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sábado, 6 de março de 2021

NÃO TORNE A FRASE “PARA A GLÓRIA DE DEUS” NUM CLICHÊ VAZIO!

É triste observar como as pessoas usam a frase “para a glória de Deus” como desculpa para fazer coisas que realmente não santificam o Nome de Deus. Tal atitude se torna um escudo que usamos para proteger qualquer “coisa espiritual” que venhamos a fazer.

Conta-se que o grande pregador Charles Spurgeon dizia que fumava charutos para a honra e glória de Deus. Porém, Bramwell Booth, fundandor do Exército de Salvação, considerava suas palavras “uma desculpa irreverente e nada religiosa” que incentivava os jovens a usarem tabaco.

Lamentavelmente, vemos pessoas, teólogos, pregadores e certos professores de teologia reverberando este mesmo sentimento de Spurgeon e embotando o entendimento e discernimento da juventude que vive num mundo marcado pelo álcool, drogas e prostituição (Nas Escrituras estas práticas estão relacionadas e os profetas de Deus sempre chamavam o povo de Deus ao arrependimento. Uma coisa chama a outra!). Tal posição tem levado dezenas de pessoas a viver uma vida marcada pelo pecado com a desculpa de que o fazem para a glória de Deus. Muitos usam textos isolados, e.g., 1Co 10.31, para justificarem suas práticas. É perigoso psicologizar, racionalizar e desculpar o pecado, como também o é “glorificar” o pecado.

Pergunto-me se não estamos postulando um pretexto para driblar a consciência que nos acusa à luz da Palavra de Deus destes pecados com a frase: "Faço isso para a glória de Deus"? Corremos o perigo de "glorificar o pecado" Com a ideia errônea de pecar mais e mais para a glorificação da graça de Deus em Sua manifestação em nós. Isso é perigosíssimo e não honra ao Santo de Israel! 

Não é a toa que ouvimos e vemos pessoas que se dizem crentes elencando as seguintes proposições:

- Vou dançar carnaval para a glória de Deus!

- Vou ser modelo e expor meu corpo para a glória de Deus!

- Vou construir uma boate gospel para a glória de Deus! 

- Vou fazer uma tatuagem para a glória de Deus! 

- Sou homossexual para a glória de Deus!

- Vou me embriagar para a glória de Deus!

- Vou me prostituir para a glória de Deus, pois o que importa é o coração e meu sentimento para com Deus!

Isso parece no mínimo piada, mas é sério! Li num artigo de uma revista evangélica o testemunho de uma jovem que se dizia cristã e que ela usava seu corpo bonito para ganhar os jovens para Jesus. Sua tática era se prostituir com eles, pois estava escrito, segundo ela, que devemos oferecer nossos corpos como sacrifícios (uma obtusa distorção de Romanos 12!). Então, ela usava seu corpo para atrair os jovens para a igreja após se prostituir. Todavia, ela se esqueceu (ou ignorou) que o texto de Romanos 12 diz que o sacrifício do corpo é para Deus e não para os jovens ou para a prostituição.

Viver para a glória de Deus é ser santo!

Em Romanos 6, Paulo exorta-nos a viver em novidade de vida para a glória de Deus. Essa novidade de vida é resultado necessário de uma vida salva pela graça soberana de Deus. A graça de Deus não te conduz a desgraça do pecado, mas para uma vida de ação de graças por meio da santificação do Espírito e fé na verdade.

Paulo escreveu que devemos glorificar a Deus em nosso corpo, pois o corpo pertence a Ele: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.20, ARA).

Nossos membros já não são instrumentos do pecado, mas sacrifícios vivos que oferecemos a Deus como ressurretos dentre os mortos e como instrumentos de justiça (cf. Rm 6.13).

