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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

TEOLOGIA DE VISEIRA e TEOLOGIA DE LENTE


Viseira Teológica e Lente Teológica

Anteriormente critiquei, e sempre venho fazendo, os teólogos de viseiras, definindo-os como aqueles que se enclausuram num sistema de uma das heranças do Cristianismo Histórico não permitindo que outros abracem certos postulados de outras tradições pelo simples motivo de ser um distintivo particular desta tradição. Assim, se fecham num único sistema do fazer teológico negligenciando outros labores e distintivos igualmente válidos de outras tradições. Em vez de se enriquecer com os distintivos de cada herança, numa teologia holística (claro não abraçando pontos contraditórios, e.g., UNICISTA E TRINITÁRIOS), se limitam no aspecto de sua viseira teológica.

Acredito que todos sabem o que é uma viseira e para o que serve. Como nordestino não uso a expressão “viseira” como “parte anterior do elmo, que desce sobre o rosto, para resguardá-lo”, mas, sim, como aquela pecinha posta pelos homens nos animais para que eles enxerguem apenas numa única direção. Essa viseira impede que animais como burros e cavalos se assustem com acontecimentos horizontais e não enxerguem, numa pequena virada do pescoço, a retaguarda, fazendo-o olhar apenas para a frente sob os auspícios do seu guia.

Existe uma frase de Charles Canela que diz:
A viseira do burro é uma indumentária imposta pelo homem, fazendo o pobre quadrúpede enxergar só o que tem na sua frente. O homem só não usa a indumentária, mas não enxerga as oportunidades maravilhosas que está do lado.

Em outras palavras, ele tem uma viseira “invisível”, por assim dizer. Muitos homens e mulheres não têm uma viseira (pra usar uma palavra melhor, caso alguém se ofenda visto que têm alguns dondoquinhos, uma “indumentária”) literal imposta sobre eles, mas possuem uma indumentária invisível que os impedem de ver os maravilhosos construtos teológicos de outras tradições do Cristianismo.

Posso aproveitar ainda essa frase de Canela e aplicá-la ao campo teológico, afirmando que os teólogos de viseira são aqueles que certos teólogos ou tradição “impôs” (ou eles mesmos impuseram) a “viseira” (uma bela indumentária), fazendo-os “enxergar só o que tem na sua frente”, fazendo o povo ler apenas suas credenciais credais e denominacionais. Notem que o “enxergar só o que tem na sua frente” é o resultado da direção dada pelo guia-teológico ou mesmo pelo credo denominacional ou ainda pela herança de crenças recebidas consciente ou inconscientemente. Caso, a pessoa queira olhar o horizonte da construção teológica de outras heranças da direita ou da esquerda (aqui sem conotações políticas ou religiosas), bem como o da sua retaguarda o “cabresto” do sistema teológico imposto ou abraçado não o permite. Sempre estará, consciente ou inconscientemente, a guiá-la dentro de sua tradição a ponto de descartar o diálogo e o aprendizado com outras tradições, também, ricas em seu construto teológico.

A teologia de viseira em suas caminhadas e falas teológicas não enxergam o panorama geral. Assim foi quando a Reforma surgiu, muitos com sua viseira teológica não a enxergavam e a descartavam veementemente por não pertencer ao campo limitado imposto pela sua viseira tradicionalista (no caso Católica); assim foi com os Grandes Despertamentos, com o Movimento Holiness e, por último, assim também foi com o Movimento Pentecostal. Quantos na época não taxaram o Movimento Pentecostal e seus distintivos de fé, por exemplo, o “batismo com o Espírito Santo”, como heresia ou como ensino contrário aos postulados de sua pneumatologia com ênfase paulinista? Outros chegaram a falar que as pessoas que falavam em línguas estavam sob influência de demônios com distúrbios psíquicos e etc., visto que não conseguiam ver o Mover do Espírito Santo nos primórdios do Movimento haja vista que não pertenciam ao campo limitado de suas viseiras teológicas. Isso sim é teologia de viseira, não conseguem enxergar além do limitado campo de suas construções teológicas! Visto que, no lugar de estudarem as Escrituras e reverem suas pneumatologias históricas à luz do Movimento Pentecostal (para resgatar, reformular e até mesmo ampliar certos distintivos da pneumatologia) e das Escrituras, preferiram continuar com suas viseiras e descartar qualquer coisa que não estivesse na dianteira da visão permitida por suas viseiras.
A teologia de viseira não consegue enxergar os horizontes de outras tradições teológicas. Ela não consegue olhar para seus irmãos que estão ao lado!
A teologia de viseira limita-se a uma visão dianteira do construto teológico. Ela é limitada pelo seu tradicionalismo e o sistemazinho já formulado pelos seus grandes heróis da fé.
A teologia de viseira ignora ou negligencia que existem outras paisagens teológicas que não seja a que ele enxerga ou quer enxergar. Um exemplo disso, são certos reformados calvinistas ensinarem ou deixarem implícito nos seus ensinos que somente eles são os verdadeiros ou únicos herdeiros da Reforma Protestante como se a mesma não tivesse produzido outras alas do construto teológico.
O teólogo de viseira sempre enxergará as Escrituras à luz de seu sistema que sua viseira denominacional ou credal permite enxergar. Todos sabem deste perigo ao estudar a teologia sistemática. Já temos o nosso sistema denominacional e só lemos as Escrituras para procurar textos-provas para apoiar nossas credenciais denominacionais. Creio numa teologia mais dinâmica, revitalizante e não estatizada, engessada ou mesmo paralisada nos construtos do passado. As Escrituras são dinâmicas sob a iluminação do Espírito Santo!

Veja que o próprio Jesus condenou, corrigiu, reajustou ou ampliou certos postulados doutrinários construídos pelos intérpretes judeus das Escrituras do Antigo Testamento – eles eram teólogos de viseira! Creio, que um grande exemplo de teologia de viseira sendo arrancada encontra-se no Ensino do Monte do Senhor Jesus (Mt 5 a 7). Jesus dizia noutras palavras: “Vocês enxergam assim, EU, porém vos digo que se deve ver assim!” ou “Vocês só estão enxergado isso, mas Eu vos digo olhem este horizonte!”. Os interpretes judeus eram mestres em colocar viseiras nas pessoas e proteger suas heranças interpretativas ao ponto de excluírem as demais pessoas. Lembre-se das escolas de interpretação sobre o divórcio, Shamai e Hillel. O nosso Senhor não se permitiu usar nenhuma das viseiras interpretativas destes intérpretes, pelo contrário, convocou a todos para ampliar, reajustar, corrigir suas lentes (aqui entra uma teologia mais dinâmica – teologia de lente) à luz da Palavra de Deus na Criação e no entendimento correto contextual no caso de Moisés! Isso sim é um chamado à teologia de lente! Eu poderia dá outros exemplos. Jesus disse para os escribas/saduceus de Sua época, sobre a questão da ressurreição, que “errais não conhecendo as Escrituras e nem o Poder de Deus” (Mt 22.29). Pergunto: “Será que eles, especialistas na Lei, não conheciam as Escrituras e o poder de Deus quando Ele abriu o mar vermelho? Sem dúvidas, porém desconheciam no sentido de tê-las limitados no seu construto interpretativo e teológico (teologia de viseira!). Suas viseiras interpretativas os impediam de ver o horizonte das Escrituras e, principalmente do Poder de Deus e também o horizonte da grande verdade de que Ele é o Deus dos vivos e não dos mortos (Mt 22.32). Esses intérpretes levantaram um postulado interpretativo desnecessário e ao mesmo tempo ignoraram ou não enxergaram, por causa da viseira, outras verdades doutrinárias. Mas Jesus os fez enxergar! Semelhantemente, entendo, que nós não podemos permitir que certas viseiras teológicas nos impeçam de reajustar, ampliar, corrigir, esclarecer e etc., nossas heranças teológicas. Afinal, todos somos limitados e devemos aprender uns com os outros: Pedro aprendeu com Paulo; Calvino e Lutero com Agostinho; George Whitefield com John Wesley e este com aquele e assim por diante.

