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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A IGREJA O REFÚGIO CONTRA AS HERESIAS

 


Santo Ireneu descreveu os hereges como aqueles “que abandonam a doutrina da Igreja”. Ele diz que os hereges acusam de “ingenuidade” e simplicidade os líderes da igreja, pensando que encontraram “algo superior à verdade” (Adv. Haer. V, 20.2). Isso soa (“algo superior”) semelhante as palavras que o Cristo glorificado condenou nas heresias da profetisa Jezabel: “profundezas de Satanás” (Apocalipse 2.24). Essas “profundezas de Satanás” equivalem a doutrinas falsas ou mesmo a “algo superior” que a igreja normalmente ensina. Notem que os seguidores de Jezabel caçoavam dos cristãos “que não conheciam as profundezas de Satanás” (v.24). Mas Cristo diz para estes cristãos: “[...] Outra carga não jogarei sobre vós” (v.24). O Senhor ressurreto vai guarda-los destes hereges jezabelitas. O Cristo glorificado condena fortemente os falsos ensinos!

Heresias nada mais são do que “profundezas de Satanás” produzidas na “sinagoga de Satanás” vindo direto do “Trono de Satanás” (Apocalipse 2.9,13). Os cristãos devem ter cuidado com aqueles que se dizem possuidores de “verdades superiores e reveladas”, mas que diferem gritantemente das doutrinas essenciais da Igreja Cristã.

Normalmente os hereges dizem que encontraram uma “nova verdade” ou “verdades profundas” que os líderes da igreja não conseguiram detectar. O herege sempre sai, segundo eles, da “bolha religiosa”, postulando novas revelações.

Santo Ireneu diz que os tais hereges “[...] andam por caminhos tortuosos, sempre novos e inseguros, mudam continuamente de opinião e como cegos conduzidos por cegos fatalmente cairão na fossa da ignorância aberta diante deles, destinados a procurar sempre e nunca encontrar a verdade” (Adv. Haer. V, 20.2). Pode-se dizer que os tais nunca chegarão ao conhecimento da verdade. Os hereges são homens que resistem à verdade como Janes e Jambres. São pessoas “de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles” (2Timóteo 3.7-9). Um herege se autodestruirá, pois, disse o apóstolo Paulo “nada podemos contra a verdade senão em favor da própria verdade” (2Coríntios 13.8).

 

Igreja: Refúgio contra as heresias e Seio para alimentar os crentes!

As igrejas devem ser refúgios contra as heresias perniciosas. As igrejas locais devem ser o seio da educação doutrinária. Posso dizer altissonante que o Espírito Santo alimenta os novos convertidos nos seios da Igreja-Mãe por meio de mestres ungidos. Os mestres são como pais e mães dos cristãos (1Tessalonicenses 2.7,11,12; 2Timóteo 2.1), existe tanto o cuidado disciplinar e firme do pai quanto o afeto, a ternura e o amamentar da mãe. Os Pais já diziam que aqueles que não tem a igreja como Mãe não podem ter a Deus como Pai. São Cipriano de Catargo escreveu: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Como ninguém se pôde salvar fora da arca de Noé, assim ninguém se salva fora da Igreja”. São Cipriano fala dos obstinados que, conhecendo a verdade, insistem, por ódio ou comodismo pagão, em se apartar da Igreja de Cristo. As palavras de São Cipriano devem ser entendidas no contexto daqueles que estão nas congregações locais e promovem cismas, divisões, dissensões e acabam por prejudicar a unidade congregacional. Sobre os tais o apóstolo Paulo falou que o próprio Deus os destruirá (1Coríntios 3.16,17).

Os pastores devem se dedicar para proporcionar um ambiente de refúgio nas congregações locais aos santos contra as heresias. Os pastores devem proporcionar um ambiente materno nas congregações para alimentar bem os novos convertidos. Os hereges não dormitam em sua semeadura herege. Os pastores devem vacinar os cristãos com a verdade do evangelho para resguardá-los dos vírus mortais dos falsos ensinos.

Nós, disse João, não precisamos que os hereges nos ensinem suas profundezas porque já temos a Unção do Santo que nos ensina todas as coisas e essa Unção é verdadeira (1João 2.20,27). O crente não precisa destes falsos mestres com suas “revelações” e verdades “profundas”, pois o Espírito Santo já vem educando os cristãos por meio de mestres capacitados e ungidos por Ele.

A tonalidade bíblica é que qualquer um que não fale de acordo com o evangelho de Cristo Jesus seja amaldiçoado por Deus! Até mesmo, disse Paulo, se um anjo anunciar outro evangelho (ou perverter o evangelho que recebemos) deve ser rejeitado peremptoriamente (Gálatas 1.6-9). Esses ditos mestres querem “perturbar” a paz doutrinal da Igreja (Gálatas 1.7), e aliciar os incautos e inconstantes que não se firmam na verdade da fé doutrinal. Paulo salientou em Efésios 4.14 que os tais usam de artimanha e astúcia para conduzir os “meninos” ao erro.

Paulo salientou que a igreja deve ser a coluna e firmeza da verdade (1Timóteo 3.15). Ireneu escreveu que “com efeito, em todo lugar, a Igreja prega a verdade, verdadeiro candelabro de sete braços, trazendo a luz de Cristo” (Adv. Haer. V, 20,1). Para o grande bispo de Lyon “A Igreja é como paraíso plantado neste mundo. Portanto, comereis do fruto de todas as árvores do paraíso, diz o Espírito de Deus, o que significa: alimentai-vos de todas as Escrituras divinas, mas não o façais com intelecto orgulhoso e não tenhais nenhum contato com a dissensão dos hereges. Eles afirmam possuírem o conhecimento do bem e do mal e elevam seus pensamentos acima do Deus que os criou, e com a sua inteligência ultrapassam a medida da inteligência” (Adv. Haer. V, 20,2).

Os hereges sempre apontam para o “fruto do conhecimento do bem e do mal” como um passo para alcançar a divindade. Nós, os cristãos, devemos nos deleitar no conhecimento de Deus que foi revelado em Cristo e que nos é ensinado pelo Espírito da Verdade (João 14.17). Nós, os cristãos, não precisamos conhecer as grandes “gnoses” da “árvore do conhecimento do bem e do mal” proposta pelos hereges, pois já temos o Paraklêtos que nos guia em toda a verdade substancializada nas coisas do porvir e na glorificação do Cristo (João 16.13,14).

