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sexta-feira, 8 de julho de 2022

O CRISTIANISMO COMO VERDADE ABSOLUTA, E NÃO COMO MERO SENTIMENTO!

 

“Você não precisa ACREDITAR em Deus; você deve SENTIR Deus!” – Dizem os gaiatos metidos a pregadores!


O Cristianismo é uma religião fundada na verdade revelacional (Deus falou!), consequentemente exibe proposições, teses e verdades objetivas, e também se fundamenta na verdade histórica (Deus fez!), portanto não é mera linguagem ou utopia, mas ações concretas na história da humanidade. A teologia não é o estudo de Deus em Si, mas de Deus na Sua revelação. Essa revelação não foi feita por meio de meros códigos que devam ser interpretados meramente como símbolos como faz a filosofia hegeliana (Georg W. F. Hegel 1770–1831) seguida pelos teólogos liberais e pelos pregadores desavisados e populares das redes sociais da atualidade. A perspectiva da filosofia idealista entende as doutrinas bíblicas como meros símbolos. Por exemplo, “termos como Filho de Deus não devem ser entendidos em um sentido literal, mas somente simbolicamente”[1]. Portanto, não se assustem quando certos pregadores atabalhoadamente surgir com interpretações simbólicas, mirabolantes, extravagantes e inovadoras dos textos bíblicos.

Por outro lado, temos gente (pregadores e cia) tentando defender o Cristianismo na base do sentimento. Os pregoeiros atuais seguem a “teologia do sentimento” do teólogo alemão Friedrich Schleiermacher (1973–1834).  Esses dias vi um vídeo nas redes sociais onde o cara afirma que não se deve acreditar em Deus, mas senti-lo, pois essa é a verdadeira religião. Ele afirmou que não devemos acreditar em Deus, pois é coisa da mente, da pura razão. O certo é manter um relacionamento com Deus por meio dos sentimentos. Apenas pelo sentimento e não pela razão terei certeza de ter intimidade com Deus. Isso nada mais é do que a religião encontrada no sentimento para que a pessoa possa experimentar a Deus. Essa é a base do liberalismo padrão de Schleiermacher. Neste caminho as doutrinas tais como o nascimento virginal, a expiação substitutiva e a deidade de Cristo que são compreendidas, cridas e acreditadas pela razão e não meramente pelo sentimento ou pela religiosidade subjetiva são descartadas. Para esses pregadores do sentimentismo pós-moderno a regeneração não é crer ou acreditar na morte literal e ressurreição literal e corpórea de Cristo na história, mas participar na vida experiencial e sentimental da comunidade contemporânea num relacionamento e no sentir o Divino. O importante é sentir, não acreditar em Deus!

O Senhor Jesus apontou que devemos amar a Deus de todo o nosso entendimento sem negligenciar a alma, o coração e as forças (Mateus 22.37). Negar a validade da mente, do entendimento ou da razão para a compreensão da verdade de Deus, para ter um relacionamento com Ele e para experimentar a grandiosa vontade é ser contra a exortação paulina em Romanos 12.2: “e não vos conformareis a este mundo, mas transformai-vos por meio da renovação da vossa mente, e discirnais qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Você não pode discernir e experimentar algo que você não processa por meio da mente. O cristão é chamado a transformação por meio da renovação da mente que se realiza por meio do Espírito Santo quando apresenta a verdade de Deus em Cristo aos homens. O Espírito convence (por meio de argumentos) sobre as verdades do pecado, da justiça e do juízo relacionados à Jesus Cristo e a Sua obra redentora (João 16.7-11). O Espírito Santo não faz as pessoas sentirem meramente alguma coisa para se reconciliarem com Deus, Ele as convence de seus pecados e da necessidade de arrependimento e fé no Salvador e Senhor Jesus Cristo. As pessoas precisam sabem quem é Deus, o que Jesus fez e o que significa a Sua morte e ressurreição para se reconciliarem com Deus.

O Cristianismo pneumático centra-se no esclarecimento da verdade sobre Jesus Cristo para que as pessoas sejam salvas após entender a obra redentora de Deus em Cristo. O Senhor Jesus disse que o Espírito Santo é o Espírito da verdade que guiaria as pessoas “a toda verdade” e “dará a conhecer os eventos futuros” (João 16.13). Jesus disse: “Ele me glorificará, porque tomará do que é meu e o dará a conhecer a vós. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que tomará do que é meu, e o dará a conhecer a vós” (vv.14,15). O Espírito Santo não faria com que as pessoas “sintam” (Schleiermacher[2]) ou tenham meras “subjetividade” (Immanuel Kant[3]), ou mesmo deem um “salto de fé irracional” (Kierkegaard) para conhecer a Deus e a Jesus Cristo. Ele, sendo o Espírito da verdade, daria a conhecer a verdade para que fosse compreendida racionalmente. Ele guiará o povo de Deus a toda a verdade. Ele testificará da verdade e ensinará a verdade sobre Jesus Cristo (1Joao 2.20,27). Cremos para compreender, mas também compreendemos para crer.

Infelizmente, as pessoas atabalhoadas pelos pregadores atrapalhados e inovadores confundem (rejeitam ou mesmo negligenciam) o ministério revelador, iluminador e pedagógico do Espírito Santo para elencar os seus próprios sentimentos ou sensações subjetivas. O Espírito Santo é o guia da verdade e não nossos sentimentos, as sensações ou impressões da realidade. O relativismo ou a verdade relativizada é uma desgraça para a saúde da igreja e da sociedade. O Cristianismo é produto da revelação objetiva, proposicional de Deus em Cristo por meio do Espírito Santo. A religião cristã não é um amálgama sentimental das inúmeras experiências dos diversos indivíduos na comunidade formando um todo místico. O Cristianismo é a religião da revelação de Deus em Cristo e que nos foi transmitida pela doutrina dos apóstolos. Sim, a fé que uma vez por todas foi entregue aos santos e pela qual devemos batalhar de uma vez por todas (Judas 3) é racional, pode ser apreendida e entendida pela razão – por isso, o filósofo Kant estava errado quando postulou que não podemos conhecer a Deus racionalmente. Claro, a galerianha do “não-me-toque” irá discordar. Mas problema é deles!



