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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

THEOLOGY QUEER (TeologiaGAY) INVADE OS ARRAIAS ACADÊMICOS E MINA NOSSAS IGREJAS

"THEOLOGY QUEER"

 

Aquela bendita expressão de Tertuliano: “o que tem Atenas a ver com Jerusalém? Que acordo existe entre hereges e cristãos? [...] Fora com todas as tentativas de produzir um Cristianismo manchado de composições estóicas, platônicas e dialéticas! Nós não queremos curiosas disputas após possuir Jesus Cristo, não queremos investigação depois de usufruir do evangelho! Com nossa fé, nós desejamos nenhuma outra crença. Pois essa é nossa [vitoriosa] fé, que não há nada que devemos crer além disso”, parece nos levar hoje a dizer: “O que tem a Igreja a ver com a Academia?”. À época da frase o grande Tertuliano, defensor da fé bíblica, questionava o namoro promíscuo entre a verdade bíblica e as filosofias humanistas. Tais filosofias foram peremptoriamente rejeitadas pelo apóstolo Paulo que poderia muito bem usá-las em sua chegada à Atenas e Corinto, no entanto, o grande apóstolo decidiu anunciar unicamente a teologia da Cruz no poder do Espírito Santo (1Coríntios 2.1-6). Segundo Paulo, a fé das pessoas deve estar fundamentada no poder do Espírito Santo e na pedra angular do Cristo crucificado. Pode-se dizer que a única defesa real e poderosa do evangelho e pregar o evangelho!

Particularmente eu amo o labor teológico, ler obras de grandes eruditos, estudiosos perspicazes e dos grandes defensores das verdades do santo evangelho. É prazeroso quando você pega um calhamaço como a obra do Dr. Gordon Fee, God’s Empowering Presence: The Holy Spirit in the Letters of Paul (Presença Poderosa de Deus: O Espírito Santo nas Cartas de Paulo), de quase 1000 páginas e você se depara com uma exegese saudável, uma exposição apaixonada de um erudito pentecostal que visa a edificação da igreja e a evangelização do mundo. Nesta obra, vemos o esforço de um grande erudito para compreender o que Deus diz, e não manipular o texto ou a mensagem do evangelho para torna-la mais palatável aos movimentos sociais contemporâneos ou mesmo às exigências do academicismo pueril. Dr. Fee é pentecostal e abraça a inerrância e infalibilidade das Escrituras Sagradas, acredita piedosamente no senhorio de Cristo Jesus e no poder carismático do Espírito Santo.

No entanto, nem sempre é assim na academia. Poderíamos citar muitos exemplos na erudição alemão (e noutros rincões acadêmicos) que configurou o liberalismo teológico trazendo uma enchente perturbadora para as igrejas locais da Europa a tal ponto que devastou várias delas. Hoje, se você visitar a Europa – como tive o prazer e a tristeza (muitas das vezes fiquei em lágrimas) –, presenciará a vacuidade espiritual nas grandes catedrais que foram outrora lugares de poderosos avivamentos por meio da exposição das Sagradas Escrituras. A situação é como já sabemos: Começa nas cátedras, vem para os púlpitos e depois desce para os bancos das igrejas e, consequentemente matar o rebanho. Como o discípulo dos profetas pode-se dizer: “Morte na panela, ó homem de Deus!” (2Reis 4.40). As colocíntidas malditas do liberalismo e doutras teologias distorcidas têm se misturado com o “cozinhado” profético de muitas igrejas atuais e muitos Seminários Teológicos, e muitos discípulos sem discernimento estão a manipulá-las em nossos banquetes teológicos e eclesiásticos.

Alegro-me com o crescimento da erudição pentecostal, mas também me preocupo com o rumo de certas alas da erudição que no afã da singularidade do fazer teológico acabam construindo uma teologia e uma hermenêutica Frankenstein, o Prometeu Moderno. Algo irreconhecível biblicamente! Essas questões de ênfase no leitor, negligência da intenção autoral dos escritores bíblicos acabam produzindo “teologias” de concha de retalhos dos mais variados: teologia negra, teologia feminista, teologia da libertação, teologia da Missão Integral, teologia dos pobres, teologia dos ricos, teologia disso e daquilo outro, e, pode-se dizer, a mais recente a TEOLOGIA QUEER (Theology Queer). É para essa última que faço breves observações. Meu objetivo é apenas alertar e fazer com que os pastores e teólogos acadêmicos atentem e se preparem para essa modalidade teológica dita acadêmica que sorrateiramente invade nossos arraiais apoiando um comportamento que a Bíblia peremptoriamente condena e chama de pecado. Paulo disse claramente que os tais não herdarão o Reino de Deus (1Coríntios 6.9-11). Mas, certos teólogos ou teólogas ou mesmo “teólogays”, em nome do “amor radical” de Deus afirmam que esse amor “[...] é um amor tão extremo que dissolve nossos limites existentes, sejam eles que nos separam de outras pessoas, que nos separam de noções preconcebidas de sexualidade e identidade de gênero”.

A tese do livro do Dr. Patrick S. Cheng, que é sacerdote episcopal e reitor associado da Igreja da Transfiguração, uma paróquia anglo-católica de Manhattan, ele também ensinou Teologia Histórica e Sistemática na Episcopal Divinity School, em Cambridge, é que “as conexões entre a teologia cristã e a Teoria Queer são realmente muito mais próximas do que se poderia pensar”. Ou seja, esse “amor radical” que não faz distinção de sexualidade ou identidade de gênero – aquela construção social em que uma pessoa passa a se identificar como homem ou mulher segundo suas inclinações e não segundo o Criador que os criou – está no coração da Teologia Queer, pois, segundo o Dr. Cheng “acreditamos em um Deus que [...] dissolveu as fronteiras [...] e desafia nossas fronteiras existentes com relação à sexualidade e identidade de gênero [...].