Quando Paulo escreveu em 1ª Coríntios 10.31, ele não quis dizem que devemos nos embriagar e fumar ou se prostituir para a glória de Deus. Pelo contrário, notem que no contexto ele combate exatamente a embriaguez dos coríntios e suas participações em festas pagãs onde havia orgias de tudo que era jeito. Ele disse que você não pode beber o cálice do Senhor (a Ceia) e o cálice dos demônios (1Co 10.21).

Então, cuidado para não profanar o santo nome de Deus com um suposto conhecimento teológico que te dá sinal verde para você pecar!

Vamos santificar o Nome de Deus renunciando os prazeres deste mundo. Paulo escreveu em Tito 2.11-14:

Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens; educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a Si mesmo Se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade, e purificar para Si mesmo um povo exclusivamente Seu, zeloso de boas obras.

A graça pedagógica de Deus gera em nós a justiça de Cristo pelo Espírito de santificação que em nós habita!


IVAN TEIXEIRA

Minister Verbi Divini

sábado, 30 de janeiro de 2021

TRÊS PERIGOS QUE OS PENTECOSTAIS DEVEM EVITAR

 


Nós pentecostais nos ocupamos de relatar os erros e distorções doutras fluentes da Cristandade, porém percebo que nós mesmo devemos ter cuidado com certos deslizes, erros teológicos e asneiras vistas e ouvidas em nossos púlpitos e congregações – tem muita coisa que não passa de heresias com roupagem do pós-modernismo. Vejamos brevemente algumas:

1. DESPERSONALIZAÇÃO PNEUMÁTICA

Certas pregações e cânticos parecem implicar numa tendência cada vez mais crescente de tratar o Espírito Santo como uma força ou fonte de poder do que como uma Pessoa poderosa da Divindade.

Muitas pregações e louvores no meio pentecostal parecem descrever o Espírito Santo como uma “tomada elétrica” ou um “gerador de energia” que se você descobrir os segredos ou os mistérios (está mais para truques!) então encontrará o poder.

Já vi supostos teólogos no Facebook reduzindo as hipóstases (as Três Pessoas) da Trindade a uma única pessoa: uma heresia conhecida como modalismo. A trindade vai sumir! Certo amigo comentou comigo que tal ensino se encontra nas notas de uma Bíblia de Estudo de certo pastor brasileiro.

Esse perigo não é visto apenas nas mídias sociais ou nas congregações locais, pois até mesmo eruditos influenciados pelo filósofo idealista Georg W. F. Hegel estão despersonalizando o Espírito. Para o dito filósofo o Espírito Santo não passava de um “Espírito absoluto”, indistinguível do processo da história que seguia adiante para a consumação imanente total. Além dessa influência existe também um caráter romantizado e panteísta no Ocidente teológico. Um “Espírito” genérico, inclusivo, uma brisazinha domesticável tem tomando lugar do Espírito das Escrituras que se move poderosamente como um vento veemente e impetuoso. O “Espírito” que se ver em certas teologizações se parece mais com uma “Grande Mãozona” que abraça tudo e a todos indistintamente em seus seios espirituosos. Aquele Espírito que peleja contra os rebeldes pecadores descrito por Isaías é coisa do passado mitológico deste profeta (cf. Isaías 63.10). Cuidado pentecostais!

Para muitos uma teologia cristocêntrica e teológica (do Pai) suscita o espectro de divisões. O “Espírito” abraça mais a todos e a tudo, as classes oprimidas sob o bastão de distinções de autoridade como se ver no conceito Pai e Filho. No pluralismo do pós-modernismo, o Espírito parece a pessoa/coisa certa – “ele” é neutro (na concepção Ocidental). Eis o perigo de certas hermenêuticas ditas pentecostais. Essas são oriundas do inferno para enganar os desprevenidos e romantizados cidadãos de uma pentecostalicidade sem Sinai e sem Calvário.