[1] ENNS, Paul. Manual de Teologia Moody, p.666. São Paulo, SP, Brasil: Editora Batista Regular do Brasil, 2010.

[2] Schleiermacher escreveu: “A essência da religião é o sentimento de dependência absoluta. Repudiei o pensamento racional em favor de uma teologia do sentimento”. HICKS, Stephen R. C. Guerra Cultural: como o pós-modernismo criou uma narrativa de desconstrução do Ocidente, p.51. São Paulo, SP, Brasil: Faro Editorial, 2021.

[3] Na história da filosofia, Kant representa uma mudança fundamental – do padrão de objetividade para o padrão da subjetividade. Apesar das conclusões negativas, os primeiros céticos ainda associavam a verdade com a realidade. Kant deu um passo adiante e redefiniu a verdade em bases subjetivas. A realidade externa é praticamente descartada, e ficamos inescapavelmente presos na subjetividade. Sua filosofia, portanto, é precursora das fortes posturas antirrealistas e antirrazão do pós-modernismo. Cf. HICKS, p.40-42, 2021.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

ATENÁGORAS DE ATENAS_TRINDADE

 12 citações contra a sodomia que todos os católicos deveriam conhecer

Pai Grego e sua defensa da Doutrina Cristã da Trindade

 

Atenágoras escreveu para os imperadores Marco Aurélio e a seu filho Cômodo, por volta, provavelmente, do ano 177 a.D.

Os cristãos eram acusados de ateísmo e outros, por conseguintes sentenciados a morte. O grande apologista Atenágoras escreveu para estes imperadores orientando-os primeiramente a entender as acusações e não meramente condenar os acusados só porque usam o nome de “cristão”. Ele escreveu aos imperadores: “Com efeito, vossa justiça não diz que, quando se acusa a outros, não se pode condená-los antes de tê-los interrogado? Quanto a nós, porém, vale mais o nome do que as provas do julgamento, pois os juízes não buscam averiguar se o acusado cometeu algum crime, mas tratam-no com insolência por causa do nome [cristão], como se fosse crime” (PADRES APOLOGISTAS, posição 178,9/521, (epub). Editora Paulus).

Sem entrar em detalhes aqui, nos reservamos a postular que Atenágoras esclarece que “os cristãos não são ateus, mas adoram o Deus único, criador do universo. O Deus dos cristãos é único, mas também Trino”. Notem, que alguns desinformados atualmente creditam o ensino da Trindade a Igreja Romana e a Constantino (272–337 a.D.). Esses desinformados distorcem totalmente a verdade histórica para confundir e aliciar com seus falsos ensinos os desavisados e instáveis na fé doutrinal. Nós cristãos acreditamos que existe UM SÓ Deus subsistente eternamente em TRÊS PESSOAS. Rejeitamos o Triteísmo que ensina três deuses, e abraçamos a doutrina da Trindade que ensina Três Pessoas numa única essência ou Divindade – um ÚNICO DEUS!

O ateísmo do qual os cristãos eram acusados orbitava no entendimento dos cristãos em não oferecer sacrifícios aos deuses. Atenágoras escreve: “Os cristãos não oferecem sacrifícios não porque são ateus, mas porque o Deus verdadeiro só aprecia sacrifícios espirituais. Se eles se recusam a cultuar os deuses, é porque os julgam indignos de qualquer espécie de culto”. Os cristãos, segundo Atenágoras, praticam um culto mais puro, mais elevado e perfeito que os pagãos (caps.4-30).

Algumas citações do grande apologista Atenágoras de Atenas servem-nos para finalizar esse nosso conciso artigo:

“[...] nossa doutrina admite UM só Deus, Criador de todo este mundo, e Ele não foi criado — pois não se cria o que Existe, mas o que não existe —, e sim Ele é Criador de todas as coisas por meio do Verbo que d’Ele procede” (posição 195,4/521, epub).

Na parte Afirmação da Fé Monoteísta e Trinitária, escreve Atenágoras:

Desse modo, fica suficientemente demonstrado que não somos ateus, pois admitimos UM só Deus, incriado, eterno, e invisível, impassível, incompreensível e imenso, compreensível à razão só pela inteligência, rodeado de luz, beleza, espírito e poder inenarrável, pelo qual tudo foi feito através do Verbo que d’Ele vem, e pelo qual tudo foi ordenado e se conserva. De fato, d'Ele vem, e pelo qual tudo foi ordenado e se conserva. De fato, reconhecemos também um Filho de Deus. E que ninguém considere ridículo que, para mim, Deus tenha um Filho. Com efeito, nós não pensamos sobre Deus, e também Pai, e sobre Seu Filho como fantasiam vossos poetas, mostrando-nos deuses que não são em nada melhores do que os homens, mas que o Filho de Deus é o Verbo do Pai em ideia e operação, pois conforme a Ele e por Seu intermédio tudo foi feito, sendo o Pai e o Filho UM SÓ [DEUS]. Estando o Filho no Pai e o Pai no Filho por UNIDADE e poder do espírito, o Filho de Deus é inteligência e Verbo do Pai. (posição 204,5 e 205,1/521).

É notório que para o grande Atenágoras o Pai e o Filho são UM Só Deus verdadeiro! O bispo de Atenas não separa a UNIDADE das Pessoas e nem as confunde como fazem os hereges. Nós, cristãos, postulamos que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai e que nem o Pai e o Filho são o Espírito, mas entendemos que na UNIDADE simples e indivisível da Divindade subsiste eternamente o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Com os Pais e todos os cristãos adoro a Unidade da Trindade e a Trindade na Unidade!

Glórias a Pai!

Glórias ao Filho!

Glórias ao Espírito Santo!

 

Ivan Teixeira


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Espírito fala na, por meio, à parte, MAS Nunca Contra a Bíblia!


O Espírito Santo fala na Bíblia, por meio da Bíblia e também à parte da Bíblia, mas nunca contra a Bíblia!

