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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Espírito fala na, por meio, à parte, MAS Nunca Contra a Bíblia!


O Espírito Santo fala na Bíblia, por meio da Bíblia e também à parte da Bíblia, mas nunca contra a Bíblia!

O Espírito Santo trabalha tanto na compreensão do texto bíblico quanto na compreensão doutras verdades, circunstâncias, direções e etc., para os filhos e filhas de Deus. Ele ensina, guia, ilumina e revela. O Espírito Santo nos dá discernimento sobre a Bíblia e sobre as coisas e sobre certas circunstâncias e direções seja no campo pessoal ou eclesial.
A afirmação de que o Espírito Santo não fala hoje por meio de revelação, profecia, visões, sonhos e etc., por que isso indicaria uma soma no texto sagrado não se sustenta. Dois textos destrona essa ideia. João escreveu: “Jesus, pois, operou também em presença de Seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro”; “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 20.31; 21.35). Apesar da linguagem é perceptível que o Senhor Jesus não apenas fez, mas também falou discursos e palavras que não foram registradas no cânon que temos hoje – a Bíblia. O que temos na Bíblia foi o que Deus quis e a igreja aceitou como nossa regra de fé e prática. Com isso em mente, a afirmação atualmente de que se Deus fala à parte da Bíblia deve-se acrescentar ao cânon não é verdade ou não se sustenta. Ele fala por meio das Escrituras, à parte delas, mas nunca contra ela!
O Espírito Santo pode falar e direcionar um pastor, um missionário ou um membro sobre determinada obra, direção, decisão, parecer, proposta, visão eclesiástica, separação de obreiros e etc., Nenhuma destas direções é contrária aos exemplos e descrições bíblicas. O Espírito Santo não se calou após a formação do cânon. Nós não devemos amordaçar o Espírito Santo em nossa vidas, ministério e igrejas locais. Ele tem personalidade, por isso Ele continua falando, ensinando, guiando e dando Sua preciosa e maravilhosa direção principalmente por meio das Escrituras, mas, quando Ele quer, à parte dela – todavia, nunca contra ela!
Eu mesmo já tive direções muito claras do Espírito Santo na obra da igreja local, no campo missionário e no meu ministério de pregação. Já tive revelações claras sobre qual mensagem deveria ministrar a determinado povo e vi claramente o mover do Espírito Santo. Talvez isso parece místico, estranho ou qualquer outra coisa para muitos, principalmente para aqueles que vivem vidas áridas em seminários que não dependem, pelo menos na visão de alguns, de tais direções e revelações, pois preparar uma aula é “fácil”, mas o pastoreio e o campo missionário como se ver no Livro de Atos necessita-se da direção contínua do Espírito Santo na vida e no ministério.

Vejamos alguns textos:

O Espírito Santo revelou certas circunstâncias!
Lucas 2.25-27: “[...] e o Espírito Santo estava sobre ele [Simeão]. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo [...]”.

Esse texto de Lucas nos diz que o Espírito Santo “estava sobre” Simeão. O mesmo Espírito disse (“revelou”) a Simeão que ele não morreria antes de ver o Messias. E guiado pelo Espírito Simeão foi ao Templo e pôde ver “o Cristo do Senhor” e louvar a Deus pela grandeza das coisas que viu.
Esse texto desconstrói a ideia de muitos que dizem que o Espírito Santo não fala à parte da Bíblia! Veja, Simeão como todo bom judeu tinha as Escrituras Veterotestamentárias e mesmo assim, à parte delas – mas não contra elas, o Espírito Santo falou, revelou e guiou a Simeão. O Espírito Santo até disse que ele não morreria por aqueles dias – isso é uma revelação extrabíblica!
Eu não tenho dúvidas de que o Espírito Santo nos guia à parte da Bíblia, por meio dela e nela, mas nunca contra ela!

O Espírito Santo falou sobre determinada direção a ser tomada!
Atos 8.29: E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.

Outro texto claro mostrando que o Espírito Santo fala em certas ocasiões para guiar seus obreiros para obras e trabalhos específicos. Tais orientações nunca labutaram contra o cânon sagrado, seja ele a do Antigo Testamento na ocasião ou contra o cânon do Novo Testamento quando atualmente o Espírito Santo fala com um obreiro ou obreira direcionando-os para um trabalho específico com uma pessoa específica como foi o caso de Filip. Nós podemos chamar essas falas do Espírito de extrabíblicas, mas nunca contra a Bíblia. Repito quantos vezes for necessário: O Espírito Santo nunca irá contra o que Ele mesmo nos revelou movendo homens santos para registrar no que hoje chamamos de Bíblia Sagrada! Por isso, digo que a crença na inspiração, autoridade, perspicuidade e suficiência das Escrituras não militam contra as direções, percepções, dizeres, visões, revelações e profecias dadas pelo Espírito Santo hoje.

A orientação e direção do Espírito Santo!
Atos 10.19-20: E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque Eu os enviei.

Vemos aqui claramente o Espírito Santo instruindo e direcionando o apóstolo Pedro sobre determinada obra a ser realizada. Aqui vemos o Espírito Santo trabalhando em prol da salvação das almas. Ele trouxe as pessoas até Pedro e direcionou Pedro para atendê-las e ir com elas até a casa de Cornélio. Por conseguinte, o mesmo Espírito veio sobre os presentes que ouviam a pregação do evangelho por meio de Pedro. A obra foi realizada, direcionada e finalizada pelo Espírito Santo usando Seus servos. Nós precisamos depender mais e mais da direção do Espírito Santo. Creio que a ineficácia de nossos ministérios se deve a real negligência da direção do Espírito Santo.
Fico imaginando se nossos ministérios e nossas igrejas não seriam mais eficazes, eficientes, produtivos e robustos se reconhecêssemos mais e mais a nossa necessidade da direção e obra do Espírito Santo. Creio que se buscássemos mais a direção, o poder, a demonstração, a unção, o fruto e os dons do Espírito Santo presenciaríamos o quadro descritivo (paradigmático) de Lucas em Atos 9.31 e 14.52: “Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e era edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo”; “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo”.

