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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

O SUMIÇO DA TRINDADE



A doutrina teológica da triunidade de Deus é um ensino bíblico fundamental para a fé dos salvos; crê ou desacreditar na Triunidade distingue a Ortodoxia da Heresia.

Cremos que qualquer pessoa que nega a doutrina da triunidade de Deus nega o evangelho, pois as boas novas da salvação foram obras das Três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Pregar doutrina diferente é chamar a maldição divina para si. A anatematização não recai apenas aos que pregam um evangelho diferente do da graça, uma salvação por meio das próprias obras, mas também sobre os que negam as pessoas graciosas da santíssima triunidade.

Posto isso, uno-me com os primeiros pentecostais assembleianos quando condenaram o pentecostalismo unicista como heresia. No entanto, hoje em nome da academia há um diálogo entre os pentecostais trinitários e os pentecostais unitários. Paulo exortou a evitar os contenciosos doutrinários (Tito 3.10,11), mas os pentecostais mordenistas e progressitas sentam-se à mesa para tentar conciliar o inconciliável.

Mas o meu ponto é outro, vamos lá!

 

O QUE SE DIZ POR AÍ!

É meus irmãos, a coisa não está fácil. Existe um ensino sorrateiro seja bem ou mal articulado que prevê o término da Trindade baseado EISEgeticamente no texto de 1Coríntios 15.28: “E, quando todas as coisas lhe [Cristo] estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará Àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (ACF[1]); “Quando tudo lhe for submetido, também o Filho se submeterá Àquele que lhe submeteu tudo, e assim Deus será tudo em todos” (BP[2]).

A ideia básica é a seguinte: no final de tudo, na eternidade futura, a trindade findará para que Deus seja tudo em todos, implicando na absorção das Pessoas da Trindade numa ÚNICA pessoa da Divindade. Alguns tentam explicar que a Trindade, Três Pessoas na unidade da Divindade, foi (e é) um modo da revelação de Deus na economia da salvação. Então, quando todas as coisas estiverem concluídas, não será mais necessário a Trindade. Que ledo engano! Aliás, que heresia!

Sempre digo: Uma pequena erosão na doutrina hoje, amanhã se torna uma grande cratera (Grand Canyon); um pequeno desvio da moral hoje, amanhã se torna uma grande imoralidade.

 

Agora tenta explicar que esse tal ensino é uma heresia! A pessoa logo te atacará dizendo que você é o único ortodoxo da galáxia. Isso sem falar que você terá que explicar a explicação que você deu comprovando a heresia.

Claro que sempre ouvi tais ensinos, hoje, no entanto, se torna mais veloz e muito mais nocivo por causa das redes sociais. Tais ideias e ensinamentos percorrem as redes velozmente danificando o pensamento cristão e a saúde doutrinária das igrejas locais.

O cara ler um livro (quando ler) sobre um assunto ou viu um youtuber desigrejado falando certas coisas, e toma aquilo como certo e começa a ensinar. Agora, tente confrontar o pensamento dele à luz da Bíblia e da História teológica, ele logo irá vociferar contra você. A maioria desce do campo das ideias, e vomita impropérios contra sua pessoa.

Apesar disso devemos peremptoriamente combater esse tipo distorcido de ensinamento para resguardar nossos irmãos na congregação local.

Cuidado com quem você leva para sua igreja!

 

O QUE O TEXTO NÃO QUER DIZER

Primeiramente, o texto nada diz sobre o fim da trindade ou a absorção das pessoas numa única pessoa divina. Certo cidadão escreveu num comentário no Facebook: “O Pai, o Filho e o Espírito, será um só, um mesmo corpo, quando o Filho entregar o reino ao Pai” (pasmem, teve até um coraçãozinho de um teólogo!).

