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sexta-feira, 8 de julho de 2022

VOCÊ DEVE VIVER O QUE PREGA E PREGAR O QUE VIVE!

 

Sem dúvidas essa é uma frase linda quando nós a lançamos sobre outras pessoas.

Certa feita ouvir uma pregação do meu então pastor presidente Odilon Xavier na qual ele dizia que “pregamos uma mensagem que está acima de nós”. O que ele quis dizer é que sempre seremos falhos e nunca alcançaremos a plenitude da santidade do evangelho nesta vida, portanto a mensagem que pregamos sempre será perfeita apesar das nossas imperfeições (ainda bem que a fé salvadora vem pelo ouvir a pregação da Palavra de Deus, Romanos 10.17). Não tenho dúvidas quanto a isso. Certamente nunca viveremos 100% o que pregamos e, talvez em certo sentido pregamos o que vivemos. Sim, só aquilo no que realmente somos bons vamos pregar, mas, concomitantemente não pregamos aquilo que não vivemos, pois escondemos por meio daquilo que vivemos. Noutras palavras, somos bons em lançar a frase epigrafada na conta dos outros, enquanto nossa conta permanece no vermelho. Nossas dívidas e endividamento são altos!

Você já notou que as pessoas são ligeiras e driblam a própria consciência quando vociferam os erros dos outros para esconder os seus próprios? São rápidas para trombetear os pecados alheios, mas lentos para resolver os seus próprios.

Normalmente, as pessoas que constantemente falam a frase epigrafada elas não vivem o que pregam. Elas pregam sobre o amor, mas não amam seus irmãos. Aliás, só amam aqueles que não falham com elas. Enquanto você não falha e não erra serás amado, mas no dia que você tropeça elas te odeiam. Outro exemplo: essas pessoas pregam sobre o perdão bíblico, mas quando você peca elas expõem os erros, assassinam reputações e vilipendiam vidas e ministérios. Onde fica o texto: “se teu irmão perca contra ti, vai e, em PARTICULAR com ele, conversem sobre a falta que cometeu” (Mateus 18.15, KJA). Esse é o primeiro passo para a restauração do irmão. Como diz o ditado: “pimenta nos olhos dos OUTROS é refresco (eu diria:  é colírio nos meus)”.

Enfim, sem mais delongas. Nós nunca vamos viver 100% do que devemos pregar, mas devemos nos esforçar para viver as implicações e os imperativos do evangelho, apesar das nossas imperfeições. A mensagem que devemos pregar – todo o conselho de Deus – é altaneira. Não posso deixar de pregar aquilo que não vivo, mas devo pregar para que eu mesmo seja confrontado e cresça sob os auspícios do poder do Espírito em santidade até alcançar “à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13).

Particularmente, nunca vou deixar de pregar certas verdades do evangelho só por ainda não ter sido santificado em determinadas áreas da minha vida. Como Paulo digo: “Não que eu já a [a ressurreição] tenha, ou que já tenha chegado a ser perfeito, mas corro para que alcançar aquilo para o qual fui alcançado por Jesus Cristo” (Filipenses 3.12). Sim, não vou ficar parado, inerte e enclausurado na derrota por que não alcancei a perfeição. Eu vou prosseguir! Eu vou correr! Eu vou avançar para a meta com o fim de obter a vitória do supremo chamado de Deus por meio de Jesus Cristo (v.14). Eu sei que mesmo não vivendo 100% do que prego, e até pregando o que vivo atabalhoadamente estou convicto pelas Escrituras que estou sendo transformado de glória em glória na imagem do Cristo pelo poder do Espírito Santo que em mim habita (2Coríntios 3.18; cf. Romanos 8.29).

Eu sei de uma coisa que não sou o que eu era (pecador não arrependido), e também não sou ainda o que devo ser (filho aperfeiçoado). Mas quando, o meu Senhor, se manifestar em Sua vinda serei semelhante a Ele, porque o verei como Ele é (1João 3.2), e terei um corpo igual ao corpo de Sua glória (Filipenses 3.21), e, indizivelmente participarei da natureza divina (1Pedro 1.4).

 

Que Deus nos ajude a pregar essa verdade tão altaneira!

sexta-feira, 17 de julho de 2020

PREGAÇÃO E O PREGADOR PENTECOSTAL

Quem já não ouviu falar de “pregador reformado e mensagem reformada?”. Quem também já não ouviu falar de pregador metodista, batista e etc., e por que não falar de pregador e mensagem pentecostal?

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, texto que diz "IVAN TEIXEIRA PREGAÇÃO ,PREGADOR PENTECOSTAL"Creio que é legítima, e posso dizer, na perspectiva bíblica, mais legítimo ainda é falar-se em pregador e pregação pentecostal. Isso é escriturístico, pneumático e teológico! Tal designação reporta-se para o Dia de Pentecostes, quando então Deus cumpriu Sua promessa ao exaltar Seu Filho Jesus e derramar sobre Seus discípulos o Espírito Santo para revesti-los de poder, tornando-os testemunhas ousadas dos eventos salvíficos. Podemos sinalizar que neste Dia histórico vemos o derramamento pentecostal; a reação dos incrédulos ao mover pentecostal; o pregador e a pregação pentecostal e uma igreja pentecostal. Então, ser pentecostal, é bíblico, pneumático e histórico. É uma expressão bíblica, um evento do Espírito e um grande Movimento histórico ou da História do Cristianismo.

Minha proposta neste livro não é simplesmente traçar estilos pessoais de pregadores ou mesmo elencar a superficialidade de certas pregações no meio pentecostal. Nem pretendo debruçar-me sobre certos aspectos do pragmatismo, da teologia da prosperidade, do entretenimento e etc., que têm minado nossas mensagens pentecostais – mesmo que possa falar resumidamente sobre estes assuntos no decorrer da exposição. Mas, meu objetivo é dar um norte, apontar um caminho e até caracterizar biblicamente o que venha (ou deveria) ser uma pregação e um pregador pentecostal.

