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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

A PROFECIA DO PROFETA ÁGABO

 

Noto que no embate discursivo sobre o dom da profecia certos intérpretes têm postulado que o profeta Ágabo errou nos detalhes como que fazendo acréscimos à mensagem, ou interpretações próprias, que recebeu do Espírito. Vamos a texto de Atos 21.10,11:

Demorando-nos ali alguns dias, desceu da Judeia um profeta chamado Ágabo; e, vindo ter conosco, tomando o cinto de Paulo, ligando com ele os próprios pés e mãos, declarou: Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios.

 

Deve-se notar que antes do profeta Ágabo certos discípulos “movidos pelo Espírito”, recomendavam a Paulo que não fosse a Jerusalém (Atos 20.4). Lucas não registra nenhuma palavra de Paulo sobre o assunto. De Tiro[1] a caravana paulina chegou a Ptolemaida, onde saudaram os irmãos, passando um dia com eles (v.7). No dia seguinte, foram para Cesaréia; e ficaram na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, e ele tinha quatro filhas que profetizavam (v.8). Interessante notar que as profetisas não tiveram nenhuma mensagem para Paulo, pelo menos Lucas não registra. Isso pode ensinar muito aos irmãos que nem todas as vezes se deve profetizar ou procurar “forçar” uma profecia. Precisa ser do Espírito, e não de mera preocupação com a “reputação de profeta”, visto que alguns pensam que sendo profetas têm que profetizar a todo o momento. Esse incidente das filhas de Filipe ensina muita coisa com relação ao ministério profético e sobre o exercício do dom de profecia.

Depois de alguns dias desceu da Judeia um profeta chamado Ágabo (v.9), o mesmo profeta que profetizou, pelo Espírito, que estava por vir grande fome por todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio (11.28). Flávio Josefo relata que ocorreu uma fome por volta do ano 46. Possivelmente na casa do grande evangelista, Ágabo pegou o cinto de Paulo atou-se com ele de mãos e pés, e disse: “Isto diz o Espírito Santo: o dono deste cinto será amarrado em Jerusalém pelos judeus, que o entregarão aos gentios” (v.11).

 

Lições que devemos pontuar!

Creio que algumas observações sobre o incidente como um todo trazem grandes lições para os profetas e sobre o ministério do dom de profecia.

Primeiro, nem todas as vezes o Espírito Santo usa os que reconhecidamente têm o dom de profecia.

Segundo, nem todas as vezes o Espírito falava diretamente com Paulo, mas usava outras pessoas para lhe falar (20.23).

Terceiro, o Espírito Santo pode mover pessoas de longe para trazer uma palavra profética para nós. Ele moveu Ágabo da Judeia para a Cesaréia para entregar uma mensagem à Paulo.

Quarto, o ministério profético e o exercício do dom de profecia eram exercidos tanto por homens quanto por mulheres. Não há menção de exclusividade ministerial. Aqueles ou aquelas que foram capacitados pelo Espírito Santo estavam “livres” para o exercício ministerial, eclesial e missional.

Quinto, os carismas do Espírito eram bastante presentes e abundantes nas reuniões congregacionais dos cristãos do primeiro século, não obstante a presença dos doze apóstolos e dos demais como Paulo. O apostolado das testemunhas oculares do Cristo ressurreto nunca foi um obstáculo ao exercício dos dons espirituais pelos demais crentes. Restringir os carismas e os milagres ao ministério apostólico dos doze é ir contra as Escrituras. Os dons e os milagres eram distribuídos e operados por todos aqueles que o Espírito Santo soberanamente dava.

Sexto, o Espírito Santo é soberano na utilização dos Seus instrumentos. Ele usa quem quer, onde quer e os envia para qualquer lugar. Pode-se indagar o porquê o Espírito Santo não usou as filhas de Filipe ou mesmo outro irmão ali presente, mas foi necessário vir um profeta de longe para falar com Paulo. Apesar de que podemos fazer tais indagações, deve-se entender que em última análise a resposta do Espírito é: Eu quis que fosse assim! Nossa reação deve ser a mesma dos discípulos: “Faça-se a vontade do Senhor” (v.14).

Sétimo, deve-se abrir mão da vontade pessoal e da opinião dos amigos para se fazer a vontade de Deus. Podemos dizer que Paulo abriu mão de tal forma de sua própria vontade que a vontade de Deus se tornou a sua. Noutras palavras, sua vontade era fazer a vontade de Deus e os discípulos compreenderam isso.

Oitavo, os planos de Deus sempre nos surpreenderão e estarão além do nosso alcance e entendimento. Nós devemos à semelhança de Paulo ter prontidão para fazer tudo aquilo que for da vontade de Deus. Se for, como Paulo, para morrer em Jerusalém que morramos. Mas sabemos que não foi da vontade de Deus que Paulo morresse em Jerusalém, pois ainda havia alguma estrada para se caminhar. A vontade e o plano de Deus sempre estarão além das nossas expectativas e, no final nos surpreenderá. O Senhor Jesus disse para Pedro: “O que eu faço não o sabes agora, compreendê-lo-ás depois” (João 13.7).

Nono, um detalhe interessante é que Paulo não se apressa a chegar em Jerusalém. Já se haviam passado seis semanas desde que ele deixara Filipos. De Cesaréia, ele teria de viajar 105km até Jerusalém. Essa jornada levaria dois, senão três dias. Devido aos diversos avisos que Paulo recebera em muitos lugares (20.23), ele não tinha pressa de chegar em Jerusalém. Paulo mesmo sabendo da vontade de Deus e da revelação do Espírito Santo sobre as cadeias e sofrimentos que o esperava ele não se apressa, mas continua exercendo o ministério por onde ele passa. Ele se demora em alguns lugares para pregar aos irmãos e ter comunhão com os santos.