O texto bíblico nada diz que quando o Filho entregar o reino ao Pai as pessoas da Trindade serão um só, um mesmo corpo, ou mais articulado: as pessoas da Triunidade serão absorvidas numa/pela única pessoa (o Pai?). Em 1Coríntios 15.24 reza que quando o fim vier, Cristo, na Sua vinda, entregará o Reino a Deus, ao Pai, após ter aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. O Cristo ressurreto recebeu autoridade para isso (cf. Mateus 28.18 – a autoridade do Reino pertence ao Deus-Homem). Os versículos nada dizem sobre o sumiço/absorção das pessoas da Trindade num único corpo ou pessoa. Outrossim, o v.28 nada diz que “O Pai, o Filho e o Espírito, será um só, um mesmo corpo, [...]” ou que haverá uma absorção das pessoas numa única pessoa. Esses versículos não apoiam a ideia do “término” ou “sumiço” da Trindade.

 

O QUE O TEXTO DIZ

Quando Cristo derrotar a morte, o último inimigo (vv.24-26), Ele entregará o Reino “a Deus, ao Pai” para que “Deus seja tudo em todos” (v.28). A frase “Deus seja tudo em todos” não significa que as Pessoas da Triunidade sumirão ou serão absorvidas numa única pessoa na unidade da divindade. O que quer dizer é que o Deus Triúno – Pai, Filho e Espírito Santo -, conforme revelado nas Escrituras será tudo em todos. Lemos em Apocalipse 22.1 que o trono ETERNO é “de Deus e do Cordeiro” – a distinção das pessoas permanece! A clara implicação é que as Três Pessoas da Santíssima Triunidade estarão presentes no Trono por toda a eternidade (cf. Apocalipse caps. 4 e 5 que falam da Pessoa do Espírito).

Lemos também em Efésios 5.5 sobre a “herança no Reino de Cristo e de Deus”; Apocalipse 11.15: “Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre”. O Reino é de Deus, sim, do Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo!

Certo escritor escreveu acertadamente:

[...] o único objetivo de Cristo era glorificar o Pai (Lucas 2.49, João 4.34; João 6.38; João 17.4, etc.); este fim foi alcançado aproximadamente na cruz (João 19.30), e será assim finalmente quando nosso Senhor, tendo “sujeitado todas as coisas a Si mesmo” (Filipenses 3.21), for capaz de apresentar ao Pai um reino dominado por Sua vontade e cheio de Seus filhos obedientes (cf. Mateus 6.9). Esta não é a cessação do governo de Cristo, mas a inauguração do reino eterno de Deus: παραδιδῷ = paradidõ não conota a perda de nada (ver João 17.10); é apenas a representação a outro do que é designado para Ele (cf. 1Coríntios 15.3; 1Coríntios 5.5, Romanos 8.32, Lucas 4.6; Lucas 10.22, etc.)[3].

 

Outro escritor de um comentário respeitado aponta:

O que exatamente significa παραδῷ τὴν βασιλείαν (paradõ tèn Basileían) está além de nossa compreensão. A soberania foi confiada ao Filho com um propósito definido: quando esse propósito foi cumprido, a soberania retorna à Fonte original. Não precisamos pensar em Cristo perdendo algo ou deixando de governar, mas levando a uma conclusão triunfante uma dispensação especial. É sua obra acabar com tudo que se opõe à soberania de Deus. Quando toda oposição é reduzida a nada, a soberania Divina, da qual o Filho participa (João 17:10; Efésios 5:5; Apocalipse 11:3,15, 22:1), será completo, e o reino de Deus, que é o reino do amor, não terá mais impedimento ou obstáculo. Nós nos perdemos, quando tentamos definir os detalhes dessa consumação: é mais sensato adotar uma reticência reverente e uma reserva[4].

 

Não é bíblico, portanto é contra a bíblia o ensino do “sumiço da Triunidade” ou a absorção das pessoas numa única pessoa. Se, como aprendemos no básico da Teologia Sistemática, cada Pessoa é eterna consequentemente a Trindade é eterna!

Não haverá ponto em que as pessoas da Triunidade sumirão ou serão absorvidas na unidade da divindade. Os textos usados, como vimos acima, nada falam sobre tais ideias.

 

O MESMO FILHO SE SUJEITARÁ AO PAI

Essa frase nada diz que o Filho será absorvido por Deus. Igualmente, o v.24 nada diz que o Filho se tornará uma pessoa na divindade com o Pai. Os textos dizem que o Filho entregará o Reino (v.24) e se sujeitará ao Pai (v.28). Acredito que nem preciso articular sobre as palavras gregas: παραδιδῷ = paradidõ “Ele deve entregar” (v.24); e ὑποταγήσεται = hypotagêsetai “será colocado em sujeição” (v.28). Já deixamos claro acima o significado.