Nós, cristãos, não precisamos, tal como os hereges, conhecer as “profundezas de Satanás”, pois já temos conhecimento pelo Espírito Santo das “profundezas de Deus” (1Coríntios 2.10) e estamos, pelo mesmo Espírito, crescendo para alcançar o pleno conhecimento do Cristo (Colossenses 1.9,10).

Concluo com as palavras do grande bispo de Lyon: “Todos os hereges são estúpidos e ignorantes quando tratam da economia de Deus e estão por nada ao corrente das obras relativas ao homem, e como cegos, diante da verdade, eles próprios se levantam contra a sua salvação” (Adv. Haer. V, 19.2).

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

DOUTRINA PENTECOSTAL DA IGREJA

 

(Insights iniciais)


Qualquer observador entenderá que a igreja evangélica brasileira enfrenta crises, e que certas deficiências são notadas em seu meio. Nós não precisamos nos esforçar muito para diagnosticar o quão moribunda se encontra as igrejas locais. É claro que há suas exceções e muitos pastores estão orando, pregando e liderando as igrejas para uma desenvoltura, reforma e avivamento. Apesar disso, vemos vários sinais de declínio, capitulação e deficiências nas igrejas locais.

Particularmente, eu creio e prego que nós devemos voltar àquela dependência do Espírito vista nos cristãos neotestamentário sob à luz do Evento do Calvário e do Pentecostes para uma restauração poderosa das nossas congregações locais. Caso as igrejas locais almejam ser bíblicas precisam andar nos trilhos das verdades reveladas tanto no Calvário quanto no Pentecostes. Noutras palavras, a igreja deve ser centrada e edificada por Cristo e n’Ele, mas também é construída pelo Espírito e vivificada, crescente e capacitada n’Ele. Nossa eclesiologia se sustenta sobre o Evento do Cristo crucificado e ressurreto, no Calvário, e sobre o Evento fundante, capacitante e movente do Espírito Santo no Pentecostes. Calvário e Pentecostes são a glória da redenção da humanidade.

Acredito que a eclesiologia pentecostal deve ser construída sobre os pilares do Pentecostes tendo uma consciência retrospectiva da redenção realizada no Calvário. O Calvário aponta para o Pentecostes, e o Pentecostes retrocede para o Calvário. O Cristo e o Espírito, como é peculiar ao Movimento Pentecostal, não são (e não deve ser!) meros adendos externos na construção do edifício eclesiástico. Cristo é a pedra angular, e o Espírito o construtor da morada espiritual de Deus sobre o fundamento dos apóstolos. Os cristãos são pedras vivas na edificação, construção e crescimento do edifício eclesial (1Pedro 2.5). Na eclesiologia fundada pelos apóstolos com o Cristo como pedra angular, nota-se a perpétua e movente ação carismática e pneumática do Espírito para tornar o edifício eclesial numa morada pneumática ou espiritual para Deus Pai (Efésios 2.20-22). Nós pentecostais devemos propor uma eclesiologia formada pelo Espírito sobre o fundamento dos apóstolos tendo o Cristo como a pedra angular.

Essa edificação eclesial pelo Espírito torna os cristãos uma casa do Espírito (ou espiritual) para que sejam um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais (pelo Espírito ou pneumático), agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo (1Pedro 2.5).

Uma eclesiologia pentecostal deve se desenvolver, primeiro, a partir do evento do Calvário que pelo sangue (morte) do Cristo destruiu toda hostilidade do pecador para com Deus Pai, e reconciliou toda a humanidade crente com Deus, formando um só corpo, a Igreja (Efésios 2.14-17). Segundo, articula-se no evento do Pentecostes afirmando que no Cristo, pelo Espírito e por meio do mesmo Espírito, todos os cristãos têm acesso ao Pai (v.18). Essa Igreja Pentecostal, fundada, inaugurada e nascida no Dia de Pentecoste, é totalmente dependente do Espírito para centrar-se no Cristo e n’Ele ser construída. Terceiro, a igreja pelo Espírito fundante-movente e pelo dinamis (poder) capacitador se torna missionária (uma eclesia enviada) e testemunhal (uma eclesia orante) do Cristo ressurreto e exaltado à Destra do Pai (uma eclesia adoradora). A Igreja Pentecostal é missionária, testemunha e adoradora do Cristo que morreu no Calvário e ressuscitou ao terceiro dia e foi assunto à Destra do Pai.

Pode-se dizer que no Cristo, a pedra angular do edifício eclesial, existe uma mega construção pneumática (do Espírito) para morada espiritual de Deus Pai (Efésios 2.20).

O planetário eclesial pentecostal deve orbitar no Calvário e no Pentecostes!

sábado, 16 de fevereiro de 2019

MINISTÉRIO DE MULHERES NA IGREJA LOCAL

ESTUDIOSOS BÍBLICOS PROEMINENTES SOBRE MULHERES NO MINISTÉRIO


Mulheres no Ministério
Alguns cristãos acham que apenas pessoas que têm uma “abordagem flexível das Escrituras” podem acreditar que as mulheres devem ser líderes e professores na igreja. Eu duvido fortemente que qualquer cristão evangélico consideraria esses estudiosos e teólogos como tendo uma abordagem frouxa das Escrituras, e ainda assim cada um deles acredita que as mulheres adequadamente dotadas devem ser líderes e professores na igreja. Aqui está uma amostra de várias declarações feitas por esses renomados estudiosos (alguns dos quais já estão falecidos).

F. F. BRUCE (1910-1990)
F. F. Bruce era o professor de Rylands de Crítica e Exegese Bíblica na Universidade de Manchester, e pertencia aos Irmãos Abertos.
Um apelo aos primeiros princípios em nossa aplicação do Novo Testamento poderia exigir o reconhecimento de que, quando o Espírito, em Sua soberana boa vontade, concede variados dons aos crentes individuais, esses dons se destinam a ser exercidos para o bem-estar de toda a igreja. Se ele manifestamente reteve os dons de ensino ou liderança das mulheres cristãs, então devemos aceitar isso como prova de Sua vontade (1 Co 12:11). Mas a experiência mostra que Ele concede esses e outros dons, com "pouca consideração", tanto a homens como a mulheres – não em todas as mulheres, é claro, nem em todos os homens. Sendo assim, não é satisfatório repousar em uma casa intermediária nesta questão do ministério de mulheres, onde elas podem orar e profetizar, mas não ensinar ou liderar”.