TEIXEIRA, Ivan. PREGAÇÃO E O PREGADOR PENTECOSTAL, p.14. São Paulo, SP, Brasil: Editora Reflexão, 2020.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

RESGATANDO UMA PREGAÇÃO CAPACITADA PELO ESPÍRITO SANTO


A igreja contemporânea sofre da dor da memória que resultou em amputação e ausência pneumatológica na homilética, noutras palavras, os pregadores e as igrejas atuais esqueceram-se ou estão negligenciando na arte da pregação a capacitação do Espírito Santo. De fato, o Espírito Santo foi rebaixado ao status de enteado da Trindade, especialmente na pregação. Uma pletora de pregadores famosos se junta a um coro de acusação eclesiástica sobre a igreja por demarcar a importância da obra do Espírito Santo na vida da igreja. James Forbes em seu livro de 1989, The Holy Spirit and Preaching = O Espírito Santo e Pregação, denuncia a igreja por ser “tímida do Espírito Santo”. Stephen Olford em sua obra Spirit-Anointed Expository Preaching = Pregação Expositiva Ungida pelo Espírito diz que o pecado do Antigo Testamento foi a rejeição de Deus Pai, o pecado do Novo Testamento foi uma rejeição de Deus o Filho, e o pecado da igreja contemporânea é a rejeição de Deus o Espírito.
C.H. Dodd em seu trabalho divisório em 1936 The Apostolic Preaching and Its Development = A Pregação Apostólica e Seu Desenvolvimento lista seis elementos do kerygma, a mensagem do evangelho dos primeiros apóstolos. O quinto elemento é metanoia – O arrependimento acompanhado pelo Espírito Santo, como evidenciado em Atos 2:38: “Arrependam-se e sejam batizados, cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos seus pecados. E você receberá o dom do Espírito Santo.”. O profeta eclesiástico A. W. Tozer supôs que se Deus decidisse tirar o Espírito Santo da igreja, a igreja depois de vinte e cinco anos ainda estaria fazendo a mesma coisa e nem mesmo notaria a diferença!
O pastor Greg Heisler em seu livro Spirit-Led Preaching: The Holy Spirit’s Role in Sermon Preparation and Delivery  = Pregação Conduzida pelo Espírito: O Papel do Espírito Santo na Preparação e Entrega do Sermão observou precisamente que “Mesmo Jesus, que tinha o Espírito Santo sem medida e é a face humana de Deus – Deus com pele, representando Deus sem pele – que enviaria o Espírito Santo para ser Deus em nossa pele, disse em seu sermão inaugural em Nazaré: Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres” (Lucas 4:18). Se Jesus, o Filho de Deus, o infinito, o remetente do Espírito Santo para a igreja no dia de Pentecostes, declarou que o Espírito do Senhor estava sobre Ele para pregar, podemos nós pregadores, que são frágeis, fracos e embarcações finitas, se contentar com qualquer coisa menos? Ver a obra de Deus demonstrada em nossa pregação exige o poder interior do Espírito Santo”.
Uma pregação capacitada, ungida e empoderada pelo Espírito Santo não deve fica nas cátedras de nossos seminários, mas descer para os púlpitos para que os bancos possam ser alcançados. Esclarecendo ponto: a pregação capacitada pelo Espírito Santo não deve ser apenas uma matéria de nossas escolas teológicas, ela precisa estar presente na vida dos pastores e pregadores que assumem o púlpito de nossas igrejas para que o povo de Deus seja impactado com essa pregação empoderada pelo Espírito Santo.
O Dr. Heisler nos lembra que a pregação tem uma dupla responsabilidade: “é a mão do pregador humano e a Mão de Deus através do Espírito Santo que torna a pregação efetiva”. Isso reverbera a alegação de Agostinho de que “devemos trabalhar como se tudo dependesse de nós e orar como se tudo dependesse de Deus”. A pregação não deve ser um mero evento planejado e calculado realizado através da mera preparação humana, mas um acontecimento inexplicável e sobrenatural executado pelo poder do Espírito Santo através da ação humana do pregador.
O pregador pentecostal entende a definição famosa de Philips Brooks: “Pregar é trazer a verdade através da personalidade” (Lectures on Preaching = Palestras sobre Pregação). Porém, nós pentecostal ampliamos a ideia e dizemos: “a pregação é a verdade de Deus mediada e derramada através da personalidade do pregador pelo poder do Espírito Santo”. John A. Broadus escreveu: “Depois de toda a nossa preparação, geral e especial para a realização do culto público e para a pregação, nossa dependência para o sucesso real está no Espírito de Deus” (A Treatise on the Preparation and Delivery of Sermons = Um Tratado Sobre a Pregação e Entrega de Sermões).
Pregadores, nós precisamos ser cristãos cheios do Espírito Santo antes de sermos pregadores capacitados pelo Espírito.

IVAN TEIXEIRA.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

DOIS TIPO DE PREGADORES!


PREGADOR “PLACA DE SINALIZAÇÃO” E PREGADOR “GUIA DE MUSEU”