O Espírito Santo trabalha tanto na compreensão do texto bíblico quanto na compreensão doutras verdades, circunstâncias, direções e etc., para os filhos e filhas de Deus. Ele ensina, guia, ilumina e revela. O Espírito Santo nos dá discernimento sobre a Bíblia e sobre as coisas e sobre certas circunstâncias e direções seja no campo pessoal ou eclesial.
A afirmação de que o Espírito Santo não fala hoje por meio de revelação, profecia, visões, sonhos e etc., por que isso indicaria uma soma no texto sagrado não se sustenta. Dois textos destrona essa ideia. João escreveu: “Jesus, pois, operou também em presença de Seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro”; “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 20.31; 21.35). Apesar da linguagem é perceptível que o Senhor Jesus não apenas fez, mas também falou discursos e palavras que não foram registradas no cânon que temos hoje – a Bíblia. O que temos na Bíblia foi o que Deus quis e a igreja aceitou como nossa regra de fé e prática. Com isso em mente, a afirmação atualmente de que se Deus fala à parte da Bíblia deve-se acrescentar ao cânon não é verdade ou não se sustenta. Ele fala por meio das Escrituras, à parte delas, mas nunca contra ela!
O Espírito Santo pode falar e direcionar um pastor, um missionário ou um membro sobre determinada obra, direção, decisão, parecer, proposta, visão eclesiástica, separação de obreiros e etc., Nenhuma destas direções é contrária aos exemplos e descrições bíblicas. O Espírito Santo não se calou após a formação do cânon. Nós não devemos amordaçar o Espírito Santo em nossa vidas, ministério e igrejas locais. Ele tem personalidade, por isso Ele continua falando, ensinando, guiando e dando Sua preciosa e maravilhosa direção principalmente por meio das Escrituras, mas, quando Ele quer, à parte dela – todavia, nunca contra ela!
Eu mesmo já tive direções muito claras do Espírito Santo na obra da igreja local, no campo missionário e no meu ministério de pregação. Já tive revelações claras sobre qual mensagem deveria ministrar a determinado povo e vi claramente o mover do Espírito Santo. Talvez isso parece místico, estranho ou qualquer outra coisa para muitos, principalmente para aqueles que vivem vidas áridas em seminários que não dependem, pelo menos na visão de alguns, de tais direções e revelações, pois preparar uma aula é “fácil”, mas o pastoreio e o campo missionário como se ver no Livro de Atos necessita-se da direção contínua do Espírito Santo na vida e no ministério.

Vejamos alguns textos:

O Espírito Santo revelou certas circunstâncias!
Lucas 2.25-27: “[...] e o Espírito Santo estava sobre ele [Simeão]. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo [...]”.

Esse texto de Lucas nos diz que o Espírito Santo “estava sobre” Simeão. O mesmo Espírito disse (“revelou”) a Simeão que ele não morreria antes de ver o Messias. E guiado pelo Espírito Simeão foi ao Templo e pôde ver “o Cristo do Senhor” e louvar a Deus pela grandeza das coisas que viu.
Esse texto desconstrói a ideia de muitos que dizem que o Espírito Santo não fala à parte da Bíblia! Veja, Simeão como todo bom judeu tinha as Escrituras Veterotestamentárias e mesmo assim, à parte delas – mas não contra elas, o Espírito Santo falou, revelou e guiou a Simeão. O Espírito Santo até disse que ele não morreria por aqueles dias – isso é uma revelação extrabíblica!
Eu não tenho dúvidas de que o Espírito Santo nos guia à parte da Bíblia, por meio dela e nela, mas nunca contra ela!

O Espírito Santo falou sobre determinada direção a ser tomada!
Atos 8.29: E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro.

Outro texto claro mostrando que o Espírito Santo fala em certas ocasiões para guiar seus obreiros para obras e trabalhos específicos. Tais orientações nunca labutaram contra o cânon sagrado, seja ele a do Antigo Testamento na ocasião ou contra o cânon do Novo Testamento quando atualmente o Espírito Santo fala com um obreiro ou obreira direcionando-os para um trabalho específico com uma pessoa específica como foi o caso de Filip. Nós podemos chamar essas falas do Espírito de extrabíblicas, mas nunca contra a Bíblia. Repito quantos vezes for necessário: O Espírito Santo nunca irá contra o que Ele mesmo nos revelou movendo homens santos para registrar no que hoje chamamos de Bíblia Sagrada! Por isso, digo que a crença na inspiração, autoridade, perspicuidade e suficiência das Escrituras não militam contra as direções, percepções, dizeres, visões, revelações e profecias dadas pelo Espírito Santo hoje.

A orientação e direção do Espírito Santo!
Atos 10.19-20: E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque Eu os enviei.

Vemos aqui claramente o Espírito Santo instruindo e direcionando o apóstolo Pedro sobre determinada obra a ser realizada. Aqui vemos o Espírito Santo trabalhando em prol da salvação das almas. Ele trouxe as pessoas até Pedro e direcionou Pedro para atendê-las e ir com elas até a casa de Cornélio. Por conseguinte, o mesmo Espírito veio sobre os presentes que ouviam a pregação do evangelho por meio de Pedro. A obra foi realizada, direcionada e finalizada pelo Espírito Santo usando Seus servos. Nós precisamos depender mais e mais da direção do Espírito Santo. Creio que a ineficácia de nossos ministérios se deve a real negligência da direção do Espírito Santo.
Fico imaginando se nossos ministérios e nossas igrejas não seriam mais eficazes, eficientes, produtivos e robustos se reconhecêssemos mais e mais a nossa necessidade da direção e obra do Espírito Santo. Creio que se buscássemos mais a direção, o poder, a demonstração, a unção, o fruto e os dons do Espírito Santo presenciaríamos o quadro descritivo (paradigmático) de Lucas em Atos 9.31 e 14.52: “Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e era edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo”; “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo”.