Deve-se notar que essa nova “Teologia Queer” elaborada por esses teólogos ou teólogas ou mesmo teólogays ou teólogoLGBT se baseia na “Teoria Queer”. Logo no primeiro capítulo o Dr. Cheng explica: ““Então, o que exatamente é a Teologia Queer? [...] há pelo menos três definições possíveis [...] Primeiro, a Teologia Queer é que as pessoas LGBT estão 'falando sobre Deus'. Segundo, a Teologia Queer é 'falar de Deus' de uma maneira conscientemente transgressora, especialmente em termos de desafiar as normas sociais sobre sexualidade e gênero. Terceiro, a Teologia Queer é "falar sobre Deus" que desafia e desconstrói as categorias binárias naturais de identidade sexual e de gênero ". (Pág. 9).

Ele também pontua que a doutrina da revelação pode ser entendida em termos de [...] teologia [negativa], na qual nosso conhecimento de Deus – como nosso entendimento da categoria de 'transgêneros' – está sempre em um estado de transformação e desconhecimento (Pág. 48). Ele elabora: “Como tal, Deus funciona da mesma maneira que as pessoas LGBT em relação ao amor radical. Na medida em que as pessoas LGBT quebram os limites da sexualidade e do gênero em nossos relacionamentos, Deus e as pessoas LGBT enviam um amor radical que quebra categorias e limites fixos. Para Deus, essas categorias incluem o divino e humano, e a vida e a morte. Para as pessoas LGBT, esses limites incluem as categorias de mulheres e homens, homossexuais e heterossexuais” (Pg.51).

Essa Queer Theology (Teologia Queer) pode ser entendida como:

(1) Teologia feito por e para LGBTQIA (lésbica, gay, bissexual, transgêneros, travestis, intersexuais, assexuados e CIA) indivíduos com foco em suas necessidades específicas.

(2) Teologia que propositalmente se opõe às normas sociais e culturais sobre gênero e sexualidade. Procura descobrir vozes ocultas ou perspectivas ocultas que permitam que a teologia seja vista sob uma nova luz, ou seja, à luz gay.

(3) Teologia que desafia e desconstrói fronteiras, particularmente no que diz respeito à identidade sexual e de gênero.

A Teologia Queer é inclusiva à identidade sexual e de gênero dos indivíduos e permite que a comunidade LGBTQ+ recupere seu espaço no Cristianismo[1]. Além disso, de acordo com Jennifer Purvis, “queer” significa não apenas uma variedade de gêneros variantes e sexualidades não heterossexuais, mas também uma postura de resistência, atitude questionadora e um conjunto de técnicas e abordagens. Por esse motivo, a teologia queer nos pede que pensemos além do que pode ser conhecido, disciplinado e controlado e nos pede para abraçar novamente nosso conhecimento queer[2].

Hugn William Montefiore chegou a falar na Conferência dos Clérigos Modernos em 1967 que Jesus possuía uma “natureza homossexual”. Ele diz que o não envolvimento de Jesus com mulheres é melhor explicado por ser um “homossexual”. Ele escreveu: “Se Jesus fosse homossexual por natureza (e esta é a verdadeira explicação de seu estado celibatário), isso seria mais uma evidência da auto-identificação de Deus com aqueles que são inaceitáveis ​​para os defensores do ‘Establishment’ [entenda-se como a teologia tradicional que postula o relacionamento heterossexual] e das convenções sociais”[3].

John J. McNeill que era um padre jesuíta abertamente gay e um defensor vocal da Queer Theology escreveu um livro intitulado Church and the Homosexual (Beacon Press, 1976), onde aborda a Teologia Queer em três seções: uma história da relação entre homossexualidade e a tradição católica, descobrindo onde a homossexualidade pertence a uma teologia moral tradicional reestruturada e as mudanças necessárias no mundo moderno. Ministério cristão que permitirá que cristãos gays, lésbicas e bissexuais prosperem em sua fé.

Essa Queer Theology é uma teologia “guarda-chuva” que em nome de um “amor radical” acolhe a galera que não são heterossexuais, mas cujos os desejos ou relacionamentos estão voltados para o mesmo sexo. Claro que esse “guarda-chuva” colorido e o “amor radical” só ama aqueles que pensam como eles e se comportam como eles. Neste ponto deve-se dizer que a tolerância dos ativistas desta “Queer Theology” é intolerante contra aqueles que discordam destes comportamentos.

Pode-se falar muita coisa sobre essa “Queer Thology”, mas creio que o ponto já ficou claro e como tal essa abordagem em nome do “amor radical” é perigosa para os nossos jovens, adolescentes e crianças. Eles pegam pesado na educação, não apenas na secular, mas na cristã também como podemos ver por meio desses teólogos e teólogas “cristãs”. Tais teólogos queers estão desconstruindo e reinterpretando as verdades bíblicas em nome de uma “nova hermenêutica”, que de nova não tem nada, mas é a velha artimanha da Serpente e de sua aliada apocalíptica: “A Mulher Montada numa besta escarlate, tendo na sua mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição. Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: BABILÔNIA, A GRANDE, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA” (Apocalipse 17.4,5).

Paulo pregou sobre o evangelho da graça de Deus, revelado no amor do Filho no poder do Espírito Santo, foi muito claro sobre essa Queer Theology e seus pressupostos:

1Coríntios 6.9: Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem EFEMINADOS (gr. μαλακοὶ = malakoi = “o de andar delicado”, marcado pela efeminilidade), nem SODOMITAS (gr. ἀρσενοκοῖται = arsenokoitai = homossexuais, o que se envolve com atividades sexuais com o mesmo sexo), v.10: nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores HERDARÃO O REINO DE DEUS. V.11: Tais FOSTES alguns de vós; MAS vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.

 

Note que tanto os “efeminados” quantos os “homossexuais” não herdarão o Reino de Deus. E claramente Paulo sabia que alguns dos coríntios eram (“tais fostes alguns de vós”), NO ENTANTO, a graça amorosa de Deus no poder do Espírito Santo e em nome de Cristo Jesus havia-os libertados, santificados e justificados! Eles se tornaram novas criaturas em Cristo Jesus pelo poder regenerador e renovador do Espírito Santo (cf. 2Coríntios 5.17; Tito 3.5). A novidade de vida deve marcar todos aqueles que nasceram do Espírito Santo em Cristo Jesus para a glória de Deus!