O Espírito Santo fala na igreja local!
Atos 13.4: E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

Creio que o Espírito Santo falou por meio do dom de profecia ou pelo ministério dos profetas na igreja local de Antioquia (v.1: “havia alguns profetas”).
Vemos que o Espírito Santo orientou a igreja à separar a Barnabé e a Saulo para a obra missionária. Estes homens estavam numa reunião da igreja local, servindo ao Senhor com jejuns e orações e foram apontados pelo Espírito Santo para realizar uma obra específica. E a igreja local se responsabilizou pelo envio e manutenção dos obreiros ao impor as mãos sobre eles por causa da direção do Espírito Santo.
Lembro-me do tempo quando Deus usou algumas pessoas em profecia nas igrejas e regiões diferentes dizendo-me que Deus havia me chamado para ser um pregador e que eu viajaria para muitos lugares – coisa que achei improvável na ocasião, visto que não sabia nada de Bíblia! Lembro-me que estes homens e mulheres de Deus descreveram até mesmo a natureza do ministério que Deus tinha me separado para exercer. Esse meu testemunho ou minha experiência apenas reproduz, por assim dizer, o ministério do Espírito Santo nas igrejas locais de usar pessoas em profecias indicando, separando e orientando os Seus servos e servas para a obra que Ele mesmo os tem chamado. O Espírito Santo fala à parte da Bíblia para confirmar também o que Ele falou na Bíblia.
 Posso dizer altissonantemente que Deus pela Sua graça tem cumprido cada palavra que Ele me falou pelo Seu Espírito Santo!
Vale pontuar que em nenhum lugar encontrei na Bíblia uma mensagem (texto) específica para mim dizendo que eu seria um pregador do evangelho e que meu ministério seria caracterizado por isso ou aquilo. Tais convicções me foram dadas por meio do Espírito Santo falando pela boca de seus profetas e profetizas atuais. Doravante, quando as convicções sentaram-se em meu coração, tenho me dedicado noite e dia para cumprir o ministério que recebi do Senhor para Sua glória, edificação da igreja e evangelização dos perdidos.

O parecer do Espírito Santo!
Atos 15.28: Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargos algum, senão estas coisas necessárias.

Nesta passagem nós temos outro exemplo que mesmo no contexto da comunidade dos discípulos e obreiros reunidos, análise das Escrituras, averiguação da experiência em questão (a inclusão dos gentios na comunidade sem circuncidá-los) tanto a igreja e como também os líderes ouviram a voz, a direção e o parecer do Espírito Santo e solucionaram as demandas.
Veja que em situações novas na comunidade os obreiros e líderes se reuniram, colocaram as demandas em pauta, oraram, leram e expuseram as Escrituras e ouviram a voz e a direção do Espírito Santo. Não é antibíblicos orar para que o Espírito Santo nos direcione e a igreja quando certos desafios e questões surgirem. Creio piedosamente que Sua direção nunca irá contra a Escritura que Ele mesmo inspirou.
Tenho postulado o quanto seria importante se nossos pastores e líderes convencionais pudessem dizer: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”! Voltaríamos a ser uma denominação mais avivada com uma liderança mais espiritual. As vezes os assuntos convencionais, denominacionais e eclesiais são solucionados com propostas e interesses mesquinhos. Lamento constantemente que rixas e divisões desnecessárias são as palavras do dia. Queira Deus restituir-nos momentos de oração, leitura das Escrituras e sensibilidade à voz do Espírito Santo para podemos dizer: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós!”.

Impedidos pelo Espírito Santo!
Atos 16.6-7: E, passando pelo Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito [de Jesus] não lho permitiu.

Mais uma vez o Espírito Santo guiou Seus servos no progresso do evangelho. Mas desta vez, Ele redirecionou os missionários. Em vez de irem para a Ásia conforme suas agendas, o Espírito Santo os direcionou para a Europa.
Nós podemos criar e configurar nossas agendas para cumprir nossas metas e a missão da igreja, isso precisa ser feito. Todavia, nossas agendas devem estar abertas para a reescrita do Espírito Santo. Nossas metas devem estar sujeitas as orientações do Espírito Santo. Ele pode mudá-las!
Nós não devemos mecanizar as coisas, engessar nossas liturgias, pois o Espírito Santo pode derramar um poderoso avivamento em nossas vidas.

O Espírito Santo falou sobre certos acontecimentos no ministério dos Seus servos!
Atos 20.23: Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.

Quantos servos e servas de Deus no campo missionário e no exercício pastoral não têm sido alertados pelo Senhor por meio de Seu Espírito sobre determinadas tribulações, desafios, enfrentamentos, traições e muitas outras coisas? É notório que o Espírito Santo tem agido assim desde os tempos da Igreja Primitiva para direcionar e alerta aos Seus servos e servas na caminhada ministerial. Particularmente, Deus Espírito Santo me tem alertado sobre certos aspectos ministeriais e da igreja local. É algo extraordinário quando você busca depender do Espírito Santo na liderança ministerial.
Paulo a cada cidade que ele ia o Espírito Santo o orientava e lhe comunicava certos desafios e sofrimentos. Eu não tenho dúvidas de que o Espírito Santo dava orientações sobre o trabalho das igrejas locais para Paulo. Creio que além das Cartas que ele escreveu que se tornaram parte do cânon muitas outras orientações foram recebidas do Espírito Santo pelo grande apóstolo.
Que Deus nos ajude a depender da direção e estarmos atentos à voz do Espírito Santo.

Predições sobre certos acontecimentos!
Atos 21.10-11: E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.

Ágabo provavelmente foi o mesmo que profetizou que haveria uma “grande fome por todo o mundo”, a qual sobreveio nos dias de Cláudio” (At 11.28). Estudiosos têm apontado que Josefo relata que ocorreu uma fome por volta do ano 46 d.C[1].
Notamos que nestas duas ocasiões o profeta Ágabo recebe mensagens do Espírito Santo sobre eventos na sociedade (“mundo”) e no contexto da igreja local (“Antioquia”). Deus pode usar Seus servos e servas para predizer certos eventos tanto para a sociedade quanto para a igreja e seus ministros.
Como exemplo posso citar que a irmã Cindy Jacobs, por ocasião do 14º Congresso de Louvor e Adoração Diante do Trono no final de março de 2013, proferiu que em nome do Senhor o principado da corrupção do Brasil estaria sendo derrubado ou destronado. Na ocasião muitos zombaram, mas Deus fielmente cumpriu Sua palavra profética proferida pela Sua serva. Mas uma vez os do contra foram envergonhados, pois o Senhor continua dando profecias por meio dos Seus servos como foi no Primeiro século e em outros momentos na História da Igreja. O Movimento Pentecostal resgatou este e outros dons para o exercício nas igrejas locais.
Certamente o Senhor Soberano não faz coisa alguma sem revelar o Seu plano aos Seus servos, os profetas (Am 3:7)!
É lamentável que mesmo hoje as pessoas não dão crédito as palavras dos verdadeiros e santos profetas e daqueles que têm o dom de profecia. Jeremias 25.4, nos alerta: Embora o Senhor tenha enviado a vocês os Seus servos, os profetas, dia após dia, vocês não os ouviram nem lhes deram atenção.
Uma de nossas principais falhas quanto as profecias bíblicas ou para com aquelas transmitidas pelo dom de profecia, por certo seja o nosso imediatismo. Somos uma geração ávida por respostas e soluções rápidas – não sabemos esperar; nosso comportamento cronológico é impaciente e ultra-regressivo. No campo profético o quesito “tempo” como sinônimo de espera para as conclusões preditas é elementar e denota sob ótica bíblica o fator “kairós”. O citado fator implica entender que há um desígnio maior do Todo Poderoso sobre o nosso tempo; perpassando-o e dirigindo-o a cumprir sua Soberana Vontade Revelada sobre a história da humanidade (aquelas profecias da bíblia que ainda aguardam cumprimento). Tal controle de Deus para agir em Seu tempo oportuno sobre questões políticas e afins; às vezes desafiam a fé, pois as circunstâncias desconstroem a crença num Deus que se importa. Os meios de Deus agir para cumprir Seus desígnios nos são misteriosos, às vezes lentos e nada conformados com nossas expectativas e opiniões – eis o desafio de confiar em Deus apesar dos resultados visíveis. O profeta Habacuque teve que lidar com dilema político semelhante.
Paulo escreveu que “… a profecia [...] é para os que creem, e não para os descrentes” (1 Co 14:22b). E aos crentes em Tessalônica o apóstolo exortou: “Não desprezeis as profecias” (1Ts 5.20).