F.F. Bruce, “Women in the Church: A Biblical Survey,” Christian Brethren Review 33 (1982), 7-14, 11-12.


GORDON D. FEE (N. 1934)
Professor Emérito de Novo Testamento no Regent College, ordenado nas Assembleias de Deus:
Parece um triste comentário sobre a igreja e sobre a sua compreensão do Espírito Santo de que a liderança e o ministério “oficiais” podem vir de apenas metade da comunidade de fé. A evidência do Novo Testamento é que o Espírito Santo é inclusivo de gênero, presenteando homens e mulheres, e assim potencialmente libertando todo o corpo para todas as partes para ministrar e de várias maneiras dar liderança aos outros. Assim, minha questão no final não é uma agenda feminista – uma defesa das mulheres no ministério. Pelo contrário, é uma agenda do Espírito, um apelo pela liberação do Espírito de nossas restrições e estruturas, para que a igreja possa ministrar a si mesma e ao mundo com mais eficiência.

“The Priority of Spirit Gifting for Church Ministry”, Discovering Biblical Equality Complementarity without Hierarchy. Ronald W. Pierce, Rebecca Merrill Groothuis, Gordon D. Fee (eds) (Leicester: IVP Academic, 2005), 254.

“A Prioridade do Espírito Presentear para o Ministério da Igreja”, Descobrindo a Bíblia Complementaridade de igualdade sem hierarquia. Ronald W. Pierce, Rebecca Merrill Groothuis, Gordon D. Fee (eds) (Leicester: IVP Acadêmico, 2005), 254.


CRAIG S. KEENER (N. 1960)
Professor de Novo Testamento no Asbury Theological Seminary, ordenado em uma igreja batista afro-americana, mas serve em contextos com diversas tradições.
...nós pentecostais e carismáticos afirmamos que a autoridade do ministro é inerente ao chamado e ministério da Palavra do ministro, não à pessoa do ministro. Neste caso, o gênero deve ser irrelevante como uma consideração para o ministério – para nós como foi para Paulo... Hoje devemos afirmar aqueles a quem Deus chama, sejam homens ou mulheres, e encorajá-los a aprender fielmente a Palavra de Deus. Precisamos afirmar todos os trabalhadores em potencial, tanto homens quanto mulheres, para os campos de colheita abundantes.

Was Paul For or Against Women in Ministry?, Enrichment Journal, Spring 2001.
Paulo foi a favor ou contra as mulheres no ministério ?, Enrichment Journal, primavera de 2001. (Fonte)


I. HOWARD MARSHALL (1934-2015)
Professor emérito de exegese do Novo Testamento na Universidade de Aberdeen, pertencia à Igreja Metodista Evangélica

Muita angústia é sentida por mulheres cujos talentos dados por Deus foram negados à expressão. Isso se deve à incapacidade dos complementaristas de fornecer quaisquer razões coerentes e persuasivas para negar às mulheres essas posições [ministeriais] na igreja – as mulheres são solicitadas a aceitar um mandamento das Escrituras simplesmente porque é a vontade de Deus, mesmo que não entendam por que é assim... [A angústia também é causada pela] arbitrariedade da maneira pela qual a decisão é colocada em vigor, com tudo o que vai além do que a Escritura realmente diz e a casuística que é empregada em relação aos limites do que as mulheres podem e não podem fazer.

Comments made at a panel discussion at the Evangelical Theological Society 2010 meeting.
Comentários feita em um painel de discussão na reunião da Sociedade Teológica Evangélica de 2010. (Fonte)


LEON MORRIS (1914-2006)
Estudioso do Novo Testamento, ordenado ministro anglicano:
Em seu comentário sobre a carta de Paulo aos Romanos, Morris afirmou que “Febe é certamente chamada de diácono” em Romanos 16:1; e Júnia e Andrônico (mencionados em Romanos 16:7) eram “notáveis ​​entre os apóstolos, o que pode significar que os apóstolos os consideravam em alta estima ou que eram apóstolos e notáveis ​​apóstolos”. Morris acrescenta: “O primeiro entendimento parece menos provável...”. A Epístola aos Romanos (Grand Rapids: Eerdmans, 1988), 529 e 534. Morris também escreveu ensaios defendendo as mulheres no ministério, e ele recebeu mulheres no Ridley Theological College, Melbourne, onde foi diretor de 1964 até sua aposentadoria em 1976.


JOHN STOTT (1921-2011)
Ministro anglicano, teólogo, um dos principais autores do Pacto de Lausanne em 1974:
Se Deus dota as mulheres com dons espirituais (o que Ele faz), e assim as chama para exercer seus dons para o bem comum (o que Ele faz), a Igreja deve reconhecer os dons e chamados de Deus, disponibilizar as esferas de serviço apropriadas às mulheres e devem 'ordenar' (isto é, comissão e autorizar) a exercer seu ministério dado por Deus, na melhor das hipóteses, em situações de equipe. Nossas doutrinas cristãs de criação e redenção nos dizem que Deus quer que Seu povo talentoso seja realizado, não frustrado, e que Sua igreja seja enriquecida por seu serviço.

J.R.W Stott, Issues facing Christianity Today (Basingstoke: Marshalls, 1984), 254.
J. R. W. Stott,  Questões que Enfrentam o Cristianismo Hoje  (Basingstoke: Marshalls, 1984), p. 254.


BEN WITHERINGTON III (N. 1951)
Professor de Interpretação do Novo Testamento no Seminário Teológico de Asbury, pastor metodista ordenado.
Precisamos nos manter constantemente em mente que o que determina ou deve determinar as estruturas de liderança na igreja não é gênero, mas sim dons e graças do Espírito Santo. A família de fé não é idêntica à família física e o gênero não é determinante de papéis nela. Gênero, é claro, afeta alguns papéis da família cristã, mas isso é irrelevante quando se trata da discussão sobre a estrutura de liderança da igreja. É por isso que não devemos nos surpreender ao encontrar, mesmo nas cartas de Paulo, exemplos de mulheres mestres, evangelistas, profetisas, diáconos e apóstolos. Paulo não é aquele que está interessado em batizar a ordem patriarcal caída existente e chamá-la de boa. Um dos sinais dos pontos de vista de Paulo sobre esses assuntos pode ser visto no que ele diz sobre o batismo – não é um sinal específico de gênero que temos para o novo pacto, ao contrário daquele para o antigo pacto, e Paulo acrescenta que em Cristo não há 'macho e fêmea' assim como não há judeu ou gentio, escravo ou livre. As implicações disso são enormes. A mudança no sinal da aliança sinaliza a mudança na natureza da aliança quando se trata de homens e mulheres.