Vou usar estas analogias para compor certas verdades sobre dois tipos de pregadores. Aqui, vemos o pregador “placa de sinalização”. Esses tais como as placas estão cheios de informações, e até informações precisas, claras e bastante interessantes, no entanto sem vida, sem graça e etc. Assim, pode-se detectar muitos pregadores hoje, ortodoxos, mas sem ânimo, sem vida, sem entusiasmo, sem graça, sem unção, sem aquele poder da demonstração do Espírito. Como as placas eles exibem as verdades, porém as verdades não banhadas pelo óleo do Espírito Santo. Dedicam-se ao estudo, mas não buscam a vitalidade que só o Espirito Santo pode dá. Arrisco-me a dizer que a Bíblia só é suficiente se tiver banhada pelo óleo do Espírito Santo. Caso contrário, teremos apenas somente placas de sinalizações. É claro, que tais placas têm suas utilidades, mas, por favor, entenda meu ponto da analogia. Todos sabem que não devemos levar a analogia ao extremo.
Por outro, lado vejo aqueles pregadores “guia de museu” ou “guia turísticos”. Esse têm conhecimento, sabem sinalizar bem e falam com propriedade e acima de tudo eles dão vida, por assim dizer, às peças do museu ou àqueles pontos turísticos (claro que há certos guias desarticulados, imprecisos e sem graça nenhuma). O guia é mais importante ainda quando as pessoas não tem muitas informações sobre os locais ou os objetos. Falo isso por experiência própria. Certa ocasião estive na Wesley House (Casa de Wesley) em Londres, Inglaterra, e tive o privilégio de ser conduzido pela casa deste grande pregador por um senhor, diácono da igreja que ficava ao lado, e confesso que ele deu vida ao ambiente. Ele falou detalhes sobre a biblioteca de Wesley e outras coisas. Mas o que me chamou a atenção foi seu quarto de oração, o guia nos falou certas coisas que deu vida aquele ambiente. E, confesso, naquele momento fui transportado para aquela época memorável e senti algo extraordinário. Olhei para os pastores que estavam comigo e eles também estavam como que tomados por algo sobrenatural. Deixamos o guia prosseguir e ficamos mais um pouco no quarto de oração e nos ajoelhamos com lágrimas nos olhos e uma poderosa presença de Deus se manifestou que todos nós, sem falar uma palavra um ao outro, começamos a chorar e a orar profusamente. Que experiência gloriosa! Você notou o que quero dizer quando falo de um pregador ser um “guia de museu ou guia turístico”? Os guias dão vida! Principalmente aqueles que falam com emoção. Eles fazem você ser transportado para aquela história. Foi isso que aquele bendito diácono da igreja de John Wesley fez. Ele era instruído, ele nos informou, mas também nos impactou dando vida aquele “velho” quarto de oração. É isso que precisamos hoje, pregadores que dão vida ao texto e não nos transmita meras informações. Essa vida só é possível quando o pregador é cheio do Espírito Santo, quando eles são banhados com o óleo do Espírito, quando eles se dedicam a buscar o orvalho do céu sobre os seus sermões. Nós já sabemos que sermões mortos matam. Sermão sem fogo é gélido. Sermão sem vida só mantém sua forma e estrutura. Nós precisamos de pregadores que como os guia levem as pessoas a entender, mas também a sentir as verdades do evangelho.
Um pregador eficaz fará isso por seus ouvintes!
Há muitos pregadores que não se envolver com a mensagem que pregam. Parecem mais placas de sinalizações. Eles têm as informações, mas sem vida, sem lágrimas, sem emoção. São até bem “bonitinhos”, polidos, mas não tem vida. Mantêm suas formas, posições e estruturas, mas não têm vida.
Mas o pregador “guia de museu”, gesticula, aponta, fala baixo e alto, às vezes chora, se emociona, curva a cabeça em reverência ao que está falando, dá aquela pausa, pois sente a grandeza da mensagem que transmite. Ele dá vida, pois a mesma flui por ele sob os auspício da unção do Espírito Santo.
O pregador deve realizar o ministério com algum nível de entusiasmo. Gerald Kennedy, um popular líder metodista da última geração, escreveu sobre um bispo que visitou a igreja de um de seus jovens pastores e o ouviu falar. Depois, sentaram-se juntos no escritório do pastor. "Vou deixar você descansar", disse o bispo. "Você deve estar cansado depois de pregar."
“Não”, respondeu o pastor, “nunca me canso quando prego”.
O bispo respondeu: “Filho, quando um homem prega, alguém se cansa.”.
O cansaço depois de uma mensagem não garante que a pregação tenha sido eficaz, mas se o pregador envolver força emocional no “parto”, ele provavelmente se sentirá emocionalmente esgotado quando terminar.

Que Deus nos ajude neste preciosa tarefa ministerial a sentir as “dores de parto” da intercessão em prol da graça e unção do Espírito Santo!

IVAN TEIXEIRA.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

PREGAÇÃO E PREGADOR PENTECOSTAL


CONSTRUINDO UMA TEOLOGIA DE PREGAÇÃO PENTECOSTAL

Nota-se que no grande avivamento e derramamento do Espírito Santo no início do século XX, a pregação desempenhou um papel crucial no Movimento Pentecostal e continua a ser um componente vital da experiência pentecostal.
Na tradição pentecostal os pregadores serviram como intérpretes autoritativos das Escrituras e formuladores de uma teologia mais simples para um pouco quase ignorante.
Na língua portuguesa desconheço uma obra que trate exclusivamente sobre a pregação pentecostal. Atualmente estou envolvido na produção de uma obra simples e objetiva sobre a temática Pregação e Pregadores Pentecostais, querendo Deus lançarei nos próximos dias.

Estudiosos pentecostais tem observado que há uma necessidade de recursos pentecostais na pregação. Entende-se que a falta de tratamento acadêmico da pregação pentecostal se deve a inúmeras razões, porém pode-se pontuar três, na quarta faço uma análise do cenário atual:
PRIMEIRO LUGAR, a pobreza de exegese, teologia falida e excessos emocionais entre pregadores pentecostais abriram as portas para as críticas e obscurecerem os elementos benéficos e poderosos de uma abordagem pentecostal.
Os pregadores e a pregação pentecostal na história do movimento é de grande riqueza para nós. Precisamos resgatar os elementos benéficos e poderosos da pregação pentecostal, visto que Deus usou a pregação pentecostal poderosamente no século XX.

Em SEGUNDO LUGAR, entende que uma boa parte dos eruditos pentecostais recebem estudos de graduação e pós-graduação em escolas não-pentecostais e até mesmo em escolas anti-pentecostais.
Isso sem falar daqueles que um dia eram pentecostais e deixaram de ser se tornando críticos cegos do Movimento. Muitos deles tiveram experiências ruins em suas origens eclesiásticas e ministeriais e agora culpam cegamente todo o movimento. Para muitos a palavra “pentecostal” é coisa dos demônios, é um movimento herege e coisa do capeta!

Em TERCEIRO LUGAR, a erudição pentecostal ainda está em seus estágios iniciais de desenvolvimento; e, até esse ponto, os estudiosos se concentraram principalmente em preocupações teológicas fundamentais, em vez de em práticas de espiritualidade e adoração. Nós simplesmente não tivemos estudiosos suficientes com tempo suficiente para se engajar construtivamente e profundamente com toda doutrina e prática pentecostal.
Meu engajamento em produzir uma obra na temática não se encaminha para o campo da erudição, mas apenas no campo da práxis pastoral. É um pastor pentecostal numa pregação pentecostal exortando e norteando outros pastores e pregadores pentecostais!

Em QUARTO LUGAR, eu tenho visto desde cedo uma negligência e até uma preguiça por parte de meus colegas pregadores pentecostais para estudar mais e mais o conceito da pregação e, principalmente da pregação pentecostal – se é que um dia eles ouviram isso! Se eu perguntasse para muitos pares ministeriais o que define e caracteriza um pregador e uma pregação pentecostal talvez muitos deles falariam de seus estilos, pulos, sapateios e de sua forma de entrega de sermões e não da natureza e propósito da pregação pentecostal.
A riqueza da tradição da pregação pentecostal atesta a amplitude do chamado de Deus e a diversidade das dádivas de Deus; consequentemente, colocar restrições demais em estilos e modelos determinados pelo contexto equivaleria a extinguir o Espírito Santo. Desacordos sobre o que constitui uma boa pregação podem ser devidos a diferentes fundamentos teológicos, mas às vezes os conflitos surgem de perspectivas míopes e sem imaginação sobre a pregação. Uma abordagem holística (mais ampla) para a pregação é necessária que examina a pregação pentecostal a partir de uma variedade de pontos de vista, contextos e disciplinas acadêmicas. Devemos permitir uma ampla diversidade de estilos de pregação, e devemos resistir à tentação de defender a superioridade de nosso próprio estilo e método preferidos. Não apenas devemos reconhecer a diversidade dos estilos de pregações pentecostais, mas devemos celebrá-la.