Conclusão
O nosso Deus continua a falar hoje por meio de Seus servos e servas sobre determinadas direções, impedimentos, pareceres, pessoas, acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Deus Espírito Santo não abandonou este mundo e principalmente a Noiva de Cristo. Ele ainda guia, orienta, capacita, separa, fala, age e faz muito mais na vida dos Seus servos e servas. Ele nunca falará ou revelará algo que distorça as Escritura que Ele mesmo inspirou, mas Ele falará coisas à parte da Bíblia, mas nunca apesar dela – ou seja, contrariando a Bíblia! Só ressaltando que a norma diretiva geral e ordinária dos obreiros e líderes sempre foram as Escrituras. Isso era diário, cotidiano e costumeiro. Extraordinariamente o Senhor falava e orientava por meio do Seu Espírito Santo. Nós devemos ter o cuidado para não negligenciar o estudo, a pregação e o ensino da doutrina em buscas de profecias, revelações e etc. Devemos buscar e crer em ambos, mas a Bíblia é o fundamento, a base, a coluna, a estrutura e o esteio de todo labor doutrinário e diretivo da igreja e do ministério. Particularmente como cristão, pastor e pregador tenho abraço ambos, ou seja, tanto a Bíblia quanto as profecias, revelações e etc., dadas pelo Deus Espírito Santo. A verdade da Bíblia não exclui a verdade das profecias, mas as sustenta e as corrige! Outro detalhe, não percamos de vista que a natureza das profecias é para exortação, consolação e edificação e nunca para formular novas doutrinas e práticas bizarras para a igreja e o culto cristão.
O Verbo, a Palavra de Deus, é vivo e não sepultado nas páginas da Bíblia! O Senhor Jesus continua falando conosco na Bíblia, por meio dela e também à parte dela, mas nunca contra ela!
Atos 9.5: “[...] E disse o Senhor: Eu Sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”; v.10-11: “E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que está orando” (cf. At 16.9-10; 22.2-10, 17-21; 26.15-19). Essas referência fornecem-nos informações suficientes para demonstrar que o Senhor Jesus, o Cristo ressurreto, continuava falando com os Seus e direcionando-os por meio de sonhos, visões, arrebatamentos, profecias e etc.
Outros exemplos podem ser vistos nas Epístolas (cf. 2Tm 4.6; 2Pe 1.14).


Soli Deo Gloria!




[1] RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada, p.1377. São Paulo, SP, Brasil: Editora Mundo Cristã, 1994.

domingo, 9 de dezembro de 2018

VISÃO PENTECOSTAL E INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS

A orientação teológica da qual os cristãos estudam a Bíblia tem uma influência decisiva em suas crenças. Os pentecostais entenderam que as Escrituras só podem ser interpretadas corretamente com a ajuda do Espírito Santo (João 14:26; 16:13; 1 Coríntios 2: 6-16). O Espírito traz vida à Bíblia e a torna real, em vez de meramente uma antiga coleção de literatura. Cremos que o Espírito Santo fala por meio das Escrituras e também fala de acordo com as Escrituras. Ele não vai contra aquilo que Ele mesmo moveu homens santos para escrever.
Os pentecostais apelaram consistentemente à Bíblia como base para sua fé e vida em Cristo. De sua visão de que a Bíblia é de fato a Palavra de Deus e sua experiência do Espírito Santo, surgiu uma abordagem pentecostal das Escrituras e uma teologia pentecostal.

Visão da Bíblia
INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA. No coração do pentecostalismo clássico está a convicção de que toda a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. A inspiração está na natureza de Deus porque é o Seu desejo de se comunicar. Ele tomou a iniciativa de compartilhar a Si mesmo com os outros, enviando Seu Filho ao mundo e fornecendo o dom do Espírito Santo. Através das Escrituras, Deus também se revelou à humanidade, pois a Bíblia é a voz de Deus falando através dos séculos. A Bíblia é uma testemunha primária sobre Deus, pois é o discurso de Deus registrado no texto bíblico através da inspiração do Espírito Santo. Ter um encontro com a verdade das Escrituras é ter um encontro com o Deus vivo.
Na escrita da Bíblia, houve plena cooperação entre o humano e o divino. Para ser mais preciso, Deus escolheu unir Suas palavras às palavras dos profetas e apóstolos, e a Bíblia é, portanto, divina e humana. A inspiração da Bíblia permanece um profundo mistério, mas é a voz de Deus. “Toda a Escritura” é inspirada por Deus (2Tm 3.16), embora nós não entendemos exatamente como os profetas e apóstolos ouviram a Palavra do seu Senhor. A Bíblia é inteiramente a Palavra de Deus escrita por humanos. Sempre digo que a Bíblia é a Palavra de Deus em linguagem humana e não as palavras de homens sobre Deus!

