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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

JESUS É DEUS_SANTO IRENEU_PEQUENA INTRODUÇÃO

 

Qualquer pessoa que nega essa verdade é inimiga do Evangelho!

(Introdução da visão de Santo Ireneu sobre a Divindade do Senhor Jesus)

 

Certos hereges atualmente tentam manipular e omitir dados históricos quando afirmam que a ideia de que Jesus é Deus foi uma postulação posterior no IV século com Constantino e outros de Roma – já ouvimos muitos dizerem: “Trindade é coisa da Igreja Romana e de Constantino” e etc.,. Esses hereges dão um salto gigante e manipulador em 200 anos iniciais de História da Igreja, ignorando vários Pais da Igreja propositalmente, para enganar os incautos e desavisados com suas afirmações esdrúxulas e heréticas.

Para deixar claro a manipulação dos dados históricos pelos hereges atuais, citou Santo Ireneu, um dos grandes Pais apologistas (defensores da Fé Bíblica) na defesa da plena Divindade do Verbo.

Santo Ireneu (Irineu) não era romano, mas foi um bispo grego, teólogo e escritor, nascido em Esmirna(?) na Ásia Menor (atual Turquia de hoje). Nasceu em 130 d.C., e morreu na atual cidade de Lyon, na França, em 202 d.C., onde foi bispo. Foi discípulo de São Policarpo, que, por sua vez, conviveu diretamente com o Apóstolo São João, o Evangelista. Santo Ireneu foi um dos grandes defensores da fé evangélica, combateu assídua e corajosamente o gnosticismo e os hereges como Valentim (100–160 d.C).

Para vocês terem uma ideia do que o grande Santo Ireneu combateu, nota-se que os valentinianos defendiam, por exemplo, que havia um lugar de plenitude chamado PLEROMA, que era habitado por seres divinos, os Éons. Um desses Éons teria criado o mundo corruptível e mortal, o mundo visível, tal como o conhecemos. Pois bem, Jesus Cristo, para os valentinianos, teria recebido, no momento de seu batismo (quem lembra que certo pregador dos Gideões ensinou isso?), a infusão de outro Éon, que teria um plano salvador para os homens. Nas palavras de Cristo reproduzidas nos Evangelhos, esse Éon teria deixado as “pistas”, o “caminho” para se conhecer o Pleroma, isto é, para se poder habitar o mundo da plenitude dos seres perfeitos.

O grande apologista destacou que o Verbo encarnou não numa pessoa qualquer, mas numa natureza preparada e gerada pelo Espírito Santo. Pois, como disse Santo Ireneu: “[...] como poderia uma criatura separada e infinitamente distanciada do Pai, sustentar o Verbo?”; Desbancando os hereges gnósticos e os valentinianos, Santo Ireneu escreveu: “Como poderia uma criação exterior ao Pleroma conter Aquele que contém todo o Pleroma?” (Adv. Haer. V, 18.1). Aqui Ireneu, no meu ver, faz eco as palavras do apóstolo Paulo e do apóstolo João: Colossenses 1.19: “porque aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a PLENITUDE (gr. πλήρωμα)”; João 1.16: “Porque todos nós temos recebido da Sua PLENITUDE (gr. πληρώματος), e graça sobre graça”. Jesus, o Cristo, meus irmãos não era um mero Éon do Pleroma, mas Aquele que contém TODO o Pleroma da Divindade. Ele não é apenas divino ou como alguns sorrateiramente dizem: “Filho de Deus [apenas]”, ou mesmo uma fagulha do Pleroma, mas o próprio Deus-Pleroma. JESUS É DEUS EM SUA PLENITUDE!

Santo Ireneu identificou nos argumentos valentinianos uma série de graves consequências. Uma delas foi a pressuposição de duas divindades rivais, o criador do mundo corruptível e o salvador. Essa posição dos gnósticos precisava ser refutada, segundo Ireneu, porque eram contrárias, por exemplo, ao dogma da Trindade, que admite a coexistência de Três Pessoas na figura de UM SÓ DEUS, e também ao dogma da Encarnação e da Ressurreição, que admite que o Ser Divino na Pessoa do Verbo (Logos) encarnou no mundo perecível e abriu, neste mundo, a via da redenção dos pecados.