O ponto da frase é que o reinado mediador do Deus-Homem, o Cristo, será entregue a Deus, Pai, para que o reinado do Filho, em união ou em unidade com o Pai, continue para sempre como único Deus verdadeiro. O Filho de Deus, em Sua natureza divina, como Deus, nunca cessará de Reinar e de Ser a Segunda Eterna Pessoa da Triunidade.

O reinado eterno não será exercido meramente como Deus-Homem, o Mediador, mas como “Deus de Deus” o Supremo e único Soberano.

 

PARA QUE DEUS SEJA TUDO EM TODOS

O próprio final para a entrega do Reino pelo Filho ao Pai e de Sua sujeição final ao Pai é para que Deus cumpra todas as relações em todas as criaturas. Acredita-se que o πᾶσιν = pasin = todos, inclua pessoas e coisas. O significado parece ser que não haverá mais necessidade de um Mediador: todas as relações entre o Criador e as criaturas, entre o Pai e a descendência, serão diretas.

Concluo afirmando que a palavra “Deus” deve ser corretamente entendida como a Divindade, a Natureza Divina, o Ser Espiritual, consistindo eternamente nas Três Benditas Pessoas da Santíssima Trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Algum dia, compreenderemos melhor a Deus, mas, mesmo então, não o compreenderemos total e exaustivamente!

 

Concordo com Tertuliano ao afirmar que a doutrina da Trindade deve ter sido divinamente revelada, não construída por seres humanos. Por isso, não defendo a doutrina da Santíssima Trindade porque é evidente por si ou logicamente convincente. Defendo peremptoriamente porque Deus revelou que Ele é assim. Como alguém disse acerca da doutrina[5]:

Tente explica-la, e perderá a cabeça;

Mas tente negá-la, e perderá a alma.

 

Ivan Teixeira



[1] Almeida Corrida Fiel.

[2] Bíblia do Peregrino.

[3] FINDLAY, G. G. & NICOLL, W. Robertson. First Corinthians (The Expositor’s Greek Testament Book 5) (English Edition) eBook Kindle.

[4] PLUMMER, Alfred A. & ROBERTSON, Archibald. International Critical Commentary New Testament (ICC): 1 Corinthians.

[5] ERICSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática, p.139. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 1997.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

DEUS (YHWH) O SER INSONDÁVEL QUE SE REVELOU! AS DUAS MÃOS DE DEUS! (Santo Ireneu)

 Representação pictórica de Deus (Manus Dei)

Separação da Luz da Escuridão, de Michelangelo, - primeira metade de 1512


AS DUAS MÃOS DE DEUS!

(Santo Ireneu)

 

Eu creio que todos aqueles que estudam teologia, em especial a matéria chamada teontologia (doutrina do Ser de Deus) tem se maravilhado e dado uma pausa na leitura para admirar este Ser dos seres, Deus dos deuses e o Criador de todas as coisas. Quantas vezes debruçado nas Escrituras uma grandiosa e inenarrável alegria me inundou e minha mente perplexa ante a revelação de Deus inclinou-se para adorá-lo na beleza de Sua santidade!

O grande Anselmo de Cantuária mostra à luz da fé e da razão que “Deus é o Ser do qual não se pode pensar nada maior e, também, que é impossível pensá-lo não existente”. Eu não tenho dúvidas de que todos os seres existentes só são seres por causa do grande Ser. Eu sou o que sou por causa do EU SOU o que SOU (heb. Ehyeh Asher Ehyeh). Essa expressão hebraica também pode ser traduzida como EU SEREI O QUE SEREI (Êxodo 3.14, BTX). Deus nunca deixou de Ser o que Ele sempre foi e nunca deixará de Ser o que Ele É e sempre É o Ser que tem sido desde toda a eternidade, antes de todas as coisas. Ele é o Ser que É o Ser que sempre É: EU SOU!