AUTORIDADE DA BÍBLIA. O apreço pela inspiração da Bíblia levou os pentecostais a afirmarem ardentemente a autoridade inerente das Escrituras. O reinado da autoridade bíblica vai além das denominações e igrejas pentecostais para a vida pessoal dos crentes. Essa visão da Bíblia tem suas raízes na Reforma, mas no início do pentecostalismo a insistência na autoridade bíblica encontrou expressão no anti-credalismo. Desde então, os pentecostais descobriram por si mesmos o valor de codificar suas crenças básicas para dissuadir a heresia. Com uma apreciação de suas declarações de fé, eles, no entanto, afirmam que os credos têm apenas uma autoridade derivada da autoridade da Bíblia.
Os pentecostais clássicos reagiram à excessiva exaltação da profecia carismática ou à chamada palavra rhema, insistindo que a verdade da profecia carismática seja determinada por sua consistência com a Bíblia. O ministério revelador em curso do Espírito Santo não é visto como um desafio à autoridade bíblica, mas como uma aplicação específica da mensagem bíblica. Qualquer aplicação é limitada pela sujeição à Escritura. Em suma, a Bíblia tem uma autoridade abrangente para fé e conduta. Os pentecostais creem que isso não exclui a profecia em seu contexto de exortar, consolar e edificar.

INFALIBILIDADE DA BÍBLIA. Outro subproduto da alta visão da Bíblia é a infalibilidade das Escrituras. Essa convicção afirma que a Bíblia é confiável para a fé e a prática e que a Bíblia declara exatamente a verdade que o Espírito Santo deseja transmitir.
Os pentecostais procuraram evitar dois excessos. Primeiro, eles negaram a avaliação liberal que vê a Bíblia como um documento repleto de erros humanos em meio a Escrituras que são inspiradas. Tal visão enfraquece a autoridade bíblica porque deixa o intérprete com a tarefa de separar o fato da ficção e a verdade do erro. Em segundo lugar, os pentecostais não chegam a uma visão fundamentalista extrema da Bíblia como um depósito estático da verdade que o intérprete aborda apenas pela razão e pela lógica humanas. Sendo livres para examinar quaisquer dificuldades percebidas da Escritura, os pentecostais evitam recorrer a uma postura defensiva, como muitos fundamentalistas assumem. Enquanto os pentecostais acreditam na infalibilidade da Bíblia, eles reconhecem que eles não têm nem a capacidade nem a responsabilidade de tentar provar essa infalibilidade. Porque a Bíblia é inspirada por um Deus infalível, é infalível. Para os pentecostais, nenhuma outra demonstração adicional da infalibilidade da Bíblia é necessária ou imprescindível.

Interpretação
Estudiosos pentecostais contemporâneos estudam a base gramatical e histórica das Escrituras, mas eles não interpretam a Bíblia como qualquer outro livro. Informações factuais derivadas de gramática e história ajudam a criar um contexto comum para entender o que o texto bíblico significa. O intérprete entende que o significado da Palavra de Deus não é estritamente determinado por um sistema lógico fechado, semelhante à matemática. A tentativa de explicar o significado da Bíblia apenas com base na razão e nas habilidades tendem a ver as Escrituras como apenas uma coleção de documentos do mundo antigo a ser estudada e interpretada como qualquer outra obra literária. A verdade da Bíblia não depende da nossa resposta a questões literárias e históricas, mas tal estudo amplia e torna mais precisa nossa compreensão da Bíblia e como ela foi dada à humanidade (G. E. Ladd, The New Testament and Criticism).
O perigo é o método de colocar a Bíblia nas mãos do especialista e tirá-la das mãos da pessoa comum. A compreensão espiritual nem sempre espera pela aquisição de ferramentas para análise gramatical e compreensão histórica. É o Espírito Santo que abre os olhos da fé e ilumina a Palavra de Deus para o coração humano. Para apreciar a dinâmica da interpretação pentecostal, vamos agora considerar como o texto bíblico está envolvido.

O ESPÍRITO SANTO E INTERPRETAÇÃO. O método pentecostal de interpretação é essencialmente pneumático ou charismático. Em outras palavras, o intérprete baseia-se na iluminação do Espírito Santo do texto bíblico, a fim de chegar ao mais completo entendimento do texto. A Escritura é dada pelo Espírito e é melhor compreendida pela ajuda do Espírito. A iluminação do intérprete pelo Espírito é uma parte vital da compreensão do significado atual do texto bíblico [é neste ponto que Calvino foi considerado o "teólogo do Espírito Santo"]. O Espírito Santo tem um papel mais amplo no processo de interpretação do que simplesmente pegar as coisas do Cristo encarnado e declará-las para nós (João 16:14). A própria Bíblia cobre mais de mil anos e foi concluída mais de mil e novecentos anos atrás. Existe uma grande distância no tempo e na cultura entre os autores antigos e os leitores modernos da Bíblia. A distância tem que ser respeitada, mas o Espírito Santo supera a lacuna no tempo e na cultura. O Espírito Santo faz isso servindo como um contexto comum e ligando o tempo e a distância cultural entre o autor original e o intérprete moderno. Em outras palavras, o Espírito ilumina o que as palavras do antigo autor significam para nós que vivemos no século XXI. Através do Espírito, a Palavra de Deus se torna viva, eficaz e fala à nossa situação com novas possibilidades de transformação pessoal e social.

O método pentecostal de interpretação vai além do significado literal das Escrituras. [Sem contudo, negligenciá-lo]. O significado mais profundo do texto bíblico não é dado através da mera razão humana, porque o Espírito Santo desempenha um papel definido na interpretação e aplicação contemporâneas. As sugestões a seguir podem indicar como o intérprete confia na iluminação do Espírito para chegar a um entendimento completo do texto bíblico: (1) uma experiência pessoal de fé como parte de todo o processo interpretativo; (2) submissão da mente a Deus para que as habilidades críticas e analíticas sejam exercidas sob a orientação do Espírito Santo; (3) uma genuína abertura ao Espírito Santo à medida que o texto é examinado; (4) resposta ao chamado transformador da Palavra de Deus (French L. Arrington, "Hermenêutica").
É impossível penetrar no coração da mensagem bíblica à parte do Espírito Santo. Paulo enfatiza a importância do Espírito Santo para a interpretação: “O olho não viu, nem ouviu o ouvido, nem penetrou no coração do homem as coisas que Deus preparou para os que o amam”. Mas Deus nos revelou através do Seu Espírito” (1Coríntios 2.9-10a).
O Espírito que revelou é o mesmo que ilumina no processo da compreensão do texto bíblico, aplicando poderosa e salvadoramente as verdades escriturísticas.