O Espírito Santo fala na igreja local!
Atos 13.4: E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

Creio que o Espírito Santo falou por meio do dom de profecia ou pelo ministério dos profetas na igreja local de Antioquia (v.1: “havia alguns profetas”).
Vemos que o Espírito Santo orientou a igreja à separar a Barnabé e a Saulo para a obra missionária. Estes homens estavam numa reunião da igreja local, servindo ao Senhor com jejuns e orações e foram apontados pelo Espírito Santo para realizar uma obra específica. E a igreja local se responsabilizou pelo envio e manutenção dos obreiros ao impor as mãos sobre eles por causa da direção do Espírito Santo.
Lembro-me do tempo quando Deus usou algumas pessoas em profecia nas igrejas e regiões diferentes dizendo-me que Deus havia me chamado para ser um pregador e que eu viajaria para muitos lugares – coisa que achei improvável na ocasião, visto que não sabia nada de Bíblia! Lembro-me que estes homens e mulheres de Deus descreveram até mesmo a natureza do ministério que Deus tinha me separado para exercer. Esse meu testemunho ou minha experiência apenas reproduz, por assim dizer, o ministério do Espírito Santo nas igrejas locais de usar pessoas em profecias indicando, separando e orientando os Seus servos e servas para a obra que Ele mesmo os tem chamado. O Espírito Santo fala à parte da Bíblia para confirmar também o que Ele falou na Bíblia.
 Posso dizer altissonantemente que Deus pela Sua graça tem cumprido cada palavra que Ele me falou pelo Seu Espírito Santo!
Vale pontuar que em nenhum lugar encontrei na Bíblia uma mensagem (texto) específica para mim dizendo que eu seria um pregador do evangelho e que meu ministério seria caracterizado por isso ou aquilo. Tais convicções me foram dadas por meio do Espírito Santo falando pela boca de seus profetas e profetizas atuais. Doravante, quando as convicções sentaram-se em meu coração, tenho me dedicado noite e dia para cumprir o ministério que recebi do Senhor para Sua glória, edificação da igreja e evangelização dos perdidos.

O parecer do Espírito Santo!
Atos 15.28: Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargos algum, senão estas coisas necessárias.

Nesta passagem nós temos outro exemplo que mesmo no contexto da comunidade dos discípulos e obreiros reunidos, análise das Escrituras, averiguação da experiência em questão (a inclusão dos gentios na comunidade sem circuncidá-los) tanto a igreja e como também os líderes ouviram a voz, a direção e o parecer do Espírito Santo e solucionaram as demandas.
Veja que em situações novas na comunidade os obreiros e líderes se reuniram, colocaram as demandas em pauta, oraram, leram e expuseram as Escrituras e ouviram a voz e a direção do Espírito Santo. Não é antibíblicos orar para que o Espírito Santo nos direcione e a igreja quando certos desafios e questões surgirem. Creio piedosamente que Sua direção nunca irá contra a Escritura que Ele mesmo inspirou.
Tenho postulado o quanto seria importante se nossos pastores e líderes convencionais pudessem dizer: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós”! Voltaríamos a ser uma denominação mais avivada com uma liderança mais espiritual. As vezes os assuntos convencionais, denominacionais e eclesiais são solucionados com propostas e interesses mesquinhos. Lamento constantemente que rixas e divisões desnecessárias são as palavras do dia. Queira Deus restituir-nos momentos de oração, leitura das Escrituras e sensibilidade à voz do Espírito Santo para podemos dizer: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós!”.

Impedidos pelo Espírito Santo!
Atos 16.6-7: E, passando pelo Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra na Ásia. E, quando chegaram a Mísia, intentavam ir para Bitínia, mas o Espírito [de Jesus] não lho permitiu.

Mais uma vez o Espírito Santo guiou Seus servos no progresso do evangelho. Mas desta vez, Ele redirecionou os missionários. Em vez de irem para a Ásia conforme suas agendas, o Espírito Santo os direcionou para a Europa.
Nós podemos criar e configurar nossas agendas para cumprir nossas metas e a missão da igreja, isso precisa ser feito. Todavia, nossas agendas devem estar abertas para a reescrita do Espírito Santo. Nossas metas devem estar sujeitas as orientações do Espírito Santo. Ele pode mudá-las!
Nós não devemos mecanizar as coisas, engessar nossas liturgias, pois o Espírito Santo pode derramar um poderoso avivamento em nossas vidas.

O Espírito Santo falou sobre certos acontecimentos no ministério dos Seus servos!
Atos 20.23: Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações.

Quantos servos e servas de Deus no campo missionário e no exercício pastoral não têm sido alertados pelo Senhor por meio de Seu Espírito sobre determinadas tribulações, desafios, enfrentamentos, traições e muitas outras coisas? É notório que o Espírito Santo tem agido assim desde os tempos da Igreja Primitiva para direcionar e alerta aos Seus servos e servas na caminhada ministerial. Particularmente, Deus Espírito Santo me tem alertado sobre certos aspectos ministeriais e da igreja local. É algo extraordinário quando você busca depender do Espírito Santo na liderança ministerial.
Paulo a cada cidade que ele ia o Espírito Santo o orientava e lhe comunicava certos desafios e sofrimentos. Eu não tenho dúvidas de que o Espírito Santo dava orientações sobre o trabalho das igrejas locais para Paulo. Creio que além das Cartas que ele escreveu que se tornaram parte do cânon muitas outras orientações foram recebidas do Espírito Santo pelo grande apóstolo.
Que Deus nos ajude a depender da direção e estarmos atentos à voz do Espírito Santo.

Predições sobre certos acontecimentos!
Atos 21.10-11: E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo, e ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios.