O Que Entendo Como Uma Teologia De Lente.
A teologia de lente ou uma lente teológica é peculiar a todos que falam de Deus e querem entendê-lo em Sua revelação e relacionamento com a criação, pois todos que falam de Deus e assuntos (criação, pecado, salvação e etc.,) a Ele relacionados são teólogos. A questão não é se somos ou não teólogos, a questão é se somos bons ou maus teólogos, ou, usando minha analogia, se somos teólogos de viseira ou teólogos de lentes. Vale pontuar que dentro da minha analogia podem ter bons teólogos de viseira, mas continuam sendo teólogos que só enxergam suas próprias construções e herança teológica, negligenciando, ignorando ou até repudiando outras heranças do labor teológico.

Diferente da teologia de viseira que normalmente vai às Escrituras em busca de textos-provas para apoiar seu sistema, o teólogo de lente traz sua herança teológica e outras para as Escrituras a fim de postular uma teologia mais bíblica e coerente com os dados da revelação tanto quanto for preciso. A teologia de lente não foca apenas nas construções à sua frente, mas enfoca uma visão panorâmica do cenário histórico bíblico-teológico.

Teologia De Lente ou Lente Teológica
Todo estudioso sabe que não somos neutros em nosso labor teológico. Não somos uma folha em branco no construto da teologia que cremos, abraçamos e pregamos. Todos nós temos os nossos pressupostos doutrinários. Para usar minha analogia, todos nós temos nossas lentes teológicas. Mas, diferente de nos tornar um teólogo de viseira, nós podemos mudar as lentes, ampliá-las, melhorá-las, ajustá-las, corrigi-las e etc., Quem usa óculos, sabe como eu que periodicamente precisa fazer ajustes nas lentes. Assim é um teólogo de lente ou uma lente teológica. Ele, no construto e amadurecimento do seu entendimento das doutrinas, continua ajustando, melhorando e até mudando caso seja necessário as lentes de seu labor teológico. O teólogo de lente tem uma vantagem enorme sobre o teólogo de viseira. Este, até percebe ou ouve certos movimentos horizontais, mas, por causa da viseira, não consegue enxergá-los. Já o teólogo de lente ou uma lente teológica, quando percebe alguma coisa a mais ou a menos no seu campo de visão ele procura corrigir, ajustar e até ampliar suas lentes para que possa melhor enxergar e assim melhorar sua caminhada.
Ainda podemos dizer que o teólogo de lente tem a vantagem de que sempre deseja enxergar melhor tanto quanto for possível. Por isso, ele até pode mudar de lentes, mas normalmente suas lentes são ajustadas e aperfeiçoadas. Já o teólogo de viseira a única coisa que ele muda é a cor da viseira ou troca sua viseira por outra viseira continuando focando no seu limitado sistema à frente!
Que Deus nos ajude a sermos teólogos de lentes, pois ao lermos, estudarmos e apreciarmos a contribuição e o labor teológico de outras tradições, seja agostiniana, tomista, reformada arminiana, reformada luterana, reformada calvinista, Wesleyana, dispensacionalista ou pentecostal e etc., possamos sempre ajustar, aperfeiçoar e ampliar nossas lentes teológicas, visto que o labor teológico sempre será um perpétuo aperfeiçoar e ajustar das lentes. E que Deus nos livre de sermos teólogos de viseiras abraçando sempre o que couber em nosso campo dianteiro de visão e excluindo os demais simplesmente por que não cabem em nosso raio de visão, justamente por causa das viseiras!
Usando outra analogia, as linhas que compõem a tapeçaria do construto teológico podem ter várias cores, porém, no final, nos maravilharemos do tapete pronto, por assim dizer! Claro que isso difere de uma concha de retalhos (fica o alerta!).

Concluindo
Por isso, sou peremptoriamente contra essas briguinhas infantilizadas de “calvinismo de zueira” e “arminianismo de zueira”, e até, caso exista por aí, “pentecostalismo de zueira” e “tradicionais de zueira”, visto que mais trazem emburrecimento e embrutecimento, ambiguidades e obscurecimento sobre as doutrinas e até distorção do que exposição, esclarecimento, edificação e instrução sobre os grandes temas do labor teológico aos irmãos em Cristo Temas que grandes homens e mulheres se debruçaram com temor e tremor para entender e explicar aos irmãos, estes, irreverentemente fazem chacotas e constroem redes sociais para “zoar” (ah, a forma correta da escrita é ZOEIRA e não ZUEIRA. Isso nada mais é do que torpeza (baixeza, indecente, obsceno e repulsivo). Paulo alertou-nos “Não sai da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29).
Notem que estes zuereiros (ou melhor, “zoadores”) trazem mais torpezas do que edificação para os que o ouvem! Ousadamente digo-lhes, se realmente entendesse as Escrituras excluíram essas páginas obscenas da internet. E por conseguinte, se dedicaria a realmente expor os distintivos das tradições para que os irmãos entendessem, analisassem e fossem edificados com os grandes postulados destas heranças do labor teológico.

Termino com as palavras do teólogo Ted Peters, em sua teologia sistemática intitulada God the World's Future: Systematic Theology for a New Era (Deus: O Futuro Do Mundo: Teologia Sistemática para uma Nova Era):
Se fôssemos pensar na teologia sistemática cristã como uma roda, o evangelho de Jesus Cristo estaria localizado no centro. É o centro em torno do qual tudo gira... o evangelho é aquilo que estabelece a identidade de alguém como cristão. 

O resto é labores no construto teológico!

Em Cristo Jesus,

Ivan Teixeira



domingo, 30 de dezembro de 2018

HERMENÊUTICA PENTECOSTAL: PRECEDENTE HISTÓRICO


HERMENÊUTICA PENTECOSTAL: A Importância do “Precedente Histórico” para formulação da Teologia da Subsequência.
(Alguns insights)


Interpretação Bíblica
Desde que o reavivamento pentecostal dos tempos modernos começou, os crentes cheios do Espírito viram a Bíblia como a Palavra de Deus e tomaram isso como valor nominal. Sua experiência do Espírito Santo moldou sua compreensão da Bíblia como a Palavra de Deus, que “não representa apenas testemunho de Deus, mas é a própria Palavra de Deus” (ARCHER, Kenneth J., “Pentecostal Hermeneutics,” Journal of Pentecostal Theology = “Hermenêutica Pentecostal”, Jornal da Teologia Pentecostal). Ainda fiéis a essa visão das Escrituras, os eruditos pentecostais tornaram-se mais hábeis em interpretar as questões do Espírito do que alguns dos intérpretes anteriores. Seguir princípios bíblicos sólidos de interpretação é vital para uma hermenêutica pentecostal.