 

Entregue a profecia, sem mais explicações!

Devemos pontuar que a profecia de Ágabo descrevia o que aconteceria a Paulo em Jerusalém caso ele fosse, mas o profeta não deu palpite se ele deveria ir ou não. Ele simplesmente entregou o que o Espírito Santo lhe revelou. Esse é outro aprendizado que os atuais profetas e os que recebem o dom de profecia precisam atentar. Deve-se entregar a mensagem sem mais explicações. A decisão é da pessoa que recebe a mensagem do Espírito. E o texto mostra que Paulo decidiu enfrentar o perigo, pois seu objetivo era anunciar o evangelho de Cristo Jesus também aos gentios. O próprio Senhor Jesus disse a Paulo: “[...]Vai, porque Eu te enviarei para longe aos gentios” (22.21). Era um plano revelado do Senhor Jesus a Paulo ir aos gentios para testemunhar do evangelho da graça. Ágabo, pelo Espírito, o confirmou! Isso é peculiar ao ministério profético e ao dom de profecia.

 

Atos proféticos ou simbolismos encenados!

Outro detalhe, a profecia de Ágabo foi combinada com um “ato profético”, relembrando o simbolismo encenado dalguns profetas do Antigo Testamento. Exemplos, Aías (1Reis 11.29-31), “Isaías, Jeremias e Ezequiel também usaram sinais visuais para avisar os israelitas de seu exílio iminente (cf. Isaías 20.2; Jeremias 13.1-11; Ezequiel 4.1-12)”[2]. É bom notar que as palavras do profeta[3] Ágabo “não são muito diferentes das predições de Jesus a Seu próprio respeito (Lucas 9.44; 18.32; 24.7), bem como as predições do Senhor a respeito de Pedro (João 21.18)”[4].

Sobre isso aprendemos que se pode entregar uma profecia ou uma mensagem do Senhor por meio de atos proféticos para ilustrar ou interpretar a revelação dada pelo Espírito. Não vejo motivo para não o fazer caso necessário. O que não se deve fazer é distorcer ou manipular a revelação dada pelo Espírito. “Atos proféticos” são saudáveis e peculiares ao ministério profético, serve para dramatizar a profecia.

 

Cumprimento da profecia de Ágabo

Agora, leiamos o incidente do cumprimento da profecia de Ágabo em Atos 21:

v.27: Quando já estavam por findar os sete dias, os judeus vindos da Ásia, tendo visto Paulo no templo, alvoroçaram todo o povo e o agarraram, v.30: Agitou-se toda a cidade, havendo concorrência do povo; e, agarrando a Paulo, arrastaram-no para fora do templo, e imediatamente foram fechadas as portas. v.31: Procurando eles matá-lo, chegou ao conhecimento do comandante da força que toda a Jerusalém estava amotinada. v.32: Então, este, levando logo soldados e centuriões, correu para o meio do povo. Ao verem chegar o comandante e os soldados, cessaram de espancar Paulo. v.33: Aproximando-se o comandante, apoderou-se de Paulo e ordenou que fosse acorrentado com duas cadeias, perguntando quem era e o que havia feito.

 

Segundo o texto de Atos 21.11, a essência da profecia de Ágabo era que Paulo seria preso e encarcerado, e ele o foi. Então, não há motivos para afirmar que Ágabo exagerou na profecia ou mesmo que errou ou ainda que fez acréscimos. Ele, tal como outros profetas antes dele, encenou a profecia e a proferiu. E o cumprimento teve detalhes que Ágabo não previu ou que o Espírito Santo não lhe mostrou. É exagero de certos continuístas declarar algum “defeito” ou “erros” na profecia de Ágabo para apoiar o ponto de vista da profecia falível e não canônica (ou seja, aquelas que foram compostas como Escrituras). Não precisamos deste malabarismo para apoiar ou postular o que as Escrituras deixam claro sobre profecias e certos escritos que não entraram na composição dos livros bíblicos.

Nós sabemos que nas diversas igrejas do primeiro século, sem dúvidas, haviam dezenas e até centenas de profetas, profecias e escritos que não foram inseridos nos 27 livros do Novo Testamento, e nem por isso o ministério profético, as profecias e certos escritos não devem ser considerados  como não dados pelo Espírito para as necessidades dos cristãos e das congregações locais. Temos noção de que pelo menos duas outras Cartas de Paulo aos coríntios não estão na composição dos 27 livros do Novo Testamento. Então, repito, não há motivo para “manipular” o texto da profecia de Ágabo em busca de falhas para provar que o dom de profecia ou o ministério profético ainda estão em evidência nas igrejas. Basta entendermos que os dons do Espírito Santo foram dados para a igreja com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério no labor congregacional para a edificação. Por isso, rejeito as postulações do Dr. Wayne Grudem e de outros estudiosos sobre os “defeitos” da profecia de Ágabo, ou como uma “predição quase correta” e que “continha imprecisões em detalhes”[5]. A explicação de Grudem de que “Ágabo teve uma visão de Paulo prisioneiro dos romanos em Jerusalém cercado de uma multidão irada dos judeus”, pode até ser atraente, mas deixa de ser profecia (“diz o Espírito Santo”, v.11) para se tornar uma “interpretação de tal ‘visão’ ou ‘revelação’ do Espírito Santo”[6].

O Dr. Grudem postula tal explicação para se encaixar no “tipo de profecia falível” de sua proposta, no sentido do profeta falhar quando em suas palavras relata ou interpreta algo que Deus lhe trouxe de maneira espontânea à mente (seja por revelação, visão ou sonho). Essa é uma posição interessante, mas usar o texto de Atos 21.10,11 para apoiar, creio que é forçar goela abaixo.