Santo Ireneu afirmou a encarnação do Verbo na carne humana da virgem Maria, Sua morte física e ressurreição corporal no Seu tabernacular entre nós. Ensino negado pelos gnósticos de sua época, bem como da época do apóstolo João (1João 5.6-12). Ele escreveu também que: “Assim como Eva foi seduzida pela fala de anjo e afastou-se de Deus, transgredindo a Sua Palavra, Maria recebeu a boa-nova pela boca de anjo e trouxe DEUS em seu seio, obedecendo à sua palavra” (Adv. Haer. V, 19.1). Jesus é claramente Deus!

Santo Ireneu escreveu concordando que Jesus era Deus citando o apóstolo João: “[...] Também João, o discípulo do Senhor, afirma tudo isso, quando diz no seu Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e O VERBO ERA DEUS. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito” (Adv. Haer. V, 18.2).

No Volume V de sua grande obra Contra as Heresias 18.3, Santo Ireneu escreveu: “O verdadeiro Criador do mundo é o Verbo de Deus. Este é nosso Senhor, que nos últimos tempos se fez homem, Ele que já estava no mundo e invisivelmente sustenta todas as coisas criadas e está impresso em toda a criação, como Verbo de Deus que tudo governa e dispõe; [...]”(Adv. Haer. V, 18.3).

Concluo com as claras palavras de Santo Ireneu postulando que Jesus não é meramente um filho de Deus, mas Deus: “Esta vinda visível do Verbo, Davi a anunciou, quando disse: “O nosso DEUS virá de maneira manifesta e não se calará.” E depois anunciou o julgamento que ELE traria, dizendo: “O fogo arderá diante d’Ele e à Sua volta se lançará a tempestade. Chamará os céus do alto e a terra para julgar o seu povo” (cf. Salmo 50.2,3,4) (Adv. Haer. V, 18.3).

Claramente para o grande bispo Ireneu Jesus era Deus, o Verbo que esteve entre nós por meio da Virgem que nela o Espírito Santo gerou a humanidade da encarnação. Ele não recebeu nenhum Éon no batismo. O Verbo não tinha nenhuma fagulha do Pleroma, mas Ele é o Pleroma da Deidade. Negar a Divindade de Jesus Cristo é negar uma das doutrinas pelas quais o Cristianismo está de pé ou caído.

Como cristão rejeito peremptoriamente qualquer ensino que distorça a verdade fundamental de que Jesus é Deus. Tenho como inimigos do evangelho qualquer pastor, bispo, presbítero e seja lá o que for que nega o claro ensino da Bíblia sobre a plena Divindade do meu Senhor Jesus!

Só Deus é digno de toda adoração! Jesus é o Cordeiro digno de toda adoração nos céus (Apocalipse 5)!

 

Ivan Teixeira

quarta-feira, 7 de junho de 2017

ATIVIDADES MINISTERIAIS DO SENHOR JESUS!

Três Grandes Atividades do Ministério do Senhor Jesus

Leitura Seleta: Mateus 4.23–25.
Comentário: Esta passagem tem muita importância para nossas vidas e ministério porque nos dá um breve, mas marcante, sumário da trilogia ministerial do Senhor Jesus.
Todo ministro do evangelho deveria estudar esse tríplice aspecto ministerial de nosso Senhor Jesus.

1. Pregando o Evangelho do Reino.
A pregação consiste em proclamação de certezas. Por tanto, o Senhor Jesus vinha derrotando a ignorância humana. O Senhor Jesus vinha pregando a verdade acerca de Deus, verdade que nunca descobriríamos por nós mesmos.
Com a pregação do evangelho do Reino nosso Senhor vinha pondo ponto final nas suposições sobre Deus e mostrando realmente quem é Deus. Com a pregação todas as astúcias dos homens eram eliminadas e a verdade de como é Deus vinha sendo revelada.