A experiência pentecostal não deve nos levar a desconsiderar o contexto histórico de uma passagem da Escritura nem seu significado gramatical ao interpretá-la. Todos os princípios de interpretação são importantes, incluindo a experiência e a iluminação do Espírito Santo (ver ARRINGTON. French L. “Hermeneutics, Historical and Charismatic,” Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements = “Hermenêutica, Histórico e Carismático”, Dicionário dos Movimentos Pentecostais e Carismáticos). As Escrituras são espirituais, portanto devem ser entendidas espiritualmente - isto é, pela ajuda atual do Espírito Santo. O próprio Paulo ensina que a iluminação do Espírito é essencial para compreender o significado mais amplo de um texto bíblico.

Até que o Espírito Santo, que tem pleno conhecimento das coisas profundas de Deus, ilumine o texto, sua verdade permanece obscura (1 Coríntios 2:6-16). O Espírito Santo preenche a lacuna de tempo entre a inspiração no passado e a interpretação no presente (MOORE, Rickie. “Pentecostal Approach to Scripture,” The Seminary Viewpoint 8, no. 1 = “Abordagem Pentecostal da Escritura”, O Ponto de Visto do Seminário 8, nº 1). Portanto, assim como a Escritura tem o selo do Espírito sobre ela, a interpretação sonora também tem a marca do Espírito sobre ela (STRONSTAD, Roger. Spirit, Scripture & Theology = Espírito, Escritura e Teologia). Em suma, o que foi dado pelo Espírito deve ser interpretado pela ajuda do Espírito.

Ensinando Doutrina a partir das Narrativas Bíblicas
Alguns estudiosos modernos rejeitaram as narrativas bíblicas como base para o ensino da doutrina. Devemos ter em mente que toda a Escritura é inspirada por Deus e é proveitosa para a doutrina (2Tm 3:16). Uma gama completa de gêneros (formas literárias) pode ser encontrada na Bíblia - narrativa histórica, código legal, poesia, parábolas, escrita apocalíptica, evangelhos, epístolas e assim por diante. A narrativa compõe mais da Bíblia do que qualquer outra forma, e tanto Jesus como Paulo usaram as narrativas do Antigo Testamento para ensinar a doutrina (Marcos 2:25-26; 10:6-9; 1 Coríntios 10:1-11). Isto significa que quando lemos as histórias da Bíblia, não apenas aprendemos fatos históricos, mas também que o escritor inspirado tem uma perspectiva teológica sobre o que aconteceu, isto é, verdades que devem ser tiradas da história. Frequentemente, ele escolherá histórias com um tema básico (ou temas) e enfatizará repetidamente a verdade específica que ele deseja ensinar (KEENER, Craig S., “Rightly Understanding God’s Word,” = “Compreender Corretamente a Palavra de Deus”, The Pneuma Review 8, no. 2).

Lucas escreveu o terceiro Evangelho e o Livro de Atos, ambos narrativos históricos e constituem um único trabalho. Além de historiador, Lucas é creditado por vários eruditos bíblicos como sendo um teólogo em seu próprio direito. Isso significa que Lucas viu Deus trabalhando na história e que ele usa a história para apresentar sua teologia, esperando que seus leitores tirem lições doutrinárias e morais dos relatos. Falando a este ponto, J. Ramsey Michaels, um proeminente erudito não pentecostal, diz: “Não há nada de errado em princípio com derivar crenças e práticas normativas das narrativas” (“Evidências do Espírito, ou o Espírito como Evidência?”. - Reflexões pentecostais = “Evidences of the Spirit, or the Spirit as Evidence? Some non-Pentecostal Reflections,” Initial Evidence, ed. by Gary B. McGee).

O livro de Atos, portanto, não deve ser visto meramente como história, mas também como base para a doutrina. De fato, é apropriado estabelecer doutrina não apenas nas porções didáticas da Escritura, mas também nos relatos narrativos em Atos sobre o derramamento do Espírito Santo (2:1-4; 8:14-24; 10:1-48; 19:1-7). Nestas narrativas, Lucas registra a experiência pentecostal, com base no que tem sido chamado de "precedente histórico", que alguns negam deve ser usado para estabelecer a doutrina. Roger Stronstad observa atentamente:
A teologia pentecostal não é derivada principalmente da narrativa histórica com base no precedente histórico. Ao contrário, a teologia pentecostal é derivada das chamadas porções didáticas da narrativa de Lucas. Especificamente, ela é derivada das seguintes porções didáticas: (1) o ensino de Jesus, (2) os sermões e ensinamentos dos apóstolos e (3) termos teológicos que estão embutidos na narrativa histórica cujos significados são moldados por sua pré-história e não do que da própria narrativa (“Hermenêutica Pentecostal”, Pneuma 15, nº 2).

Alguns insistem que as narrativas são apenas descritivas e que o precedente histórico não deve ser usado para estabelecer o que deve ser fundamental para a experiência e doutrina cristãs, como um batismo pós-conversão no Espírito acompanhado de falar em línguas. É verdade que, como os não-pentecostais apontam, não há declaração escriturística de que a experiência dos discípulos no Pentecostes é para todos os crentes e as línguas são a evidência da experiência. Da mesma forma, não há afirmação de que Deus existe em três pessoas nem que Cristo é totalmente Deus e totalmente homem, mas concluímos pelo ensino da Escritura que ambos são verdadeiros. De que outra forma poderíamos justificar a doutrina da Trindade e que Cristo é humano e divino, mas uma só pessoa?
No entanto, Lucas em seu Evangelho faz um relato narrativo da vida e ministério de Cristo, e faz o mesmo em Atos em relação à vida e ministério da igreja primitiva. Nos dois livros, Lucas registra a história e ensina a doutrina. A unidade de Lucas-Atos exige que reconheçamos a unidade do histórico e doutrinal em ambos os livros (ver STRONSTAD, Spirit, Scripture & Theology). Com a atividade do Espírito Santo central para Lucas-Atos, na narrativa de abertura deste Evangelho, o dom carismático do Espírito é concedido a Jesus no Seu batismo por João (Lucas 3:21-22). Da mesma forma, no início da narrativa de Atos, o Espírito enche os discípulos no dia de Pentecostes (Atos 2:4). A partir desse derramamento do Espírito, vemos um padrão recorrente que inclui o batismo no Espírito que é distinto e separado da conversão e acompanhado pela glossolalia (8:14-24; 9:17; 10:44-46; 19:1-7). O Batismo no Espírito é uma experiência para todos os crentes não limitada a qualquer grupo étnico, classe social ou localização geográfica: “Porque a promessa é para vocês e seus filhos e para todos os que estão distantes, tantos quantos o Senhor nosso Deus quiser chama a si mesmo” (2:39). Deus iniciou e comandou essa experiência (Lucas 24:49; Atos 1: 8; 2:14 e segs.).
A experiência dos discípulos em Atos 2 seguiu o padrão estabelecido pela experiência de Jesus no Seu batismo (Lucas 3:21-22), e a experiência dos discípulos no Dia de Pentecostes é o modelo para todos os outros crentes - incluindo os crentes em Samaria, Saulo de Tarso, a casa de Cornélio e os discípulos em Éfeso. Assim, além de Atos 2, Lucas dá quatro outros relatos narrativos de experiências semelhantes às dos discípulos no Pentecostes. Ao examinarmos e revisarmos esses cinco relatos do derramamento do Espírito, nosso foco está no fenômeno de falar em línguas (idiomas) como a evidência física inicial do batismo no Espírito. - (ARRINGTON, French. Issues in Contemparary Pentecostalism. Copyright © 2012 pela Pathway Press. 1080 Montgomery Avenue, Cleveland, Tennessee 37311).