 

A tabela abaixo nos ajuda a compreender melhor.

 21.11

21.27-33

ligado (gr. δήσας);

Agarraram (gr. χεῖρας); (vv.27,30)

entregarão (gr. παραδώσουσιν)

Arrastado (gr. εἷλκον); (v.30)

 

Intencionavam “matá-lo” (gr. ἀποκτεῖναι); (v.31).

 

Espancado (gr. τύπτοντες); (v.32)

 

Acorrentado (gr. δεθῆναι); (v.33)

 

Pode-se dizer que a profecia de Ágabo se cumpriu!

O profeta disse que o apóstolo Paulo seria ligado, semelhantemente como ele se ligou ou agarrou com o cinto de Paulo seus pés e mãos. Sabemos que Paulo foi ligado, agarrado, arrastado e até espancado. Certamente o arrastaram segurando ou ligando seus pés e mãos enquanto outros o espancavam.

A profecia de Ágabo se cumpriu, apesar do seu “ato profético” para ilustrar o que aconteceria com Paulo pelas mãos dos judeus. E por fim, Paulo foi “entregue” aos gentios e encaminhado a César para testemunhar do evangelho de Cristo Jesus perante as autoridades e reis. Embora os judeus não entregassem Paulo voluntariamente nas mãos dos soldados romanos, mas, sim, os romanos o tiraram das mãos deles (conforme Lucas narra naquela ocasião), os judeus foram os responsáveis pelo fato de Paulo cair nas mãos dos romanos e permanecer em custódia. É interessante pontuar que o próprio Paulo afirmou que ele foi “entregue nas mãos dos romanos” vindo preso desde Jerusalém (28.17), exatamente conforme o profeta Ágabo havia predito: “e o entregarão nas mãos dos gentios” (21.11). Isso coloca por terra toda e qualquer inexatidão levantada por alguns estudiosos atuais sobre a profecia de Ágabo.

 

Contexto nos contextos!

Esse incidente com o apóstolo Paulo deve ser tratado à luz doutros textos bíblicos relacionados à sua chamada divina para sofrer pelo nome de Jesus. Pode-se dizer que a primeira profecia que Paulo recebeu foi de Ananias quando o Senhor o disse: “[...] este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (9.15,17). Paulo estava plenamente convicto dessa chamada, pois o Espírito Santo sempre lhe revelava: “E agora, movido pelo Espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Agora, eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto” (20.22-25). Paulo estava ciente que sofreria. O Espírito o movia e o revelava. Ele estava decidido a completar a carreira e o ministério que recebeu do Senhor Jesus, mesmo que isso lhe custasse cadeias, sofrimentos e até a própria vida.

Quando Paulo saiu de Mileto e chegou em Tiro, encontra alguns discípulos que confirma aquilo que o Espírito Santo já havia lhe revelado anteriormente (21.4). Depois, mais uma confirmação por meio do profeta Ágabo (21.11). Apesar do rogo dos irmãos para que ele não subisse a Jerusalém, Paulo afirmou: “[...] estou pronto não só para ser preso [conforme a profecia de Ágabo], mas até para morrer em Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus” (21.13). Os irmãos conformados disseram: “Faça-se a vontade do Senhor” (v.14).

Paulo entendeu que não apenas seria preso, mas que também poderia morrer. Ele disse para os irmãos em Mileto: “Agora, eu sei que todos vós, em cujo meio passei pregando o reino, não vereis mais o meu rosto” (20.25). Paulo estava completamente disposto a enfrentar não somente o que foi desenhado pelo ato profético de Ágabo como também uma possível morte em Jerusalém. O que ele mais queria era cumprir o ministério que havia recebido do Senhor: “testemunhar o evangelho da graça de Deus” (20.24; cf. 9.15,16; 22.21).

Realmente, Paulo foi preso, agarrado, arrastado, espancado, acorrentado e quase o mataram (21.27,30,32,33). A profecia de Ágabo cumpriu-se com mais detalhes ainda que o profeta não falou!

É digo de nota que o Espírito Santo predisse a prisão e o encarceramento de Paulo, mas não sua morte. Por implicação, seu ministério iria continuar mesmo na prisão[7].

O Espírito Santo sempre guiou o apóstolo em todos os momentos de seu ministério, movendo-o e ocasionalmente (ou sempre!) revelando-lhe os acontecimentos que lhe aguardavam. Paulo sofreu tremendamente, mas o Espírito Santo o preservou até à sua chegada em Roma. Em Atos 28.30,31, Lucas nos dá sua última narrativa sobre o grande apóstolo:

Por dois anos permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia a todos que o procuravam, pregando o Reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.

 

Pode-se dizer que Paulo em sua expectativa limitada à luz das profecias e dos eventos que lhe aguardavam como prisão, espancamento e etc., acreditava que seu fim estava próximo (“estou pronto a morrer!”), no entanto, o Espírito Santo lhe surpreendeu a tal ponto que o apóstolo depois que chegou a Roma ficou dois anos tranquilo em sua própria casa recebendo os irmãos e pregando o Reino de Deus e ensinando com toda intrepidez, sem impedimento algum, as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.

Ele realmente foi ligado, entregue aos gentios e quase morreu, mas o Espírito Santo preservou Seu servo para testemunhar do evangelho da graça perante os gentios, reis, o imperador e também perante os seus patrícios que residiam em Roma. Deus lhe deu uma casa e uma grande oportunidade para pregar e ensinar. Glorificado seja Deus!

 

Soli Deo Gloria!