Eu conheço muitos pastores e pregadores pentecostais que são em suas exposições superficiais, trôpegos, desinteressados, sem clareza, perdidos em suas falas, andarilhos em seus pensamentos, sem fundamentação teológica nas pregações, populistas, palhaços, inventores de proposições, embebidos por chavões e etc., (a lista seria grande!)
Nossos pregadores pentecostais são rasos, superficiais e até mesmo artificiais, e alguns, digo com tristeza são palradores frívolos. Muitos pastores e pregadores pentecostais já aderiram a teologia da prosperidade, ao pragmatismo, as metodologias das campanhas mirabolantes, à psicologização da fé, a uma cosmovisão reducionista e inclusivista do Cristianismo para se tornarem mais palatáveis; outros já estão enamorados da teologia coaching e outros já se perderam nos próprios gritos. E como pregador e pastor pentecostal eu tenho lamentado isso, pois vejo pastores e pregadores que têm um tempo livre que deveria ser dedicado a oração e ao ministério da Palavra, estudando, articulando e crescendo no conhecimento, mas não fazem isso por pura preguiça, negligência e até por conveniência. Tais deveriam descer do púlpito e voltar para o seminários e aprender mais e mais. Ou então, já que não podem retoma o seminário, lerem livros e estudarem como autodidatas (Spurgeon foi autodidata!)
Minha pequena contribuição visa alertar e instruir estes nobre companheiros. Creio que Deus me dará forças e clareza de entendimento para ser o mais simples, sem ser simplista, para ajudar e nortear meus pares ministeriais.

O campo do Pentecostalismo é amplo, e nós precisamos a cada dia meditar, orar, estudar e expor seus elementos. Em sua teologia, espiritualidade e práticas, a tradição pentecostal compartilha muito com o Cristianismo Histórico, e nós não podemos descartar os distintivos que antecederam o Movimento Pentecostal (o que chamo de teologia de viseira!), todavia nós devemos postular as riquezas que o Pentecostalismo trouxe para o Cristianismo Histórico. Hoje o Pentecostalismo é uma das grandes forças ou vertentes do Cristianismo e suas ênfases e distintivos são de grande valia para a Cristandade. E, particularmente creio, que a herança dos pregadores e da pregação pentecostal na História do Movimento precisa ser articulada, enriquecida e esclarecida mais e mais. Eu estou envolvido nisso como pregador pentecostal e, creio que Deus Espírito Santo nos iluminará no processo para ajudar, auxiliar, exortar e nortear nossos irmãos pentecostais no caminho de uma teologia pentecostal da pregação. Querendo Deus, em breve, lançaremos uma contribuição nesta área visando orientar os pregadores pentecostais iniciantes e também aqueles que como eu labutam alguns anos nesta ditosa área.

IVAN TEIXEIRA.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

PREGAÇÃO PENTECOSTAL



PREGAÇÃO AUTENTICAMENTE PENTECOSTAL

Junto com o chamado para o ministério cristão, o chamado pastoral, existe o chamado para pregar a Palavra de Deus. Assim, as perguntas diante de nós são as seguintes: “Quais são as características da pregação autenticamente pentecostal? É diferente de outros tipos de pregação?”. Há pelo menos três aspectos que estão ligados à pregação autenticamente pentecostal – a unção, a estrutura do sermão e a pregação por resultados.

A UNÇÃO. É a crença entre os pentecostais que a prova fundamental do chamado de uma pessoa é o poder de Deus, e a unção na sua pregação (HUGHES, Ray H. Pentecostal Preaching = Pregação Pentecostal). De acordo com James Forbes, a unção é a presença especial do Espírito Santo na vida e ministério do servo de Deus que produz uma consciência inspiradora da presença divina. As faculdades inteiras da pessoa são reforçadas – por exemplo, iluminação, coragem, sabedoria, discernimento, fé, orientação, memória, vocação, emoção, intelecto e desempenho físico (The Holy Spirit and Preaching = O Espírito Santo e Pregação). Segundo o French Arrington, a unção é um termo amplamente usado pelos pentecostais e carismáticos para falar sobre a dotação de crentes do Espírito com poder pentecostal para testemunhar e evangelizar. Uma pessoa verdadeiramente ungida ou cheia do Espírito deve ser capaz de transmitir aos outros o que ela recebeu. Em outras palavras, a unção é absolutamente necessária.
Essa unção do Espírito Santo ilumina o estudioso das Escrituras, amplia sua compreensão e o capacita com poder para falar ousadamente as grandes verdade do santo evangelho!

ESTRUTURA DO SERMÃO. Ao longo da história da pregação, a estrutura do sermão tem sido um componente importante da pregação por meio da pregação de instrutores e praticantes. Sentir a forma e a estrutura do sermão é a principal tarefa na preparação de qualquer sermão (DAVIS, Henry. Design for Preaching = Projeto para Pregação). A estrutura do sermão inclui muitos componentes – por exemplo, título, introdução, pontos principais, subpontos, ilustração e conclusão. A estrutura do sermão deve crescer fora do texto. O que torna a pregação pentecostal distinta é que a estrutura do sermão é diferente do que passamos a esperar e a respeitar na igreja tradicional. A estrutura da pregação pentecostal é espontânea e imediata, e exibe a dinâmica e o poder do Espírito. Os pastores pentecostais podem variar em seus estilos de entrega [do sermão], mas a eficácia de sua pregação dependerá de sua confiança na autoridade de Deus e na unção do Espírito.
Como pregador pentecostal, particularmente, critico a forma (se tem alguma!) da pregação de muitos pregadores pentecostais. Você percebe que não há nenhuma estrutura homilética e quase não se entende o que tais pregoeiros pretendem dizer. Um sermão desestruturado e disforme não é obra do Espírito Santo, mas da preguiça de muitos pregadores pentecostais. Se estes pregadores pentecostais dependem da unção do Espírito, este mesmo Espírito irá pairar sobre o “abismo nebuloso” de suas ideias e também sobre a deformidade de seus pensamentos operando um milagre de ordem e decência ou trazendo uma estrutura plausível.