Estes personagens da erudição progressista se distanciam das grandes verdades doutrinárias do passado, eles querem reinventar as doutrinas, romantiza-las e torna-las mais culturalmente adaptável. Querem ser relevantes em suas teses, tornando o Espírito Santo uma abstração ideológica e subjetiva de sua brasileiridade (falando aqui do nosso Brasil!). A pneumatologia de alguns parece afirmar: “O Espírito é brasileiro!”, cheio de gírias e malandragem. Oh prosélitos duas vezes filhos do inferno!

Abordagens com viés fenomenológico social e psicológico têm reduzido o Movimento Pentecostal meramente a conceitos de religiões experimentais pragmatistas. Perdeu-se o foco bíblico-teológico na abordagem do Movimento Pentecostal. Lembremo-nos que o desvio das igrejas na Europa e nos EUA se deu por meio de eruditos que promoveram como resultado dos seus estudos acadêmicos o liberalismo que matou o povo. O pentecostalismo brasileiro (e noutros lugares) corre este risco. Esses tais doutores são instrumentos de Satanás! Vamos vigiar!

 

2. PRECEDÊNCIA PNEUMÁTICA

Um segundo erro, muito trágico, é a tendência pentecostal de dar precedência ao Espírito Santo em detrimento do Pai e do Filho. Talvez alguns pensem pelo fato do Espírito habitar em nós, que o Pai e o Filho estão distante – lá em cima – e, por isso o Espírito é mais íntimo. Ledo engano, pois o Pai e o Filho vieram habitar nos que creem (João 14.23) pelo Espírito Santo. O próprio Espírito constrói a igreja para habitação de Deus, ou seja, de toda a Deidade: Pai, Filho e Espírito Santo (Efésios 2.18,22). Eu não posso ter o Espírito e não ter o Pai e o Filho; se tenho o Pai, tenho o Espírito e o Filho. Não há precedência e nem detrimento das Pessoas da Santíssima Trindade numa abordagem biblicamente saudável.

Somos informados pelas Escrituras que o Espírito Santo é o Espírito de Jesus, o Espírito de Cristo, o Espírito do Pai e o Espírito de Deus.

O principal papel soteriológico do Espírito Santo é nos unir a Cristo e nos conceder a vida do Pai. O Espírito Santo derrama o amor de Deus em nosso coração (Romanos 5.5). Nós estamos na comunhão do Espírito, que é a comunhão do Pai e do Filho (cf. 2Coríntios 13.14; 1João 1.3, ACF).

Pelo fato de o nosso primeiro contato com o Deus Triúno dever-se ao Espírito Santo, que nos ressuscita da morte espiritual e habita em nós, pode-se concluir, de modo errôneo, que o Espírito é a pessoa acessível da Trindade. Em vez disso, deve-se considerar essa obra do Espírito iniciada pelo Pai e paga e mediada pelo Filho. Mediante a ação do Espírito, as Três Pessoas aproximam-se de nós e nos conduzem à Sua comunhão[1].

Como pentecostais bíblicos, nós devemos ter muito cuidado em nosso fazer teológico.

 

3. PENTECOSTES SEM CÁLVARIO

Tenho alertado sobre este perigo constantemente. Como pentecostais somos tendenciosos a descansar à sombra do evento de Pentecostes, esquecendo-nos do fato de que só chegamos ao Pentecostes porque primeiro passamos pelo Calvário. Pentecostes sem Calvário é uma grande comédia, e Calvário sem Pentecostes seria uma grande tragédia. Calvário e Pentecostes nos conduzem para o plano arquitetônico redentor de Deus aliado ao Sinai.

A eficácia da missão do Espírito por ocasião do Pentecostes é medida por nossa concentração em Cristo no Calvário. O Pentecostes encontra-se inextricavelmente ligado ao Calvário: Noutras palavras, a Missão pentecostal do Espírito resulta e é inerente a Missão do Calvário de Cristo.