Why Arguments against Women in Ministry aren’t Biblical, on Dr Witherington’s website The Bible and Culture. 
Por que os argumentos contra as mulheres no ministério não são bíblicos, no site do Dr. Witherington A Bíblia e a Cultura aqui.


N. T. WRIGHT (N. 1948)
Estudioso do Novo Testamento, bispo anglicano de Durham (2003-2010).
São as mulheres que vêm primeiro ao túmulo, que são as primeiras a ver Jesus ressuscitado, e são as primeiras a receber a notícia de que Ele ressuscitou dos mortos. Isso é de importância incalculável. Maria Madalena e os outros são os apóstolos dos apóstolos. Não devemos nos surpreender que Paulo chama uma mulher chamada Junia apóstolo em Romanos 16.7. Se um apóstolo é uma testemunha da ressurreição, havia mulheres que mereciam esse título antes de qualquer um dos homens... Essa promoção das mulheres também não é uma coisa totalmente nova com a ressurreição. Como de muitas outras maneiras, o que aconteceu então pegou dicas e pontos de vista anteriores na carreira pública de Jesus. Penso em particular na mulher que ungiu Jesus (sem entrar aqui na questão de quem foi e se aconteceu mais de uma vez); como alguns apontaram, essa foi uma ação sacerdotal que Jesus aceitou como tal.

Serviço para Mulheres na Igreja: A base bíblica”, um artigo para a conferência do Simpósio, Homens, Mulheres e Igreja, St John's College, Durham, 4 de setembro de 2004. (Fonte)
“Women’s Service in the Church: The Biblical Basis”, a conference paper for the Symposium, Men, Women and the Church, St John’s College, Durham, September 4 2004.


MUITO MAIS . . .
Muitos outros estudiosos evangélicos também acreditam que a Bíblia, corretamente interpretada, não restringe as mulheres dotadas de qualquer função ou posição ministerial. Há muitos para mencioná-los todos, mas aqui estão apenas alguns: Kenneth Bailey, Gilbert Bilezikian, Michael Bird e Craig A. Evans. R. T. France, Kevin Giles, Joel B. Green, Stanley Grenz, Richard Hays, David Instone-Brewer, Walter Kaiser , Kenneth Kantzer, John R. Kohlenberger III, Richard N. Longenecker, Scot McKnight , Roger Nicole , Roger E. Olson , Philip Barton Payne , Stanley Porter, Howard Snyder, John Stackhouse, etc. (Eu optei por mencionar apenas estudiosos do sexo masculino para evitar uma acusação de que as mulheres fossem egoístas).

Finalmente, uma citação de Dallas Willard (1935-2013),
Não são os direitos das mulheres ocuparem papéis ministeriais 'oficiais', nem sua igualdade com os homens nesses papéis, que estabelecem os termos de seu serviço a Deus e seus vizinhos. São suas obrigações que o fazem – obrigações que derivam de suas habilidades humanas fortalecidas pelo dom divino.

Como eu mudei de ideia sobre as mulheres na liderança (Grand Rapids: Zondervan, 2010), 10 (itálico do autor).
How I Changed my Mind about Women in Leadership (Grand Rapids:Zondervan, 2010), 10 (italics by the author).


Quem mais pode ser adicionado à lista de respeitados estudiosos evangélicos respeitados que defendem as mulheres no ministério?


Autora

Marg Mowczko vive ao norte de Sydney, na Austrália, em uma casa repleta de três gerações de família. Ela acredita firmemente que, se estamos em Cristo, somos parte da Nova Criação e parte de uma comunidade onde velhos paradigmas sociais de hierarquias e castas ou sistemas de classes não têm lugar (2Co 5:17; Gl 3:28). Marg tem um BTh do Australian College of Ministries e um mestrado com especialização em estudos cristãos e judaicos da Universidade Macquarie.

sábado, 15 de dezembro de 2018

OS INFILTRADOS NAS IGREJAS LOCAIS!


CUIDADO, INIMIGOS INFILTRADOS NAS IGREJAS LOCAIS!

2ª Coríntios 6.14: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos”.

É de suma importância que compreendamos e acreditemos que o maior perigo para a igreja não é de fora, mas de dentro. Esta é uma verdade que tem sido repetidamente demonstrada na história da igreja. Talvez sua demonstração mais dramática tenha sido na igreja protestante alemã no século passado. A crítica bíblica alemã enfraqueceu tanto a confiança na Bíblia que poucos pastores a viam como a infalível Palavra de Deus. A teologia liberal estava no banco do motorista – e os púlpitos atendiam aos desprezíveis culturais. Havia exceções notáveis, é claro, como o corajoso pastor Martin Niemoller, que em 1933 pregou por ocasião do aniversário de quatrocentos e cinquenta anos de Martinho Lutero sobre como seria trágico se o diabo enchesse as mentes alemãs com a ilusão de que o que precisavam era não a graça de Deus, mas a coragem de Martinho Lutero.
Na noite seguinte, com o misterioso cumprimento das palavras do pastor Niemoller, 20 mil cristãos sob a égide da Igreja Evangélica Alemã, liderados por bispos e autoridades da Igreja em pleno regalo, reuniram-se no novo Palácio dos Esportes de Berlim. Depois de uma fanfarra de trombetas e do canto de “Agora agradeço a todo o nosso Deus”, um pastor de Berlim, Joachim Hossenfelder, anunciou que estava implementando o infame parágrafo ariano em sua diocese que demitiu todos os judeus cristãos do ofício da igreja, imediatamente. Durante a noite também foi anunciado, entre outras coisas, que Niemoller estava suspenso, que a Bíblia deveria ser reexaminada para todos os seus elementos não-alemães (isto é, dessemiticizada), e que um orgulhoso e heroico Jesus deveria substituir o modelo da Bíblia de Servo sofredor. O discurso foi interrompido repetidas vezes por aplausos. Pateticamente, nenhum dos bispos ornamentados ou líderes da igreja se levantaram para discordar.2 Claramente, a igreja estatal havia implodido por dentro.
Quarenta anos atrás, o teólogo liberal Langdon Gilkey fez essa avaliação de sua igreja na América, uma avaliação que poderia descrever grande parte da igreja evangélica hoje:
Ao nosso redor, vemos a igreja bem aclimatada à cultura: bem-sucedida, respeitada, rica, plena e crescente. Mas o transcendente e o santo estão lá? Na área da crença, encontramos indiferença generalizada à Bíblia e ignorância de seu conteúdo - e forte ressentimento se uma palavra bíblica de julgamento é aplicada à vida da congregação. Na adoração, encontramos notavelmente falta de qualquer senso da santa presença de Deus e do que é adoração... Na ética, encontramos os ideais culturais de amizade e companheirismo mais evidentes do que os padrões difíceis do Novo Testamento ou da cristandade histórica. 3