Ágabo provavelmente foi o mesmo que profetizou que haveria uma “grande fome por todo o mundo”, a qual sobreveio nos dias de Cláudio” (At 11.28). Estudiosos têm apontado que Josefo relata que ocorreu uma fome por volta do ano 46 d.C[1].
Notamos que nestas duas ocasiões o profeta Ágabo recebe mensagens do Espírito Santo sobre eventos na sociedade (“mundo”) e no contexto da igreja local (“Antioquia”). Deus pode usar Seus servos e servas para predizer certos eventos tanto para a sociedade quanto para a igreja e seus ministros.
Como exemplo posso citar que a irmã Cindy Jacobs, por ocasião do 14º Congresso de Louvor e Adoração Diante do Trono no final de março de 2013, proferiu que em nome do Senhor o principado da corrupção do Brasil estaria sendo derrubado ou destronado. Na ocasião muitos zombaram, mas Deus fielmente cumpriu Sua palavra profética proferida pela Sua serva. Mas uma vez os do contra foram envergonhados, pois o Senhor continua dando profecias por meio dos Seus servos como foi no Primeiro século e em outros momentos na História da Igreja. O Movimento Pentecostal resgatou este e outros dons para o exercício nas igrejas locais.
Certamente o Senhor Soberano não faz coisa alguma sem revelar o Seu plano aos Seus servos, os profetas (Am 3:7)!
É lamentável que mesmo hoje as pessoas não dão crédito as palavras dos verdadeiros e santos profetas e daqueles que têm o dom de profecia. Jeremias 25.4, nos alerta: Embora o Senhor tenha enviado a vocês os Seus servos, os profetas, dia após dia, vocês não os ouviram nem lhes deram atenção.
Uma de nossas principais falhas quanto as profecias bíblicas ou para com aquelas transmitidas pelo dom de profecia, por certo seja o nosso imediatismo. Somos uma geração ávida por respostas e soluções rápidas – não sabemos esperar; nosso comportamento cronológico é impaciente e ultra-regressivo. No campo profético o quesito “tempo” como sinônimo de espera para as conclusões preditas é elementar e denota sob ótica bíblica o fator “kairós”. O citado fator implica entender que há um desígnio maior do Todo Poderoso sobre o nosso tempo; perpassando-o e dirigindo-o a cumprir sua Soberana Vontade Revelada sobre a história da humanidade (aquelas profecias da bíblia que ainda aguardam cumprimento). Tal controle de Deus para agir em Seu tempo oportuno sobre questões políticas e afins; às vezes desafiam a fé, pois as circunstâncias desconstroem a crença num Deus que se importa. Os meios de Deus agir para cumprir Seus desígnios nos são misteriosos, às vezes lentos e nada conformados com nossas expectativas e opiniões – eis o desafio de confiar em Deus apesar dos resultados visíveis. O profeta Habacuque teve que lidar com dilema político semelhante.
Paulo escreveu que “… a profecia [...] é para os que creem, e não para os descrentes” (1 Co 14:22b). E aos crentes em Tessalônica o apóstolo exortou: “Não desprezeis as profecias” (1Ts 5.20).

Conclusão
O nosso Deus continua a falar hoje por meio de Seus servos e servas sobre determinadas direções, impedimentos, pareceres, pessoas, acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Deus Espírito Santo não abandonou este mundo e principalmente a Noiva de Cristo. Ele ainda guia, orienta, capacita, separa, fala, age e faz muito mais na vida dos Seus servos e servas. Ele nunca falará ou revelará algo que distorça as Escritura que Ele mesmo inspirou, mas Ele falará coisas à parte da Bíblia, mas nunca apesar dela – ou seja, contrariando a Bíblia! Só ressaltando que a norma diretiva geral e ordinária dos obreiros e líderes sempre foram as Escrituras. Isso era diário, cotidiano e costumeiro. Extraordinariamente o Senhor falava e orientava por meio do Seu Espírito Santo. Nós devemos ter o cuidado para não negligenciar o estudo, a pregação e o ensino da doutrina em buscas de profecias, revelações e etc. Devemos buscar e crer em ambos, mas a Bíblia é o fundamento, a base, a coluna, a estrutura e o esteio de todo labor doutrinário e diretivo da igreja e do ministério. Particularmente como cristão, pastor e pregador tenho abraço ambos, ou seja, tanto a Bíblia quanto as profecias, revelações e etc., dadas pelo Deus Espírito Santo. A verdade da Bíblia não exclui a verdade das profecias, mas as sustenta e as corrige! Outro detalhe, não percamos de vista que a natureza das profecias é para exortação, consolação e edificação e nunca para formular novas doutrinas e práticas bizarras para a igreja e o culto cristão.
O Verbo, a Palavra de Deus, é vivo e não sepultado nas páginas da Bíblia! O Senhor Jesus continua falando conosco na Bíblia, por meio dela e também à parte dela, mas nunca contra ela!
Atos 9.5: “[...] E disse o Senhor: Eu Sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”; v.10-11: “E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor. E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que está orando” (cf. At 16.9-10; 22.2-10, 17-21; 26.15-19). Essas referência fornecem-nos informações suficientes para demonstrar que o Senhor Jesus, o Cristo ressurreto, continuava falando com os Seus e direcionando-os por meio de sonhos, visões, arrebatamentos, profecias e etc.
Outros exemplos podem ser vistos nas Epístolas (cf. 2Tm 4.6; 2Pe 1.14).


Soli Deo Gloria!




[1] RYRIE, Charles C. A Bíblia Anotada, p.1377. São Paulo, SP, Brasil: Editora Mundo Cristã, 1994.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

FAZER TEOLOGIA SISTEMÁTICA

Pressupostos para se fazer Teologia Sistemática



O Deus teísta
A teologia evangélica crê que Deus existe além deste mundo (“mundo”, neste caso, significando “todo o universo criado”) e que foi Ele que trouxe esse universo à existência. Ela também abarca a crença de que esse Deus é um Ser eterno, infinito, soberano, absolutamente perfeito e pessoal. O nome dado a esta visão, de que Deus criou tudo que existe, é “Teísmo” (Deus criou tudo), em oposição ao “Ateísmo” (Deus não existe em absoluto) e ao “Panteísmo” (Deus é tudo). Se o Teísmo é verdadeiro, todos os não-Teísmo são falsos, já que o contrário do verdadeiro é o falso[1].

Teísmo é o grande pressuposto do labor teológico
Todo estudante de teologia precisa abraçar alguns pressupostos, sem os quais é impossível fazer teologia sistemática evangélica.
Norman Geisler escreveu:
A existência de um Deus teísta é o alicerce da Teologia cristã. Se o Deus do Teísmo cristão tradicional não existe, a Teologia evangélica, logicamente, desmorona. Tentar construir uma teologia sistemática evangélica sem o fundamento do Teísmo tradicional é o mesmo que querer levantar uma casa sem uma estrutura[2].