EXPERIÊNCIA E INTERPRETAÇÃO. Outra faceta da interpretação pentecostal é a dimensão experiencial. Aqui há duas questões inter-relacionadas distintas: (1) a maneira pela qual a verdade é extraída das Escrituras impacta o encontro pentecostal; (2) o reconhecimento de que a experiência pessoal e corporativa são importantes para o processo interpretativo.
Experiência extraída da interpretação das Escrituras. A fé de alguém não é meramente uma aceitação intelectual, mas é uma resposta vivida em relação ao Espírito Santo. Para os pentecostais, a Bíblia não é estudada de maneira independente, mas eles entram nas experiências apostólicas dos crentes do primeiro século e percebem a presença real de Deus. O veículo para tais encontros é o novo derramamento do Espírito no século XX. Essa “chuva tardia” do Espírito permite que os crentes participem das experiências da igreja do Novo Testamento. Enquanto qualquer pessoa com faculdades e habilidades racionais suficientes pode colher a verdade das Escrituras, insights reais sobre as verdades da Palavra de Deus vêm da fé e do Espírito Santo.

Experiência informando interpretação das Escrituras. Um testemunho comum dos primeiros pentecostais foi que eles haviam recebido “seu Pentecostes”. A experiência de Atos 2 é apropriada na vida dos pentecostais, e sua suposição é que falar em línguas não é o único paralelo entre a experiência deles e a dos primeiros cristãos. Também estão incluídas todas as manifestações sobrenaturais atribuídas ao Espírito no Novo Testamento - tais como exorcismos, cura divina, milagres, sonhos, visões e todos os dons do Espírito. Consequentemente, os pentecostais esperam que o modo da presença de Deus seja o mesmo agora nos tempos bíblicos.

Relação de interpretação e experiência. Os pentecostais têm sido acusados de colocar suas ideias e experiências à frente das Escrituras e escolher e selecionar textos que concordem com sua experiência. Ao contrário, é o Espírito que opera através da Palavra de Deus que inflama a fé e a experiência pentecostal. Os pentecostais têm derivado suas doutrinas não de encontros pessoais, mas da Bíblia. Por exemplo, foi o estudo bíblico indutivo (semelhante ao evento da Reforma sob os auspícios de Lutero) que levou à doutrina do batismo no Espírito na virada do século XX em Topeka, Kansas. Esta doutrina foi confirmada pelo testemunho pessoal de Agnes Ozman, que foi a primeira pessoa a receber o batismo no Espírito no Bethel Bible College.

A experiência é importante para a interpretação da Bíblia. No processo de interpretação, há uma interação entre a Escritura e a experiência (MOORE, Rickie D. “Aproximando-se da Palavra de Deus Biblicamente: Uma Perspectiva Pentecostal”, Ponto de Vista do Seminário). O que os pentecostais encontram na Bíblia informa suas crenças e práticas, e eles passam a reconhecer que o que eles encontram na Palavra de Deus informa seus encontros com Deus. Escritura e experiência estão interligadas. As verdades das Escrituras não são verdades contemplativas, removidas da experiência real. Pelo contrário, a experiência é colocada em diálogo com as Escrituras. Existe, portanto, uma dinâmica contínua de interpretação da experiência pela norma da Escritura (JOHNS, Cheryl Bridges, Conscientização Afetiva: uma reinterpretação pentecostal de Paulo Freire).
No entanto, há um inegável potencial para a má interpretação surgir no diálogo entre a Escritura e a experiência. Pessoas que dizem ser guiadas pelo Espírito podem cair em heresias chocantes. Para evitar os excessos na interpretação e contra os encontros pessoais que substituem as Escrituras, a participação ativa é vital na comunidade Pentecostal, onde os membros estão unidos em amor e responsabilidade e “testam os espíritos” (1 João 4.1).

Narrativa e interpretação histórica. Lucas e Atos são livros históricos, mas Lucas, autor de ambos, escreveu narrativas inspiradas não apenas para registrar a história, mas também com o propósito de ensinar doutrina. 2ª Timóteo 3.16 declara explicitamente que toda a Escritura é proveitosa para a doutrina. Tanto Jesus como Paulo ensinaram que as narrativas históricas têm uma função de ensino e apelam às narrativas do Antigo Testamento para uma base autoritária para a doutrina (Marcos 2:25-26; 10:6-9; Romanos 15:4; 1 Coríntios 10:1-11). Narrativa compõe mais da Bíblia do que qualquer outra forma literária. A menos que as narrativas ensinem doutrina, não há razão para ter quatro evangelhos na Bíblia. Mas, Jesus ensinou e fez tanto que nenhum dos Evangelhos nos diz tudo sobre Ele e Seus ensinamentos. Em vez disso, cada escritor do Evangelho enfatiza certos pontos sobre o Senhor, assim como fazemos na pregação. Tomamos um texto e enfatizamos alguns pontos do texto, mas nem tudo na passagem. Os escritores dos Evangelhos, sob a orientação do Espírito Santo, foram seletivos e, a partir de suas narrativas, aprendemos não apenas fatos históricos, mas também doutrina. O mesmo vale para o livro de Atos. A intenção de Lucas não era apenas registrar a história, mas ensinar doutrina. (Lucas deve ser respeitado não apenas como um historiador autêntico, mas também como um teólogo competente. Por isso, deve-se entender seus escritos à luz de sua perspectiva teológica e não à luz de outros, também, competentes escritores do Novo Testamento. Isso nos trará, nas palavras de James Dunn, “unidade (teologia bíblica global do Novo Testamento) na diversidade (teologia individual) do Novo Testamento”).
As narrativas de Lucas em Atos servem de base para duas doutrinas pentecostais primárias de subsequência e a evidência inicial. Em particular, cinco passagens de Atos formam o fundamento bíblico para essas duas doutrinas. Eles são a narrativa sobre o Pentecostes (cap.2), o Pentecostes Samaritano (cap.8), o chamado e conversão de Paulo (cap.9), o Pentecostes Gentil (cap.10) e o Pentecostes Efésios (cap.19). Cada relato registra uma experiência de batismo no Espírito recebido pelos primeiros crentes e fornece suporte para a doutrina da subsequência, que ensina que a experiência do batismo é distinta e separada da experiência de conversão. Além disso, em três dos relatos de Atos, falar em línguas é explicitamente mencionado como a evidência do batismo do Espírito, e os outros dois relatos implicam fortemente em glossolalia. Em Samaria, a reação de Simão Mago implicitamente sugere que ele percebeu que os crentes samaritanos receberam o poder do batismo do Espírito, porque parece que eles falaram em línguas (8:18-19). Também, línguas não são mencionadas quando Ananias impôs as mãos sobre Paulo e o apóstolo ficou cheio do Espírito (9:17), mas ele deve ter falado em línguas na imposição das mãos de Ananias, à luz de seu comentário aos coríntios, “Eu falo em línguas mais do que a todos” (1Coríntios 14:18). As narrativas bíblicas apoiam as doutrinas da subsequência e evidência inicial[1].