Ouvindo isso hoje, quem pode negar que a ignorância bíblica, a ausência de santidade na adoração e a acomodação ética se espalharam entre os evangélicos? Como Joe Bayly, autor e editor, escreveu: “A igreja evangélica está doente – tão doente que as pessoas estão se juntando a nós. Somos um grande rebanho, grande o suficiente para permitir um novo casamento de pessoas divorciadas (além das exceções da Palavra de Deus), grande o suficiente para permitir que os homossexuais sigam seu estilo de vida, grande o suficiente para tolerar quase tudo que os pagãos fazem. Nós não somos mais estreitos; é um amplo caminho de aceitação popular para nós. 4
Assim como ao longo da história, o maior perigo da igreja evangélica é de dentro. E é aí que o comando de abertura do nosso texto intercepta nossas vidas: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos”. O mandamento não é (como comumente se pensa) uma injunção contra casar com descrentes ou entrar em relacionamentos contratados com não-cristãos (embora ambas as ações são anti-bíblicas), mas sim um comando para não estarmos unidos àqueles na igreja que se opõem à verdade – incrédulos na igreja.
A razão pela qual devemos entender os “incrédulos” como oponentes dentro da igreja é que no longo argumento de Paulo que precede e segue essa ordem ele repetidamente menciona seus oponentes na igreja de Corinto quanto a seus ataques difamatórios ao seu apostolado (cf., por exemplo, 2Co 2.17; 5.12) bem como sua falsa devoção em adorar a saúde e a riqueza e em pregar outro tipo de Jesus (cf. 2Co 11.1-4, 13-15, 20). Com efeito, eles são incrédulos porque deserdam o evangelho! Assim, os coríntios que persistem em tomar o partido dos opositores de Paulo renunciarão, com efeito, à sua própria salvação, porque foi através de Paulo que receberam a mensagem da graça e da reconciliação. Portanto, estar unidos no ponto de vista incrédulo dos oponentes de Paulo é, com efeito, rejeitar o evangelho da reconciliação e negar sua própria autenticidade.
Paulo estava preocupado com o inimigo interno - os incrédulos na igreja. E seu comando de advertência ecoa ao longo dos séculos para nós: ““Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos” – isto é, não se alie com os incrédulos quanto ao seu ensino ou modo de vida ou adoração falsa. Este não é um chamado para dividir os “cabelos teológicos”, vendo aqueles que discordam de você como “incrédulos”. A história da igreja está tragicamente cheia disso. Nem é este um comando para barrar os incrédulos da comunhão da igreja reunida. A igreja é o melhor lugar para os incrédulos, porque lá eles podem ouvir a Palavra e ser amados pelo Corpo de Cristo. A igreja local deve ser um hospital para os doentes, não um poleiro para os falsos irmãos!
Mas no contexto aqui, devemos nos desassociar da cumplicidade com aqueles que tentariam propagar um falso evangelho dentro da igreja. Especificamente, significa quebrar o jugo com aqueles que insinuam que a reconciliação não é tudo de Deus e que podemos fazer as pazes com Deus, que a morte substitutiva de Cristo na cruz na qual Deus “o fez pecado por nós, para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21) não é suficiente, mas há rituais e experiências e obras que tornarão nossa salvação segura. Hoje significa rejeitar teorias liberais e moralizantes da expiação. Significa rejeitar um sentimentalismo individualista de que, se fizermos o melhor possível, conseguiremos e que as pessoas boas encontrarão um caminho. E dentro da igreja, exige que nunca permitamos que aqueles que defendem tais doutrinas sejam unidos a nós no ministério.
Este é um chamado para não dar àqueles que pretendem liderar e ensinar a igreja um passe porque eles são bons ou teologicamente educados, talentosos ou relacionados a nós ou que tenham crescido na igreja. Incontáveis ​​igrejas caíram por dentro porque as lideranças piedosas têm se unido a si mesmas e à sua congregação com um pastor incrédulo. Muitas vezes, foi o filho do pastor ou um dos filhos favoritos da igreja que retornou de uma proeminente instituição teológica, onde silenciosamente descartou sua fé, mas reteve seu vocabulário religioso (redefinido para seus próprios propósitos) e aprendeu artesanato eclesiástico. Ele é piedoso, desarmado, sorridente, mas incrédulo. A Alemanha de Weimar[1] estava cheia de pastores assim. E eles se sentaram em suas mãos enquanto a igreja mergulhava na apostasia.
Hoje, quando cantamos hinos majestosos e afirmamos o Credo dos Apóstolos, não devemos imaginar que estamos imunes. Nós e nossas igrejas podemos declinar rapidamente se nos unirmos a pessoas incrédulas que aspiram a nos guiar.
A estrutura do argumento de Paulo é fácil de ver e sempre tão poderosa. A ordem “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos” é reiterada novamente no meio de seu argumento no versículo 17: “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor, não toqueis em coisas impuras, e Eu vos receberei”. Então, novamente, é declarado como princípio geral na conclusão: “Visto que temos estas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda impureza de corpo e espírito, levando a santidade à plenitude no temor de Deus” (7.1). O chamado para nos desatrelarmos de aspirantes incrédulos reverbera com nuances apaixonadas.