2. Ensinando nas Sinagogas.
Qual a diferença entre pregar e ensinar? Pregar é a proclamação sem reservas da certeza; ensinamento são a explicação de seu significado e relevância. Por tanto, o Senhor Jesus veio para derrotar os falsos entendidos dos seres humanos. Às vezes as pessoas conhecem a verdade e a interpretam mal. Outras vezes as pessoas conhecem a verdade e extraem conclusões erradas dela. O Senhor Jesus veio ensinando para revelar o sentido da verdadeira religião.
No Sermão do Monte vemos a maravilhosa explicação da lei de Deus que os intérpretes passados haviam ofuscado com suas tradições e falsas conclusões. No Sermão do Monte vemos o Senhor mostrando-nos o significado verdadeiro e a relevância da lei de Deus para nossas vidas.

Significa que o Senhor Jesus veio para derrotar a dor e o sofrimento dos seres humanos que creem Nele.
Umas das coisas mais importando revelado no ministério e vida do Senhor Jesus é que Ele não se conformou apenas em pregar a verdade meramente em palavras; Ele veio para por a verdade em ação. A verdade liberta! (Jo 8.32,36).
Florence Allshorn, um grande mestre missionário, dizia: “Um ideal não é nunca teu até que te saia pelas pontas dos dedos”. O ideal não é nosso até que se materialize em obras. O Senhor Jesus transformava em realidade Seu próprio ensinamento em obras de ajuda e saúde.
Devemos ornar as doutrinas sagradas com nossas vidas como diz as Escrituras:
Quanto aos homens [...] às mulheres [...] aos moços [...] Torna-te pessoalmente, padrão de boas obras [...] aos servos [...] dêem prova de toda a fidelidade, a fim de ornarem, em todas as coisas, a doutrina de Deus, nosso Salvador (Tt 2.1–10).


4. Numerosas Multidões O Seguiam (Mt 4.25).
Havia entre as multidões àqueles que vinham para serem curados (v.24), mas também havia àqueles que vinham para segui-Lo. Estes, O seguia vindo de longe, sem motivação de receberem curas.

Conclusão: O Senhor Jesus veio pregado para derrotar toda ignorância. Ele veio ensinando para derrotar todos os mal entendidos sobre Deus e Seu evangelho. Também veio curando para derrotar todo sofrimento. A vida e ministério do Senhor Jesus é suficiente para todas as nossas necessidades.
Cada um de nós, como ministros de Cristo, devemos proclamar nossas certezas; nós, também, devemos está dispostos a explicar nossa fé; e por último devemos traduzir o ideal em ação e obras para a glória de Deus e salvação dos homens. Tudo isto para que as pessoas sigam ao Senhor Jesus de todo coração.

IVAN TEIXEIRA

Minister Verbi Divini

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A QUESTÃO DO DIVÓRCIO

UMA QUESTÃO IMPORTANTE

O anacronismo semântico do pastor Paulo Junior
Sua pregação sobre o divórcio é mais uma SELEÇÃO do que uma EXPOSIÇÃO, por isso gera mais CONFUSÃO do que COMPREENSÃO.