 



[1] Tiro fica a cerca de 180km ao norte-noroeste de Jerusalém e cerca de 105km de Cesaréia.

[2] KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Exposição de Atos, Vol.2, p.338. São Paulo, SP, Brasil. Editora Cultura Cristã, 2003.

[3] A diferença entre os profetas do Antigo e os do Novo Testamentos não deve ser ignorada. Enquanto a função dos profetas do Antigo Testamento era revelar a vinda do Messias, Ágabo predisse acontecimentos futuros imediatos. Consultar GUTHRIE, Donald. New Testament Theology (Downers Grove: Inter-Varsity, 1981), p.740.

[4] WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos, p.208. São Paulo, SP, Brasil: Editora Vida, 1996.

[5] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, p.894. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 1999.

[6] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, p.894. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 1999.

[7] KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Exposição de Atos, Vol.2, p.339. São Paulo, SP, Brasil. Editora Cultura Cristã, 2003.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Espírito fala na, por meio, à parte, MAS Nunca Contra a Bíblia!


O Espírito Santo fala na Bíblia, por meio da Bíblia e também à parte da Bíblia, mas nunca contra a Bíblia!

O Espírito Santo trabalha tanto na compreensão do texto bíblico quanto na compreensão doutras verdades, circunstâncias, direções e etc., para os filhos e filhas de Deus. Ele ensina, guia, ilumina e revela. O Espírito Santo nos dá discernimento sobre a Bíblia e sobre as coisas e sobre certas circunstâncias e direções seja no campo pessoal ou eclesial.
A afirmação de que o Espírito Santo não fala hoje por meio de revelação, profecia, visões, sonhos e etc., por que isso indicaria uma soma no texto sagrado não se sustenta. Dois textos destrona essa ideia. João escreveu: “Jesus, pois, operou também em presença de Seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro”; “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 20.31; 21.35). Apesar da linguagem é perceptível que o Senhor Jesus não apenas fez, mas também falou discursos e palavras que não foram registradas no cânon que temos hoje – a Bíblia. O que temos na Bíblia foi o que Deus quis e a igreja aceitou como nossa regra de fé e prática. Com isso em mente, a afirmação atualmente de que se Deus fala à parte da Bíblia deve-se acrescentar ao cânon não é verdade ou não se sustenta. Ele fala por meio das Escrituras, à parte delas, mas nunca contra ela!
O Espírito Santo pode falar e direcionar um pastor, um missionário ou um membro sobre determinada obra, direção, decisão, parecer, proposta, visão eclesiástica, separação de obreiros e etc., Nenhuma destas direções é contrária aos exemplos e descrições bíblicas. O Espírito Santo não se calou após a formação do cânon. Nós não devemos amordaçar o Espírito Santo em nossa vidas, ministério e igrejas locais. Ele tem personalidade, por isso Ele continua falando, ensinando, guiando e dando Sua preciosa e maravilhosa direção principalmente por meio das Escrituras, mas, quando Ele quer, à parte dela – todavia, nunca contra ela!
Eu mesmo já tive direções muito claras do Espírito Santo na obra da igreja local, no campo missionário e no meu ministério de pregação. Já tive revelações claras sobre qual mensagem deveria ministrar a determinado povo e vi claramente o mover do Espírito Santo. Talvez isso parece místico, estranho ou qualquer outra coisa para muitos, principalmente para aqueles que vivem vidas áridas em seminários que não dependem, pelo menos na visão de alguns, de tais direções e revelações, pois preparar uma aula é “fácil”, mas o pastoreio e o campo missionário como se ver no Livro de Atos necessita-se da direção contínua do Espírito Santo na vida e no ministério.

Vejamos alguns textos:

O Espírito Santo revelou certas circunstâncias!
Lucas 2.25-27: “[...] e o Espírito Santo estava sobre ele [Simeão]. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo [...]”.

Esse texto de Lucas nos diz que o Espírito Santo “estava sobre” Simeão. O mesmo Espírito disse (“revelou”) a Simeão que ele não morreria antes de ver o Messias. E guiado pelo Espírito Simeão foi ao Templo e pôde ver “o Cristo do Senhor” e louvar a Deus pela grandeza das coisas que viu.
Esse texto desconstrói a ideia de muitos que dizem que o Espírito Santo não fala à parte da Bíblia! Veja, Simeão como todo bom judeu tinha as Escrituras Veterotestamentárias e mesmo assim, à parte delas – mas não contra elas, o Espírito Santo falou, revelou e guiou a Simeão. O Espírito Santo até disse que ele não morreria por aqueles dias – isso é uma revelação extrabíblica!
Eu não tenho dúvidas de que o Espírito Santo nos guia à parte da Bíblia, por meio dela e nela, mas nunca contra ela!

O Espírito Santo falou sobre determinada direção a ser tomada!
Atos 8.29: E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.

Outro texto claro mostrando que o Espírito Santo fala em certas ocasiões para guiar seus obreiros para obras e trabalhos específicos. Tais orientações nunca labutaram contra o cânon sagrado, seja ele a do Antigo Testamento na ocasião ou contra o cânon do Novo Testamento quando atualmente o Espírito Santo fala com um obreiro ou obreira direcionando-os para um trabalho específico com uma pessoa específica como foi o caso de Filip. Nós podemos chamar essas falas do Espírito de extrabíblicas, mas nunca contra a Bíblia. Repito quantos vezes for necessário: O Espírito Santo nunca irá contra o que Ele mesmo nos revelou movendo homens santos para registrar no que hoje chamamos de Bíblia Sagrada! Por isso, digo que a crença na inspiração, autoridade, perspicuidade e suficiência das Escrituras não militam contra as direções, percepções, dizeres, visões, revelações e profecias dadas pelo Espírito Santo hoje.