As esferas são mutuamente exclusivas, e é por isso que os cristãos nunca devem permitir-se serem unidos e cooptados por aspirantes a líderes que se opõem ao evangelho dentro da igreja - aqueles que acomodam a cultura, fazem mau uso da Bíblia, abusam da adoração divina e fazem frente para a ética da cultura popular.

Ivan Teixeira

HUGHES, R. K. (2006). Preaching the Word: 2 Corinthians: Power In Weakness. Wheaton, IL: Crossway Books.




[1] A República de Weimar, que vigorou na Alemanha entre os anos de 1919 e 1933, configurou-se como o período de transição entre a Primeira Guerra Mundial e o Nazismo.
1  Charles Colson, Kingdoms in Conflict (New York/Grand Rapids, MI: William Morrow/Zondervan, 1987), pp. 137, 138.

terça-feira, 17 de abril de 2018

TRÊS MOVIMENTOS ECLESIÁSTICOS CENTRAIS DOS ÚLTIMOS DIAS



 Acredito que seja oportuno falar sobre alguns movimentos que minam representação convencional da Igreja Invisível (ou seja, a igreja local), porque tem surgido durante os idos do século XX e início do século XXI alguns movimentos estranhos que são dignos de nossa atenção, estudo e crítica.
Pelo menos três movimentos gerais podem ser detectados no evangelicalismo moderno.


(1) User-Friendly Church: literalmente traduzida seria “igreja fácil de usar” ou comumente conhecidas como “Igrejas Amigáveis”.
Estas são igrejas locais que querem ganhar o mundo tornando-se amigas do mundo. A filosofia norteadora destas igrejas é o marketing e o pragmatismo. Popularmente podemos destacar as campanhas mirabolantes.



(2) Igreja Emergente: Esse é o nome popular de uma associação informal de comunidades cristãs, de alcance mundial, que deseja restaurar a igreja, alterar o modo de os cristãos interagirem com a sua cultura e remodelar a maneira de pensarmos a respeito da própria verdade[1]. O ataque deste movimento é contra a verdade do evangelho.
A verdade para este movimento é admitida como algo inerentemente obscura, indistinta e incerta. Tal como seu pai secular, o pós-modernismo, este movimento desacredita ou diz que é impossível termos uma verdade clara, definida e certa.


(3) Os Desigrejados: Pelo fracasso da igreja institucional e organizada, e dos movimentos envolvendo ela, e dos escândalos ocorridos nas igrejas locais, e ainda da profissionalização do ministério pastoral, e também da busca por diplomas teológicos reconhecidos pelo Estado (perda da identidade evangélica; entrada do liberalismo teológico e etc), e ainda mais pela infindável variedade de métodos de crescimento de igrejas que fracassaram, tudo isto tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada.
Converso com muitas pessoas que não acreditam mais na igreja local – essa igreja que deveria ser um reflexo fiel da igreja invisível. Estas pessoas desencantadas com a igreja institucional e organizada formam um grupo que podemos chamar (muitos se autointitulam) de “os desigrejados”.
Alguns simplesmente abandonaram a igreja e a fé (estes são os desviados descontentes). Mas, outros, querem abandonar apenas a igreja e manter a fé (alguns se intitulam de “igrejas orgânicas”). Querem ser cristãos, mas sem ir à igreja institucional. Muitos destes estão apenas decepcionados com a igreja institucional e tentam continuar a ser cristãos sem pertencer ou frequentar nenhuma.
O extremo deste pensamento “anticonstitucional” é a descarada rejeição do padrão de institucionalização ou organização já presenciado no Novo Testamento. Ou seja, os cristãos do século 1, começaram a se organizar em muitos aspectos: liderança principal, liderança de apoio, grupos administrativos; organização nas coletas, inscrições das viúvas que recebiam ajudas das congregações; requisitos para se tornar um obreiro e muitos outros aspectos que configuram uma instituição. Então, rejeitam completamente a instituição da igreja local por haver nela erros é ir contra o Novo Testamento.
Estes são os três movimentos que tentam minar a vivacidade e missão da igreja do Senhor na face da terra. Diante destes movimentos a igreja tem enfrentado diversas crises. Aqui e acolá as crises se avizinham da igreja tentando drenar suas forças, descaracterizá-la, tirá-la do foco de sua missão e secularizá-la. E em muitos lugares, infelizmente, muitas instituições se tornaram tudo para todos, menos a igreja eleita de Deus por meio de Cristo.
Precisamos buscar uma reforma, um avivamento, uma revitalização e ajuda do Alto, mas nunca recuar ou fugir amedrontados. Tomemos como exemplos os grandes homens e mulheres do passado que buscavam a Deus para restauração de suas vidas e das igrejas locais.

Ivan Teixeira
Servo de Deus e de Sua Igreja!


[1] John MacArthur em A Guerra Pela Verdade, pg.9. Editora Fiel.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

SANTIDADE NA IGREJA: PROVA DO MOVER DO ESPÍRITO SANTO!

No texto de Atos 2.42-47, fomos presenteados com o que chamo de elementos identificáveis do mover do Espírito Santo. Passo a descrever apenas um deles:

ELEMENTO REVERENCIAL: Nota-se nos grandes avivamentos um senso incomum da presença santa de Deus: “E, em cada alma havia temor” (Atos 2.43).

Sem socorrer os aspectos únicos e irrepetíveis do Pentecostes, Sinclair Ferguson chamou o acontecimento do dia de Pentecostes de “o avivamento inaugural do Novo Testamento”[1]. Neste avivamento inaugural observamos os seguintes detalhes: (1) O sentimento de admiração que o acompanhou nos dias seguintes (Atos 2.43) – elemento de santidade; (2) a adição de grandes números a igreja em um curto espaço de tempo (Atos 2:41,47) – elemento de crescimento; (3) e a convicção do pecado (Atos 2:37) – elemento salvífico; são todas características de uma obra genuína do Espírito Santo no renascimento. E, de forma semelhante às descrições de (4) mudanças sociais e comunitárias que os avivamentos trazem à sua volta – elemento social, Lucas nos fornece uma participação especial dos traços distintivos desta comunidade inicial em Jerusalém. É uma igreja caracterizada por várias coisas em particular, mas foi seu senso de propósito comum e identidade que é especialmente notável.
Nos avivamentos e reformas as práticas da igreja são diametralmente opostas às do mundo. O Espírito Santo concebe uma comunidade contracultural, santa e transformadora. O Espírito Santo tornou a comunidade dos discípulos tão poderosa e diferente da do mundo que as pessoas disseram que os cristãos estavam colocando o mundo de cabeça para baixo.