PREGAÇÃO POR RESULTADOS. Cada sermão deve ter o apelo de uma convocação no final. O sermão pentecostal não é passivo; em vez disso, é ativo. Há pessoas na congregação que precisam responder ao sermão. O chamado do altar, uma característica do pentecostalismo clássico e também de avivamentos anteriores, dá aos congregantes que ouviram a mensagem a oportunidade de responder a ela. A resposta ao apelo público é psicologicamente terapêutica. Pregadores pentecostais pregam por uma resposta, e a maioria dos sermões pentecostais conclui com a congregação ao redor do altar em busca de Deus (Hughes).
Como pregadores pentecostais sentimo-nos inclinados na conclusão da mensagem a chamar o povo ao arrependimento e a uma intimidade mais e mais com Deus a cada dia para a vida e ministério. É claro que quando conclamamos os crentes a virem ao altar nós também nos identificamos com eles na busca de mais de Deus para nossas vidas e ministério. Com isso, não queremos manipular resultados (mesmo que alguns o fazem!), mas nos dispor a beber mais e mais da fonte da água da vida!

IVAN TEIXEIRA

sábado, 29 de dezembro de 2018

PENTECOSTALISMO DE CINCO PONTOS!


Convite para abraçar o “Evangelho Quíntuplo”!
Quando se analisa os desenvolvimentos históricos do Movimento Pentecostal, percebe-se algumas crenças distintivas deste precioso Movimento. Sendo conciso, encontramos àqueles que, dentro da tradição wesleyana de santidade, afirmavam o quadrilátero pentecostal: (1) Jesus salva, (2) Jesus cura, (3) Jesus batiza com o Espírito Santo e (4) Jesus Voltará como Rei. Por outro lado, mormente aqui no Brasil, os missionários pioneiros elencaram a Trilogia Pentecostal: (1) Jesus salva, (2) Jesus batiza com o Espírito Santo e (3) Jesus Voltará. Contudo, estudando a herança histórica do Pentecostalismo, percebemos que também houve uma ênfase quíntupla, também chamada de Evangelho Pleno.
Particularmente, como pentecostal, incentivo e convido a todos a retornarem aos distintivos doutrinários do que ficou conhecido historicamente como o Evangelho Pleno (Full Gospel). Os distintivos doutrinários do Evangelho Pleno, como também nos anteriores, são cristocêntricos (centrados em Cristo): (1) Jesus salva; (2) Jesus santifica; (3) Jesus batiza com o Espírito; (4) Jesus cura e (5) Jesus voltará como Rei.
Deve-se entender que por causa do crescimento do Movimento Pentecostal e de suas características distintas em vários lugares, os distintivos doutrinários variavam entre a trilogia, o quadrilátero e o Evangelho Quíntuplo. Todavia, não se entende que os itens ausentes eram negligenciados, mas apenas postulados dentro dos outros elementos. Por exemplo: Jesus salva e cura; Jesus santifica e batiza com o Espírito Santo.  Baseio isso tanto por experiência própria quanto pela leitura de vários livros sobre o pentecostalismo.
Tendo ciência destas verdades, como pentecostal, elenco um convite a todos os que pertencem esta preciosa herança a abraçarem o Evangelho Quíntuplo! Assim como a herança reformada abraça um ministério tríplice de Cristo (Sacerdote, Profeta e Rei) em suas formulações teológicas, convido os pentecostais brasileiros a articularem mais e mais um ministério quíntuplo de Cristo (Salvador, Curador, Santificador, Batizador e Rei que virá) como ênfase e herança do gigantesco Movimento Pentecostal.
Por que faço esse convite? Porque o cenário em muitas igrejas pentecostais é lamentável! Têm-se perdido estes distintivos. Em outros rincões, nunca se ouviu falar! Noutros lugares, foram anuviados pelas campanhas mirabolantes. Isso sem falar do pragmatismo, da psicologização da fé, da socialização da missão da igreja e etc., e etc., e etc.,
Tenho lamentado alhures que muitas igrejas pentecostais já foram despentecostalizadas, mormente no sentido do Pentecostalismo Clássico. Todavia, Deus em Sua bondade tem levantado em nossa nação a Editora Carisma bem como homens e mulheres comprometidos com essa rica herança do Movimento Pentecostal para tornar sua História, Hermenêutica, Doutrina/Teologia e Práxis conhecidos do povo brasileiro.
Como Pentecostais cremos que as narrativas contidas no Livro de Atos não são para meras informações históricas de uma igreja que se passou, mas postulados instrutivos para aquilo que a igreja deve ser. Entendemos que o Cristo Ressurreto e Exaltado continua governando Sua igreja sob os auspícios da Obra, unção e poder do Espírito Santo. Esse Cristo é Aquele que salva, cura-liberta, santifica, batiza e que um dia virá arrebatar Sua igreja – Jesus Cristo é o Sujeito ativo de todas as obras! Por isso, tenho enfatizado a cristocentricidade do pentecostalismo.
Queira Deus avivamo-nos outra vez!

Ivan Teixeira

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Conduta Ministerial: PERSPECTIVA HOMILÉTICA: EXPOSIÇÃO DE 2 Coríntios 6.1-13.