A orientação e direção do Espírito Santo!
Atos 10.19-20: E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque Eu os enviei.

Vemos aqui claramente o Espírito Santo instruindo e direcionando o apóstolo Pedro sobre determinada obra a ser realizada. Aqui vemos o Espírito Santo trabalhando em prol da salvação das almas. Ele trouxe as pessoas até Pedro e direcionou Pedro para atendê-las e ir com elas até a casa de Cornélio. Por conseguinte, o mesmo Espírito veio sobre os presentes que ouviam a pregação do evangelho por meio de Pedro. A obra foi realizada, direcionada e finalizada pelo Espírito Santo usando Seus servos. Nós precisamos depender mais e mais da direção do Espírito Santo. Creio que a ineficácia de nossos ministérios se deve a real negligência da direção do Espírito Santo.
Fico imaginando se nossos ministérios e nossas igrejas não seriam mais eficazes, eficientes, produtivos e robustos se reconhecêssemos mais e mais a nossa necessidade da direção e obra do Espírito Santo. Creio que se buscássemos mais a direção, o poder, a demonstração, a unção, o fruto e os dons do Espírito Santo presenciaríamos o quadro descritivo (paradigmático) de Lucas em Atos 9.31 e 14.52: “Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e era edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo”; “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo”.

O Espírito Santo fala na igreja local!
Atos 13.4: E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

Creio que o Espírito Santo falou por meio do dom de profecia ou pelo ministério dos profetas na igreja local de Antioquia (v.1: “havia alguns profetas”).
Vemos que o Espírito Santo orientou a igreja à separar a Barnabé e a Saulo para a obra missionária. Estes homens estavam numa reunião da igreja local, servindo ao Senhor com jejuns e orações e foram apontados pelo Espírito Santo para realizar uma obra específica. E a igreja local se responsabilizou pelo envio e manutenção dos obreiros ao impor as mãos sobre eles por causa da direção do Espírito Santo.
Lembro-me do tempo quando Deus usou algumas pessoas em profecia nas igrejas e regiões diferentes dizendo-me que Deus havia me chamado para ser um pregador e que eu viajaria para muitos lugares – coisa que achei improvável na ocasião, visto que não sabia nada de Bíblia! Lembro-me que estes homens e mulheres de Deus descreveram até mesmo a natureza do ministério que Deus tinha me separado para exercer. Esse meu testemunho ou minha experiência apenas reproduz, por assim dizer, o ministério do Espírito Santo nas igrejas locais de usar pessoas em profecias indicando, separando e orientando os Seus servos e servas para a obra que Ele mesmo os tem chamado. O Espírito Santo fala à parte da Bíblia para confirmar também o que Ele falou na Bíblia.
 Posso dizer altissonantemente que Deus pela Sua graça tem cumprido cada palavra que Ele me falou pelo Seu Espírito Santo!
Vale pontuar que em nenhum lugar encontrei na Bíblia uma mensagem (texto) específica para mim dizendo que eu seria um pregador do evangelho e que meu ministério seria caracterizado por isso ou aquilo. Tais convicções me foram dadas por meio do Espírito Santo falando pela boca de seus profetas e profetizas atuais. Doravante, quando as convicções sentaram-se em meu coração, tenho me dedicado noite e dia para cumprir o ministério que recebi do Senhor para Sua glória, edificação da igreja e evangelização dos perdidos.

O parecer do Espírito Santo!
Atos 15.28: Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargos algum, senão estas coisas necessárias.

Nesta passagem nós temos outro exemplo que mesmo no contexto da comunidade dos discípulos e obreiros reunidos, análise das Escrituras, averiguação da experiência em questão (a inclusão dos gentios na comunidade sem circuncidá-los) tanto a igreja e como também os líderes ouviram a voz, a direção e o parecer do Espírito Santo e solucionaram as demandas.
Veja que em situações novas na comunidade os obreiros e líderes se reuniram, colocaram as demandas em pauta, oraram, leram e expuseram as Escrituras e ouviram a voz e a direção do Espírito Santo. Não é antibíblicos orar para que o Espírito Santo nos direcione e a igreja quando certos desafios e questões surgirem. Creio piedosamente que Sua direção nunca irá contra a Escritura que Ele mesmo inspirou.
Tenho postulado o quanto seria importante se nossos pastores e líderes convencionais pudessem dizer: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”! Voltaríamos a ser uma denominação mais avivada com uma liderança mais espiritual. As vezes os assuntos convencionais, denominacionais e eclesiais são solucionados com propostas e interesses mesquinhos. Lamento constantemente que rixas e divisões desnecessárias são as palavras do dia. Queira Deus restituir-nos momentos de oração, leitura das Escrituras e sensibilidade à voz do Espírito Santo para podemos dizer: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós!”.

Impedidos pelo Espírito Santo!
Atos 16.6-7: E, passando pelo Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito [de Jesus] não lho permitiu.

Mais uma vez o Espírito Santo guiou Seus servos no progresso do evangelho. Mas desta vez, Ele redirecionou os missionários. Em vez de irem para a Ásia conforme suas agendas, o Espírito Santo os direcionou para a Europa.
Nós podemos criar e configurar nossas agendas para cumprir nossas metas e a missão da igreja, isso precisa ser feito. Todavia, nossas agendas devem estar abertas para a reescrita do Espírito Santo. Nossas metas devem estar sujeitas as orientações do Espírito Santo. Ele pode mudá-las!
Nós não devemos mecanizar as coisas, engessar nossas liturgias, pois o Espírito Santo pode derramar um poderoso avivamento em nossas vidas.

