texto em foco:
(1) O autor da obra: O Senhor Jesus Cristo! Ele é o Salvador que salva! Ele é o Valente que vence Satanás, “tira-lhe a armadura em que confiava e lhe divide os despojos” (Lc 11.22). Ele é o Originador e o Consumador da fé (Hb 12.2). É Ele que opera em nós tanto o querer como o efetuar (Fp 2.13). Ele é o Salvador e não nós! Não somos auto-salváveis, mas salvos pelo poderoso Salvador!
Não que não tenhamos nada a fazer, mas isso significa que, de nós mesmos e sem a graça de Deus, não podemos fazer absolutamente nada (cf. Jo 15.3).
E também não que Deus seja minimamente responsável pela perdição dos que perecem, mas significa que a redenção dos que se salvam deve ser atribuída inteiramente a Ele. Como se diz: “Ninguém vai ao inferno porque não quer; e ninguém vai para o céu porque não quis”.
São dignas de notas as palavras do comentarias Simon Kistemaker:
Lucas atribui ao Senhor, e não a Paulo, o ato de salvar Lídia. Portanto, a salvação não é obra do homem, mas do Senhor. Não é a palavra em si, mas o próprio Senhor (Lc 24.45) quem abre o coração humano. O resultado é que Lídia responde à mensagem de Paulo e aceita o Senhor como o seu Salvador[5].

(2) O lugar da obra: É no coração que ocorre a mudança, que se dá a benção da transformação. A obra foi feita no coração de Lídia. A obra da conversão é a obra do coração. Trata-se da renovação do coração, do homem interior, do espírito do vosso sentido (Rm 12.2; Ef 3.16; 4.23).
Deus disse por meio do profeta Jeremias 17.9: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”.
Os escritos de Jeremias nos revelam que só Yahweh pode transforma o coração:
Ele esquadrinha: Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, Eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações (17.17).

Ele inscreve Suas leis no coração: Porque esta é aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR. Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei: Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo. (31.33).

Ele dá um só coração que o tema: Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que Me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos. Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o Meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de Mim (32.39-40).

Ele que dá um novo coração e tira o coração de pedra: Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne (Ez 36.26).

(3) A natureza da obra: O coração de Lídia foi tocado e aberto. A alma inconversa está fechada e rigorosamente fechada contra Cristo, como estava a cidade de Jericó contra Josué (Js 6.1 ARA).
Todos os ferrolhos, cadeados e portas são quebrados, rompidos e abertos pelo poder de Deus por meio de Sua graça soberana, todo-poderosa e irresistível.

(4) O fruto da obra: Ela não só estava presente à pregação de Paulo, mas atendia às coisas que ele dizia. Ou, conforme leem certos estudiosos as palavras gregas, “ela aplicava para si” o que Paulo dizia. A Palavra só nos faz bem e nos comove profundamente quando a aplicamos em nós mesmos. Essa era a evidência de que o seu coração fora aberto e, ao mesmo tempo, evidenciava a consequência dessa abertura. Sempre que o coração for aberto pela graça de Deus, haverá a evidência da presença diligente e atenção à palavra de Deus, tanto para o bem de Cristo, que é a palavra, quanto para o nosso próprio bem, que estamos tão intimamente interessados nela. Lídia se entregou a Jesus Cristo e se submeteu ao rito da religião santa: Ela foi batizada (v.15) e, por meio dessa cerimônia solene, aceita como membro da igreja local de Cristo Jesus.

Deus é quem ilumina nossa mente: “Porque Deus que disse: De trevas resplandecerá luz – Ele mesmo resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Co 5.6).
Se o Deus criador não iluminar a mente e o coração em trevas, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo, nunca haverá salvação. Oh Bendita graça!

Conclusão: Deus disse no Livro de Jeremias que Ele mesmo tiraria o coração de pedra e nos daria um coração de carne.
Ele mesmo disse na Parábola: “forçai-os entrar”.

Ivan Teixeira
Minister Verbi Divini
Soli Deo Gloria!



[1] Poderíamos dizer que todos aqueles que realizam obras aprovadas são salvos pelo sangue de Cristo; no entanto aqueles que fazem obras reprováveis serão salvos pelo sangue de Cristo sob o juízo da purificação Divina.
[2] Comentário Bíblico Antigo Testamento: Gênesis a Deuteronômio, vol. I, Obra Completa, p.108-109. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: CPAD, 2010.
[3] A Bíblia Anotada, p. 31. São Paulo, SP, Brasil: Editora Mundo Cristão, 1994.
[4] HENRY, p.109, 2010.
[5] Comentário do Novo Testamento: Exposição de Atos dos Apóstolos, vol.2, p.129. São Paulo, SP, Brasil: Editora Cultura Cristã, 2003. – (versão digitalizada).