Seria bastante absurdo falar de Deus sem Deus; fazer teologia sem Deus; falar sem palavras; formar uma frase significativa sem verbos. Então é impossível querer fazer teologia sistemática evangélica sem abraçar o grande pressuposto teológico: Deus existe! Quando nos aproximamos do labor evangélico teológico, devemos crer que Deus existe: “[...] é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe [...]” (Hb 11.6, “grifo nosso”). Para o fazer teológico evangélico é necessário abraçar a existência de Deus como certa, pois tal labor deve necessariamente levar o estudante a relacionar-se com o Deus que ele procura entender. Pois, “aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6, “grifo nosso”). Deus recompensará a pessoa que acredita n’Ele e que o busca de todo entendimento e coração.

Deus existe, Deus se revelou!
Deus existe! O Deus autoexistente Se revelou. Sua revelação foi na História e está registrada nas Escrituras por meio de palavras que os cristãos afirmam ser as Palavras de Deus (cf. 1Ts 2.13; 2Tm 3.16-17; 2Pe 1.16-21; vd. Jr 1.9). No Cristianismo, o estudo de Deus é um estudo da revelação que Deus fez de Si mesmo. Essa revelação está atualmente disponível na Bíblia, tornando-a crucial para a tarefa da teologia porque, como fonte das Palavras ou Revelação Divinas, ela é suficiente para a vida humana e possui um tipo de clareza não encontrada em outras partes[3].
Nosso labor teológico estará de pé ou caído na proporção que fundamentamos nossa teologia nas Escrituras Sagradas. Portanto, a teologia deve ser fundamentalmente um estudo das Escrituras. Ela não é uma análise da consciência religiosa ou dos sentimentos do homem, nem mesmo um conjunto de ideias individuais que descreve o pensamento de cada um sobre Deus. O labor teológico é o esforço do crente para compreender aquilo que Deus disse acerca de Si mesmo, sistematizando a revelação para melhor entendimento.
Não devemos, no labor teológico, substituir a autoridade das Palavras pessoais de Deus, registradas nas Escrituras, pela história, pelo racionalismo humano e pelo subjetivismo humano. Para nosso propósito descreveremos apenas o último.

O perigo de uma teologia subjetivista
A revelação na Teologia Liberal tem sido identificada como um acontecimento subjetivo, algo que acontece dentro do coração humano. Essa teoria é mais frequentemente associada a Friedrich Schleiermacher (1768–1834). Para ele, a religião não se fundamenta na razão[4], mas no Gefühl, um termo alemão que pode ser traduzido como “sentimento” ou “intuição”. A religião começa, pensava ele, com um “sentimento de dependência absoluta” e Deus é, em primeiro lugar, um nome para aquela realidade da qual nos sentimos dependentes. A fé cristã interpreta tal realidade em termos de Jesus Cristo. Então, a teologia cristã expressa os sentimentos religiosos cristãos na forma de discurso. O sentimento vem primeiro, as palavras (da Escritura e da Teologia) vêm como uma expressão secundária do sentimento e uma reflexão sobre ele. Aqui, a teologia não está fundamentada na compreensão daquilo que Deus disse, mas em nossos sentimentos religiosos que nos indica que somos seres dependentes.
Nesse contexto, a revelação e a teologia, é, principalmente, subjetiva, não objetiva. Não é constituída de verdades objetivas, mas das reações subjetivas às verdades objetivas. A teologia constitui-se apenas em nossos sentimentos sobre as verdades objetivas, não em nossa compreensão das verdades objetivas.
Para o teólogo Karl Barth, a Escritura é a Palavra de Deus somente quando “se torna” Palavra de Deus para um indivíduo por meio de um acontecimento presente. O texto bíblico nunca deve ser equiparado à Palavra de Deus. Ela é um documento humano, sujeito a erro, mesmo em suas afirmações teológicas.
É baseados nesse pressuposto que muitos atualmente falam: “esta é a minha teologia” e, “essa é a sua teologia”; cada um fica com sua ideia desde que respeitando a ideia do outro[5], pois ninguém é dono da verdade – consequentemente, nem Deus é! (Às vezes mostramos o que diz a Bíblia e as pessoas dizem: “isso é o que você entende”).
Se a própria Escritura é o registro da teologia de indivíduos sobre Deus, ou seja, as palavras, baseadas nos sentimentos, que as pessoas tem de Deus, e não a Revelação de Deus de Si mesmo, então teremos tantas teologias quantos sentimentos humanos tivermos.
No entanto, o meu pensamento teológico, minha teologia, minha ideia de Deus, minha reflexão sobre Deus, meus sentimentos religiosos devem estar de acordo com a revelação que Deus deu de Si mesmo. Então, podemos dizer que meus pensamentos, entendimentos, sentimentos, emoções, vontade e práticas devem se submeter às Palavras de Deus, não o contrário.
Nós cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus! Deus identifica-Se tanto com Sua Palavra que, quando as Escrituras falam, é Deus quem fala. A Bíblia não é a palavra de homens acerca de Deus, ela é a Palavra de Deus em linguagem humana.

Romanos 9.17: Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o Meu poder e para que o Meu Nome seja anunciado por toda a terra. (“grifo nosso”).
Êxodo 9.13,16: Disse o SENHOR a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, apresenta-te a Faraó e dize-lhe: [...] deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostra-te o Meu poder, e para que seja o Meu Nome anunciado em toda a terra. (“grifo nosso”).

Gálatas 3.8: Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificará pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. (“grifo nosso”).

A personificação das Escrituras era uma figura de linguagem comum para os judeus (cf. G. 4.30; Jo 7.38,42; 19.37; Rm 10.11; 11.2; 1Tm 5.18). Como a Escritura é a Palavra de Deus, quando ela fala, Deus fala[6]. Agostinho dizia: O que a Bíblia diz, Deus diz.