O Espírito Santo falou sobre certos acontecimentos no ministério dos Seus servos!
Atos 20.23: Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.

Quantos servos e servas de Deus no campo missionário e no exercício pastoral não têm sido alertados pelo Senhor por meio de Seu Espírito sobre determinadas tribulações, desafios, enfrentamentos, traições e muitas outras coisas? É notório que o Espírito Santo tem agido assim desde os tempos da Igreja Primitiva para direcionar e alerta aos Seus servos e servas na caminhada ministerial. Particularmente, Deus Espírito Santo me tem alertado sobre certos aspectos ministeriais e da igreja local. É algo extraordinário quando você busca depender do Espírito Santo na liderança ministerial.
Paulo a cada cidade que ele ia o Espírito Santo o orientava e lhe comunicava certos desafios e sofrimentos. Eu não tenho dúvidas de que o Espírito Santo dava orientações sobre o trabalho das igrejas locais para Paulo. Creio que além das Cartas que ele escreveu que se tornaram parte do cânon muitas outras orientações foram recebidas do Espírito Santo pelo grande apóstolo.
Que Deus nos ajude a depender da direção e estarmos atentos à voz do Espírito Santo.

Predições sobre certos acontecimentos!
Atos 21.10-11: E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.

Ágabo provavelmente foi o mesmo que profetizou que haveria uma “grande fome por todo o mundo”, a qual sobreveio nos dias de Cláudio” (At 11.28). Estudiosos têm apontado que Josefo relata que ocorreu uma fome por volta do ano 46 d.C[1].
Notamos que nestas duas ocasiões o profeta Ágabo recebe mensagens do Espírito Santo sobre eventos na sociedade (“mundo”) e no contexto da igreja local (“Antioquia”). Deus pode usar Seus servos e servas para predizer certos eventos tanto para a sociedade quanto para a igreja e seus ministros.
Como exemplo posso citar que a irmã Cindy Jacobs, por ocasião do 14º Congresso de Louvor e Adoração Diante do Trono no final de março de 2013, proferiu que em nome do Senhor o principado da corrupção do Brasil estaria sendo derrubado ou destronado. Na ocasião muitos zombaram, mas Deus fielmente cumpriu Sua palavra profética proferida pela Sua serva. Mas uma vez os do contra foram envergonhados, pois o Senhor continua dando profecias por meio dos Seus servos como foi no Primeiro século e em outros momentos na História da Igreja. O Movimento Pentecostal resgatou este e outros dons para o exercício nas igrejas locais.
Certamente o Senhor Soberano não faz coisa alguma sem revelar o Seu plano aos Seus servos, os profetas (Am 3:7)!
É lamentável que mesmo hoje as pessoas não dão crédito as palavras dos verdadeiros e santos profetas e daqueles que têm o dom de profecia. Jeremias 25.4, nos alerta: Embora o Senhor tenha enviado a vocês os Seus servos, os profetas, dia após dia, vocês não os ouviram nem lhes deram atenção.
Uma de nossas principais falhas quanto as profecias bíblicas ou para com aquelas transmitidas pelo dom de profecia, por certo seja o nosso imediatismo. Somos uma geração ávida por respostas e soluções rápidas – não sabemos esperar; nosso comportamento cronológico é impaciente e ultra-regressivo. No campo profético o quesito “tempo” como sinônimo de espera para as conclusões preditas é elementar e denota sob ótica bíblica o fator “kairós”. O citado fator implica entender que há um desígnio maior do Todo Poderoso sobre o nosso tempo; perpassando-o e dirigindo-o a cumprir sua Soberana Vontade Revelada sobre a história da humanidade (aquelas profecias da bíblia que ainda aguardam cumprimento). Tal controle de Deus para agir em Seu tempo oportuno sobre questões políticas e afins; às vezes desafiam a fé, pois as circunstâncias desconstroem a crença num Deus que se importa. Os meios de Deus agir para cumprir Seus desígnios nos são misteriosos, às vezes lentos e nada conformados com nossas expectativas e opiniões – eis o desafio de confiar em Deus apesar dos resultados visíveis. O profeta Habacuque teve que lidar com dilema político semelhante.
Paulo escreveu que “… a profecia [...] é para os que creem, e não para os descrentes” (1 Co 14:22b). E aos crentes em Tessalônica o apóstolo exortou: “Não desprezeis as profecias” (1Ts 5.20).

Conclusão
O nosso Deus continua a falar hoje por meio de Seus servos e servas sobre determinadas direções, impedimentos, pareceres, pessoas, acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Deus Espírito Santo não abandonou este mundo e principalmente a Noiva de Cristo. Ele ainda guia, orienta, capacita, separa, fala, age e faz muito mais na vida dos Seus servos e servas. Ele nunca falará ou revelará algo que distorça as Escritura que Ele mesmo inspirou, mas Ele falará coisas à parte da Bíblia, mas nunca apesar dela – ou seja, contrariando a Bíblia! Só ressaltando que a norma diretiva geral e ordinária dos obreiros e líderes sempre foram as Escrituras. Isso era diário, cotidiano e costumeiro. Extraordinariamente o Senhor falava e orientava por meio do Seu Espírito Santo. Nós devemos ter o cuidado para não negligenciar o estudo, a pregação e o ensino da doutrina em buscas de profecias, revelações e etc. Devemos buscar e crer em ambos, mas a Bíblia é o fundamento, a base, a coluna, a estrutura e o esteio de todo labor doutrinário e diretivo da igreja e do ministério. Particularmente como cristão, pastor e pregador tenho abraço ambos, ou seja, tanto a Bíblia quanto as profecias, revelações e etc., dadas pelo Deus Espírito Santo. A verdade da Bíblia não exclui a verdade das profecias, mas as sustenta e as corrige! Outro detalhe, não percamos de vista que a natureza das profecias é para exortação, consolação e edificação e nunca para formular novas doutrinas e práticas bizarras para a igreja e o culto cristão.
O Verbo, a Palavra de Deus, é vivo e não sepultado nas páginas da Bíblia! O Senhor Jesus continua falando conosco na Bíblia, por meio dela e também à parte dela, mas nunca contra ela!
Atos 9.5: “[...] E disse o Senhor: Eu Sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”; v.10-11: “E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que está orando” (cf. At 16.9-10; 22.2-10, 17-21; 26.15-19). Essas referência fornecem-nos informações suficientes para demonstrar que o Senhor Jesus, o Cristo ressurreto, continuava falando com os Seus e direcionando-os por meio de sonhos, visões, arrebatamentos, profecias e etc.
Outros exemplos podem ser vistos nas Epístolas (cf. 2Tm 4.6; 2Pe 1.14).