Concluímos afirmando que o pentecostalismo se tornou um movimento global no qual existem muitos atores e tradições locais. O crescimento desse movimento tem sido maciço com seus esforços para restaurar o cristianismo primitivo, a adoração exuberante, a abertura aos sinais e prodígios bíblicos e a ênfase na vida cristã diária. Para dizer o mínimo, há uma grande diversidade no movimento hoje, e vários grupos e igrejas se afastaram de alguns aspectos do sistema tradicional de crenças dos primeiros pentecostais, de modo que há uma questão sobre se o termo pentecostal se encaixa neles, especialmente no sentido clássico.

Ivan Teixeira
Pentecostal de Mente e Coração.




[1] ARRINGTON, French. Issues in Contemparary Pentecostalism. Copyright © 2012 pela Pathway Press. 1080 Montgomery Avenue, Cleveland, Tennessee 37311).

quarta-feira, 28 de março de 2018

VOCÊ É PASTOR, NÃO FALE DE POLÍTICA!



Já me falaram isso algumas vezes. Há pessoas que querem delinear o campo de ação de um pastor. No entanto, como sou um homem de convicções inegociáveis e creio piedosamente que a Bíblia é a Palavra de Deus, não posso me calar diante do cenário de corrupção e decadência de minha amada nação brasileira.
Acredito que os pastores têm a responsabilidade de ensinar sobre questões políticas. Sim, nós pastores precisamos elencar uma cosmovisão bíblica para orientar o povo de Deus sobre determinados partidos e políticos cujo viés ideológico é anti-bíblico. Não devemos nos calar quando vemos pessoas sendo arrastadas por ideias e ensinos reprovados por Deus. Nosso campo de ação não é apenas soteriológico, mas social também. Nossa teologia elenca um Deus soberano sobre os governos existentes. Sabemos que nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas sim contra os poderes das trevas que atuam nos filhos da desobediência. E é exatamente neste ponto, por meio de nossa obediência e firme luta pelos princípios morais e espirituais, que nós devemos nos posicionam neste cenário político atual.
Crendo que Deus chama certas pessoas para diferentes tarefas na obra geral, inclusive para a política, nós pastores devemos incentivar e orientar certas pessoas a se envolverem profundamente com o processo político, talvez a ponto de se candidatarem a um cargo para assim defender os valores basilares da moral judaico-cristão. Não me refiro a tornar um cargo civil numa plataforma da religião, pois o governo é laico, mas, sim, por meio de uma vida íntegra erguer projetos que firme e expanda valores construtivos para o bem-estar da sociedade.
Creio também que os pastores têm a responsabilidade específica de pregar e ensinar com base na Bíblia a respeito de pelo menos algumas questões que afetam as leis, o governo e a política. Afinal, esses assuntos fazem parte do ensino da Palavra de Deus. E é claro, uma sociedade estará de pé ou caída pelos valores que ela abraça. Não há sociedade neutra, pois somos produtos de nossas reais crenças.
Certos políticos, partidos e até alas do governo e da política que esposam ideias anti-bíblicas e anti-Deus (certo presidente disse que é impossível governar sem Deus e a Bíblia), apoiando abortos, a doutrinação de criancinhas, a normatização do comportamento homossexual, artes imorais, corrupção (conquanto que dê o pão tudo bem!) e apoio a certos movimentos sociais que mais dividem a população do que a une, devem ser repudiadas e reprovadas pelos pastores. Tais como os profetas do Antigo Testamento, nós devemos nos posicionar sobre as nações que massacram os indefesos e apoiam os bandidos.
Nós pastores temos a responsabilidade bíblica, ética e cível de orientar o povo de Deus para votar consciente para termos um governo mais sensato, voltado para a base da sociedade (família), que não advoga em causa própria, mas sim em favor da nação.
Pastores, pregadores e teólogos que sucumbem às ideologias de esquerda é um desserviço ao Reino de Deus e a sociedade brasileira!

Unamo-nos por um Brasil melhor!

Ivan Teixeira
Minha Consciência é Escrava da Palavra!

sexta-feira, 23 de março de 2018

A Bíblia, a Igreja e a Política.


A Bíblia, a Igreja e a Política.



Estou convicto de que Deus pretende que a Bíblia ofereça orientação para todas as áreas da vida, inclusive no tocante ao modo como os governos deve atuar!
Meu propósito neste trabalho é apresentar uma cosmovisão e uma perspectiva bíblicas sobre questões de política, lei e governo. Não pretendo fazer uma exposição secular de posicionamentos políticos, mas apresentar o ensino bíblico sobre os temas.
Concordo com o teólogo Wayne Grudem quando escreve que “a perspectiva de Deus sobre a política é alegre ‘boa-nova’, assim como o restante da Bíblia é boa-nova para todas as áreas da vida! Creio que os ensinos bíblicos a respeito de questões políticas promoverão esperança e mudanças benéficas para as pessoas de todas as nações em que forem aplicados”[1].
Cremos que as boas novas da Bíblia para os oprimidos, para aqueles que anseiam por justiça, para aqueles que desejam paz, para jovens e velhos, fracos e poderosos, ricos e pobres são caminhos maravilhosos da liberdade e de um governo sensato que glorifica a Deus e abençoa a cada ser humano.
A Bíblia como Palavra de Deus tem poder para parar o declínio moral e social de qualquer país. No lugar de declínio, se nós abraçarmos os princípios bíblicos, veremos progresso constante rumo a sociedades melhores, mais agradáveis e produtivas e com menos criminalidade; sociedades mais livres, gentis e felizes, nas quais poderemos viver.
A História comprova que os países que experimentaram grandes visitações de Deus nos avivamentos se tornaram sociedades melhores, mais agradáveis e com governos sensatos e mais justos.
Os princípios e ensinamentos da Bíblia contêm sabedoria proveitosa para todas as nações e para todos os governos.
Mesmos aqueles que não acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus devem analisar e considerar os princípios e ensinamentos bíblicos para um governo e política sensatos.

Pontos de vistas incorretos sobre a igreja e a política:
Meu objetivo aqui ao falar sobre esta temática é esclarecer muitos irmãos e irmãs a respeito destas visões. Não sou exaustivo, mas apenas aponto os tópicos e as referências para situar cada membro das igrejas locais. Um estudo mais profundo, é claro, exigiria uma exposição mais extensa. No entanto, acredito que Deus abençoará meu esforço a tornar este importante tema, igreja e política, claro, acessível e simples para o membro da igreja local.
Afirmo ainda que meu tom não é de erudição, mas sim pastoral. Sempre prezo como pregador e pastor uma tonalidade mais acessível ao povo de Deus. Não gosto de ser aquele “teólogo da varanda”, que apenas ver as pessoas passar nas estradas da vida atinando distante para suas perguntas, dilemas e problemas, mas aquele “teólogo do caminho” que caminhando na estrada ao lado dos transeuntes ouve suas indagações e entende suas dificuldades e desafio, e então fala uma linguagem compreensível ao membro comum da igreja local.