Nós, cristãos, temos que pontuar com Bernand Ram que o teólogo não estuda Deus em Si, mas Deus em Sua revelação. Quando os escritores bíblicos falam sobre Deus não fazem segundo os seus pensamentos sobre algum “ser”, mas sobre aquilo que o Ser Eterno revelou de Si mesmo. Os teólogos dizem que Deus manifesta a Si mesmo na “economia”, isto é, no processo ordenado de Sua auto-revelação. Deus se revelou, e nós podemos conhecê-lo. O Senhor Jesus disse que a essencialidade da vida eterna é conhecer o Pai como o único Deus verdadeiro e a Ele, o Seu enviado (João 17.3). A Bíblia não é a palavra de homens acerca de Deus, mas a auto-revelação de Deus em palavras humanas. Isso foi necessário para termos um conhecimento do Ser Insondável em Sua revelação sondável. Ele é incognoscível em Seu Ser eterno, mas cognoscível em Sua revelação tempo-espaço aos Seus servos e servas!

Nos escritos de Santo Ireneu do ponto de vista de Seu Ser intrínseco, Deus é o Pai de todas as coisas, inefavelmente Uno e contendo em Si mesmo desde toda a eternidade Seu Verbo e Sua Sabedoria (o Espírito Santo) (Adversus Hereses IV. 20,1-3; Demons. Pred. Apost. 47).


As Duas Mãos do Ser Eterno (YHWH)!

Agora, segundo Santo Ireneu, do ponto de vista de Sua auto-revelação, ou empenhando-se na Criação e na Redenção, Deus extrapola ou manifesta o Verbo e a Sabedoria. Estes, como Filho e Espírito, são Suas “Mãos”, imagem sem dúvida tirada de Jó 10.8: “Tuas Mãos me fizeram, e me plasmaram todo”; e de Salmos 119.73: “Tuas Mãos me fizeram e me formaram”. Assim, Santo Ireneu afirma que “pela própria essência e natureza de Seu Ser existe apenas Um só Deus”, enquanto que ao mesmo tempo, “de acordo com a economia de nossa Redenção existem tanto o Pai como o Filho”, ao que poderia acrescentar: “e o Espírito Santo”. (Adversus Hereses IV. 20,1-3; Demons. Pred. Apost. 47).

Santo Ireneu ensina a coexistência do Verbo com o Pai desde toda a eternidade. Ele ainda ensina que o Verbo e o Espírito Santo colaboram no trabalho da criação sendo, se tal fosse possível, as “Mãos” de Deus. Devo pontuar, que a metáfora das Duas Pessoas da Trindade como as “Duas Mãos de Deus” subscreve apenas o trabalho do Verbo e do Espírito Santo tanto na criação quanto na redenção, e não que o Verbo e o Espírito sejam literalmente as mãos de Deus. Como diz o grande bispo: “Foi função do Verbo trazer as criaturas à existência, e do Espírito ordená-los e adorná-los”. (Adversus Hereses IV, pref., 4; 5,1,3; 5,5,1; 5,6,1). O uso da linguagem figurada insere-se na “economia” da auto-revelação de Deus que falamos acima.

 

Deus possibilita o conhecimento de Deus e o Revela!

Podemos dizer que a possibilidade do conhecimento de Deus se dá pelo próprio Deus. O bispo de Lyon escreveu que “[...] era [e é!] impossível conhecer a Deus sem a ajuda de Deus, então Ele ensina os homens a conhecerem a Deus por meio do Seu Verbo” (Adv. Hereses IV. 5,1;). Isso foi ensinado pelo grande apóstolo Paulo quando se referiu a possibilidade de tal conhecimento de Deus ou de Suas profundezas pelo Espírito Santo. Ele escreveu: “e Deus as revelou a nós por meio do Espírito; porque o Espírito tudo o esquadrinha, ainda as profundezas de Deus” (1Coríntios 2.10, BTX).

Notamos pelas Escrituras que o conhecimento e revelação do Ser de Deus em Suas profundezas é peculiar as Pessoas do Verbo e do Espírito Santo. Sobre o Espírito já vimos que o apóstolo salientou: “[...] o Espírito tudo o esquadrinha, ainda as profundezas de Deus”. Sobre o Verbo, Ele mesmo disse sobre Si em Mateus 11.27: “[...] Ninguém conhece plenamente o Filho senão o Pai, e ninguém conhece plenamente o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Bíblia Textual, BTX). O pleno conhecimento das Pessoas da Divindade é peculiar a cada Pessoa. A revelação e o conhecimento de cada Pessoa-Divina às pessoas-criaturas dependem da outra Pessoa-Divina o quiser revelar!