Para mim, a Queer Theology já nasce morta logo em Gênesis. O escritor sagrado afirma claramente que Deus criou MACHO e FÊMEA abençoando seu relacionamento heterossexual. A lógica é bem simples: Se Deus quisesse ou aprovasse tal prática Ele teria criado um casal homossexual e não heterossexual. Querendo você ou não a benção de Deus está na relação sexual entre um homem e uma mulher, a relação aprovada e abençoado pelo Criador amoroso é: Macho com uma Fêmea, homem e mulher. A homossexualidade é um atentado à sabedoria, ao amor e ao plano soberano do Criador para Suas criaturas. É uma teologia elaborada no conselho de Satanás com seus mais inteligentes demônios e espíritos imundos.

 

A Declaração de Fé das Assembleias de Deus se posiciona claramente sobre essa questão:

Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança1 e fê-los macho e fêmea: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gênesis 1.27), demonstrando a sua, conformação heterossexual. A diferenciação dos sexos visa à complementaridade mútua na união conjugal: “Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher, sem o varão, no Senhor1” (1Corínios 11.11); essa complementaridade mútua é necessária à formação do casal e à procriação. Reconhecemos preservada a família quando, na ausência do pai e da mãe, os filhos permanecerem sob os cuidados de parentes próximos (Ester 2.7,15; 1Timóteo 5.16). Rejeitamos o comportamento pecaminoso da homossexualidade por ser condenada por Deus nas Escrituras, (Levítico 18.22; Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6.10) bem como qualquer configuração social que se denomina família, cuja existência é fundamentada em prática, união ou qualquer conduta que atenta contra a monogamia e a heterossexualidade, consoante o modelo estabelecido pelo Criador e ensinado por Jesus (Mateus 19.4-6)[4].

 

Soli Deo Gloria!



[1] ORR, Catherine M.; BRAITHWAITE, Ann; LICHTENSTEIN, Diane, eds. (2012). Rethinking Women's and Gender Studies. New York: Routledge. ISBN 9781136482564.

[2]  PURVIS, Jennifer (2012). "Queer". In ORR, Catherine M.; BRAITHWAITE, Ann; LICHTENSTEIN, Diane (eds.). Rethinking Women's and Gender Studies. New York: Routledge. pp. 189–206. ISBN 9781136482564.

[3] MONTEFIORE, H. W. “Jesus, the Revelation of God,” in Christ for Us Today: Papers read at the Conference of Modern Churchmen, Somerville College, Oxford, July 1967, edited by Norman Pittenger (SCM Press, London: 1968), p. 110.

[4] Declaração de Fé, p.203,204. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: CPAD, 5ª impressão, 2018.


domingo, 17 de fevereiro de 2019

JESUS É UM LÚCIFER?



Tenho observado a efervescente afirmação que Satanás não deve ser chamado de “Lúcifer”, “estrela da manhã” (Is 14.12 ARA), pois tal título se aplica a Jesus. Isso mesmo, para muitos o título ‘Lúcifer’ deve ser aplicado a Jesus e não a Satanás! E muitos advogam isso afirmando que a Bíblia ensina. Será mesmo?
Particularmente não acredito nisso. Analisando os contextos das referências bíblicas da expressão nós veremos que é correto chamar Satanás de "Lúcifer".

A palavra hebraica traduzida por “estrela da manhã” é heylel. James Strong faz as seguintes colocações: “1) aquele que brilha, estrela da manhã, Lúcifer; 1a) referindo-se ao rei da Babilônia e a Satanás (fig.); 2) (DITAT) ’Helel’ descrevendo o rei da Babilônia”[1].  Certo gramático famoso nos traz o seguinte verbete: “De acordo com LXX., Vulg., Targ. Rabbin. Luth., estrela brilhante, estrela luminosa, ou seja, Lúcifer. Nem isso é uma má interpretação, pois é acrescentado בֶּן־שַׁחַר e no Caldeus também Lúcifer [a estrela da manhã], é chamado כּוֹכַב נהה, em árabe. زُهَرَةُ ou seja, estrela esplêndida. De acordo com essa opinião, הֵילֵל seria derivado da raiz הלל para brilhar; como um substantivo participial do conj. ,יטֵל, (comp. Árabe. بَيْطَرَ, Syr. ܣܰܝܒܰܪ e semelhante), ou então de um verbo quadriliteral הילל, comp. הֵיכָל, הֵידָד. No entanto, הֵילֵל em si não é raramente Imper. Hiph. do verbo יָלַל na significação chorar, lamento (Ez 21:17; Zec. 11: 2), e isto não parece menos adequado, e é adotado por Syr., Aqu. e Jerome. [“Isso é menos adequado.” Ges. corr.]”[2].

הֵילֵל (hê · lēl): n.masc .; ≡ Str 1966; TWOT 499a - LN 1.26–1.33 objeto portador de luz no céu, primeiro brilho, ou seja, Estrela da manhã ou Estrela do dia, o planeta Vênus, proeminente pela manhã, referindo-se à majestade e status elevado de um rei (Is 14.12). +), nota: KJV, NKJV se traduz como "Lúcifer", apontando que isso deve se referir a Satanás. Nota: possivelmente, esta é uma referência a uma “lua crescente” baseada em estudos de linguagem análogos[3].

Versões do texto de Isaías 14.12:
       אֵ֛יךְ נָפַ֥לְתָּ מִשָּׁמַ֖יִם הֵילֵ֣ל בֶּן־שָׁ֑חַר נִגְדַּ֣עְתָּ לָאָ֔רֶץ חוֹלֵ֖שׁ עַל־גּוֹיִֽם׃[4]

12: πῶς ἐξέπεσεν ἐκ τοῦ οὐρανοῦ ὁ ἑωσφόρος ὁ πρωὶ ἀνατέλλων; συνετρίβη εἰς τὴν γῆν ὁ ἀποστέλλων πρὸς πάντα τὰ ἔθνη.[5].