A vida de santidade atrai a presença do sobrenatural!
Admiro-me da descrição e da ordem dos elementos elencados por Lucas. Ele escreveu que “Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos” (v.43). Primeiro vem a santidade ou reverência a Deus (entendemos que o temor reverente permeava tanto os crentes quanto os descrentes), só depois a presença dos milagres. Uma igreja santa vivencia o sobrenatural de Deus.
A manifestação do sobrenatural foi evidenciada num ambiente de santidade. Uma igreja local cujos membros vivem vidas maiúsculas presencia manifestações palpáveis de Deus.
Uma igreja local que vive em santidade e presencia os milagres de Deus causa um impacto tão grande na sociedade que mesmo que eles não acreditem no evangelho. Os descrentes tinha a igreja em grande admiração. Lemos em Atos 5.11, que o pecado foi tratado terminantemente pelos líderes na igreja local, em consequência Lucas observou: “E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos”.
Os membros da igreja tinham respeito e os de fora respeitavam a igreja mesmo não querendo fazer parte dela. A igreja era levada a sério.
A comunidade cristã que persevera na doutrina, nas orações e noutros elementos, gera medo contínuo (gr. φόβος, phobos) entre “todas as almas” daquelas que estão fora da comunidade[2]. Esse temor sagrado está relacionado com a sensação da presença de Deus, e por isso o povo tinha reverência[3]. Descreve o sentimento produzido quando alguém compreende que Deus está presente operando no meio do Seu povo.
Joao Calvino colocou: “Não os levou a Cristo, mas os fez pensar e, por assim dizer, os imobilizaram, de modo que não prejudicaram a obra do Senhor. O poder de Deus na igreja parecia tão poderoso que a maioria das pessoas ficou sem palavras”[4].
F. F. Bruce salientou que “a convicção de pecado que se seguiu à pregação de Pedro não foi um temor ou pânico momentâneo, senão que encheu as pessoas com um profundo sentido de reverência”[5].

Igreja santa e alegre!
Preciso pontuar que uma vida santa não significa que não temos alegria. A alegria e a santidade não são polos opostos, mas verdades que se unem para formar uma comunidade que glorifica a Deus. Note que no mesmo contexto de Atos 2, lemos: “Em cada alma havia temor” (v.43), “e tomavam suas refeições com alegria” (v.46). Os crentes da Igreja Primitiva eram alegres e santos, eram santos e alegres. Não era uma santidade legalista, “cara-feia”, ranzinza. Não era uma alegria de entretenimento pueril, maquiado, marqueteiro ou de shows e palhaçadas como se enxerga atualmente.
A alegria e a santidade destes irmãos eram resultado do mover do Espírito Santo que os levou a abraçar os quatros elementos principais: doutrina, comunhão, obediência às ordenanças e orações. Isso sim produz uma igreja santa e alegre!
Gosto muito da colocação do salmista no Salmo 2.11: “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos n’Ele com tremor”. Nesse texto vemos adoração com temor e alegria, e alegria com temor. O salmista nos exorta a servir ao SENHOR tanto reverentemente quanto alegremente. Uma santidade alegre e uma alegria reverente. Isso é importante, pois muitas reuniões litúrgicas que se intitulam “alegres” faltam reverência. Outras que se intitulam “reverentes” faltam alegria. Nós não devemos perder este equilíbrio apresentado tanto no Salmo 2 quanto em Atos 2.
Falta reverência àquelas congregações e pregadores que mais se parecem com um circo e com palhaços. É claro que sei que o humor pode fazer parte da exposição, mas a exposição não pode ser marcada por vulgarizações e palhaçadas. Estamos tratando de coisas sérias. Os pregadores e pastores precisam entender que lidamos com coisas sagradas e nos apresentamos diante dos homens como embaixadores de Cristo, não como palhaços de Cristo. Temos um Deus santo, um Cristo santo e um Espírito Santo, por isso nós devemos nos apresentar reverentemente com uma Palavra que é santa para que o povo de Deus seja santo em toda a maneira de viver.
Em contrapartida noutras congregações falta alegria! O ambiente é tão sepulcral que perguntamos: “será que este povo realmente crê nas boas novas de Jesus Cristo, as novas de alegria?”. Em muitos casos parece que não! Noutras congregações locais a reverência é confundida com robotização das pessoas. Há pessoas gélidas e áridas. Os sermões são vazios e secos. Os púlpitos se tornaram apenas uma vitrine que contém os manequins impecáveis. Há momentos em certas reuniões que você ouve até a respiração silenciosa das pessoas. O silêncio é sepulcral! Não há alegria e glorificação quando as verdades de Deus são expostas.
Lemos que quando Esdras e Neemias expuseram as Escrituras o povo foi exortado a se alegrar, pois a alegria do Senhor é a nossa força. Então, o povo estendeu as mãos e glorificaram com améns! (Ne 8).
Quando o Senhor Jesus ressuscitou o filho da viúva da cidade de Naim, Lucas registrou o seguinte resultado: “Todos ficaram possuídos de temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Grande profeta se levantou entre nós, e: Deus visitou o Seu povo” (Lc 7.16). Souberam que Deus estava presente e com temor reverente adoraram a Deus glorificando-o.
As pessoas foram tomadas por um senso de santidade, pois Deus manifestara Seu poder no meio do Seu povo e, por conseguinte glorificavam a Deus. A santidade e a alegria juntas glorificam a Deus!
A comunidade cristã do século I foi marcada pela santidade e alegria que glorificavam a Deus.
E as nossas igrejas têm seguido este exemplo? Ajude-nos Senhor!