Soli Deo Gloria!




[1] RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada, p.1377. São Paulo, SP, Brasil: Editora Mundo Cristã, 1994.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

As raízes modernistas da rejeição do pentecostalismo


PONTO CENTRAL: A rejeição inicial do movimento pentecostal por muitos da herança protestante do início do século XX se deu não por um estudo exegético das Escrituras, mas pela influência das proposições do modernismo (pressuposiçõe filosóficas) que naquela época estava tão encrustado na parede do pensamento deles que foi difícil removê-los, mas mesmo com todo esse antagonismo as poderosas ondas do pentecostalismo bateram de frente removendo as grandes crostas! Que vitória! Como diz um de nossos corinhos: "Se essa obra é de Deus ela não pode parar!". (Ivan Teixeira).
A reação extrema contra a rejeição total da Rua Azusa e sua total rejeição por parte de alguns crentes evangélicos comprometidos não podem ser adequadamente entendidas como uma resposta às inovações teológicas do movimento (que eram relativamente pequenas). Os novos ensinamentos do movimento pentecostal não eram totalmente estranhos à tradição cristã e podiam ser ilustrados e apoiados no livro de Atos, nas cartas de Paulo e na experiência da Igreja primitiva. Houve, reconhecidamente, sérios questionamentos sobre a exegese de várias passagens importantes dos primeiros líderes pentecostais, mas suas visões não pareciam colocá-las além dos limites aceitáveis ​​da diversidade doutrinária dentro da tradição cristã. Praticamente toda Comunhão Cristã teve algum ensinamento que muitos outros cristãos acharam estranho: a visão católica romana sobre a infalibilidade papal para pronunciamentos oficiais e a assunção de Maria ao céu; o ensino calvinista sobre expiação limitada e a dupla pré-destinação (uma ordenação de Deus do povo tanto para o céu como para o inferno antes da fundação da terra); a posição Wesleyana sobre a santificação, como a erradicação instantânea da raiz do pecado do coração humano - para mencionar apenas alguns exemplos - tem sido questionada por outros cristãos sem rejeitar estes agrupamentos confessionais.
O pentecostalismo, no entanto, foi encontrado em muitos lugares por críticas vingativas e uma censura estridente e total [E lamentavelmente isso acontece hoje!]. O auge dessa reação, talvez, foi a Declaração de Berlim de 1909, em que as associações evangélicas e pietistas da Alemanha declararam publicamente que “o movimento de línguas” da Califórnia emanava “de baixo”, referindo-se, é claro, ao reino demoníaco. Manifestações carismáticas foram consideradas como sinais de desequilíbrio mental, ou mesmo insanidade. Um proeminente pregador norte-americano chamou o movimento pentecostal de “o último vômito de Satanás”, e reportagens de jornais em Los Angeles usaram frases inflamatórias como “um amálgama de vodu africano e insanidade caucasiana”.
Essa rejeição fanática do pentecostalismo inicial causou muito dano. Isolou os pentecostais e os transformou contra a cultura, como se vê, especialmente, nas fortes posições anti-intelectuais e anti-médicas que expressaram nas primeiras décadas do século XX. O ridículo e a perseguição dos “santos roladores”, “balbuciadores histéricos” e assim por diante, desencadearam ou fortaleceram uma mentalidade de perseguição e uma mentalidade de “Cristo contra a cultura” entre os primeiros pentecostais. Em muitas igrejas tradicionais, eles eram tratados como párias e classificados como sectários ou cultos.
A causa fundamental dessa censura equivocada deve ser encontrada, não na teologia, mas, antes, no fato de que os pentecostais estavam questionando as mais básicas pressuposições filosóficas da cultura modernista. Cristianismo protestante, após um século ou dois de interação com formas deístas e naturalistas do modernismo científico, eventualmente, ficou cara a cara com sua herança de sobrenaturalismo e decidiu que era muito caro e embaraçoso para ser mantido. O esqueleto da crença em sinais e maravilhas milagrosos foi armazenado de forma segura no armário dos fundos, a fim de obter respeitabilidade intelectual na sociedade moderna. Alguns duvidavam que os milagres dos Evangelhos já tivessem ocorrido, enquanto outros - mais evangélicos e conservadores em sua doutrina da Escritura - mantinham firmemente a crença no sobrenaturalismo nos tempos bíblicos, mas evitavam o embaraço contemporâneo ao relegar todos esses fenômenos ao passado obscuro e distante. O cristianismo moderno caricaturou o pentecostalismo de forma abusiva porque o pentecostalismo abalou as próprias fundações do modernismo- o paradigma e a estrutura difundidos que o modernismo cristão tinha lutado para desenvolver ao longo de vários séculos, à medida que se acomodava ao racionalismo científico secular da época.
A atração e ameaça do pentecostalismo era precisamente esta: aqui estava uma nova e vibrante linhagem do cristianismo que pretendia representar uma fé apostólica, manifestando o mesmo poder miraculoso do Espírito Santo do primeiro Pentecostes de Atos 2. Foi esse testemunho que trouxe centenas de milhares de visitantes para a Azusa Street. Esta mensagem pentecostal tocou um nervo cru e incomodou a consciência desconfortável dos cristãos modernistas. Muitos cristãos conturbados reconheceram que a Igreja havia comprometido a verdade do evangelho ao entregar sua crença nos dons sobrenaturais do Espírito em sua ânsia de se encaixar em seu contexto cultural e ser aceita nos corredores da academia secular. Diante do crescente interesse entre a população no reavivamento pentecostal e sua afirmação desarmante de que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, (Hebreus 13.8), os cristãos modernistas tendiam a responder emocionalmente e a ridicularizar e isolar os cristãos pentecostais, considerando-os heréticos e satanicamente influenciados ou, na melhor das hipóteses, sectários. Essa rejeição gerou mais uma reação prejudicial: o surgimento do pentecostalismo de visões extremas ou desequilibradas. Como resultado, levaria de trinta a quarenta anos para que os não-pentecostais levassem a sério os ensinamentos desse novo movimento de reavivamento. Essa atitude favorável em relação ao pentecostalismo ocorreu no que ficou conhecido como a Segunda Onda ou o movimento de Renovação Carismática denominacional das décadas de 1960 e 1970. Ao mesmo tempo, as primeiras igrejas pentecostais estavam amadurecendo em seu pensamento teológico.
O termo “pentecostalismo clássico” foi cunhado pelo ecumenista católico Kilian McDonnell para distinguir o movimento pentecostal original dos movimentos posteriores. A veemência da reação contra o Pentecostalismo Clássico é uma ilustração do livro de registro de como os fatores não-teológicos - neste caso , filosóficos - frequentemente se tornam primordiais nas lutas entre as igrejas cristãs. Como um paralelo histórico, considere a atenção excessiva dada ao pequeno movimento sociniano nos tratados teológicos do século XVII. Em última análise, a luta não foi tanto sobre os argumentos teológicos ou a influência social dos seguidores do reformador italiano, Faustus Sozzini, trabalhando na Polônia, mas sim sobre os pressupostos filosóficos e epistemológicos que eles representavam. Os socinianos foram os primeiros a criticar o sobrenaturalismo bíblico a partir de uma perspectiva modernista e, como resultado, todos os apologetas ortodoxos da época deram às heresias socinianas uma atenção desproporcional. A explosão do pentecostalismo no começo do século XX representa o inverso desse movimento. Os socinianos, com sua negação de todos os aspectos sobrenaturais do cristianismo, podem ter sinalizado o início do modernismo desenfreado na Igreja, e o despertar da Rua Azusa, com seu sobrenaturalismo desenfreado, pode de fato ter sinalizado o fim iminente da era moderna e o começo da pós-modernidade!