12: quomodo cecidisti de caelo lucifer qui mane oriebaris corruisti in terram qui vulnerabas gentes[6].

12: How has Lucifer, that rose in the morning, fallen from heaven! He that sent orders to all the nations is crushed to the earth[7].

12: ¡Cómo has caído del cielo, oh lucero, hijo de la mañana! Has sido derribado al suelo, tú que debilitabas a las naciones[8].


Isaías 14.12: Os estudiosos entendem que o uso que o Senhor Jesus faz deste versículo (pelo menos por inferência) para descrever a queda de Satanás (Lc 10.18; cf. Ap 12.8-10) pode ser entendido como uma referência não somente ao rei da Babilônia, mas também a Satanás. As palavras dirigidas ao rei de Babilônia são endereçadas, na verdade, ao poder maligno que o capacita. Isso é uma característica da profecia, veja, por exemplo, que Ezequiel 28.12-17 usa uma linguagem semelhante ao se dirigir ao rei de Tiro e a Satanás por trás dele.

Acredita-se que a impropriedade das expressões descritas em Isaías e em Ezequiel nos lábios de qualquer outro a não ser Satanás seja evidência para que “estrela da manhã” refira-se a Satanás. Ele é aquele que debilitavas as nações ou que foi lançando entre as nações (Is 14.12; cf. Ap 12.9,12; 20.3). “Alguns dos pais da Igreja, ligando essa passagem a Lucas 10.18 e Apocalipse 12.8 e 9, tomaram-na como uma referência à queda de Satanás descrita naquelas passagens”[9]. Então, aquele que era “radiante em fulgor e beleza, agora é como uma estrela que caiu do firmamento. Ele, que derrubara nações, jaz derrubado por terra”. Por isso, podemos afirmar que “o rei de Babilônia, mediante sua auto-deificação, é imitador do diabo e um tipo do anticristo (Dn 11.36; 2Ts 2.4); portanto, a sua humilhação é também um exemplo da queda de Satanás da posição de poder que ele usurpou (cf. Lc 10.18; Ap 12.9)”[10]. Daí entendemos o porque Jerônimo e Tertuliano (Pais da Igreja) se referiam ao diabo traduzindo a expressão “estrela da manhã” por “Lúcifer”.
Acrescente-se que a tradição da época dizia que as estrelas representavam deuses lutando entre si para ocupar posições de proeminência. A Vulgata traduziu “estrela da manhã” por “Lúcifer”, que veio a se tornar nome próprio e, depois, foi aplicado a Satanás. Sem entrar em paralelos com as histórias mitológicas a expressão “estrela da manhã” pode referir-se a Satanás, um anjo de luz que tinha posições de proeminência entre os demais.


Posso atribuir a expressão “Lúcifer” a Satanás?
Acredito que sim! Os pais da igreja o fizeram. E, por conseguinte a igreja o usou como um título para Satanás.
Alguns objetam que isso é errado com base nas passagens de 2ª Pedro 1.19 e Apocalipse 22.16, visto que tais passagens usam a expressão para se referir a Cristo. Vejamos um pouco sobre isso. 2ª Pedro 1.19 usa a palavra grega phosphoros que é traduzida como “estrela da alva”. De modo que esta expressão “deve ser uma descrição pictórica da maneira pela qual, em Sua Vinda, Cristo dissipará a dúvida e a incerteza pelas quais seus corações estão, entretanto, obscurecidos e os preencherá com uma maravilhosa iluminação”[11].

O título usado em Apocalipse 22.16 para o Senhor Jesus é ὁ ἀστὴρ ὁ λαμπρὸς ὁ πρωϊνός = ho astēr ho lampros ho prōinos, “a resplandecente estrela da manhã”, uma possível alusão a Números 24.17: “Uma estrela virá de Jacó”, uma passagem vista como messiânica no judaísmo[12]. No contexto de Apocalipse 2.28, ton astera ton proinon, “a estrela da manhã”, pode se referir a participação que Cristo concede à igreja em Sua autoridade messiânica (cf. Ap 19.15 com 2.26c,27; 22.16 com 2.28), e ainda Cristo compartilhando com a igreja a Sua glória messiânica como “estrela da manhã”.

Tendo estas passagens em mente, observa-se que a expressão “estrela da manhã” é aplicada em diferentes contextos:
1) Isaías 14.12: Referência ao rei de Babilônia e, por conseguinte a Satanás;
2) 2ª Pedro 1.19: Cristo e Sua vinda que dissipará a obscuridade nos corações dos crentes;
3) Apocalipse 2.28: Cristo compartilhando com Sua igreja a glória messiânica;
4) Apocalipse 22.16: Comparado a Números 24.17 traz uma referência a Jesus como o Messias das profecias.
5) Fontes extra-bíblicas aludem a expressão “estrela da manhã” a glória do planeta Vênus (Sir. 50.6-7)”[13] como símbolo de soberania usado frequentemente pelos generais e imperadores romanos.

É regra na exegese que uma palavra pode ter conotações/significados diferentes dependendo do contexto. É o contexto que dá o significado a palavra e sua referência. Com isso em mente afirmamos que a expressão “estrela da manhã” em Isaías é uma alusão a Satanás e que os Pais da Igreja, Jerônimo e Tertuliano, usando a Vulgata, não estavam errados em chamar Satanás de Lúcifer. E tal título foi teologizado, por assim dizer, para referir a Satanás na História da Igreja. Igualmente, pode-se elencar que Satanás é descrito por Paulo em 2ª Coríntios 11.14, como um ser que pode se transformar em “anjo de luz”: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. Ele é um “anjo” falso e também uma “estrela da manhã” falsa. Ah, e podemos pontuar que o Senhor Jesus não é simplesmente a “estrela da manhã”, Jesus é a “RESPLANDESCENTE estrela da manhã”. O brilho do nosso Senhor ofusca ao de Satanás!