O divórcio tem sido um dos assuntos polêmicos e difíceis. Lamentavelmente muitos pastores ou ignoram o assunto ou exibem posições extremas e muitas das vezes não bíblicas. Como todo assunto tocado pelas Escrituras o divórcio precisa ser entendido por meio de um estudo detido e paciente das passagens.
Como pregadores e ensinadores e pastores precisamos ter uma posição bíblica sobre o casamento, o divórcio e o novo casamento. Precisamos nos enforçar para entender as passagens que tratam sobre o assunto à luz dos contextos e da teologia bíblica. Não devemos negligenciar um assunto tão importante para a prática pastoral.
Porém, lamento que alguns pastores e pregadores tenham tomado posições absurdas, extremas e na maioria das vezes ambíguas. Muitas pregações sobre o assunto tem trago mais confusão do que compreensão ao povo de Deus. E como cristão e pregador e pastor me preocupo com este assunto e preciso me debruçar nas Escrituras para compreendê-lo.
Como exemplo de pregações que tem trago mais confusão do que compreensão é a do pastor Paulo Junior, muito conhecido e apreciado por muitos. O nobre pastor tem sido instrumento divino para nossa época e tem trago edificação para o corpo de Cristo aqui no Brasil. No entanto, no seu vídeo sobre o divorcio, o nobre pastor faz uma pregação que mais traz confusão do que compreensão. Para muitos que compreendem e tem estudado as posições relacionadas sobre o divórcio e o novo casamento (que são quatro) podem captar a posição dele, mas muitos leigos têm estado confusos pelas posições elencadas pelo nobre companheiro. Entendo que o pastor Paulo Junior não fez uma exposição sobre o assunto, mas usando pontas soltas advogou sua posição que mais trouxe confusão do que compreensão. Sua afirmativa é que o casamento só pode ser desfeito pela morte de um dos cônjuges, negligenciando assim textos que falam claramente que o divórcio é possível e permitido (não exigido!) pela prostituição-adultério no caso de um casal crente (Mt 19.9), e também pelo abandono no caso de um casal em que um dos cônjuges é descrente e não quer permanecer com o irmão ou a irmã (1Co 7.12-16). Isso sem levar em conta que o “princípio do abandono” pode ser aplicado ao casal crente em que um dos cônjuges cometa barbáries (espancamento e etc – isso seria outro artigo).
A tônica da posição do pastor Paulo Junior é que a palavra grega “porneia” (relações sexuais ilícitas – ARA) usada em Mateus 19.9 não se aplica a pessoas casadas, mas a pessoas que são noivas (referindo-se a primeira fase do casamento em Israel que só poderia ser dissolvido pelo divórcio). Caso um dos nubentes cometa infidelidade pode-se divorciar e casar novamente. Mas, para ele “porneia” não se aplica às pessoas casadas, concluindo que não há base para o divórcio caso um dos cônjuges seja infiel por meio de qualquer tipo de imoralidade sexual (significado abrangente da palavra grega “porneia”). O lado não adúltero precisa manter-se casado aconteça o que acontecer, visto que o novo casamento, na posição de Paulo Junior, só é aceito após a morte de um dos cônjuges. Então, o irmão ou a irmão ficam sujeitos à servidão (claro que aqui já estou colocando a situação em que o cônjuge adúltero não se arrependa e continue na infidelidade – o pastor precisa lutar perseverantemente pela restauração do casamento, porém entendemos que o divórcio é possível e permitido (mas, não exigido ou incentivado) com base na “imoralidade sexual” = adultério).
Porém, a posição elencada pelo nobre pastor é baseada num falso entendimento da palavra grega “porneia”. Paulo Junior cai num erro exegético que os teólogos chamam de anacronismo semântico, que, em palavras simples, significa você transportar para o texto bíblico ou para uma palavra usada no texto bíblico um significado que não tinha na época – significado que não estava na mente do escritor bíblico e nem na dos seus ouvintes/leitores. Isso aconteceu muito com a palavra “poder” em Atos 1.8, que no grego é “dynamis”. Muitos desavisadamente transportam para o texto bíblico o significado moderno de “dinamite” afirmando que recebemos a dinamite do Espírito Santo para explodir o inferno. Enquanto o texto está se referindo a capacitação do Espírito Santo para sermos testemunhas de Jesus Cristo.
Vamos esclarecer um pouco mais!