O teólogo pentecostal Gordon Fee, após discutir o uso hermenêutico da narrativa histórica em geral elenca três princípios específicos para o uso do precedente histórico na formulação da Teologia da Subsequência. Termino esse pequeno ensaio, postulando estes três princípios do Dr. Fee:
1. O uso do precedente histórico como uma analogia para estabelecer uma norma nunca é válido em si.
2. Embora possa não ter sido o propósito primordial do autor, as narrativas históricas têm e, às vezes, valor de “padrão”.
3. Em questões de experiência cristã, e ainda mais na prática cristã, os precedentes bíblicos podem ser considerados padrões repetitivos - mesmo que não devam ser considerados como normativos.

FEE, Gordon D., “Hermeneutics and Historical Precedent - A Major Problem in Pentecostal Hermeneutics,” in Perspectives on the New Pentecostalism, edited by Russell P. Spittler (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1976), 118-132.

Com base em suas diretrizes para o uso de precedentes históricos, Fee então discute a relação entre os distintivos pentecostais (o batismo no Espírito Santo com o falar em línguas como evidência, e distinto de, e subsequente à conversão) e precedente histórico. Fee afirma, “...para Lucas (e Paulo), o dom do Espírito Santo não era algum tipo de complemento à experiência cristã, nem era uma espécie de segunda e mais significativa parte da experiência cristã. Foi antes o elemento principal no evento (ou processo) de conversão cristã”.
Além disso, “A questão de saber se as línguas são a evidência física inicial da qualidade carismática da vida no Espírito é um ponto discutível”(Ibid.,130) ...insistir que é o único sinal válido parece colocar muito peso no precedente histórico de três (talvez quatro) exemplos em Atos.”(Ibid.,131).
“O que então,” pergunta Fee, “os pentecostais podem dizer sobre sua experiência em vista dos princípios hermenêuticos sugeridos neste artigo [No artigo de Fee]?”(Ibid.,131) Para sua pergunta, Fee dá uma resposta quíntupla, concluindo:
Já que falar em línguas era uma expressão repetida dessa dimensão dinâmica, ou carismática, da vinda do Espírito, o cristão contemporâneo também pode esperar isso como parte de sua experiência no Espírito. Se os pentecostais não disserem que alguém deve falar em línguas, ele certamente dirá: por que não falar em línguas? Ele tem precedentes bíblicos repetidos, tem um valor evidencial na casa de Cornélio (Atos 10:45-46) e - apesar de muito do que foi escrito em contrário - tem valor tanto para a edificação do indivíduo crente (1Co 14:2-5) e, com interpretação, para a edificação da igreja (1Co 14:5,26-28).(Ibid.,132).


IVAN TEIXEIRA.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

ASPECTOS ALIENÍGENAS NA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA


 REFORMA e PENTECOSTALISMO: APROXIMANDO DUAS GRANDES TRADIÇÕES.

Todo estudioso das Escrituras que se empenha no estudo da teologia SISTEMÁTICA precisa ter cuidado para não cometer o erro que denomino de “aspectos alienígenas no texto bíblico”. Com isso quero dizer que qualquer estudioso (autodidata, erudito e etc.,) pode levar pressupostos (ou pressuposições) teológicos de sua herança SISTEMÁTICA (Reforma, calvinista, arminiana, pentecostal, wesleyana e etc.,) ao texto da Bíblia e perder de vista o significado do texto no seu contexto e intenção original do autor sagrado. Esse perigo faz com que manipulemos o textos para embasar nosso SISTEMA preferido de teologia. Nesse caminho, não vamos ao texto em busca de compreendê-lo em seu contexto e intenção original do autor, mas, sim, às vezes descaradamente, buscando apoio para defesa de nosso SISTEMA preferido de teologia – seja pentecostal, reformado e etc.,
Precisamos de certos tipos de freios e contrapesos para refrear a EIXEGESE de textos movidos por PRESSUPOSTOS TEOLÓGICOS alienígenas!
O problema que vejo a princípio, de sermos movidos pelos nosso pressupostos teológicos de nossos sistemas, é não fazermos uma EXEGESE do texto (extrair a mensagem do texto), mas uma EISEGESE (levar nosso tema sistemático e forçar o texto para apoiá-lo). Muitos estudiosos criam seus próprios SISTEMAS e PRESSUPOSTOS e vão procurar textos das Escrituras para apoiar seus esforços teologizantes.
Não é à toa que hoje muitos se acham “senhores feudais” de tais sistemas ou por que os herdaram no seu contexto eclesiástico ou por que leram muito dessa literatura e agora se tornam donos de tais sistemas. Para estes, se as pessoas não abraçam todo o sisteminha fechado ela é descartada como não fazendo parte da preciosa herança. O exemplo disso é quando você se denomina um pentecostal reformado ou um reformado pentecostal. Em ambos os lados do espectro teológico você ouvirá gritos como de trombetas afirmando que isso é impossível! Uns abestados já me disseram que isso é heresia! (rsrsrs). Será que para uma pessoa ser reformada tem-se que abraçar todo um sistema fechado que uma denominação, concílio ou sínodo prescreveu? Ou a herança reformada é mais rica do que certo sisteminha? Creio que tanto a herança reformada e pentecostal não devem ser enclausuradas num sisteminha denominacional e muito menos numa sistematização de certo pensador da herança que postula.
E aqui nem vou tocar no absurdo das denominações em “excluir” pessoas que pensam diferente de certos aspectos secundários de seus credos!
Voltando ao meu ponto: Podemos, sim, abraçar os grandes e essenciais distintivos da reforma, bem como abraçar os grandes e essenciais distintivos do pentecostalismo. Claro, que devemos ter o cuidado (mesmo que necessário para o estudo) de criar um sisteminha fechado em cujo os ouvidos do estudioso estejam tapados para não ouvir outros lhe falar de suas riquezas teológicas. Posso dizer que essa interação SISTEMÁTICA nos enriquece e não nos empobrece!
Como pregador, pastor e cristão entendo a importância de abraçar toda a herança da História da Igreja analisando seus postulados hermenêuticos e teológicos à luz das Sagradas Escrituras. Se um postulado da reforma afirma a autoridade e a inspiração das Escrituras e um postulado do pentecostalismo afirma a busca pelo revestimento de poder para missões por que devo colocar essas duas heranças e distintivos num ringue e torcer para que uma delas sobreviva no contexto eclesiástico? Por que não entender isso como uma grande orquestra teológica e afinar os instrumentos tocando-os e envolvendo-os no todo da orquestra para que possam tocar em harmonia e assim apreciarmos a grandeza dos aspectos da teologia bíblica?! Creio que devemos nos esforçar por este último, e lutar contra o primeiro!
A desgraça dessa digladiação é que usamos nossos sistemazinhos fechados para ir às Escrituras e encontrar textos-provas afim de ganhar nossas lutas!
Que Deus nos ajude e que nos esforcemos a frear EISEGESES de textos bíblicos movidos por PRESSUPOSIÇÕES TEOLÓGICAS ALIENÍGENAS!