Perspectiva Homilética
O pregador que vem a 2 Coríntios pode sentir que seu tesouro está enterrado em um vaso de barro. Para começar, o que temos agora como epístola é um composto de fragmentos de diferentes documentos; falta-lhe a unidade e a coerência da outra carta existente do apóstolo para esta mesma comunidade. Mais importante ainda, é muitas vezes estridente e (com todo o respeito) autosserviço em seu argumento. Isto é ostensivamente o caso em nossa passagem.
Então, para encontrar o ouro homilético em meio ao barro, é crucial entender o que motiva Paulo a falar dessa maneira. As apostas são muito altas, e também suas emoções. Em essência, ele está escrevendo sua própria carta de recomendação para uma igreja que ele plantou, ama e se sente traída. No passado, ele enviou-lhes uma “carta de lágrimas”, agora, perdida (2:47:8) que o atormentava a escrever e os entristecia a receber. Imaginar esse documento em falta pode ser uma oportunidade maravilhosa para o pregador pensar criativamente sobre as relações conturbadas de Paulo com essa comunidade em particular e as crises nas quais ele se sente chamado a falar.
As coisas melhoraram desde a “carta das lágrimas”, mas não inteiramente. Enquanto os coríntios sempre foram inconstantes em suas afeições - uma vez ele perguntou se eles pertenciam a Cefas, a Apolo ou a ele? (1Co 1,12) – sua lealdade é agora testada por “super-apóstolos” inescrupulosos (2 Coríntios 12:11), que fizeram o melhor que puderam para ridicularizá-lo pessoalmente e minar seu ministério. Paulo está ciente de que seu tom é forte: “Eu não quero parecer que estou tentando assustá-los com minhas cartas” (10:9). Ele reclama, ele delira, ele se vangloria, ele se dramatiza de maneiras que, mesmo com esse remorso, são embaraçosas de se ler. O evangelho pode realmente ser tudo sobre ele? (Como é fácil para o pregador deixar a insegurança governar o dia, para confundir um desejo louvável de falar pessoalmente a uma congregação falando sobre si mesmo.).
Segunda Coríntios 6 mostra o esforço de Paulo para convencer os coríntios a aceitar sua autoridade e missão entre eles. Com a ajuda do profeta Isaías (49:8), ele apela às Escrituras para reforçar suas afirmações: agora é o momento aceitável para elas ouvirem e ajudá-lo. Como? Ao perceber que seu trabalho em favor deles foi impecável; que, como servo de Deus, ele foi em todos os sentidos louvável; que não importa o que tenha acontecido a ele - e a lista de desastres é longa, não apenas aqui, mas em outras partes desta epístola (4:8-9a11:21b-30) - ele mais do que mereceu sua confiança. Toda a sua vida se tornou cruciforme.
Na medida em que o estilo faz o homem, Paulo nos mostra o grau em que suas palavras atraem tanto a aceitação quanto a atenção. Muitas paradas retóricas são retiradas quando ele responde a várias objeções levantadas contra ele. Apenas pense por um momento sobre o que ele passou (vv.4-5); sobre como consistentemente ele tomou avassaladora adversidade em série e orou para que ela se tornasse “pureza, conhecimento, paciência, bondade, santidade de espírito, amor genuíno, discurso sincero” (vv. 6–7). Qualquer que seja o medo de parecer tolo, de violar o decoro e de ir longe demais, ele não hesita em abrir bem o coração. De fato, nada mais no restante de sua correspondência se aproxima desse nível de auto-revelação.
Alguns podem tê-lo julgado “desprezível” como um falante em pessoa (ver 10:10 e 11:6), mas não pode haver dúvida sobre sua capacidade de usar linguagem escrita “pesada e forte” (10:10) para levá-lo (e os coríntios) para onde ele quer ir. Pode-se imaginar, além disso, o poder da entrega de outra pessoa deste texto em Corinto, como um Paulo ausente se mantém através do desempenho de outras pessoas de suas palavras. Mesmo que essa retórica falhe, a culpa pode acabar fazendo o trabalho. Como lemos na conclusão desta seleção, Paulo se apresenta como um pai cuja afeição pelos coríntios é ilimitada - muito diferente da deles para ele! Seja qual for o caso no passado, agora é o tempo para eles oferecerem nada menos do que uma resposta filial amorosa em espécie. “Em troca, (falo-vos como a filhos), abram também os vossos corações” (v.13).
Depois de identificar tudo o que é problemático nesta leitura, o pregador pode muito bem querer escolher outro texto entre as opções deste dia! Por outro lado, e se ele ou ela desse ao apóstolo exatamente o que ele está pedindo - um coração aberto? Será que o ponto é reconhecer que Paulo, como nós, é um vaso de barro, um homem muitas vezes no fim e sem nenhuma noção de perfeição (apesar de sua posição entre os coríntios como pai fundador)? Ao mesmo tempo, precisamente como um vaso de barro, ele oferece um presente muito além de si mesmo. “Temos este tesouro em vasos de barro”, diz Paulo, “para que fique claro que esse poder extraordinário pertence a Deus e não vem de nós” (2 Coríntios 4:7).
Em outras palavras, em vez de recorrer à leitura de hoje como modelo para pregar sobre o próprio ministério, por que não chamar a atenção para a paixão e sinceridade com que Paulo se entrega à sua vocação, a exuberância com a qual ele fala não só francamente, mas com efeito se doa? Aqui não há filósofo estoico mantendo-se em reserva ou subindo acima de tudo. Nem usa seu brilho verbal apenas para manipular as emoções dos coríntios, para que possam tratá-lo melhor. Em vez disso, como ele diz no capítulo anterior (cap.5) – usando um "nós" que também abrange seus colegas de trabalho – "somos embaixadores de Cristo, visto que Deus está fazendo o Seu apelo através de nós; nós te imploramos em nome de Cristo, sejam reconciliados com Deus” (5:20).). Enquanto a seleção lecionária para este dia de pregação parece ser tudo sobre Paulo, o apelo ao cenário maior da epístola pode colocar a ênfase onde ela pertence – na obra de Deus em Cristo. O pregador deve ao apóstolo como apresentação simpática de sua mensagem quanto possível; No final, porém, prestamos atenção a Paulo para olhar além dele.
peter s. Hawkins



[1]  Hauerwas and Budde, The Ekklesia Project: A School for Subversive Friendships (Eugene, OR: Wipf & Stock, 2000), 1–2.

Bartlett, D. L., & Taylor, B. B. (Orgs.). (2009). Feasting on the Word: Preaching the Revised Common Lectionary: Year B (Vol. 3). Louisville, KY: Westminster John Knox Press.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

THE WOMAN OF SAMARIA

The woman of Samaria

    1. The person here introduced was a member of a race specially hateful to the Jews; but Jesus was above the prejudice of His nation.

    2. The Samaritan was a woman. “Never speak to a woman in the street, even if she be thy wife”; “Burn the words of the law rather than teach them to a woman,” were current maxims in Jewish society. But Christ, in the unsullied purity of His manhood, brushed aside as cobwebs all social regulations which tended to perpetuate feminine servitude.

    3. This woman lived in habitual sin. But Christ came to save sinners. Notice Jesus Christ


I. ENLIGHTENING THE WOMAN. He leads her from natural to spiritual subjects.

    1. Observe His sweet courtesy. He opens the conversation, not with a sneer or opprobrious epithet, after the manner of a Jew, but with a request; and notwithstanding her ungracious rebuff, not one word of rebuke escapes Him. A most gentlemanly stranger. True religion teaches us to be courteous. This urbanity impressed her, and He became successively in her eyes Jew, Sir, Prophet, Christ. The truth must be spoken in love, and love will impress quite as much as truth.