A CLÁUSULA DE EXCEÇÃO: “EXCETO POR PORNEIA
De acordo com a exceção, mencionada em Mateus 5.32 (παρεκτὸς λόγου πορνείας = paraktos logou porneias) e Mateus 19.9 (μὴ ἐπὶ πορνείᾳ = mê epi porneia), o divórcio é ilegítimo, exceto no caso de “infidelidade” (NVI); “exceto por imoralidade sexual” (ARA); “exceto em caso de relações sexuais ilícitas” (ARC). Em outras palavras, a Bíblia reconhece a legitimidade do divórcio por causa da infidelidade conjugal.
Entendamos uma coisa antes de prosseguir. A reação dos discípulos em Mateus 19.10 prova que o Senhor Jesus defendia uma postura do ideal divino para o casamento: “o divórcio é proibido uma vez que o casamento foi consumado”, AINDA QUE abrisse exceção para o divórcio no caso de imoralidade sexual-adultério. Ademais, embora o judaísmo contemporâneo EXIGISSE o divórcio no caso de imoralidade sexual (cf. m. Sotá 5:1), o Senhor Jesus apenas o PERMITIU (e, portanto, deixou implícita a NECESSIDADE DE PERDÃO)[1].
A postura evangélica mais ampla é que o divórcio e o novo casamento são PERMITIDOS (não EXIGIDOS - sempre buscamos, como pastores, o perdão, a reconciliação e a restauração) no caso de imoralidade sexual. Ou seja, não é permitido se divorciar por qualquer motivo, mas, é PERMITIDO, e não EXIGIDO, divorciar APENAS, no contexto de Mateus, por causa da imoralidade sexual. Isso não foi levado em conta na pregação de Paulo Junior que apenas afirmou que isso se referia ao noivado. Todavia, tal afirmação é baseada numa má compreensão da palavra “porneia” como nós veremos a seguir.

Porneia se refere à dissolução do compromisso do noivado?
Alguns advogam (Paulo Junior) que a palavra “porneia” se refere à dissolução do compromisso de noivado, não, porém do casamento. Pontuando, que não é permitido se divorciar mesmo que um dos cônjuges cometa adultério.
Aqui é necessário compreender o sentido dos termos “porneia” e “moichao” (adultério).
Usando a tradução “fornicação” para “porneia” alguns advogam que Jesus se referia ao rompimento do compromisso de noivado, não ao casamento em si. Tal compreensão é baseada no significado dado a palavra fornicação: “pecado sexual por pessoas não casadas”. Já adultério significa “pecado sexual que envolve pessoa casada”. Então, baseado neste significado “moderno” muitos chegam à conclusão (aqui está o anacronismo semântico) que o divórcio foi permitido por Jesus somente no caso de fornicação (durante o compromisso de noivado) e NUNCA no caso de adultério. Esse é o ponto advogado por Paulo Junior e alguns.
Contudo, ESSA DISTINÇÃO NÃO DEVE SER INSERIDA NA BÍBLIA (isso é o erro exegético chamado anacronismo semântico). Fazer isso, como Paulo Junior o fez, é ser descuidado na exegese. É negligenciar porções das Escrituras. Os reformadores já diziam que é a Bíblia que interpreta a Bíblia. Mas, Paulo Junior, aqui, não seguiu o conselho dos reformadores, mas seguiu os dicionários modernos. Então, em vez de interpretar a Bíblia pela Bíblia, ele, e alguns, interpretaram a Bíblia pelo dicionário!
Os escritores da Bíblia empregaram a palavra “porneia” (fornicação) para descrever o pecado SEXUAL EM GERAL (não apenas entre pessoas solteiras – como afirmado por Paulo Junior), e, na Bíblia, refere-se a casos de incesto (1Co 5.1), homossexualismo (Jd 7) e até adultério (Jr 3.1,2,6,8 – aqui uma adúltera sofre o divórcio por causa da sua fornicação (porneia; cf. os versículos  2 e 6 na LXX; Cf. Os 2.2-5)[2]. “Porneia” era de fato uma palavra genérica aplicada a infidelidade sexual ou “infidelidade conjugal” (Arndt-Gingrich)[3].
Nas duas passagens (Jr 3 e Os 2), “porneia” e o verbo relacionado “poerneuõ” se referem ao rompimento da aliança de casamento de Israel com Yahweh por causa da “imoralidade” espiritual, à qual os termos justapostos “porneia” e “moicheia” (ou verbos correspondentes) se referem reciprocamente. Além de não haver NENHUMA DISTIÇÃO NÍTIDA entre as duas expressões, há, de fato, continuidade. Em nenhum desses contextos o escopo de referência de “porneia” é limitado apenas ao rompimento de um noivado conforme ensinado pelo pastor Paulo Junior. Fica evidente nos textos acima que se refere a UMA ALIANÇA DE CASAMENTO EXCLUSIVA E VITALÍCIA. Ademais, em Mateus 19.9, além de “porneia” e “moicheuõ”, também é usado o termo “gameõ” (que significa “casar-se”, ou, no presente contexto, “casar-se novamente”). Por esses motivos, parece difícil NEGAR que o tema em discussão nessas passagens seja CASAMENTO E VIOLAÇÃO DA ALIANÇA DE CASAMENTO, e não apenas rompimento de um NOIVADO[4].