Certo escritor fez uma analogia precisa: “No templo jamais se verá a bacia de água colocada antes do altar. O altar é o Calvário, e a bacia de água é o dia de Pentecostes. Um representa o sangue do sacrifício, o outro representa o Espírito santificador”[2]. Exatamente isso, nós não podemos nos banhar nas águas da bacia pentecostal, se ainda não fomos aspergidos pelo sangue do altar do Calvário. No Antigo Testamento, primeiramente se aplicava o sangue sobre a ponta da orelha direita, sobre o polegar da mão direita e sobre o polegar do pé direito com vista a purificação do leproso. Depois disso seria colocado o óleo sobre a orelha direita, no polegar da mão direita e no polegar do pé direito – o óleo sobre o sangue da oferta pelas transgressões (Levítico 14). Nunca se deve colocar o sangue sobre o óleo. É impossível o Pentecostes preceder o Calvário, ou que o derramamento do Espírito pudesse ter vindo antes do derramamento do sangue. Antes do derramamento do Espírito (Pentecostes), é necessário o derramamento do sangue (Calvário).

O berço de Belém deve anteceder o berço do Cenáculo. O nascimento do Filho de Deus, deve anteceder o nascimento da Igreja. O Espírito não pode vir, se o Cristo não for. Se o Espírito está conosco, é prova de que o Cristo já foi e assentou-se à destra do Pai.

Os pentecostais precisam entender que o Espírito Santo não deseja manter nenhuma ligação com um cristianismo sem Cristo. O Cristianismo do Pentecostes é cristológico – centrado em Cristo. Assim como o Cristianismo do Calvário aponta para o Pentecostes pneumatológico.

A primeira experiência de uma pessoa com Deus é promovida pelo Espírito, mas sempre unindo o pecador a Cristo e transformando o crente à imagem de Cristo. Não pode haver Pentecostes sem Calvário, e Calvário sem Pentecostes!

Podemos concentrar-nos no Pentecostes somente depois de termos compreendido o Calvário. O evangelho não é o evangelho do Pentecostes se primeiramente não for o evangelho da cruz de Cristo.

A pregação do evangelho não é sobre o Espírito e este no Pentecostes, mas sobre Jesus Cristo e este crucificado, uma pregação que deve ser realizada na demonstração do Espírito e de poder.

Só é possível ter certeza de onde o Espírito está ativo: onde quer que Jesus Cristo seja declarado o Salvador de pecadores!

 

CONCLUO estes alertas aos pares pentecostais afirmando o meu compromisso de fazer uma teologia nos seguintes moldes: do Pai, em Cristo e pelo Espírito. A salvação é obra do Pai, em Cristo e realizada na vida do pecador pelo Espírito.

Eu não temo adorar ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Sigo o grande Credo Niceno: “o Espírito é adorado e glorificado com o Pai e o Filho”. Não devemos manter o Espírito dividido do Pai e do Filho, e nem preceder o Pai e o Filho pelo Espírito. Devemos preservar e perseverar tanto na confissão da fé quanto na doxologia a doutrina ensinada nas Escrituras da Bendita Triunidade. É nas reuniões congregacionais que essa crença e esse louvor são mantidos ou perdidos. Nós devemos invocar O Pai, NO Filho, PELO Espírito.

Não despersonalize o Espírito, muito menos faça malabarismos interpretativos nos moldes da pós-modernidade. Abraçamo-nos as diretrizes bíblicas e a sabedoria dos séculos em nossa teologia e vida.

 

Ivan Teixeira



[1] HORTON, Michael. Redescobrindo o Espírito Santo: a presença santificadora de Deus na criação, na redenção e na vida cotidiana, p.28. São Paulo, SP, Brasil: Cultura Cristã, 2018.

[2] GORDON, A. J. O Ministério do Espírito, p.28. São Paulo, SP, Brasil: Editora dos Clássicos, 2012.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

ESCATOLOGIA PENTECOSTAL_O ESPÍRITO_O REINO E O PORVIR

 

Pentecostais e os últimos dias! 