As Pessoas eternas conhecem uma a outra eterna e plenamente. As Pessoas eternas do Verbo e do Espírito conhecem plenamente o Pai e o revelam a quem Eles querem! Afirma Santo Ireneu: “Deus é inefável, mas o Verbo o declara para nós”; e também: “o que é invisível no Filho é o Pai, e o que é visível no Pai é o Filho”. Nas Teofanias do Velho Testamento foi realmente o Verbo que falou com os patriarcas. (Adv. Hereses 4,6,3; 4,6,6; 4,9,1; 4,10,1). Sobre o Espírito Santo, o bispo Ireneu postula: “[...] sem o Espírito Santo, é impossível ver o Verbo de Deus”; e também “o conhecimento do Pai é o Filho, mas o conhecimento do Filho de Deus somente pode ser obtido através do Espirito Santo”. Nossa santificação é totalmente obra do Espírito Santo, “o qual o Filho ministra e dispensa a quem o Pai quer e como quer” (S. Ireneu: Demonst. 6,7).

Essa teologização Trinitária (se assim posso dizer!) deságua na glorificação eterna e recíproca de cada Pessoa na unidade da Divindade. O Senhor Jesus disse: “E agora Pai, glorifica-me Tu junto a Ti mesmo, com a glória que tinha contigo antes de existir o mundo” (João 17.5, BTX). Pai e Filho se deliciam juntinhos (“junto a Ti”) na glória da Divindade desde toda a eternidade (“antes de existir o mundo”). Existe claramente um externar de amor e glória um para com outro eternamente! O Espírito é o elo ontológico do amor do Pai e do Filho na Divindade. Esse mesmo Espírito derrama esse mesmo amor do Pai e do Filho, em glória, no coração de cada crente elevando-o à comunhão plena da Divindade (Romanos 5.2), fazendo-os participantes da natureza divina (2Pedro 1.4). Isso não significa que serenos deuses, mas que o Cristo em Sua vinda nos glorificará pelo Seu Espírito para sermos como Ele é (cf. 2Tessalonicenses 1.10; Romanos 8.29,30; 2Coríntios 3.18; Filipenses 3.21; 1João 3.2). Essa glorificação é a (re)criação da imagem da divindade em nós quando alcançarmos a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade e à medida estatura da plenitude do Cristo (Efésios 4.13). Esse é o alvo, disse Paulo, que todo cristão deve prosseguir “para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.14).

O amor e glória Divinos gerados pelo Espírito nos filhos leva-os a clamar: Aba, Pai! (Romanos 8.15). Sendo feitos filhos no Filho pelo Espírito Santo todos os cristãos participam do amor trinitário do Pai e do Filho pelo amor do Espírito. O Espírito que liga, por assim dizer, o Pai e o Filho neste amor e glória eternos, agora, no Filho, une os filhos de Deus e os faz participantes do amor e da glória da Divindade!

Não apenas nós não compreendemos Este Ser insondável, mas também participamos dessa comunhão amorosa, gloriosa e insondável das Pessoas da Santíssima Trindade! Semelhante ao apóstolo, devemos nos quedar e adorar:

Ó profundidade da riqueza,

Tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus!

Quão insondáveis são os Seus juízos e quão inescrutáveis os Seus caminhos!

Ou quem primeiro lhe deu a Ele para que lhe venha a ser restituído?

Porque d’Ele e por meio d’Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém.

(Romanos 11.33-36).

 

Ivan Teixeira

 

 

ATENÁGORAS DE ATENAS_TRINDADE

 12 citações contra a sodomia que todos os católicos deveriam conhecer

Pai Grego e sua defensa da Doutrina Cristã da Trindade

 

Atenágoras escreveu para os imperadores Marco Aurélio e a seu filho Cômodo, por volta, provavelmente, do ano 177 a.D.