Por isso, posso afirmar com todo respeito que o nobre pastor Paulo Junior não fez uma EXPOSIÇÃO, mas uma SELEÇÃO dos textos para apoiar sua proposição principal – novo casamento só com a morte do cônjuge. Diferente dos vídeos dos pastores Augustus Nicodemus, Hernandes Dias e John MacArthur sobre o assunto, Paulo Junior escorrega grosseiramente em sua exegese. Trazendo mais confusão (como aconteceu aqui em Campina Grande-PB num aconselhamento que fiz com dois casais após ouvirem sua pregação) do que esclarecimento. Aconselho que os leitores escutem as palestras dos pastores citados. Suas exposições trazem esclarecimento e não confusão. A exposição bíblica deve trazer ESCLARECIMENTO e não AMBIGUIDADES e CONFUSÕES. Aconselharia Paulo Junior excluir o vídeo da pregação feita por ele e estudar mais o assunto e expor seu argumento revelando outros pontos aceitos pela maioria dos evangélicos do mundo (pra citar alguns: Jay Adams, John MacArthur, R. C. Sproul, John Stott, Andreas Kostenberger, David Jones, Craig Blomberg, D. A. Carson, John Murray, Robert Stein, William Heth; também se encontra expressão na Confissão de Fé de Westminster). Agora, entendam, neste ponto, sobre divórcio e novo casamento, o nobre pastor Paulo Junior foi infeliz em suas colocações negligenciando assim uma boa e apurada exegese. Sua pregação, sobre este assunto, por si só se destrói. Pastoralmente falando não é válida, pois negligenciou muitos pontos importantes das Escrituras. Todavia, não invalida o que ele tem feito em outras exposições. Por favor, sejamos maduros e compreensíveis aqui, pois, lamentavelmente, tem gente que defende pessoas com suas asneiras sem conhecimento de nada.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS!
1. É correto dizer que, nas Escrituras, Deus reconhece a existência do divórcio e o regulamenta cuidadosamente. Então, o que nos cabe fazer como líderes e oficiais da igreja de Cristo é procurar regulamentá-lo para o povo de Deus, de acordo com os princípios expostos da Bíblia.

2. O Senhor Jesus reconheceu e declarou especificamente que o divórcio é algo que constituiu uma mudança do ideal divino: “desde o princípio não foi assim” (Mt 19.9). No mesmo versículo Ele declarou que foi por causa da dureza de coração dos judeus que Moisés “permitiu” (“epitrepo”) o divórcio. Então, conceder ou permitir uma prática não é o mesmo que originá-la, estabelecê-la ou instituí-la.

3. Diversamente do casamento, o divórcio é uma instituição humana. As evidências disponíveis, (bíblicas) mostram que, embora o divórcio seja reconhecido, permitido e regulamentado na Bíblia, diferentemente do casamento não foi instituído por Deus. Faz parte da Queda, por isso Deus o regulamentou (Dt 24) e o Senhor Jesus e Paulo pontou detalhes instrutivos.