Ivan Teixeira.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A HERMENÊUTICA PARADIGMÁTICA DA MISSIOLOGIA PENTECOSTAL


A MISSIOLOGIA ESCATOLÓGICA DO MOVIMENTO PENTECOSTAL

A influência do pentecostalismo inicial na missiologia não pode ser ignorada. Essa obra do Espírito Santo no início do século XX, na vida e ministério de William Seymour e na congregação da Rua Azusa, Los Angeles, USA, são de grande importância nas missões e conquistas de vidas para Cristo no século XX. Tais influências missionárias estão na raiz de como os pentecostais se definem. A ênfase da congregação da Rua Azusa no evangelismo e na missão resultou em mais de vinte e cinco missionários enviados a mais de vinte e cinco nações em dois anos. Missões e evangelismo estão no centro do auto-entendimento do pentecostalismo. O pentecostalismo é um movimento significativo de reavivamento motivado pela crença de que toda pessoa deve e pode ser salva. Eles são ainda mais motivados pela crença de que o retorno de Jesus é iminente.
Essa postura e ênfase missiológica (testemunhar de Jesus) e escatológica (precisamos evangelizar por que Jesus voltará a qualquer momento!) são de suma importância para se compreender a hermenêutica paradigmática do pentecostalismo clássico.
Os pentecostais acreditam que o Espírito Santo tem sido derramado sobre a Igreja como um revestimento de poder para o discipulado de Cristo e dos apóstolos. Os pentecostais entendem que em Atos 1.8, Cristo declara que o enchimento com o Espírito Santo aconteceria para que houvesse testemunho d’Ele até aos confins da terra. Os pentecostais encorajam os crentes a serem cheios com o Espírito Santo para que a igreja possa evangelizar o mundo antes do retorno de Cristo. A orientação do movimento pentecostal em essência é cristológica. Para os pentecostais, o poder do Espírito Santo é dado para pregar a Cristo.
Nós pentecostais entendemos a importância de permanecer em “Jerusalém” esperando em oração e súplica o revestimento do Alto para nos tornar ousadas testemunhas de Jesus à todas as nações (cf. Lc 24.49; At 1.4-5,8). Os pentecostais entendem que o batismo com o Espírito Santo nos proporciona e nos introduz num âmbito espiritual de manifestações de dons para a edificação da igreja e ousadia para evangelizar os perdidos. Esse é um pressuposto paradigmático da hermenêutica pentecostal. Interpretamos que as experiências de revestimentos de poder desfrutadas pelos primeiros cristãos e que os tornaram fieis testemunhas de Jesus nos servem de paradigmas para nossa busca por experiências de poder ante o iminente retorno de Jesus Cristo. Cremos, como eles também criam, que Jesus pode voltar a qualquer momento. E por isso, em vez de ficar especulando sobre “tempos e estações”, nós devemos esperar nosso pentecostes, pois a promessa também diz respeito a nós que fomos chamados pelo Senhor. Nossa hermenêutica postula uma ponte entre os tempos apostólicos e nossos dias, pois Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente! Nessa linha elencamos o Quadrilátero da Hermenêutica Pentecostal, um Quadrilátero Hermenêutico que sem dúvidas é missiológico e escatológico, sem, contudo, negligenciar tanto uma soteriologia COMPLETA (pois, acreditamos na cura do corpo também) quanto uma eclesiologia poderosa (dons distribuídos pelo Espírito Santo à igreja)! Nesse Quadrante Hermenêutico afirmamos que: Jesus SALVA, Jesus CURA, Jesus BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO e Jesus VOLTARÁ!
Aqui, concluo, é claro, dando uma pincelada, que o movimento pentecostal além de ser missiológico e escatológico é também soteriológico e eclesiológico em seu paradigma hermenêutico. Desenvolveremos oportunamente, querendo Deus!

IVAN TEIXEIRA.

domingo, 9 de dezembro de 2018

O QUE É UM PENTECOSTAL?!


Um pentecostal é simplesmente um cristão que acredita que o Livro de Atos fornece um modelo para a igreja contemporânea. Em Lucas encontramos uma teologia carismática e não soteriológica do Espírito Santo. Claro, que isso não significa que Lucas não nos dê pistas soteriológica em sua exposição pneumatológica.
Nós pentecostais acreditamos que Atos dos Apóstolos serve-nos de modelo para a igreja contemporânea. Acreditamos que a narrativa é teológica! Se a narrativa lucana for creditada como teológica as ênfases do pentecostalismo se sustentam biblicamente.

Identidade Pentecostal
Vivemos numa época de indefinições, ambiguidades e pluralismos. O que se entendia há alguns anos sobre determinada palavra ou movimento já não corresponde ao entendimento atual. Por isso, entendo ser necessário elencar a identidade pentecostal.
Quem são pentecostais? Como o Movimento Pentecostal cresceu nos séculos XX e XXI, o que o termo Pentecostal significa tornou-se menos claro[1].
Por exemplo, eruditos falam de um universo pentecostal, não apenas uma mera “escola” de pensamento e práticas.
Depois de descrever a grandiosidade numérica dos pentecostais, incluindo várias ramificações (tradicional, católica e igrejas independentes), o Dr. Allan Heaton Anderson salienta, que no seu livro, o termo “pentecostalismo” é usado de maneira abrangente para incluir o movimento carismático e novas igrejas de muitas descrições diferentes. No entanto, ele avisa que “às vezes devemos distinguir entre pentecostalismo denominacional ou ‘clássico’ e aqueles outros movimentos dentro das igrejas mais antigas, igrejas proféticas autóctones no Mundo Maioritário e as igrejas independentes carismáticas”[2].