Soli Deo Gloria!


[1] STRONG, J. (2002). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (n.01966). Sociedade Bíblica do Brasil.
[2] GESENIUS, W., & TREGELLES, S. P. (2003). Gesenius’ Hebrew and Chaldee lexicon to the Old Testament Scriptures (p. 222–223). Bellingham, WA: Logos Bible Software.
[3] SWANSON, J. (1997). Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains: Hebrew (Old Testament) (n.2122). (electronic ed.). Oak Harbor: Logos Research Systems, Inc.
[4] Biblia Hebraica Stuttgartensia: with Werkgroep Informatica, Vrije Universiteit Morphology; Bible. O.T. Hebrew. Werkgroep Informatica, Vrije Universiteit. (2006). (Is 14.12).
[5] SWETE, H. B. (1909). The Old Testament in Greek: According to the Septuagint (Is 14.12). Cambridge, UK: Cambridge University Press.
[6] Biblia Sacra Vulgata: Iuxta Vulgatem Versionem. (1969). (electronic edition of the 3rd edition., Is 14.12). Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft.
[7] BRENTON, L. C. L. (1870). The Septuagint Version of the Old Testament: English Translation (Is 14.12). London: Samuel Bagster and Sons.
[8] Santa Biblia: Reina-Valera Actualizad. (1989). (electronic ed. of the 1989 editio., Is 14.12). El Paso: Baptist Spanish Publishing House.
[9] OSWALT, John N. Comentário do Antigo Testamento: Isaías, vol. 1, p.393. São Paulo, SP, Brasil: Cultura Cristã, 2011.
[10] RIDDERBOS, J. Isaías: Introdução e comentário, p.149. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 1986. – (Série Cultura Bíblica).
[11] KELLY, J. N. D. (1969). The Epistles of Peter and of Jude (p. 323). London: Continuum.
[12] OSBORNE, G. R. (2002). Revelation (p. 793). Grand Rapids, MI: Baker Academic.
[13] KEENER, Craig S. Comentarios Bíblicos con Aplicación NVI: Apocalipsis, p.156. Miami, Flórida, USA: Editorial Vida, 2013.

MOVIMENTO PENTECOSTAL E O MINISTÉRIO FEMININO


O PENTECOSTALISMO E O MINISTÉRIO DE MULHERES


Esse é um ponto digno de ser levantado e colocar certas observações. Estudiosos têm afirmado, e com razão, que o século XX foi o “século do Espírito”. Particularmente eu não tenho dúvidas de que também podemos chamar de “século das mulheres”. Deus pela Sua infinita graça levantou (e tem levantado) mulheres capacitadas pelo Seu Espírito como instrumentos para edificação de Sua igreja e evangelização do mundo. É claro que isso não é peculiar ao pentecostalismo – mesmo que no mesmo vemos em abundância, pois é notório que em muitos movimentos de avivamentos e reformas na História da igreja as mulheres também se destacaram, apesar das barreiras e limitações erguidas pelo institucionalismo, clericalismo ou denominacionalismo.

Historicamente têm havido um certo medo ou repulsa ao ministério de mulheres na igreja local. Certa ala de homens tradicionalistas enfatizam ilimitadamente a liderança masculina exclusiva na igreja, e relegam exemplos de mulheres na liderança às margens da vida da igreja cristã. “Eles sugerem que a história apoia sua oposição às mulheres no ministério e que abrir a porta para as mulheres em papéis de liderança se moveria contra uma tradição eclesiástica de quase dois mil anos”[1].
Neste ritmo observamos que estudiosos tendem a pensar que a defensa das mulheres para o ministério seja adotar alguma teologia liberal, secularizar a igreja por causa da agenda feminista em sua luta pela questão de gênero ou classifica-se como mundaneidade do Cristianismo Ocidental. Particularmente eu lamento que tais estudiosos falem neste tom. Essas ideias têm prejudicado e muito a amplitude do ministério da igreja local em certo sentido, pois poderíamos estar aproveitando os dons que Deus tem dado às mulheres para conjuntamente exercer o ministério conosco. Pessoas que já estiveram sob os auspícios de nosso pastorado sabem o quanto temos valorizado e ensinado sobre a importância do ministério feminino. E Deus, comprovadamente, tem levantado grandes obreiras, cooperadoras, líderes e missionárias assim como levantou grandes mulheres líderes na Igreja Primitiva – e na História também!
Por outro lado, há grandes estudiosos e estudiosas que estão convencidos da importância do ministério feminino na igreja local. Eles acreditam que, em vez de ser o resultado de ideias seculares prejudiciais ou do liberalismo teológico que invadem a igreja, a questão da ordenação e liderança de mulheres representa a obra do Espírito. E capacitar as mulheres para o ministério poderia revitalizar a igreja contemporânea (Hoje nos EUA, igrejas Batistas, Presbiterianas, Metodistas, Igreja de Deus e Assembleia de Deus já ordenam mulheres ao santo ministério com algumas diferenças nas ênfases)[2].
Estudiosos têm pontuado que a exclusão de mulheres tem estado presente naquela igrejas estilizadas demais, rígidas, clericalizadas e desatualizadas de qualquer maneira. E nós sabemos que o clericalismo e o institucionalismo já foram problemas na História da Igreja e que foi necessário Reforma e Avivamento para revitalizar as igrejas mortas e engessadas pelo institucionalismo. E hoje não é diferente. O institucionalismo ou o denominacionalismo tem “matado” muitos obreiros. Obreiros e obreiras têm sido massacrados pela manobra institucional. É claro que defendo a instituição chamada “igreja local”, mas as convenções, ministérios e igrejas locais têm abusado do poder e machucado, barrado, neutralizado e acabado com muita gente que outrora estavam envolvidos de coração na obra. Não é à toa que o movimento dos desigrejados tem crescido. E como tenho dialogado com estes irmãos, sempre falo que eles detectaram o problema (e que precisamos resolver!), mas o abandono como solução e se voltar para uma reinterpretação das Escrituras em detrimento da igreja local é outro mal que deve-se evitar. As Escrituras e a História mostram que devemos lutar pela renovação, reforma e revitalização.
Agora, voltando ao ponto das mulheres no ministério, nós devemos entender que certa atitudes e estruturas que restringem as mulheres também frustram muitos homens no ministério – conheço muitos! Por isso, nós devemos lutar para recrutar homens e mulheres no trabalho de trazer um novo rosto para a igreja contemporânea. Uma igreja que abraça e apoia uma liderança masculina e feminina para a expansão do evangelho. Estudiosos têm afirmado e visto uma crescente parceria entre mulheres e homens na liderança cristã como um meio da obra de Deus em despertar uma visão e propósito verdadeiramente bíblicos.
Nós temos exemplos na História que as estruturas institucionais decaem e que precisamos de um modo novo (não me refiro aqui a inovações!) de pensar no ministério para renovar as igrejas locais. É neste ponto que Deus sempre tem levantado instrumentos para uma reforma e avivamento. É aqui que o pentecostalismo têm sido um movimento que tem valorizado o ministério feminino e Deus tem levantado grandes mulheres neste período com uma liderança capacitada pelo Espírito Santo e reconhecida pela a igreja e até pelo o mundo.
Historiadores competentes têm notado que a História tem registrado o surgimento de repetidamente de mulheres líderes. Eles observaram que o surgimento da liderança feminina tem sido um “padrão histórico” e não um exceção. Deus sempre tem levantado mulheres líderes e capacitadas pelo Seu Espírito na História. Isso não pode ser negado!
O fluxo e refluxo da participação das mulheres na liderança não flutua apenas de acordo com mudanças na exegese bíblica ou na interpretação reinante de passagens particulares das Escrituras. Pelo contrário, o padrão também pode ser atribuído à institucionalização da igreja (o desenvolvimento de estruturas organizacionais), influências da cultura circundante e da teologia da liderança em ação na igreja local.
Maria L. Boccia descreve esse padrão, que ela afirma que se repete na história da igreja:
Quando a liderança envolveu a escolha carismática de Deus dos líderes por meio do dom do Espírito Santo, as mulheres estão incluídas. Com o passar do tempo, a liderança é institucionalizada [o clericalismo patriarcal e hierárquico dominam], a cultura secular patriarcal [caída] é filtrada para a Igreja e as mulheres são excluídas[3].