No início do Pentecostalismo os pentecostais ansiavam por uma “nova” era do Espírito nos últimos dias antes da volta de Cristo ("as últimas chuvas"), na qual os cristãos seriam batizados no Espírito Santo para lhes conceder uma consciência mais intensa da presença de Deus, maior unidade e maior poder para a missão, especialmente com sinais carismáticos como cura divina, profecia, unção na pregação, ousadia na evangelização e o falar línguas.

Lembro-me que ao receber o batismo no Espírito Santo a nossa juventude (e todos os novos convertidos!) Postulavam três grandes temas: (1) santificação; (2) evangelização e o (3) arrebatamento da Igreja. Esses temas visíveis no contexto prático litúrgico do pentecostalismo assembleiano são pertencentes aos cinco pilares cristológico do pentecostalismo histórico e pneumático: Jesus salva, Jesus cura, Jesus santifica, Jesus batiza no Espírito Santo e fogo e Jesus voltará brevemente como Rei para governar nesta Terra.

Vale lembrar que foram os críticos do Movimento que enfatizavam as línguas como distintivo identificatório do pentecostalismo, e não os próprios pentecostais. Honestidade deveria permear aqueles críticos que dizem que o Pentecostalismo é meramente um "Movimento de Línguas". Lerdo engano! É, sim, um movimento do Espírito Escatológico manifestando na comunidade cristã os carismas e os poderes do Escaton (porvir). A pregação do Reino de Deus com poder do Espírito manifestado em salvação, libertação, curas, exorcismos, novas línguas e milagres fazem parte da imagem pentecostal raiz da crença dos pentecostais (Marcos 16.15-20; Atos 2.17-21). Assim como o dia de Pentecostes foi marcante para os primeiros cristãos trazendo os “últimos dias” como uma Era do Espírito com poder, os primeiros pentecostais também acreditavam que estavam (e estão!) vivendo nos “últimos dias” ao usar a imagem das “últimas chuvas” como determinante para uma vida de santificação e testemunho missional ante a expectativa da volta iminente de Cristo Jesus para arrebatar a Igreja.

Pode-se afirmar que a escatologia bíblica fornece o impulso inicial da pregação pentecostal e a orientação para o pensamento renovador para uma construção de uma Teologia Pentecostal distinta em vez de ser relegada, como notado historicamente nas demais Teologias Sistemáticas, a uma reflexão tardia do fazer teológico.


Escatologia pentecostal do peregrino!

Os pentecostais afirmam altissonante: “Não somos daqui, somos dos céus!”. Os pentecostais são um povo do Espírito e, consequentemente do Reino e do Porvir. Os pentecostais acreditam que são o povo dos últimos dias, um povo escatológico, um povo do porvir, um povo do céu, um povo que aguarda a plenitude da Nova Era, pelo Espírito, por ocasião da Vinda do Senhor Jesus. Os pentecostais se alinham a Paulo quando disse: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3.20, ARA), e ao escritor de Hebreus quando descreve os “Heróis da Fé”: “[...] confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra” (11.13). Pedro fala que os cristãos devem se portar “com temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1Pedro 1.17). Todavia, nota-se atualmente um “pentecostalismo” prostituto, mundano e enamorado com o secularismo, o pragmatismo e o entretenimento, e viciado nas campanhas mirabolantes norteadas pelas teologias da prosperidade e do empreendedorismo coaching se afastou da escatologia pentecostal do peregrino que almeja chegar ao lar feliz!


O gemido escatológico pentecostal!