pentecostalismoS
No estudo do Cristianismo global “pentecostal” e “carismático”, é muito importante compreender o que se entende por esses termos. Os estudiosos têm afirmado que “existem várias características comuns à família do pentecostalismo, mas também existem muitas diferenças”. Alguns já usam o termo ‘pentecostalismos’ (plural) e não ‘pentecostalismo’ (singular) para falar deste grandioso movimento do Espírito. Certo escritor pontua: “O uso do substantivo no plural indica a falácia conceitual do termo que, um dia, designou certa forma de vida religiosa mais livre, mais emocional, mas experimental, menos escolástica e menos formal. [...]. São tantas as formas de ser pentecostal que o conceito, no singular, já não é capaz de dar conta do que se observa”[3]. Outro afirma: “Os pentecostais se definiram por tantos paradigmas que a própria diversidade se tornou uma característica definidora primária de sua identidade”[4].
Apesar de entender esta posição e análise, creio que podemos falar, como deixei transparecer acima, de um pentecostalismo clássico/assembleiano distinto de um pentecostalismos que abarca uma ampla variação do espectro do movimento. Realmente o Movimento Pentecostal é gigantesco e diversificado! Por ser, como creio, um autêntico e poderoso mover do Espírito Santo, o pentecostalismo alcança ricos e pobres, brancos e negros, altos e baixos, pequenos e grandes, ou seja, para usar uma nomenclatura bíblica, “toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Não é à toa que o Movimento Pentecostal desaguou em missões na expectativa da Vinda do Senhor Jesus Cristo. Entendemos a importância de pregar o evangelho a toda a criatura, pois o Senhor Jesus virá a qualquer momento.

Pentecostalismo global
Mesmo que entendemos a necessidade de uma definição do pentecostalismo no que podemos chamar de clássica, compreendendo um pentecostal como aqueles que têm uma experiência subsequente à conversão e que acreditam na glossolalia (línguas) como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo, existem também aquilo que se tem caracterizado como um pentecostalismo global.
A perspectiva do pentecostalismo global envolve multidões de cristãos, e suas teologias, cujas experiências igualmente autêntica do Espírito Santo é muitas vezes diferentes do pentecostalismo clássico, porém não excluindo este, mas o incluindo também. Nesse ponto o pentecostalismo global exerce uma abordagem e definição inclusiva.
O pentecostalismo global enxerga a obra do Espírito Santo não presa a uma determinada denominação ou grupo independente, ou mesmo a uma ênfase teológica distintiva, mas encorpa a riqueza e diversidade desse fenômeno glorioso do Espírito Santo por meio da obra deste mesmo Espírito em revestir com poder os crentes para serem testemunhas ousadas de Jesus Cristo. Particularmente, costumo dizer que o Espírito Santo não é limitado por nossas preferências e símbolos teológicos e denominacionais, visto que o vento sopra onde quer.
Estudiosos afirmam que o “pentecostalismo surgiu como e continua sendo um movimento religioso global”[5].

Pentecostalismo global e local
Há estudiosos que pontua que “a diversidade dos pentecostais em todo o mundo é melhor compreendida quando consideramos o pentecostalismo como um cultura local e global, permitindo que qualquer caracterização do pentecostalismo transcenda a dialética do local e global e o debate que tende a ver o surgimento do movimento como um fenômeno homogêneo ou heterogêneo global”[6].

Uma teologia global?

Creio que apesar do pentecostalismo ser globalizado e amplamente diversificado teologicamente, podemos encontrar uma mensagem coerente que seja mais ou menos constante em toda a diversidade dos movimentos pentecostais global. Pode-se advogar que “O pentecostalismo tem um principal distintivo teológico ou uma mensagem teologicamente distintiva”.

IVAN TEIXEIRA
Pentecostal de Mente e Coração!




[1] WHITT, R. Keith & ARRINGTON, French L. (editor’s). Issues in Contemporany Pentecostalism. Copyright © 2012 pela Pathway Press. 1080 Montgomery Avenue, Cleveland, Tennessee 37311.
[2] ANDERSON, Allan Heaton. An Introduction to Pentecostalism, p.16. Printing House, Cambridge CB2 8BS, Reino Unido, 2014. – (sigo a numeração do livro em pdf, minha tradução).
[3] ABUMANSSUR, Edin Sued. Pentecostalismos em Perspectiva, p.11 (prefácio). São Paulo, Edição Terceira Via, 2017. – (OLIVEIRA, David Mesquiati de).
[4] ANDERSON, Allan Heaton. An Introduction to Pentecostalism, p.18. Printing House, Cambridge CB2 8BS, Reino Unido, 2014´=. – (sigo a numeração do livro em pdf, minha tradução).
[5] STUDEBAKER, Steven M. Pentecostalism and Globalization: The Impact of Globalization on Pentecostal Theology and Ministry, p. Copyright © 2010 Wipf and Stock Publishers.- (McMaster Divinity College Press).
[6] VONDEY, Wolfgang. A Guide for The Perplexed: Pentecostalism, p.10. London; New Delhi; New York; Sydney: Bloomsbury. (2013).

VISÃO PENTECOSTAL E INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS

A orientação teológica da qual os cristãos estudam a Bíblia tem uma influência decisiva em suas crenças. Os pentecostais entenderam que as Escrituras só podem ser interpretadas corretamente com a ajuda do Espírito Santo (João 14:26; 16:13; 1 Coríntios 2: 6-16). O Espírito traz vida à Bíblia e a torna real, em vez de meramente uma antiga coleção de literatura. Cremos que o Espírito Santo fala por meio das Escrituras e também fala de acordo com as Escrituras. Ele não vai contra aquilo que Ele mesmo moveu homens santos para escrever.
Os pentecostais apelaram consistentemente à Bíblia como base para sua fé e vida em Cristo. De sua visão de que a Bíblia é de fato a Palavra de Deus e sua experiência do Espírito Santo, surgiu uma abordagem pentecostal das Escrituras e uma teologia pentecostal.

Visão da Bíblia
INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA. No coração do pentecostalismo clássico está a convicção de que toda a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. A inspiração está na natureza de Deus porque é o Seu desejo de se comunicar. Ele tomou a iniciativa de compartilhar a Si mesmo com os outros, enviando Seu Filho ao mundo e fornecendo o dom do Espírito Santo. Através das Escrituras, Deus também se revelou à humanidade, pois a Bíblia é a voz de Deus falando através dos séculos. A Bíblia é uma testemunha primária sobre Deus, pois é o discurso de Deus registrado no texto bíblico através da inspiração do Espírito Santo. Ter um encontro com a verdade das Escrituras é ter um encontro com o Deus vivo.
Na escrita da Bíblia, houve plena cooperação entre o humano e o divino. Para ser mais preciso, Deus escolheu unir Suas palavras às palavras dos profetas e apóstolos, e a Bíblia é, portanto, divina e humana. A inspiração da Bíblia permanece um profundo mistério, mas é a voz de Deus. “Toda a Escritura” é inspirada por Deus (2Tm 3.16), embora nós não entendemos exatamente como os profetas e apóstolos ouviram a Palavra do seu Senhor. A Bíblia é inteiramente a Palavra de Deus escrita por humanos. Sempre digo que a Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana e não as palavras de homens sobre Deus!