A importância da revelação subjetiva (experiência)
Com o exposto acima, não nego a importância da experiência em nosso labor teológico. Entendo que devemos lutar com a ortodoxia morta nas igrejas e nos seminários, pois homens mortos tiram de si mesmos sermões, ensinos, teologias e pregações mortas. Isso produz igrejas locais mortas, sem vivacidade espiritual. Igrejas que têm nomes de que vivem, mas estão mortas. Tais são igrejas solenes e pomposas, mas nada há de mais solene do que um defunto num caixão, todavia está morto. Há muitas igrejas solenes, mas mortas.
Como cristãos bíblicos devemos reconhecer a importância bíblica de uma experiência vívida com Deus, na qual Deus, de fato, entra no tempo e penetra na experiência do indivíduo. Porém, não devemos separar o que a Bíblia une: o subjetivo do objetivo. Na Escritura, a revelação subjetiva é a iluminação que o Espírito faz da revelação objetiva. Isto traz a verdade objetiva da Escritura para o nosso coração, comunicando a nós um relacionamento pessoal e vital com Cristo, objetivo e consequência do labor teológico cristão. O relacionamento pessoal e vital com Deus é inseparável do conhecimento de Deus.

A importância da revelação objetiva (verdade revelada)
Assim como a revelação subjetiva, iluminação do Espírito Santo, experiência vívida de comunhão com Deus, é importante, a revelação objetiva, o conhecimento que Deus dá de si mesmo, a verdade revelada, também é de suma importância, pois se torna o fundamento do edifício da revelação subjetiva, ou seja, a base de nossa experiência com Deus. Num texto bíblico vemos estas duas verdades expostas num mesmo fôlego.
Lemos em Primeira Coríntios 2.6-16:

Entretanto, expomos sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a dos poderosos desta época, que se reduzem a nada;
Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória;
Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória;
Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.
Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.
Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente.
Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais.
Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucuras; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.
Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo (“grifo nosso”).

Claramente o apóstolo Paulo escreve que a verdade de Deus não pode ser descoberta por olhos ou ouvidos (evidência empírica e objetiva), nem é descoberta pela mente (conclusões racionais e subjetivas). A sabedoria que salva, a qual a sabedoria do homem não pode conhecer, é revelada a nós por Deus. Ele a torna conhecida por meio da revelação, inspiração e iluminação. A revelação (vv.10-11) e a inspiração (vv.12-13) foram dadas àqueles que escreveram a Bíblia; a iluminação (vv.14-16) é dada a todos os cristãos que buscam conhecer e compreender (labor teológico) essa verdade escrita de maneira Divina. Em cada caso, o Espírito Santo é o agente divino que realiza a obra (cf. 2Pe 1.21; 1Jo 2.20, 27; Jo 14.26; 16.13)[7].
É por meio do Espírito Santo que Deus revelou e faz compreendar a Sua verdade que salva (cf. Mt 11.25; 13.10-13).

Começando com Deus e depois com o homem
Uma definição breve de teologia é o conhecimento de Deus e de tudo que está relacionado a Ele, em especial o ser humano que é a coroa de Sua criação. A consequência disso é que o labor teológico, nosso esforço para compreender a revelação contida nas Escrituras, deve começar com Deus e não com o homem. Devemos assumir uma postura firme a favor de um estudo da teologia sistemática que orbite[8] em torno de Deus e não do homem. O centro é Deus e não a criatura (cf. Ap 4 e 5). O conteúdo é a Palavra de Deus e não as ideias dos homens.
 O estudioso do Antigo Testamento, Gerhard von Rad disse que “o entendimento humano de Deus ou do homem não começa do eu para depois perguntar, desse ponto de partida, sobre o contado com Deus. Começa com Deus e afirma que uma pessoa só pode ser completamente compreendida se começar por Deus. Todos os outros meios de compreender o homem só podem levar a distorções ou reduções”[9].
Em um dos meus livros escrevi minha discordância da posição de Adolphe Gesché, que defende a tese de que, para cumprir eficazmente seu papel, a Teologia deveria eleger a Antropologia Cultural como interlocutora privilegiada. Ele escreveu: “torna-se impossível, de fato e de direito, falar corretamente de Deus se não se conhece o homem”[10]. Citei as memoráveis palavras de João Calvino, como base de minha discordância:

[...] é notório que o homem jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio. Ora, sendo-nos o orgulho a todos ingênito, sempre a nós mesmos nos parecemos justos, e íntegros, e sábios, e santos, a menos que, em virtude de provas evidentes, sejamos convencidos de nossa injustiça, indignidade, insipiência e depravação. Não somos, porém, assim convencidos, se atentamos apenas para nós mesmos e não também para o Senhor, que é o único parâmetro pelo qual se deve aferir este juízo. Pois, uma vez que somos todos por natureza propensos à hipocrisia, por isso qualquer vã aparência de justiça nos satisfaz amplamente em lugar da real justiça. E, porque dentro de nós ou a nosso derredor nada se vê que não seja contaminado de crassa impureza, por todo tempo que confinamos nossa mente aos limites da depravação humana, aquilo que é um pouco menos torpe a nós nos sorri como coisa da mais refinada pureza. Exatamente como se dá com um olho diante do qual nada se põe de outras cores senão o preto: julga-se alvíssimo o que, entretanto, é de brancura um tanto esfumada, ou até mesmo tisnado de certa tonalidade fosca[11] (“grifo nosso”).

O homem é, desse modo, uma criatura que só pode ser compreendida a partir de cima e que, tendo cortado seu relacionamento com Deus, só pode reconquistar e manter sua humanidade dando ouvidos à Palavra Divina[12]. O autoconhecimento humano não começa com pessoas terrenas, mas com o Deus Criador. Então, deve-se começar o estudo da teologia com Deus e não com o homem. Começamos com Deus porque o fazer teológico não é um esforço humano para descobrir a si mesmos e depois a Deus, mas é o labor daqueles que pela fé abraçaram a revelação que Deus deu de Si mesmo procurando entender todas as coisas à luz desta revelação, inclusive a si mesmos. Começamos pela revelação porque não descobrimos a Deus; Deus nos encontra. De fato, Deus sabe tudo a nosso respeito (cf. Sl 139.1-18).