    2. Notice that the woman’s lack of culture did not hinder Christ making the grandest disclosures. A radical mistake is made when the attempt is made to simplify the gospel beyond what Christ has done. The sublime will always awaken the corresponding consciousness. This is one reason why the words of Christ have more power and permanence than the systems of men.

    3. The Lord made a discovery to this woman which He never made to any one else--His Messiahship. Why? Because that would not have been safe in Judaea or Galilee? Rather because of the different dispositions of those He addressed.
  

II. RECLAIMING THE WOMAN. The object of His enlightening her was to save her.
     1. Christ always aimed at doing good.
       (1) In ancient times men did good spasmodically; relief was the result of natural impulse. But in Christianity impulse has been dignified into a principle.

      (2) Plato and Aristotle teach you to love men for your own sakes; Christ for their sakes and His. The essence of the gospel is not self-interest, but self-sacrifice.

    2. He sought to do the highest good by reclaiming the worst characters. There are three stages in history relative to this subject.
       (1) A state of well-nigh complete insensibility. The Iliad delineated heroes and cowards, strong men and weak, but not good and bad.

      (2) The next stage is marked by the awakening of conscience and of the idea of right and wrong. Virtue is applauded, vice censured. But the idea of justice taught men to sympathize with the man sinned against, not the sinner.

      (3) The last stage is that of full-orbed mercy in Christ, teaching us to compassionate both the injurer and the injured. Christ changed the attitude of the world in respect to its notorious sinners.

    3. To accomplish these ends He threw into His philanthropic movements unprecedented zeal (Joh 4:34).
       (1) He had infinite faith in human nature. He saw its hidden potentialities. A lady, examining one of Turner’s pictures, remarked: “But, Mr. T., I do not see these things in nature.” “Madam,” replied the artist, with pardonable naiveté, “don’t you wish you did?” Christ saw what none of His contemporaries saw. The age was pessimistic; Christ was the only optimist of His time.

      (2) According to the strength of His hope was the fervour of His zeal.
  

III. INSPIRING THE WOMAN, inparting to her His own enthusiasm.
     1. She at once set about converting her neighbours. She did not lecture them; she only related her experience. We can also “say” if we cannot preach. Despise not the day of small things. Her “saying” led to the evangelization of a whole city.

    2. The success attending the woman’s simple efforts filled the Saviour with holy joy. (J. Cynddylan Jones, D. D.)




Edited by Joseph S. Exell. ([s.d.]). THE BIBLICAL ILLUSTRATOR - OLD & NEW TESTAMENT.

JESUS CONVERSA COM A MULHER SAMARITANA


João 4.7–14.— A CONVERSA COM A MULHER SAMARITANA.

I. A PRIMEIRA ABORDAGEM É FEITA DO LADO DO NOSSO SENHOR. “Dê-me para beber”. 1. Considere a pessoa a quem se dirige. “Lá vem uma mulher de Samaria para tirar água.” (1) era uma mulher. O preconceito rabínico desencorajava a instrução religiosa mais completa da mulher, mas Jesus pisoteava tal preconceito. É interessante notar que uma mulher foi a primeira convertida em Samaria, já que Lydia foi a primeira convertida na Europa. (2) Era um samaritano, "um estrangeiro da comunidade de Israel"; no entanto, Jesus passou dos limites do judaísmo em sua missão de misericórdia. (3) Era uma mulher pobre, pois tirar água não era mais, como nos tempos mais antigos, o trabalho de mulheres de classe; mas Jesus prega o evangelho aos pobres. (4) Ela foi degradada. Ela era uma adúltera; ainda assim, Jesus teve misericórdia de oferecer a esse pecador. 2. Considere como ele procura provocar seu pensamento e ganhar sua alma . Ele pede um favor. "Dê-me para beber." Isso foi para reconhecer sua superioridade momentânea.

II. A LEMBRANÇA RÁPIDA DO SEU LADO DO MURO DE SEPARAÇÃO ENTRE JUDEU E SAMARITANO. “Por que és tu, sendo judeu, que bebes de mim, que sou mulher de Samaria?”.
1. Ela identificava Jesus como judeu pelo seu vestido, pelo seu sotaque ou por ambos.
2. Considere as alienações amargas forjadas pelas diferenças religiosas . “Pois os judeus não têm relações com os samaritanos.” No entanto, os galileus , como nosso Senhor e seus discípulos, podem ter sido menos influenciados pela política de isolamento do que o povo da Judéia , pois enquanto Jesus pedia uma bebida de um samaritano, discípulos foram a uma cidade samaritana para comprar carne.
3. Marque a perpetuidade do ódio religioso. É datado da idade do cativeiro. Ainda existe para separar samaritanos de judeus e cristãos.

III A OFERTA DO NOSSO SENHOR DO MELHOR PRESENTE PARA A MULHER SAMARITANA. “Se conheces o dom de Deus e quem é o que te diz, dá-me de beber; tu terias pedido dele, e ele te daria água viva.” 1. O dom de Deus é a água viva, assim como aquele que fala com ela é o Agente de transmiti-la à alma do homem. (1) A água viva é a vida eterna (vers .13, 14). (2) É adaptado para satisfazer a sede da alma humana pela comunhão com Deus. (3) Ela é sempre novo, pois brota de uma fonte inesgotável (Gn 26.19).
2. Note como deve ser obtido. “Tu desejaria pedi a ele”. É pela oração - a oração da fé. Alguns dizem que não devemos orar pela salvação, mas simplesmente acreditar para a salvação. (1) Mas nosso Senhor aqui sanciona a oração por ele, e Pedro o impõe sobre Simão Mago: “Rogai a Deus, se é que o pensamento de teu coração pode ser perdoado.” (2) É dever de um homem não convertido orar, como é seu dever acreditar. Sua incredulidade não é desculpa para a negligência de este dever. Por que, de outro modo, a negligência da oração é carregada como pecado (Sofonias 1.6; Os 7.7)? (3) Se um pecador leva a salvação antes de orar, e o faz porque não tem fé para orar, ele é salvo antes de ter fé. É absurdo, então, aconselhar o pecador contra a oração, porque a oração implica fé e, ainda assim, exortá-lo a tomar a salvação que é impossível sem a fé. Em tal princípio, um pecador não pode orar nem crer.
3. Marque a causa do pecador que não recebe o dom de Deus. “Se tu conhecesses o dom de Deus.” A ignorância do valor de Cristo é a grande causa do dom não ser apropriado. A mulher samaritana tem tão pouca ideia da importância das palavras de nosso Senhor que ela pensa apenas na água do poço de Jacó e, portanto, nosso Senhor tem que colocar a verdade em uma nova e impressionante luz diante dela.