AUTORIDADE DA BÍBLIA. O apreço pela inspiração da Bíblia levou os pentecostais a afirmarem ardentemente a autoridade inerente das Escrituras. O reinado da autoridade bíblica vai além das denominações e igrejas pentecostais para a vida pessoal dos crentes. Essa visão da Bíblia tem suas raízes na Reforma, mas no início do pentecostalismo a insistência na autoridade bíblica encontrou expressão no anti-credalismo. Desde então, os pentecostais descobriram por si mesmos o valor de codificar suas crenças básicas para dissuadir a heresia. Com uma apreciação de suas declarações de fé, eles, no entanto, afirmam que os credos têm apenas uma autoridade derivada da autoridade da Bíblia.
Os pentecostais clássicos reagiram à excessiva exaltação da profecia carismática ou à chamada palavra rhema, insistindo que a verdade da profecia carismática seja determinada por sua consistência com a Bíblia. O ministério revelador em curso do Espírito Santo não é visto como um desafio à autoridade bíblica, mas como uma aplicação específica da mensagem bíblica. Qualquer aplicação é limitada pela sujeição à Escritura. Em suma, a Bíblia tem uma autoridade abrangente para fé e conduta. Os pentecostais creem que isso não exclui a profecia em seu contexto de exortar, consolar e edificar.

INFALIBILIDADE DA BÍBLIA. Outro subproduto da alta visão da Bíblia é a infalibilidade das Escrituras. Essa convicção afirma que a Bíblia é confiável para a fé e a prática e que a Bíblia declara exatamente a verdade que o Espírito Santo deseja transmitir.
Os pentecostais procuraram evitar dois excessos. Primeiro, eles negaram a avaliação liberal que vê a Bíblia como um documento repleto de erros humanos em meio a Escrituras que são inspiradas. Tal visão enfraquece a autoridade bíblica porque deixa o intérprete com a tarefa de separar o fato da ficção e a verdade do erro. Em segundo lugar, os pentecostais não chegam a uma visão fundamentalista extrema da Bíblia como um depósito estático da verdade que o intérprete aborda apenas pela razão e pela lógica humanas. Sendo livres para examinar quaisquer dificuldades percebidas da Escritura, os pentecostais evitam recorrer a uma postura defensiva, como muitos fundamentalistas assumem. Enquanto os pentecostais acreditam na infalibilidade da Bíblia, eles reconhecem que eles não têm nem a capacidade nem a responsabilidade de tentar provar essa infalibilidade. Porque a Bíblia é inspirada por um Deus infalível, é infalível. Para os pentecostais, nenhuma outra demonstração adicional da infalibilidade da Bíblia é necessária ou imprescindível.

Interpretação
Estudiosos pentecostais contemporâneos estudam a base gramatical e histórica das Escrituras, mas eles não interpretam a Bíblia como qualquer outro livro. Informações factuais derivadas de gramática e história ajudam a criar um contexto comum para entender o que o texto bíblico significa. O intérprete entende que o significado da Palavra de Deus não é estritamente determinado por um sistema lógico fechado, semelhante à matemática. A tentativa de explicar o significado da Bíblia apenas com base na razão e nas habilidades tendem a ver as Escrituras como apenas uma coleção de documentos do mundo antigo a ser estudada e interpretada como qualquer outra obra literária. A verdade da Bíblia não depende da nossa resposta a questões literárias e históricas, mas tal estudo amplia e torna mais precisa nossa compreensão da Bíblia e como ela foi dada à humanidade (G. E. Ladd, The New Testament and Criticism).
O perigo é o método de colocar a Bíblia nas mãos do especialista e tirá-la das mãos da pessoa comum. A compreensão espiritual nem sempre espera pela aquisição de ferramentas para análise gramatical e compreensão histórica. É o Espírito Santo que abre os olhos da fé e ilumina a Palavra de Deus para o coração humano. Para apreciar a dinâmica da interpretação pentecostal, vamos agora considerar como o texto bíblico está envolvido.

O ESPÍRITO SANTO E INTERPRETAÇÃO. O método pentecostal de interpretação é essencialmente pneumático ou charismático. Em outras palavras, o intérprete baseia-se na iluminação do Espírito Santo do texto bíblico, a fim de chegar ao mais completo entendimento do texto. A Escritura é dada pelo Espírito e é melhor compreendida pela ajuda do Espírito. A iluminação do intérprete pelo Espírito é uma parte vital da compreensão do significado atual do texto bíblico [é neste ponto que Calvino foi considerado o "teólogo do Espírito Santo"]. O Espírito Santo tem um papel mais amplo no processo de interpretação do que simplesmente pegar as coisas do Cristo encarnado e declará-las para nós (João 16:14). A própria Bíblia cobre mais de mil anos e foi concluída mais de mil e novecentos anos atrás. Existe uma grande distância no tempo e na cultura entre os autores antigos e os leitores modernos da Bíblia. A distância tem que ser respeitada, mas o Espírito Santo supera a lacuna no tempo e na cultura. O Espírito Santo faz isso servindo como um contexto comum e ligando o tempo e a distância cultural entre o autor original e o intérprete moderno. Em outras palavras, o Espírito ilumina o que as palavras do antigo autor significam para nós que vivemos no século XXI. Através do Espírito, a Palavra de Deus se torna viva, eficaz e fala à nossa situação com novas possibilidades de transformação pessoal e social.

O método pentecostal de interpretação vai além do significado literal das Escrituras. [Sem contudo, negligenciá-lo]. O significado mais profundo do texto bíblico não é dado através da mera razão humana, porque o Espírito Santo desempenha um papel definido na interpretação e aplicação contemporâneas. As sugestões a seguir podem indicar como o intérprete confia na iluminação do Espírito para chegar a um entendimento completo do texto bíblico: (1) uma experiência pessoal de fé como parte de todo o processo interpretativo; (2) submissão da mente a Deus para que as habilidades críticas e analíticas sejam exercidas sob a orientação do Espírito Santo; (3) uma genuína abertura ao Espírito Santo à medida que o texto é examinado; (4) resposta ao chamado transformador da Palavra de Deus (French L. Arrington, "Hermenêutica").
É impossível penetrar no coração da mensagem bíblica à parte do Espírito Santo. Paulo enfatiza a importância do Espírito Santo para a interpretação: “O olho não viu, nem ouviu o ouvido, nem penetrou no coração do homem as coisas que Deus preparou para os que o amam”. Mas Deus nos revelou através do Seu Espírito” (1Coríntios 2.9-10a).
O Espírito que revelou é o mesmo que ilumina no processo da compreensão do texto bíblico, aplicando poderosa e salvadoramente as verdades escriturísticas.

EXPERIÊNCIA E INTERPRETAÇÃO. Outra faceta da interpretação pentecostal é a dimensão experiencial. Aqui há duas questões inter-relacionadas distintas: (1) a maneira pela qual a verdade é extraída das Escrituras impacta o encontro pentecostal; (2) o reconhecimento de que a experiência pessoal e corporativa são importantes para o processo interpretativo.
Experiência extraída da interpretação das Escrituras. A fé de alguém não é meramente uma aceitação intelectual, mas é uma resposta vivida em relação ao Espírito Santo. Para os pentecostais, a Bíblia não é estudada de maneira independente, mas eles entram nas experiências apostólicas dos crentes do primeiro século e percebem a presença real de Deus. O veículo para tais encontros é o novo derramamento do Espírito no século XX. Essa “chuva tardia” do Espírito permite que os crentes participem das experiências da igreja do Novo Testamento. Enquanto qualquer pessoa com faculdades e habilidades racionais suficientes pode colher a verdade das Escrituras, insights reais sobre as verdades da Palavra de Deus vêm da fé e do Espírito Santo.