[1] FERGUSON, Sinclair. The Holy Spirit (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1996), p.90.
[2] BOCK, D. L. (2007). Baker Exegetical Commentary on the New Testament: Acts. p.151. Grand Rapids, MI: Baker Academic.
[3] MACARTHUR, John F. Comentario del Nuevo Testamento: Hechos, p.86. Grand Rapids, Michigan 49505, USA: Editorial Portavoz, 2014.
[4] CALVIN, J. (1995). Acts. Wheaton, IL: Crossway Books.
[5] BRUCE, F. F. Hechos de los Apóstoles: Introducción, Comentarios y notas, p.92. Grand Rapids, Michigan 49560, USA: Libros Desafío, 2007.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

AVALIANDO A CONDIÇÃO DA IGREJA LOCAL PARA DEPOIS BUSCAR A REVITALIZAÇÃO!


AVALIE ANTES DE AGIR

Reforma e Revitalização de Igrejas
Leitura Seleta: Neemias 1.1-3; 2.11-18.
(introdução e primeiro tópico de nossa exposição)



Introdução: Deus em Sua sabedoria permeou as Escrituras Sagradas com princípios de liderança. Particularmente entendo que Deus o fez para que nenhum pastor e líder de igreja local ficassem perdidos ou abraçassem os princípios de liderança mundanos (pragmatismo – fins justificam os meios; marqueteiro – como se o evangelho fosse um produto adaptável ao gosto da clientela; mundanismo – apelando para o egoísmo e interesses pessoais das pessoas).
O Livro de Neemias se destaca como um livro que trata de diversos princípios de administração e liderança que agradam a Deus. E nós que estamos envolvidos com a igreja local precisamos estudar esse livro e sermos orientados pelo Espírito Santo nestes preciosos princípios bíblicos para uma liderança que glorifica a Deus e edifica o povo.
Há muitas igrejas locais que precisam de uma reforma, de serem revitalizadas. No livro de Neemias aprendemos algumas preciosas lições do que precisamos para se começar uma grande reforma.
Como começamos uma grande obra ou reforma na igreja local?
I. Comece fazendo um inventário da verdadeira condição espiritual da igreja local (1.2-3; 2.11-18).
Antes de Neemias começar uma grande reforma em Jerusalém, a cidade de Deus, ele se informou das condições da cidade santa.
Lemos em Neemias 1.2: “veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então lhes perguntei pelos judeus que escaparam, e que não foram levados para o exílio, e acerca de Jerusalém”.
Neemias se importou com a verdadeira condição do povo e de Jerusalém. Ele perguntou sobre o povo e sobre Jerusalém. Neemias não estava preocupado apenas com o povo em si, mas também com a cidade de Jerusalém. Essa cidade foi separada por Deus para pôr o Seu templo; e no Seu templo estava Seu Nome, Sua honra! É falsa aquela preocupação que diz: “só me preocupo com as pessoas, não quero saber da igreja local, do templo e etc.”. Para Neemias tanto o povo quanto a cidade de Deus lhe interessava.

Saiba a quem perguntar!
Neemias perguntou para uma pessoa de confiança, “Hanani, um de meus irmãos”.
Nós devemos acatar avalições e informações de pessoas confiáveis. Não é sábio acatar informações de qualquer pessoa que se aproxima de nós. Precisamos avaliar o grau de discernimento das pessoas que nos contam as coisas. Entendo que o pastor ou líder precisa avaliar as informações e também as pessoas que trazem estas informações. Neemias acatou as informações de Hanani porque o conhecia muito bem. Ele acatou as informações de Hanani não simplesmente porque era “um de meus irmãos”, mas também porque era “homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos outros” (7.2). Meu conselho como pastor de igrejas e pregador do santo evangelho é: Acate avaliações e informações sobre a situação da igreja local de homens e mulheres fiéis e tementes a Deus. Ouça sempre pessoas que amam a Deus, Seu povo e a igreja local.
Nós aprendemos com Neemias o valor de ouvir avaliações de pessoas competentes e compromissadas com Deus e com Seu povo. Também aprendemos a cautela de ouvir avaliações de certas pessoas que não são fieis e tementes a Deus, e não entendem nada de igreja e só sabem atacar a igreja. Lamento dizer, mas preciso esclarecer que há pessoas que nunca sofreram nada pela igreja local. Talvez nunca orassem pela igreja, talvez nunca evangelizassem e ficam dando palpites. Meu ponto não é que não possamos ouvir as críticas sobre a igreja local, mas saber apreciar as críticas de quem realmente se preocupa com a igreja. Você tem que conhecer o tipo de pessoa que elenca as críticas. Tal como fez Neemias, é aconselhável acatar e agir baseado nas avaliações de pessoas fiéis e piedosas.
Hoje muita gente está fazendo leituras das igrejas, no entanto não estão usando lentes bíblicas. Muitas destas leituras ou avaliações são marcadas pelo individualismo, mágoas pessoais, decepções com certos grupos ditos evangélicos; outras são baseadas numa mentalidade marcada pelo pragmatismo, secularismo e por certas utopias daquilo que as igrejas deveriam ser. Porém, uma verdadeira avaliação da situação das igrejas locais precisa ser pautada nas Escrituras Sagradas e na História da Igreja (pela História nós podemos aprender com os erros e acertos dos homens e mulheres de Deus).
Também tenho notado que certos obreiros, mesmo envolvidos na obra, têm leituras superficial e pouco bíblica das condições das igrejas locais. Eu entendo que todos nós devemos nos submeter às verdades bíblicas sobre a igreja para termos um real e precisa avaliação das igrejas que estão sob nossas responsabilidades.
Paulo acatou informações de uma família crente e confiável. Lemos em 1ª Coríntios 1.10-12:
Rogo-vos, irmãos, pelo Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, antes sejais inteiramente unidos na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.

Tanto Paulo quanto Neemias tiveram ao seu lado pessoas que amavam o povo de Deus a ponto de trazerem um relatório fiel das condições.
Então, para que Deus nos abençoe e reforme uma igreja local, nós devemos fazer um inventário sincero da verdadeira condição espiritual, moral, eclesiástica, social e teológica da igreja e do ministério.
Antes de Neemias colocar seu projeto em prática, antes de aplicar sua visão, ele se informara e se inquietara. Ele primeiramente fez uma avaliação. A inquietação de Neemias o levou à segunda fase, reconstrução. Ele orou, avaliou e começou a fazer a obra!
Qual é a real condição de nossas igrejas hoje?

A resposta a essa pergunta determinará o rumo da nossa caminhada!

excerto de uma exposição em Neemias 1.1-3; 2.11-18.
Ivan Teixeira
Servo de Deus e de Sua igreja!