De fato, o avivamento e a renovação, e o Pentecostalismo em particular, não apenas romperam as distinções de gênero no que se refere ao ministério, mas também questionam as barreiras da classe socioeconômica e da profissionalização. As dicotomias de ricos versus pobres, velhos versus jovens, educados versus não instruídos, ordenados versus leigos, são deixados de lado quando o Espírito de Deus visita a igreja com reavivamento. Deus por meio da glorificação e exaltação de Cristo derramou o Espírito Santo sobre jovens e velhos, servos e servas, filhos e filhas, brancos e negros, ou seja, sobre pessoas de todas as tribos, línguas, raça, povos e nações. Como as paredes que dividem as pessoas desmoronam, a igreja experimenta uma nova unidade em Cristo, de acordo com a visão de Paulo: "Não há mais judeu ou grego, não há mais escravo ou livre, não há mais macho e fêmea; tu és um em Cristo Jesus "(Gl 3:28).
Quando se lê sobre algumas das grandes mulheres da história do Pentecostalismo, como Agnes Ozman, Lucy Farrow, Aimee Semple McPherson, Alice Belle Garrigus, Maria Woodworth-Etter, Marie Burgess, Kathryn Kuhlman e Mae Eleanore Frey, é encorajador saber que essas mulheres extremamente talentosas ministraram com grande sucesso em um momento da história que não facilitou a vida para elas. Seu chamado para pregar parecia suplantar tudo o mais em suas vidas, motivando-as a pagar um preço difícil para cumprir a vontade de Deus. Sua fidelidade é de grande encorajamento para todas as mulheres pentecostais no ministério hoje.
O Pentecostalismo tem sido um dos maiores Movimentos de avivamento, e seus distintivos históricos, interpretativos, querigmáticos (pregação) e teológicos unem-se para apoiar o ministério feminino como uma poderosa força para edificação, crescimento e maturidade das igrejas locais e para a evangelização do mundo. É notório que o século XX não foi apenas marcado por grandes pregadoras, líderes femininas, mas também por grandes educadoras (teólogas) evangelistas e missionárias. O mesmo Espírito que capacitou Maria, Isabel, Hulda, Febe, Priscila, as filhas de Felipe, Ninfa, Áfia, a “senhora eleita” e outras continua capacitando e levantando mulheres para a obra do ministério queiramos ou não, pois o Espírito Santo sopra onde quer!


IVAN TEIXEIRA.
  




[1] GRENZ, Stanley J. & KJESBO, Denise Muir. Women in the Church: A Biblical Theology of Women in Ministry, p.46. Inter Varsity Press Downers Grove, ILLinois, USA, 1995. – (minha tradução e paginação em Word).
[2] Nos Estados Unidos, a Igreja Presbiteriana dos USA, a Igreja Episcopal dos USA, a Igreja de Cristo Unida, a Igreja Metodista Unida, a Igreja Reformada na América, a Igreja Evangélica Luterana na América, a Igreja dos Irmãos, e a Igreja Cristã (Discípulos de Cristo) são somente um pouco das muitas principais denominações que ordenam mulheres como ministras e as encorajam a servir como pastoras e bispas de congregações locais.
[3] BOCCIA, Maria L., "Hidden History of Women Leaders of the Church," Journal of Biblical Equality, September 1990, p. 58.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

MINISTÉRIO DE MULHERES NA IGREJA LOCAL

ESTUDIOSOS BÍBLICOS PROEMINENTES SOBRE MULHERES NO MINISTÉRIO


Mulheres no Ministério
Alguns cristãos acham que apenas pessoas que têm uma “abordagem flexível das Escrituras” podem acreditar que as mulheres devem ser líderes e professores na igreja. Eu duvido fortemente que qualquer cristão evangélico consideraria esses estudiosos e teólogos como tendo uma abordagem frouxa das Escrituras, e ainda assim cada um deles acredita que as mulheres adequadamente dotadas devem ser líderes e professores na igreja. Aqui está uma amostra de várias declarações feitas por esses renomados estudiosos (alguns dos quais já estão falecidos).