1. O governo deve impor a religião: Um governo sensato não deve, em momento algum, tentar obrigar as pessoas a crer numa religião específica ou segui-la; antes, deve garantir a liberdade religiosa para os seguidores de todas as religiões dentro da nação.
Concordo com as palavras do grande Thomas Jefferson quando redigiu a Declaração de Virgínia para a Instituição da Liberdade Religiosa (1779): “[...] todos os homens terão liberdade de professar e, por argumentos, defender suas opiniões em questões religiosas, o que não diminuirá, nem aumentará, nem afetará de qualquer outro modo sua capacidade civil”.
A visão de impor a religião é contrária à Bíblia e equivocada. Essa visão é incompatível com os ensinamentos do Senhor Jesus e com a própria natureza da fé. Sabemos que a fé ela vem pelo ouvir a pregação, e a pregação da Palavra de Cristo (Rm 10.17). Uma religião imposta não produz conversões verdadeiras. Conversões verdadeiras é obra de Deus Espírito Santo por meio da pregação do santo evangelho que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (cf. Jo 16.7-11; Rm 1.16).

2. O governo deve excluir a religião: Esse ponto de vista entende que é importante excluir a religião totalmente da vida pública. Religião é coisa da vida privada. Se uma pessoa quer ser religiosa que o faça no quarto de sua casa. Os deveres religiosos devem ser praticados em casa de modo discreto.
A visão se excluir a religião do governo é equivocada porque transforma liberdade religiosa em ausência de religião.
Uma coisa é impor uma religião como oficial; outra coisa é a religião influenciar na vida pública e política.
Excluir a religião vai contra a liberdade religiosa e a liberdade de expressão protegidas pela Constituição Federal. “O Estado [deve] prestar proteção e garantia ao livre exercício de todas as religiões”, pois “o Brasil é um país laico”.
A Constituição Federal, no artigo 5º, VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.

Expressar uma opinião religiosa em público não é o mesmo que obrigar as pessoas a aceitar esse ponto de vista! Então, a visão de que o governo deve excluir a religião é equivocada e prejudicial para a sociedade livre. Pode-se acrescentar que a visão de excluir a religião do governo tem de partir do pressuposto de que não existe Deus ou de que, se Ele existe, não temos como conhecer Seus padrões morais. Visto que a Bíblia diz, que a autoridade governamental é “serva de Deus para o teu bem” (Rm 13.4). A Bíblia também afirma que os governantes são “enviados para punir os praticantes do mal e honrar os que fazem o bem” (1Pe 2.14), mas como podem fazer isso se não é permitido a porta-vozes de religião alguma lhes dar conselhos a respeito do “bem” e do “mal”?[2]
O perigo dessa visão é que torna o governo um deus e, por conseguinte uma religião.

3. Todos os governos são perversos e demoníacos: Os proponentes desta visão afirmam que o âmbito do poder governamental é o âmbito de Satanás e de suas forças. Afirma-se também que todo governo civil é “demoníaco”[3].
Para basear tal visão tomam-se as palavras de Satanás em Lucas 4.6: “Dar-Te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue e a dou a quem eu quiser”.
Afirma-se que Satanás é em termos funcionais “o diretor executivo de todos os governos da terra”.
Rejeitamos peremptoriamente este ponto de vista, pois textos bíblicos retratam o governo civil como uma dádiva de Deus, sujeita ao domínio de Deus (e não de Satanás), usada por Deus para Seus propósitos. Eis alguns desses textos:
Daniel 4.17: Esta sentença é por decreto dos vigilantes, e esta ordem por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles.
Romanos 13.1-6: Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.
1ª Pedro 2.13-14: Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por Ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.

Destaca-se que tanto Paulo como Pedro considera que o governo civil sensato se opõe à ação de Satanás na execução da recompensa dos que praticam o bem e no castigo dos que praticam o mal. Satanás incentiva o mal e não o bem. Quando um governo castiga os que praticam o mal está se opondo a Satanás e glorificando e cumprindo o propósito de Deus.
Claro que Satanás pode influenciar alguns indivíduos no governo, mas não está no controle.
Não é bíblica a visão de que todos os governos são demoníacos.

4. A igreja deve se dedicar ao evangelismo, e não à política: Há certos grupos que afastam totalmente sua mente de um engajamento na sociedade e na política. Entende que a igreja, ou os membros dela, deve apenas se dedicar ao evangelismo. Nesta rota entende-se que a igreja é chamada somente para “pregar o evangelho”, e não para falar de política.
No entanto, a pregação do evangelho deve incluir também aquilo que a Bíblia diz a respeito do governo civil. Isso significa que os cristãos aprenderão na Bíblia sobre como influenciar governos de modo que Deus seja honrado, glorificado e a sociedade abençoada. Porventura, os cristãos não são sal e luz do mundo? (Mt 5.13-14). Isso não significa afastamento, mas engajamento.
Mateus 5.13: sal da terra. Como o sal é benéfico de várias maneiras (como conservante, tempero etc.), assim são os discípulos de Jesus que influenciam o mundo para o bem. Mateus 5.14: luz do mundo. Os discípulos de Jesus têm a vida do reino dentro deles como um testemunho vivo para aqueles no mundo que ainda não têm a luz[4].
Deve-se destacar que muitos evangélicos entendem que “devemos apenas pregar o evangelho, e que esse é o único modo pelo qual os cristãos têm esperança de transformar o coração das pessoas e transformar nossa sociedade”. Entendo que a suprema Missão da Igreja em relação ao mundo seja pregar o evangelho a toda a criatura, porém isso não impede os cristãos de se envolverem sabiamente em assuntos civis, políticos e etc., para o bem-estar da sociedade.
Temos exemplo de cristãos dedicados que fizeram um grande serviço na política. Um deles é o grande William Wilberforce, que se envolveu na política tornando-se um grande proponente para o fim da escravatura na Inglaterra. Ele foi o líder do movimento abolicionista do tráfico negreiro. E o que dizer do pastor Martin Luther King? Pastor que se tornou um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo.
Sabemos que o Senhor Jesus e Seus apóstolos exemplificaram e ensinaram que Deus não está apenas preocupado com o bem-estar espiritual das pessoas, mas também com o bem-estar físico, social e governamental. Nosso Senhor curou as pessoas de enfermidades físicas, ensinou que deveríamos dar a César o que é de César. Seus apóstolos orientaram os cristãos a viverem de forma sensata, justa e piedosamente neste mundo (Tt 2.12).
Paulo conclamou os cristãos a orar “pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e serena, em toda piedade e honestidade” (1Tm 2.2). Oração e ação, essa é a tônica do Cristianismo bíblico! Os cristãos têm uma responsabilidade para com os governos!