Perigos de se começar com o homem
Creio que há alguns perigos de se fazer teologia começando pelo ser humano. Estou convicto de que as igrejas locais atuais seguem teologias, conscientes ou não, fundamentadas e centradas no homem. Tanto o ministério quanto a igreja cristãs estão minados por teologias que partem do homem para o homem, ou seja, procuram saber o que eles querem para daí abraçar as metodologias que melhor alcance tais desejos. Deus e as igrejas existem em função das necessidades sentidas dos seres humanos.
Podemos dizer que quando começamos nosso labor teológico partindo da humanidade alguns pressupostos ficam evidentes. Em outras palavras, uma teologia humanista baseia-se nas seguintes proposições para sua subsistência e elaboração de metas e metodologias.
1. Deus existe para satisfazer meus anseios e me fazer feliz, em vez de termos vindo a existência para glorificar a Deus e alegra-se n’Ele para sempre como Criador e Soberano eterno;
2. Fui criado para Deus não se sentir só, em vez de ter sido criado para ser Sua imagem e semelhança, refletindo Seu caráter glorioso;
3. A cruz revela o valor da humanidade, em vez de ser a revelação do caráter e da obra de Deus em Cristo;
4. A igreja local foi instituída para agradar as pessoas e torná-las mais aptas para alcançar suas metas, em vez de instituída para edifica-las e fazê-las crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo;
5. Jesus torna-se apenas um grande modelo a ser admirado e seguido, em vez do Redentor que liberta e que exige arrependimento e adoração;
6. O Espírito Santo torna-se apenas uma fonte de força que me ajuda nas dificuldades e desafios da vida diária, em vez de ser o Deus Bendito que me guia na verdade para minha santificação e glorificação.
7. A Bíblia se torna mais um livro de autoajuda e uma caixinha de promessas para direcionar e encorajar as pessoas em suas buscas frenéticas por divertimentos e sucessos, em vez de ser a Palavra de Deus ao homem exortando-o e ensinando-o a guardar todas as grandes verdades para sua salvação, edificação, santificação, crescimento, maturidade e glorificação à imagem de Cristo Jesus.

Qual é a nossa reação à revelação de Deus?
Como pontuamos acima, sabemos que o grande pressuposto da teologia é que Deus existe. Esse Deus que existe se revelou. Sua revelação é tanto objetiva quanto subjetiva. Agora, destacamos: qual deve ser nossa reação a ação de Deus de se revelar a Si mesmo a nós tanto na criação quanto nas Escrituras?
Há reações de incredulidade e de fé! Em Romanos 1, a reação dos pagãos é reprimir a verdade, e trocá-la por uma mentira, e assim por diante. Mas, em Mateus 11.27, o Senhor Jesus diz que “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. Aqui nosso Senhor se refere a uma revelação subjetiva, uma revelação que traz conhecimento ao leitor, e, na verdade, conhecimento como parte de um relacionamento salvador íntimo com o Pai e o Filho, um conhecimento de fé. Esse significado de revelação também pode ser encontrado em Efésios 1.17, em que Paulo ora para que Deus conceda as efésios “espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento de [Cristo]”[13].
Dessa maneira, podemos distinguir três tipos de revelação:
1. revelação objetiva;
2. revelação subjetiva recebida com incredulidade, e
3. revelação subjetiva recebida com fé.

A revelação não é apenas o que sentimos e nem mesmo o que acreditamos com base nos sentimentos. Ela é o que devemos crer, o que somos obrigados a confessar. Toda comunicação verdadeira é objetiva (o conteúdo e a transmissão) e subjetiva (a audição e a reação). Mas o elemento subjetivo é uma resposta humana às palavras pessoais objetivas de Deus a nós. Não devemos, portanto, como os liberais, rejeitar a autoridade das Palavras pessoais de Deus eliminando o lado objetivo da comunicação. Isso capacita o homem a julgar a Palavra de Deus com sua razão autônoma. Esse conceito é inaceitável para os cristãos fiéis.

Soli Deo Gloria!



[1] Vale mencionar de passagem o “Teísmo Aberto”, que é um movimento teológico que ensina que Deus não está acima do tempo, que Ele não controla toda a natureza e nem toda a História, que Ele não conhece o futuro exaustivamente e que Ele, às vezes, comete erros e muda os Seus planos, sendo, portanto, em alguns aspectos, dependente do mundo. Cf. FRAME, John. Não Há Outro Deus: Uma resposta ao Teísmo Aberto, p.11. São Paulo, SP, Brasil: Cultura Cristã, 2006.
[2] Teologia Sistemática, pg.15. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: CPAD, 2010.
[3] FRAME, John M. A Doutrina da Palavra de Deus, p.234. São Paulo, SP, Brasil: Cultura Cristã, 2013.
[4] Interessante é que ele usa a razão para elaborar tais argumentos contra a religião que se fundamenta na razão!
[5] Porque deveríamos respeitar a ideia de alguém que não tem respaldo escriturístico?
[6] MACARTHUR, John F. Bíblia de Estudo MacArthur, p.1589 (nota de Gl 3.8). Barueri, SP, Brasil: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
[7] MACARTHUR, 2010, p.1529. – (notas de 1Co 2.9-16).
[8] Assim como a Terra orbita em torno do Sol recebendo proporcionalmente sua luz, devemos orbitar em nosso labor teológico em torno de Deus para recebemos proporcionalmente Sua luz.
[9] Apud SMITH, Ralph Lee. Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem, p.91. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 2001.
[10] TEIXEIRA, Ivan. Mentes Renovadas, Igrejas Transformadas: Prolegômenos à Teologia Sistemática, p.128-129. Brasília, DF, Brasil: Editora Cristã, 2016.
[11] CALVINO, JOÃO. As Institutas da Religião (São Paulo, SP, Brasil: Edição Clássica – latim) – (Editora Cultura Cristã).
[12] Lemos em Colossenses 3.10: “e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (“grifo nosso”).
[13] FRAME, 2013, p.54.