F. F. BRUCE (1910-1990)
F. F. Bruce era o professor de Rylands de Crítica e Exegese Bíblica na Universidade de Manchester, e pertencia aos Irmãos Abertos.
Um apelo aos primeiros princípios em nossa aplicação do Novo Testamento poderia exigir o reconhecimento de que, quando o Espírito, em Sua soberana boa vontade, concede variados dons aos crentes individuais, esses dons se destinam a ser exercidos para o bem-estar de toda a igreja. Se ele manifestamente reteve os dons de ensino ou liderança das mulheres cristãs, então devemos aceitar isso como prova de Sua vontade (1 Co 12:11). Mas a experiência mostra que Ele concede esses e outros dons, com "pouca consideração", tanto a homens como a mulheres – não em todas as mulheres, é claro, nem em todos os homens. Sendo assim, não é satisfatório repousar em uma casa intermediária nesta questão do ministério de mulheres, onde elas podem orar e profetizar, mas não ensinar ou liderar”.

F.F. Bruce, “Women in the Church: A Biblical Survey,” Christian Brethren Review 33 (1982), 7-14, 11-12.


GORDON D. FEE (N. 1934)
Professor Emérito de Novo Testamento no Regent College, ordenado nas Assembleias de Deus:
Parece um triste comentário sobre a igreja e sobre a sua compreensão do Espírito Santo de que a liderança e o ministério “oficiais” podem vir de apenas metade da comunidade de fé. A evidência do Novo Testamento é que o Espírito Santo é inclusivo de gênero, presenteando homens e mulheres, e assim potencialmente libertando todo o corpo para todas as partes para ministrar e de várias maneiras dar liderança aos outros. Assim, minha questão no final não é uma agenda feminista – uma defesa das mulheres no ministério. Pelo contrário, é uma agenda do Espírito, um apelo pela liberação do Espírito de nossas restrições e estruturas, para que a igreja possa ministrar a si mesma e ao mundo com mais eficiência.

“The Priority of Spirit Gifting for Church Ministry”, Discovering Biblical Equality Complementarity without Hierarchy. Ronald W. Pierce, Rebecca Merrill Groothuis, Gordon D. Fee (eds) (Leicester: IVP Academic, 2005), 254.

“A Prioridade do Espírito Presentear para o Ministério da Igreja”, Descobrindo a Bíblia Complementaridade de igualdade sem hierarquia. Ronald W. Pierce, Rebecca Merrill Groothuis, Gordon D. Fee (eds) (Leicester: IVP Acadêmico, 2005), 254.


CRAIG S. KEENER (N. 1960)
Professor de Novo Testamento no Asbury Theological Seminary, ordenado em uma igreja batista afro-americana, mas serve em contextos com diversas tradições.
...nós pentecostais e carismáticos afirmamos que a autoridade do ministro é inerente ao chamado e ministério da Palavra do ministro, não à pessoa do ministro. Neste caso, o gênero deve ser irrelevante como uma consideração para o ministério – para nós como foi para Paulo... Hoje devemos afirmar aqueles a quem Deus chama, sejam homens ou mulheres, e encorajá-los a aprender fielmente a Palavra de Deus. Precisamos afirmar todos os trabalhadores em potencial, tanto homens quanto mulheres, para os campos de colheita abundantes.

Was Paul For or Against Women in Ministry?, Enrichment Journal, Spring 2001.
Paulo foi a favor ou contra as mulheres no ministério ?, Enrichment Journal, primavera de 2001. (Fonte)


I. HOWARD MARSHALL (1934-2015)
Professor emérito de exegese do Novo Testamento na Universidade de Aberdeen, pertencia à Igreja Metodista Evangélica

Muita angústia é sentida por mulheres cujos talentos dados por Deus foram negados à expressão. Isso se deve à incapacidade dos complementaristas de fornecer quaisquer razões coerentes e persuasivas para negar às mulheres essas posições [ministeriais] na igreja – as mulheres são solicitadas a aceitar um mandamento das Escrituras simplesmente porque é a vontade de Deus, mesmo que não entendam por que é assim... [A angústia também é causada pela] arbitrariedade da maneira pela qual a decisão é colocada em vigor, com tudo o que vai além do que a Escritura realmente diz e a casuística que é empregada em relação aos limites do que as mulheres podem e não podem fazer.

Comments made at a panel discussion at the Evangelical Theological Society 2010 meeting.
Comentários feita em um painel de discussão na reunião da Sociedade Teológica Evangélica de 2010. (Fonte)


LEON MORRIS (1914-2006)
Estudioso do Novo Testamento, ordenado ministro anglicano:
Em seu comentário sobre a carta de Paulo aos Romanos, Morris afirmou que “Febe é certamente chamada de diácono” em Romanos 16:1; e Júnia e Andrônico (mencionados em Romanos 16:7) eram “notáveis ​​entre os apóstolos, o que pode significar que os apóstolos os consideravam em alta estima ou que eram apóstolos e notáveis ​​apóstolos”. Morris acrescenta: “O primeiro entendimento parece menos provável...”. A Epístola aos Romanos (Grand Rapids: Eerdmans, 1988), 529 e 534. Morris também escreveu ensaios defendendo as mulheres no ministério, e ele recebeu mulheres no Ridley Theological College, Melbourne, onde foi diretor de 1964 até sua aposentadoria em 1976.