5. A igreja deve se dedicar à política, e não ao evangelismo.
É claro que uma visão que diz que a igreja deve apenas tentar mudar as leis e a cultura e não evangelizar é totalmente anti-bíblica e espúria.
Essa foi uma ênfase do Evangelho Social no final do século XIX e início do século XX, com suas campanhas para fazer a igreja trabalhar agressivamente para superar a pobreza, as favelas, o crime, a discriminação racial e outros males sociais. É claro que estas são boas causas, mas o movimento dava pouca ênfase à necessidade de os indivíduos colocarem a confiança pessoal em Cristo como Salvador ou a necessidade de proclamar a Bíblia inteira como a Palavra de Deus e digna de nossa crença.
Muitos bons cristãos podem inconsciente e erroneamente defender essa ideia quando pensam que apenas as boas leis irão resolver os problemas de uma nação ou trazer uma sociedade justa e sensata.
A menos que haja simultaneamente uma mudança interior nos corações e mentes das pessoas, as boas leis por si só trarão má vontade, o cumprimento externo do nível mínimo de obediência necessário para evitar a punição. O bom governo e as boas leis podem impedir muito o mau comportamento, e podem ensinar às pessoas o que a sociedade aprova, mas elas não podem por si mesmas produzir boas pessoas. Cal Thomas e Ed Dobson corretamente advertem: “Mas nós, que somos cristãos, estamos iludidos se achamos que mudaremos nossa cultura apenas por meio do poder político”[5].

PERSPECTIVA EQUILIBRADA!
Essas são perspectivas desequilibradas e até extremas sobre a temática “igreja e política”. A meu ver, precisamos buscar uma tonalidade bíblica que direcione nossa posição sobre o referido tema. Não devemos nos deixar levar pelos extremos, mas procurar equilíbrio desde que seja bíblico.
Entendo que há uma sexta perspectiva que seja equilibra e bíblica: 6. Deve haver uma influência [não imposição] cristã expressiva sobre o governo.
É interessante ter o cuidado para evitar o erro comum de usar versículos bíblicos fora de contexto para corroborar praticamente qualquer posicionamento a respeito de controvérsias políticas atuais. Nós devemos entender os textos em seus contextos e extrair os claros princípios para nossa temática.
Com relação a princípios extraídos dos textos bíblicos, nós devemos entender duas coisas: (1) aqueles princípios bíblicos que são claro, direto e categórico. Por exemplo, a Bíblia ensina claramente que os governos civis foram instituídos por Deus para punir o mal e recompensar o bem; a ideia de que as leis de uma nação devem proteger a vida das pessoas, especialmente das crianças que ainda não nasceram (por isso, sou peremptoriamente contra o aborto). (2) Há aqueles argumentos que lançam mão ou se baseiam em princípios mais amplos. Um exemplo é que a forma preferível de governo é algum tipo de democracia. Nesse caso, o argumento de um governo democrático, não se baseia em princípios bíblicos diretos e específicos, mas em princípios mais amplos (como a igualdade de todas as pessoas, uma vez que foram criadas à imagem de Deus, e a importância de estabelecer limites para o poder do governo humano).
Ainda pode-se argumentar que existem aqueles argumentos baseados numa avaliação dos fatos relevantes no mundo de hoje ou resultados atuais de certas políticas adotadas. Exemplo disso é entender se certas políticas de menos ou mais impostos contribuem para um crescimento ou não da economia de determinado país. Pode-se adquirir em certas políticas de aumento de impostos um crescimento econômico e um grande benefício para os cidadãos. Noutro espectro pode-se obter resultados negativos. Então, devem-se avaliar os resultados atuais de certas políticas adotadas.

SEJA UM INTRUMENTO DE BÊNÇÃO PARA TEU PAÍS, NÃO UM MURMURADOR QUE AMALDIÇOA!
É triste constatar que muitos crentes amaldiçoam o país onde residem. Isso não é sábio e muito menos bíblico. Como cristãos conscienciosos nós devemos seguir os ensinos bíblicos sobre a postura correta para viver num determinado país.
Nós devemos ser luz de bênção, instrução, exemplo, trabalho e testemunho para a sociedade onde vivemos e não trevas que só sabe amaldiçoar e nada faz para mudar, influenciar e redirecionar as pessoas e a nação.
Nós devemos ser sal moderado para preservar o bem-estar e a saúde moral da sociedade onde vivemos e não pessoas insalubres que só sabem reclamar e amaldiçoar as pessoas.

Cada cristão deve buscar o bem-estar da cidade, estado e país onde vive!
O conselho que Jeremias proclamou aos exilados judeus na Babilônia também apoia a ideia de que os crentes podem influenciar leis, culturas e os governos. Jeremias disse a esses exilados: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz” (Jr 29.7). Os crentes fiéis a Deus entendem a responsabilidade de se empenharem na promoção do bem-estar social, cultural e político de determinada cidade, Estado ou país. O verdadeiro “bem-estar” de tal cidade será promovido através de leis e políticas governamentais que sejam consistentes com o ensino de Deus na Bíblia, não por aqueles que são contrários aos ensinamentos da Bíblia.
Cada cristão deve oportunamente procurar influenciar a cultura, a política e o governo de tal maneira que possam desfrutar de momentos de paz, felicidade, prosperidade e justiça.
Então, em vez de ficar resmungando, reclamando, choramingando, murmurando e amaldiçoando levante-se e se empenhe para influenciar o país pelas verdades de Deus e orar para que Deus tenha misericórdia e nos dê um governo mais justo! Como Deus disse por intermédio de Jeremias: “na sua paz vós tereis paz”.

Ivan Teixeira


[1] GRUDEM, W. Política Segundo a Bíblia: Princípios que todo cristão deve conhecer, p.19. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 2014.
[2] GRUDEM, 2014, p.44.
[3] BOYD, Greg. The Myth of a Christian Nation, p.21. Grand Rapids: Zondervan, 2005.
[4] Crossway Bibles. (2008). The ESV Study Bible (p.1828). Wheaton, IL: Crossway Bibles.
[5] THOMAS, Cal and DOBSON, Ed, Blinded By Might: Why the Religious Right Can’t Save America (Grand Rapids: Zondervan, 1999), p.51.