Os pentecostais escatológicos bíblicos gemem com o Espírito e a criação porque sabem que estão nos “últimos dias” e aguardam, a qualquer momento, a vinda do Senhor Jesus, “a adoção”, para libertá-los deste “corpo de humilhação” (Romanos 8.23; Filipenses 3.21). Eles não são daqui! Nós pentecostais não aguardamos a vinda do Anticristo, a Grande Tribulação ou mesmo o Dia de YHWH (SENHOR), e muito menos temos pretensão de implantar um “reino” da igreja aqui na terra, infelizmente muitas denominações têm se desviado por este caminho – “império dos homens”. Os pentecostais pneumáticos e escatológicos, tal como os primeiros cristãos, aguardam a Bendita Esperança que pode ocorrer a qualquer momento para os arrebatar “num abrir e fechar de olhos” para o encontro do Senhor nos ares. Como diz um dos nossos cânticos congregacionais: “Nossa esperança é a Sua Vinda, O Rei dos reis vem nos buscar, Nós aguardamos, Jesus, ainda, Té a luz da manhã raiar” (Harpar Cristã, 300). Isso é confuso à mentalidade dos “pentecostalismos” mundanos e que seguem a agenda secular do entretenimento e do empreendedorismo. Estes são descritos na visão do vidente de Patmos como aqueles que se prostituíram, juntamente com os reis da terra, com o vinho da devassidão da “grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas” que embebeda “os que habitam na terra” (Apocalipse 17.1,2). Tais “pentecostalismos” devem ser rejeitados pelos pentecostais pneumáticos que almejam e aguardam a Vinda do Senhor e de Seu reino. Os pentecostais escatológicos cantam: “Eu avisto uma terra feliz, Onde irei para sempre morar; Há mansões nesse lindo país, Que Jesus foi pra nós preparar. Vou morar, vou morar; Nessa terra, celeste porvir!” (Harpa Cristã, 614). Aleluia!


Escaton pentecostal!

Deve-se pontuar que a ênfase pneumatológica pentecostal perpassa a centralidade cristológica (os Cinco Pontos) e visa a esperança escatológica do Reino de Deus em sua plenitude que se dará na volta pré-tribulacional e pré-milenar do Cristo.

Para os pentecostais, seguindo Pedro (Atos 2.17-21), os “últimos dias” chegaram com o nascimento da nova comunidade, a Igreja, evidenciado pelo/no derramamento do Espírito Santo com Seus dons: “profecias, visões, sonhos, maravilhas, prodígios e sinais”. Na perspectiva do escaton pentecostal os δυνάμεις τε μέλλοντος αἰῶνος, “os poderes do mundo vindouro” (ACF) ou “os poderes da Era que há de vir” (NVI) ou ainda “o dinamismo da Era futura” (BP), são desfrutados e experimentados agora porque o cristão tem as primícias do Espírito e são selados e possuem o penhor do Espírito escatológico. O desfrute dos poderes do escaton agora, garante, pelo Espírito, o desfrute da plenitude na Vinda de Cristo Jesus. Se aqui desfrutamos e experimentamos as primícias do Espírito escatológico com Seus carismas e poderes quanto mais por ocasião da vinda do Senhor, nós, os que cremos, desfrutaremos e experimentares a plenitude do Espírito (pneuma), do Reino (basileia) e dos poderes do Porvir (escaton)!


Escatologia pentecostal enraizada no Pentecostes!

A escatologia pentecostal é uma doutrina enraizada no Evento de Pentecostes à luz da hermenêutica de Pedro de que os últimos dias chegaram (Escaton) no derramamento do Espírito (Pneuma) empoderando a Igreja para a proclamação do evangelho do Reino (Basileia) de Deus. Daí minha postulação e proposta para uma escatologia pentecostal sobre os fundamentos do Espírito (pneuma), do Reino (basileia) e do porvir (escaton).

O pentecostal escatológico é pneumático (Espírito e carismas), querigmático (pregação centrada no Rei Jesus) e missional porque experimenta, pelo Espírito, os poderes do mundo vindouro, e proclama “as virtudes Daquele que o chamou e o libertou das trevas transportando-o para o Reino do Filho do Seu amor, e para a Sua maravilhosa luz” (1Pedro 2.9; Colossenses 1.13), e ainda vive na expectativa de que a qualquer momento o Senhor virá arrebatar a Sua Igreja.



TEIXEIRA, Ivan. Escatologia Pentecostal: O Espírito, O Reino e o Porvir, p.20-24. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: Editora Ruja, 2021.