sábado, 23 de junho de 2018

O MINISTÉRIO ESTÁ DE PÉ OU CAÍDO COM A LEALDADE!!!


Lealdade e Deslealdade

Vivemos num mundo onde as pessoas pendem para os seguintes polos: lealdade e deslealdade. É triste constatar que muitas pessoas pendem mais para o polo da deslealdade.
Falamos sobre este assunto porque as Escrituras estão repletas de relatos tanto de pessoas leais como também de pessoas traiçoeiras. Como cristãos e obreiros, nós devemos atentar para o claro ensino das Escrituras se quisermos ser poderosamente abençoados por Deus.
O pastor Dag Heward Mills traçou o seguinte comentário: “Os poucos anos no ministério também me tornaram muito cônscio das pessoas leais e das desleais. Tenho observado o impacto que a lealdade e a deslealdade tiveram em igrejas e ministério”.

Lealdade é a principal qualificação de todo obreiro!
Às vezes pensamos que pessoas qualificadas para o ministério e liderança na igreja sejam aquelas que tenham dons extraordinários, no entanto, mesmo sabendo da importância dos dons no exercício do ministério advogo que tais dons sem lealdade de nada valem.
O exemplo bíblico é encontrado na Parábola dos Talentos. Nesta história o Senhor afirmou que todos receberam talentos proporcionais à capacidade, porém apenas dois foram leais ao senhor que lhes deu os talentos. Então, veja que mesmo que cada um tenha recebido talentos um dos que receberam foi desleal ao seu senhor.
Meu ponto é esse: Talento ou dons sem caráter de nada vale! Assemelha-se a enterrar o talento! Quando você não tem caráter ou lealdade você acaba por enterrar o talento que Deus te deu em vez de usá-lo para a glória de Deus, edificação da igreja e para evangelização dos perdidos.
Como um grande líder Davi entendia a questão do caráter e a importância da pedra preciosa da lealdade, por isso ele escreveu no Salmo 101.6: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá”.
Nesta mesma tonalidade o apóstolo Paulo orientou o jovem Timóteo: “E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros” (2Tm 2.2).
Notamos as qualificações elencadas por Paulo para o exercício ministerial: fidelidade e idoneidade. Isso não era um tom desafinado no cântico ministerial, mas o diapasão do ministério bíblico: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co 4.2).
Nestes textos a palavra grega para “fiel” é pistós.
No texto de 2ª Timóteo notamos um “processo contínuo”[1] de transmissão do evangelho por meio de homens fiéis e idôneos. Deus utilizasse da lealdade/fidelidade e idoneidade dos Seus para a tramitação do evangelho entre as gerações!
Ser ministro de Cristo, despenseiro dos mistérios de Deus e obreiro na igreja local não é para qualquer engraçadinho que queira glamour ministerial (coisa que não existe!), mas para aqueles que fiel e lealmente labutam na obra do Senhor Deus e são chamados para erguer a tocha do evangelho passando entre as gerações.
John MacArthur pontou:
Pistos (fiéis) é usado mais adiante neste capítulo para fidedignidade da promessa de Deus de que “se morrermos com Ele, também viveremos com Ele” (v.11), e alguns versículos depois sobre o próprio Cristo, que, mesmo “se formos infiéis, Ele permanece fiel; porque não pode negar a Si mesmo” (v.13). Em outras palavras, esta entrega especial é reservada para homens cujo caráter reflete a fidelidade da própria Palavra de Deus e do próprio Filho de Deus. Neste contexto, o fiel não se refere apenas ao caráter espiritual, mas ao dom espiritual. Deus não chama todo crente para ser mestre e mestre de mestres. Paulo sabia que Timóteo tinha tal dom talento (veja 1.6) e aqui o instrui a encontrar outros que fossem tão talentosos e a ensiná-los[2].

A expressão “homens fiéis” refere-se ao “caráter” de pessoas que são “confiáveis” e leais. Isso indica uma “lealdade a Cristo e a Paulo (em contraste com aqueles que o abandonaram) e o compromisso de cumprir oque se prometeu fazer (cf. 2Tm 2.13: “se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a Si mesmo”; 1Tm 1.12: “[...] que me considerou fiel, designando-me para o ministério”)”[3].
O comentarista William Barclay sublinha:
A palavra fiel em grego é pistós, palavra que possui uma rica variedade de significados intimamente relacionados. Alguém que é crente, uma pessoa leal, uma pessoa credível. Aqui estão todos esses significados. Falconer disse que esses crentes eram tais “que eles não se renderiam à perseguição ou erro”. O coração do mestre deve ser tão firme em Cristo que nenhuma ameaça de perigo pode seduzi-lo do caminho da lealdade ou qualquer sedução do falso ensino pode desviá-lo do caminho certo da verdade. Deve ser constante tanto na vida quanto no pensamento[4].

Concluo este ponto com as observações doutro comentarista:
Aqueles a quem ele confia tais ensinamentos devem ser fiéis ou confiáveis (1Tim 1.12). Nas Epístolas Pastorais, este mesmo adjetivo muitas vezes significa “crente” (cf. 1Tim 4:.3, 10, 12; 6.2, Tito 1.6); no entanto, aqui, assim como quando é usado na frase “palavra fiel é isto” (2.11, etc.), a ênfase está na confiabilidade da pessoa em questão, não em sua posição (embora seja provável que se tenha em mente aos anciãos de 1 Timóteo 3.1-7 e 5.17-18)[5].

O ministério está de pé ou caído com a lealdade! A lealdade do obreiro é a vida do seu ministério!

IVAN TEIXEIRA




[1] MACARTHUR, John F. Comentario MacArthur del Nuevo Testamento: 1 y 2 Tesalonicenses, 1 y 2 Timoteo, Tito, p.45. Grand Rapids, Mchigan 49501 USA: Editorial Portavoz, 2012.
[2] MACARTHUR, John F. Jr. ([s.d.]). 1 & 2 Timothy MacArthur New Testament Commentary.
[3] TOWNER, P. H. (2006). The Letters to Timothy and Titus (p.491). Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co.
[4] BARCLAY, W. (2006). Comentario Al Nuevo Testamento (p. 840–841). Viladecavalls (Barcelona), España: Editorial CLIE.
[5] FEE, G. D. (2008). Comentario de las Epístolas a 1a y 2a de Timoteo y Tito. (P. L. Gómez Flores, Trad., A. F. Ortiz, Org.) (p.279). Viladecavalls, Barcelona: Editorial Clie.

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