JOHN STOTT (1921-2011)
Ministro anglicano, teólogo, um dos principais autores do Pacto de Lausanne em 1974:
Se Deus dota as mulheres com dons espirituais (o que Ele faz), e assim as chama para exercer seus dons para o bem comum (o que Ele faz), a Igreja deve reconhecer os dons e chamados de Deus, disponibilizar as esferas de serviço apropriadas às mulheres e devem 'ordenar' (isto é, comissão e autorizar) a exercer seu ministério dado por Deus, na melhor das hipóteses, em situações de equipe. Nossas doutrinas cristãs de criação e redenção nos dizem que Deus quer que Seu povo talentoso seja realizado, não frustrado, e que Sua igreja seja enriquecida por seu serviço.

J.R.W Stott, Issues facing Christianity Today (Basingstoke: Marshalls, 1984), 254.
J. R. W. Stott,  Questões que Enfrentam o Cristianismo Hoje  (Basingstoke: Marshalls, 1984), p. 254.


BEN WITHERINGTON III (N. 1951)
Professor de Interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico de Asbury, pastor metodista ordenado.
Precisamos nos manter constantemente em mente que o que determina ou deve determinar as estruturas de liderança na igreja não é gênero, mas sim dons e graças do Espírito Santo. A família de fé não é idêntica à família física e o gênero não é determinante de papéis nela. Gênero, é claro, afeta alguns papéis da família cristã, mas isso é irrelevante quando se trata da discussão sobre a estrutura de liderança da igreja. É por isso que não devemos nos surpreender ao encontrar, mesmo nas cartas de Paulo, exemplos de mulheres mestres, evangelistas, profetisas, diáconos e apóstolos. Paulo não é aquele que está interessado em batizar a ordem patriarcal caída existente e chamá-la de boa. Um dos sinais dos pontos de vista de Paulo sobre esses assuntos pode ser visto no que ele diz sobre o batismo – não é um sinal específico de gênero que temos para o novo pacto, ao contrário daquele para o antigo pacto, e Paulo acrescenta que em Cristo não há 'macho e fêmea' assim como não há judeu ou gentio, escravo ou livre. As implicações disso são enormes. A mudança no sinal da aliança sinaliza a mudança na natureza da aliança quando se trata de homens e mulheres.


Why Arguments against Women in Ministry aren’t Biblical, on Dr Witherington’s website The Bible and Culture. 
Por que os argumentos contra as mulheres no ministério não são bíblicos, no site do Dr. Witherington A Bíblia e a Cultura aqui.


N. T. WRIGHT (N. 1948)
Estudioso do Novo Testamento, bispo anglicano de Durham (2003-2010).
São as mulheres que vêm primeiro ao túmulo, que são as primeiras a ver Jesus ressuscitado, e são as primeiras a receber a notícia de que Ele ressuscitou dos mortos. Isso é de importância incalculável. Maria Madalena e os outros são os apóstolos dos apóstolos. Não devemos nos surpreender que Paulo chama uma mulher chamada Junia apóstolo em Romanos 16.7. Se um apóstolo é uma testemunha da ressurreição, havia mulheres que mereciam esse título antes de qualquer um dos homens... Essa promoção das mulheres também não é uma coisa totalmente nova com a ressurreição. Como de muitas outras maneiras, o que aconteceu então pegou dicas e pontos de vista anteriores na carreira pública de Jesus. Penso em particular na mulher que ungiu Jesus (sem entrar aqui na questão de quem foi e se aconteceu mais de uma vez); como alguns apontaram, essa foi uma ação sacerdotal que Jesus aceitou como tal.

Serviço para Mulheres na Igreja: A base bíblica”, um artigo para a conferência do Simpósio, Homens, Mulheres e Igreja, St John's College, Durham, 4 de setembro de 2004. (Fonte)
“Women’s Service in the Church: The Biblical Basis”, a conference paper for the Symposium, Men, Women and the Church, St John’s College, Durham, September 4 2004.


MUITO MAIS . . .
Muitos outros estudiosos evangélicos também acreditam que a Bíblia, corretamente interpretada, não restringe as mulheres dotadas de qualquer função ou posição ministerial. Há muitos para mencioná-los todos, mas aqui estão apenas alguns: Kenneth Bailey, Gilbert Bilezikian, Michael Bird e Craig A. Evans. R. T. France, Kevin Giles, Joel B. Green, Stanley Grenz, Richard Hays, David Instone-Brewer, Walter Kaiser , Kenneth Kantzer, John R. Kohlenberger III, Richard N. Longenecker, Scot McKnight , Roger Nicole , Roger E. Olson , Philip Barton Payne , Stanley Porter, Howard Snyder, John Stackhouse, etc. (Eu optei por mencionar apenas estudiosos do sexo masculino para evitar uma acusação de que as mulheres fossem egoístas).

Finalmente, uma citação de Dallas Willard (1935-2013),
Não são os direitos das mulheres ocuparem papéis ministeriais 'oficiais', nem sua igualdade com os homens nesses papéis, que estabelecem os termos de seu serviço a Deus e seus vizinhos. São suas obrigações que o fazem – obrigações que derivam de suas habilidades humanas fortalecidas pelo dom divino.

Como eu mudei de ideia sobre as mulheres na liderança (Grand Rapids: Zondervan, 2010), 10 (itálico do autor).
How I Changed my Mind about Women in Leadership (Grand Rapids:Zondervan, 2010), 10 (italics by the author).


Quem mais pode ser adicionado à lista de respeitados estudiosos evangélicos respeitados que defendem as mulheres no ministério?


Autora

Marg Mowczko vive ao norte de Sydney, na Austrália, em uma casa repleta de três gerações de família. Ela acredita firmemente que, se estamos em Cristo, somos parte da Nova Criação e parte de uma comunidade onde velhos paradigmas sociais de hierarquias e castas ou sistemas de classes não têm lugar (2Co 5:17; Gl 3:28). Marg tem um BTh do Australian College of Ministries e um mestrado com especialização em estudos cristãos e judaicos da Universidade Macquarie.