Experiência informando interpretação das Escrituras. Um testemunho comum dos primeiros pentecostais foi que eles haviam recebido “seu Pentecostes”. A experiência de Atos 2 é apropriada na vida dos pentecostais, e sua suposição é que falar em línguas não é o único paralelo entre a experiência deles e a dos primeiros cristãos. Também estão incluídas todas as manifestações sobrenaturais atribuídas ao Espírito no Novo Testamento - tais como exorcismos, cura divina, milagres, sonhos, visões e todos os dons do Espírito. Consequentemente, os pentecostais esperam que o modo da presença de Deus seja o mesmo agora nos tempos bíblicos.

Relação de interpretação e experiência. Os pentecostais têm sido acusados de colocar suas ideias e experiências à frente das Escrituras e escolher e selecionar textos que concordem com sua experiência. Ao contrário, é o Espírito que opera através da Palavra de Deus que inflama a fé e a experiência pentecostal. Os pentecostais têm derivado suas doutrinas não de encontros pessoais, mas da Bíblia. Por exemplo, foi o estudo bíblico indutivo (semelhante ao evento da Reforma sob os auspícios de Lutero) que levou à doutrina do batismo no Espírito na virada do século XX em Topeka, Kansas. Esta doutrina foi confirmada pelo testemunho pessoal de Agnes Ozman, que foi a primeira pessoa a receber o batismo no Espírito no Bethel Bible College.

A experiência é importante para a interpretação da Bíblia. No processo de interpretação, há uma interação entre a Escritura e a experiência (MOORE, Rickie D. “Aproximando-se da Palavra de Deus Biblicamente: Uma Perspectiva Pentecostal”, Ponto de Vista do Seminário). O que os pentecostais encontram na Bíblia informa suas crenças e práticas, e eles passam a reconhecer que o que eles encontram na Palavra de Deus informa seus encontros com Deus. Escritura e experiência estão interligadas. As verdades das Escrituras não são verdades contemplativas, removidas da experiência real. Pelo contrário, a experiência é colocada em diálogo com as Escrituras. Existe, portanto, uma dinâmica contínua de interpretação da experiência pela norma da Escritura (JOHNS, Cheryl Bridges, Conscientização Afetiva: uma reinterpretação pentecostal de Paulo Freire).
No entanto, há um inegável potencial para a má interpretação surgir no diálogo entre a Escritura e a experiência. Pessoas que dizem ser guiadas pelo Espírito podem cair em heresias chocantes. Para evitar os excessos na interpretação e contra os encontros pessoais que substituem as Escrituras, a participação ativa é vital na comunidade Pentecostal, onde os membros estão unidos em amor e responsabilidade e “testam os espíritos” (1 João 4.1).

Narrativa e interpretação histórica. Lucas e Atos são livros históricos, mas Lucas, autor de ambos, escreveu narrativas inspiradas não apenas para registrar a história, mas também com o propósito de ensinar doutrina. 2ª Timóteo 3.16 declara explicitamente que toda a Escritura é proveitosa para a doutrina. Tanto Jesus como Paulo ensinaram que as narrativas históricas têm uma função de ensino e apelam às narrativas do Antigo Testamento para uma base autoritária para a doutrina (Marcos 2:25-26; 10:6-9; Romanos 15:4; 1 Coríntios 10:1-11). Narrativa compõe mais da Bíblia do que qualquer outra forma literária. A menos que as narrativas ensinem doutrina, não há razão para ter quatro evangelhos na Bíblia. Mas, Jesus ensinou e fez tanto que nenhum dos Evangelhos nos diz tudo sobre Ele e Seus ensinamentos. Em vez disso, cada escritor do Evangelho enfatiza certos pontos sobre o Senhor, assim como fazemos na pregação. Tomamos um texto e enfatizamos alguns pontos do texto, mas nem tudo na passagem. Os escritores dos Evangelhos, sob a orientação do Espírito Santo, foram seletivos e, a partir de suas narrativas, aprendemos não apenas fatos históricos, mas também doutrina. O mesmo vale para o livro de Atos. A intenção de Lucas não era apenas registrar a história, mas ensinar doutrina. (Lucas deve ser respeitado não apenas como um historiador autêntico, mas também como um teólogo competente. Por isso, deve-se entender seus escritos à luz de sua perspectiva teológica e não à luz de outros, também, competentes escritores do Novo Testamento. Isso nos trará, nas palavras de James Dunn, “unidade (teologia bíblica global do Novo Testamento) na diversidade (teologia individual) do Novo Testamento”).
As narrativas de Lucas em Atos servem de base para duas doutrinas pentecostais primárias de subsequência e a evidência inicial. Em particular, cinco passagens de Atos formam o fundamento bíblico para essas duas doutrinas. Eles são a narrativa sobre o Pentecostes (cap.2), o Pentecostes Samaritano (cap.8), o chamado e conversão de Paulo (cap.9), o Pentecostes Gentil (cap.10) e o Pentecostes Efésios (cap.19). Cada relato registra uma experiência de batismo no Espírito recebido pelos primeiros crentes e fornece suporte para a doutrina da subsequência, que ensina que a experiência do batismo é distinta e separada da experiência de conversão. Além disso, em três dos relatos de Atos, falar em línguas é explicitamente mencionado como a evidência do batismo do Espírito, e os outros dois relatos implicam fortemente em glossolalia. Em Samaria, a reação de Simão Mago implicitamente sugere que ele percebeu que os crentes samaritanos receberam o poder do batismo do Espírito, porque parece que eles falaram em línguas (8:18-19). Também, línguas não são mencionadas quando Ananias impôs as mãos sobre Paulo e o apóstolo ficou cheio do Espírito (9:17), mas ele deve ter falado em línguas na imposição das mãos de Ananias, à luz de seu comentário aos coríntios, “Eu falo em línguas mais do que a todos” (1Coríntios 14:18). As narrativas bíblicas apoiam as doutrinas da subsequência e evidência inicial[1].

Concluímos afirmando que o pentecostalismo se tornou um movimento global no qual existem muitos atores e tradições locais. O crescimento desse movimento tem sido maciço com seus esforços para restaurar o cristianismo primitivo, a adoração exuberante, a abertura aos sinais e prodígios bíblicos e a ênfase na vida cristã diária. Para dizer o mínimo, há uma grande diversidade no movimento hoje, e vários grupos e igrejas se afastaram de alguns aspectos do sistema tradicional de crenças dos primeiros pentecostais, de modo que há uma questão sobre se o termo pentecostal se encaixa neles, especialmente no sentido clássico.

Ivan Teixeira
Pentecostal de Mente e Coração.




[1] ARRINGTON, French. Issues in Contemparary Pentecostalism. Copyright © 2012 pela Pathway Press. 1080 Montgomery Avenue, Cleveland, Tennessee 37311).