By Henry I. Lederle em Theology With Spirit: The future of the Pentecostal & Charismatic Movement in the 21a Century (copyright 2010). Publicado pela Word & Spirit Press, Tulsa, Oklahoma, USA.

UM GRITO PELA SANTIDADE!

MEU LAMENTO!
O veterano historiador da Igreja Vinson Synan, o especialista indiscutível neste campo, concluiu que é seguro dizer que o pentecostalismo na América "nasceu em um berço de santidade".
E hoje lamento que a busca pela santificação tem diminuído ou, me arrisco, até desaparecido em nosso meio pentecostal.
Lembro-me prazerosamente que nos anos 90 nós os jovens novos convertidos eram exortados a viver uma vida de santificação visto que o Senhor Jesus poderia voltar a qualquer momento. Isso era marcante e poderoso no testemunho público!
Hoje, sob influências de outras vertentes e movimentos, o pentecostalismo tem sofrido de uma imoralidade marcante no meio dos seus líderes, pregadores e membros. Alguns críticos aproveitam a maré baixa da santificação no meio dos pentecostais e tentam ridiculizar e desacreditar o pentecostalismo como se o mesmo tivesse como fundamento a falta de santificação. Isso é desonesto e não bíblico!
Agora, como pentecostal, lamento pela escassez da santidade e da busca de santificação em nossos arraias. Todavia, como pentecostal exorto o povo de Deus a voltar-se para as raízes bíblicas do pentecostalismo.
Não é estranho que anos atrás certo pentecostal, pastor José Armando S. Cidaco, escreveu um livro com o título: UM GRITO PELA SANTIDADE! (ANO 1999, CPAD).
O nobre pastor exorta: "A santidade gerada pela Palavra de Deus devolver-nos-á o poder de que tanto precisamos para sacudir uma sociedade que jaz enferma pelo pecado e pela corrupção. Na verdade, nunca houve um reavivamento autêntico sem que antes tenha havido um retorno à Bíblia como única regra de fé e prática. Em tempos de reavivamento, a Palavra tem um lugar de destaque na vida dos cristãos. É ela, e não os discursos humanos, que norteia a vida da Igreja de Cristo".
Precisamos entender que somente um povo santo poderá ser usado por Deus para mudar o rumo que as coisas estão tomando. Apesar de todo o avanço tecnológico que possa ser usado para fazer o Cristianismo acontecer, não devemos nos esquecer que Deus está primordialmente buscando homens, mulheres e jovens, que expressem, no seu dia-a-dia, aquilo que pregam. É cada vez maior o número de crente que pregam algo de tremendo, mas vivem algo horrível.

IVAN TEIXEIRA!