4. Contrariamente a algumas opiniões, o conceito de divórcio é bíblico. A Bíblia reconhece e regulamenta o divórcio. Foram feitas certas provisões para essa prática. Essa verdade deve ser afirmada claramente e sem hesitação. Visto que o divórcio é um conceito bíblico, ao qual se faz frequente referência nas páginas da Bíblia, os cristãos deverão fazer tudo o que puderem para entender e ensinar o que Deus, em Sua Palavra, diz a respeito do assunto. Além disso, requer-se que a igreja aplique a casos individuais os princípios escriturístico relacionados com o divórcio.

5. A igreja precisa ser uma comunidade terapêutica trazendo às pessoas para o bálsamo das Escrituras, sejam elas casadas, solteiras, celibatas, viúvas ou divorciadas. É duro constatar a inabilidade bíblica e pastoral de muitos líderes com relação às pessoas divorciadas como se tivessem cometido um pecado imperdoável. Lembre-se que o ÚNICO PECADO IMPERDOÁVEL É A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO!

6. O pecado de divorciar-se do seu cônjuge sobre bases NÃO BÍBLICAS é ruim, não somente devido à miséria que ocasiona, mas por que é uma ofensa contra um santo Deus. Contudo, não é tão indelevelmente impresso na vida do pecador que não possa ser expiado pelo sangue de Cristo. Aqui, tenho que afirmar que Paulo Junior que anuncia tanto o evangelho esquece-se de anunciá-lo aos divorciados! Todas as vezes que o Senhor Jesus e Paulo falam sobre o divórcio eles anunciam o evangelho ao falar de perdão, reconciliação e restauração! Paulo Junior anuncia a lei, mostrando o santo padrão de Deus, mas esquece-se, depois que o pecador se desespera diante da santidade de nosso Deus, de anunciar o perdão e a reconciliação pelos méritos sacrossantos de Jesus Cristo! A igreja não deve perder isso de vista, senão o legalismo toma de conta!

7. Uma vez que o pecado do divórcio não é um pecado imperdoável, claro está que pode ser perdoado. O divórcio, mesmo quando próprio, sempre é ocasionado pelo pecado de alguém. Ou seja, todo divórcio é ocasionado pelo pecado, mas nem todo divórcio é pecaminoso. Todavia, mesmo no melhor dos casos, o divórcio sempre trás infelicidade e dor. Por isso Deus o odeia. Mas, mesmo aquele que obteve o divórcio por meios pecaminosos pode ser perdoado, purificado e restaurado à comunhão da igreja de Cristo, precisamente como os beberrões e os homossexuais mencionados em 1Coríntios 6.9-11, desde que ARREPENDIDOS.

8. É importante desenvolver uma atitude bíblica, equilibrada (e não confusa, no caso de Paulo Junior e outros), para com o divórcio – por um lado, odiando todas as coisas que Deus odeia quanto ao divórcio, embora reconhecendo, por outro lado, que neste mundo pecaminoso há situações nas quais (como o próprio Deus demonstrou, pode ser necessário obter o divórcio).

O texto já ficou longo demais para a maioria, mas para mim e outros que gostam de se aprofundar está curto demais! Porém, acredito que alcancei o pretendido. Alertando aos leitores que poderia ampliar o assunto. Ainda, esclareço que não fiz um artigo sobre casamento e novo casamento, mas especificamente sobre um ponto relacionado ao divórcio citado pelo nobre pastor Paulo Junior.

IVAN TEIXEIRA
Minister Verbi Divini
Soli Deo Gloria!




[1] KÖSTENBERGE, Andreas J. Deus, Casamento e Família: Reconstruindo o Fundamento Bíblico, p.236. São Paulo, SP, Brasil: Vida Nova, 2011.
[2] ADAMS, Jay E. Casamento, Divórcio e Novo Casamento na Bíblia, p.99. São Paulo, SP, Brasil: PES, 2012.
[3] STOTT, John. Grandes Questões Sobre o Sexo, p.83. Niterói, RJ, Brasil: VINDE, 1993.
[4] KÖSTENBERGE, 2011, p. 238.