Os cristãos eram acusados de ateísmo e outros, por conseguintes sentenciados a morte. O grande apologista Atenágoras escreveu para estes imperadores orientando-os primeiramente a entender as acusações e não meramente condenar os acusados só porque usam o nome de “cristão”. Ele escreveu aos imperadores: “Com efeito, vossa justiça não diz que, quando se acusa a outros, não se pode condená-los antes de tê-los interrogado? Quanto a nós, porém, vale mais o nome do que as provas do julgamento, pois os juízes não buscam averiguar se o acusado cometeu algum crime, mas tratam-no com insolência por causa do nome [cristão], como se fosse crime” (PADRES APOLOGISTAS, posição 178,9/521, (epub). Editora Paulus).

Sem entrar em detalhes aqui, nos reservamos a postular que Atenágoras esclarece que “os cristãos não são ateus, mas adoram o Deus único, criador do universo. O Deus dos cristãos é único, mas também Trino”. Notem, que alguns desinformados atualmente creditam o ensino da Trindade a Igreja Romana e a Constantino (272–337 a.D.). Esses desinformados distorcem totalmente a verdade histórica para confundir e aliciar com seus falsos ensinos os desavisados e instáveis na fé doutrinal. Nós cristãos acreditamos que existe UM SÓ Deus subsistente eternamente em TRÊS PESSOAS. Rejeitamos o Triteísmo que ensina três deuses, e abraçamos a doutrina da Trindade que ensina Três Pessoas numa única essência ou Divindade – um ÚNICO DEUS!

O ateísmo do qual os cristãos eram acusados orbitava no entendimento dos cristãos em não oferecer sacrifícios aos deuses. Atenágoras escreve: “Os cristãos não oferecem sacrifícios não porque são ateus, mas porque o Deus verdadeiro só aprecia sacrifícios espirituais. Se eles se recusam a cultuar os deuses, é porque os julgam indignos de qualquer espécie de culto”. Os cristãos, segundo Atenágoras, praticam um culto mais puro, mais elevado e perfeito que os pagãos (caps.4-30).

Algumas citações do grande apologista Atenágoras de Atenas servem-nos para finalizar esse nosso conciso artigo:

“[...] nossa doutrina admite UM só Deus, Criador de todo este mundo, e Ele não foi criado — pois não se cria o que Existe, mas o que não existe —, e sim Ele é Criador de todas as coisas por meio do Verbo que d’Ele procede” (posição 195,4/521, epub).

Na parte Afirmação da Fé Monoteísta e Trinitária, escreve Atenágoras:

Desse modo, fica suficientemente demonstrado que não somos ateus, pois admitimos UM só Deus, incriado, eterno, e invisível, impassível, incompreensível e imenso, compreensível à razão só pela inteligência, rodeado de luz, beleza, espírito e poder inenarrável, pelo qual tudo foi feito através do Verbo que d’Ele vem, e pelo qual tudo foi ordenado e se conserva. De fato, d'Ele vem, e pelo qual tudo foi ordenado e se conserva. De fato, reconhecemos também um Filho de Deus. E que ninguém considere ridículo que, para mim, Deus tenha um Filho. Com efeito, nós não pensamos sobre Deus, e também Pai, e sobre Seu Filho como fantasiam vossos poetas, mostrando-nos deuses que não são em nada melhores do que os homens, mas que o Filho de Deus é o Verbo do Pai em ideia e operação, pois conforme a Ele e por Seu intermédio tudo foi feito, sendo o Pai e o Filho UM SÓ [DEUS]. Estando o Filho no Pai e o Pai no Filho por UNIDADE e poder do espírito, o Filho de Deus é inteligência e Verbo do Pai. (posição 204,5 e 205,1/521).

É notório que para o grande Atenágoras o Pai e o Filho são UM Só Deus verdadeiro! O bispo de Atenas não separa a UNIDADE das Pessoas e nem as confunde como fazem os hereges. Nós, cristãos, postulamos que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai e que nem o Pai e o Filho são o Espírito, mas entendemos que na UNIDADE simples e indivisível da Divindade subsiste eternamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Com os Pais e todos os cristãos adoro a Unidade da Trindade e a Trindade na Unidade!

Glórias a Pai!

Glórias ao Filho!

Glórias ao Espírito Santo!

 

Ivan Teixeira