IV. A VERDADEIRA NATUREZA DA ÁGUA VIVA QUE ESTÁ À DISPOSIÇÃO DE CRISTO.
1. Satisfaz mais do que meros desejos momentâneos. A água do poço de Jacó satisfaria uma sede que voltaria a ocorrer. Essa água viva satisfaria plenamente a sede do espírito imortal e finalmente acabaria com a inquietação interior. “Aquele que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede.” As satisfações terrenas deixam um vazio na alma que precisa de um suprimento sempre fresco de fontes externas. 2. A água viva é (1) bem mais inesgotável que o poço de Jacó, pois é suprido pela fonte da graça de Deus. (2) É uma fonte pulando em abundância, de modo a suprir toda a vasta variedade de necessidades humanas. (3) Ela sobe para a vida eterna em sua edição. “A fonte em si é Jesus glorificado no coração pelo Espírito Santo.” [1]



[1] SPENCE-JONES, H. D. M. (Org.). (1909). The Gospel Of St. John: Introduction and Exposition & Homiletics (Vol.1, p.182-183). Londres; Nova Iorque: Funk & Wagnalls Company. – (The Pulpit Commentary).


quarta-feira, 28 de março de 2018

JESUS E A CORRUPÇÃO DO TEMPLO


Jesus falou sobre a corrupção do Templo: “vós, porém, a transformais em covil de salteadores”.
A condenação é para os adoradores que vivem em pecado fora do templo e então entram na casa de Deus para “se esconder” de seus pecados. E também para os líderes que estão transformando a Casa de Deus em uma feira mercantilista.
A Casa de Deus não deve se tornar um covil de pecadores obstinados, mas um confessionário para pecadores arrependidos! Uma coisa é certa, quando deixamos de pregar o evangelho nossas congregações locais se tornam covis de pecadores obstinados que são entretidos pelas campanhas mirabolantes.
Essa Casa não deve se tornar num galpão de comércio, numa plataforma política, em um picadeiro de entretenimento, numa casa de show e muito menos numa passarela de desfiles de selfies.
O Templo que foi constituído como Casa de oração foi transformada num “covil de salteadores”. É claro que essa transformação é paulatina. Concessões vão sendo feitas e épocas depois a corrupção se instala.
Como pastores e cristãos nós devemos ter cuidado com as transigências e concessões. Tenho dito que um pequeno desvio hoje da moral, posteriormente se torna um grande abismo da imoralidade. Um pequeno desviou hoje da doutrina, pode se tornar numa grande heresia amanhã. Uma pequena transigência hoje na litúrgica, amanhã se transforma numa concessão para shows e espetáculos mundanos.
Cuidado, a casa não é nossa é d’Ele! Não é para nossos entretenimentos e nossas apresentações, mas, sim, foi separada para ouvir Sua voz (pregação e ensino da Bíblia) e contemplar Sua beleza (por meio de cânticos e adoração) (Sl 27.4).

terça-feira, 25 de julho de 2017

AINDA SOU DAQUELA ÉPOCA!

Sou Daquela Época!

Ainda sou daquela época em que chamava os que ministravam a Palavra de Deus de PREGADOR.
Lembro que sorrateiramente que a designação "pregador" foi sendo substituída por PRELETOR (ou PRELEITOR) que nem era dicionarizada (a palavra, na época, seria PRELECIONADOR). Ainda um pouco antes, nos anos 90, quando a psicologia pop adentrou em nossos arraiais denominacionais por meio da “cura interior”, outra palavra era usada: PALESTRANTES. Depois disso no início dos anos 2000 foi acrescentada a palavra MOTIVACIONAL. Com o palanque preparado, pela psicologização da fé, surgiram os PALESTRANTES MOTIVACIONAIS. Não eram mais pregadores, mas palestrantes. Não eram mais pregadores que bradavam o arrependimento dos pecados e a fé em Deus. Mas, palestrantes MOTIVACIONAIS que incentivavam as pessoas a descobrir seu potencial. Disso veio a autoajuda e os cultos de “campanhas”.
Agora aparece outra palavra “coach”, não mais pregador, mas um “coach”, são os treinadores de executivos cristãos. Com um sorriso falseado no rosto eles treinam vencedores espirituais. Sim, você consegue! Você é o cara! Nos congressos coaching, nós presenciamos pessoas em lágrimas e elevadas pelas emoções. Vemos pecadores caídos emocionados com seu potencial interior! E por aí!!!

EM MEIO A ESSA CONFUSÃO, EU SOU PREGADOR!
O pregador é aquele que expõe a Palavra. Ele diz o que o texto diz. Ele procura entender o que o texto diz e depois expõe o significado do texto, aplicando suas verdades eternas à igreja atual.
Um pregador é alguém que se dedica completamente, esmera-se nisso, a compreender o texto sagrado e ser instrumento de Deus para transmitir a Sua Palavra. Nada mais do que isso!
Pregar a Palavra é pregar o que a Palavra diz e não o que eu quero que ela diga.
Pregar a Palavra é entender o significado do texto, não expor minha opinião ou o que acho sobre o texto.
O ministério da pregação é a obra mais elevada e necessária hoje!
Martyn Lloyd-Jones escreveu:
Para mim, a obra da pregação é a mais elevada, a maior e a mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser convocado. Se alguém quiser saber doutra razão em acréscimo, então eu diria, sem qualquer hesitação, que a mais urgente necessidade da igreja cristã da atualidade é a pregação autêntica; e, posto ser a maior e mais urgente necessidade da Igreja, é óbvio que também é a maior necessidade do mundo[1].

A necessidade urgente da pregação e ensino da Palavra de Deus surge por ela ser dada por Deus para início, crescimento e maturidade de nossa vida e do ministério. Lemos em 2ª Timóteo 3.16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.


O nosso chamado é para pregar, fomos separados para sermos pregadores e Deus salva os pecadores pela loucura da pregação!

Ah, sim, ainda sou daquela época!

Ivan Teixeira
Minister Verbi Divini




[1] Pregação e Pregadores, pg.7 (São José dos Campos, SP, Brasil: Editora Fiel, 4a Edição: 1998).